No Limits To Darkness

2 Capítulo 2 - The Trap


Alice se arrepia ao ver aquela imagem diante de seus olhos. Assim como encontrou seus pais decepados a 11 anos atrás, morria de pavor. Buscava alguma lembrança, talvez Mitch, mas nada a fazia deslembrar desse instante.

A pessoa inativa estava coberta de preto inundando a neve com sua cor vermelha espalhafatosa saindo do corpo. Alice se aproximou com cautela. Era incerto se estava com vida ou não.

Ergue um de seus braços e estica até o corpo debruçado. Por mais que se recorde da dor que passou, não excita em descobrir mais sobre o que está acontecendo.

Com um toque leve, cutuca o corpo esperando por alguma reação. Nada. Em seguida trata-se de revirá-lo para decifrar seu rosto.

– ME AJUDE! — Alice se põe para trás tombando num galho aleatório coberto de neve. Ela não pode acreditar no que está vendo. Quem quer que seja, é um homem, e está vivo.

Imediatamente ela se levanta e anda em direção ao jovem.

– Por favor! — Ele pede novamente trincando os dentes como se estivesse resistindo a dores extremas.

– Eu vou te ajudar, espere! — Alice, inocente, busca por alguma solução, mas a única que corre por sua cabeça é pedir ajuda a Mitch. — Eu vou buscar ajuda! — Ela diz a pessoa que neste exato momento cospia sangue descontrolavelmente.

Alice passou voando mesmo com a neve funda e se arranhou em múltiplos galhos de árvores até comparecer ao devido local. Para subir respira fundo e toma um pouco mais de oxigênio já afadigada.

Ela entra na espécime de caverna e não encontra Mitch por lá.

– Mitch? — Alice chama. Sua voz ecoa pela caverna.

Tão desolada, Alice constata que Mitch tenha se irritado com algo que ela fez, tenha a deixado na mão para não se envolverem mais... Ou, simplesmente tenha ido encontrá-la. Diante de todas essas opções, nenhuma é a resposta.

Alice sente um vulto por trás. Seus olhos temem. Mitch? Será Mitch? Mas ela constata algo obscuro, sombroso, como um pressentimento sórdido. Por fim vira-se para trás e um susto tomado por um grito acontecem em seguida.

– Q-quem é você? — Gagueja incrédula.

– Seu amigo está comigo. — Ele sorri maléficamente. — Me chamo Jack Mortenson. — Ele se curva diante de Alice com uma expressão de sarcasmo. Ela anda com um pé para trás procurando escapatórias, todavia a caverna só tinha uma saída. E Mitch estava com Jack.

Jack segura um lenço vermelho e o desliza pelas mãos para consentir medo em Alice. Ele se aproxima e ela recua.

– Acho melhor você ser boazinha comigo. — Jack, com o lenço o leva até os braços de Alice. Inutilmente ela tenta uma fuga. Ele a segura. Ela tenta mordê-lo, mas ele é mais rápido. Amarra as mãos pálidas de Alice uma a outra com o lenço. Fica tão resistente que a pele desperta uma cor avermelhada.

– Quem você pensa que é? — Pergunta com ira antes de Jack por outro lenço, dessa vez em sua boca.

– Sou um caçador experiente que extermina qualquer coisa fora do meu conhecimento. Ainda mais se for um deles. — Um deles. Alice supõe que talvez Jack pense que ela seja um lycan. E também suspeitaria dela ser vampira se estivesse perambulando sob a noite. Com a boca coberta não podia esclarecer nada. Jack a puxava com uma corda. Nenhum sinal de Mitch. Eles passaram andando e ela viu a pessoa ensanguentada. O jovem clamou pela atenção de Jack.

– Por favor! Eu fiz o que pediu! Me liberte! — Jack o olhou com repulsa. Pegou um facão escondido dentro de sua bota e o ameaçou.

Jack amarrou a corda que Alice está presa num galho de uma árvore grossa e foi cuidar de seu submisso.

– Cale a boca! — Berrou ao homem. Jack não aparentava ser muito mais velho que Alice. Como Mitch, era quase de sua idade.

– Eu a distraí! — Retribuiu o servo.

– Não importa mais. — Jack aproximou o facão e pegou a mão do sujeito a força. — De qualquer forma você é um deles. — O caçador cortou a mão do sujeito a sangue frio.

– Eu não escolhi ser um deles! — Jurou o homem perdendo muito sangue. Alice fechou seus olhos e começou a chorar em silêncio.

– Mas eu escolhi matar você. — Foram as últimas palavras de Jack antes de cortar o pescoço do sujeito. Alice continuou a evitar a qualquer custo abrir seus olhos. De repente sentiu suas mãos sendo puxadas novamente.

– Sente pena dele? Que inútil. — Verbalizou o caçador.

Não demorou muito para Alice e Jack atravessarem tantas árvores em seu caminho. O local em que chegaram estava repleto de homens como Jack, tenebrosos e com bastante ódio no olhar, construindo armas, carregando ferramentas e treinando como se estivesse ansiando por uma guerra.

Jack Mortenson levou Alice até um lugar escondido. A trouxe numa área fechada por grades, similar a uma jaula de animais selvagens, ele retirou os lenços das mãos e dos lábios dela. Jogou Alice como se não fosse grande coisa e a trancou.

– Aproveite o lugar. — Jack então voltou-se a executar o que fazia antes, desprezando Alice que agora chorava aos prantos.

– Não chore. Estou aqui. — Aquela voz. Aquela voz similiar. Mitch! Mitch estava em frente a ela em outra jaula segurando a grade enferrujada com um olhar de apreensão.

– Pensei que... — Ela nem queria imaginar quando o caçador afirmou que estava com ele. Achava que estava sendo torturado ou algo pior.

– Desculpe. — Pede Mitch fixando seu olhar em Alice.

– Isso não é culpa sua.

– Anos sem se importar muito, anos sem descobrir meus sentimentos... — Mitch prefere obstruir suas palavras para pensar sozinho. Alice exige um esclarecimento, mas ele dá de ombros sentindo-se ineficaz. Ele sente falta dela. Sente falta das poucas conversas que tinham e da única vez em que se beijaram. Mitch não abandonava o pensamento de que sente alguma coisa por Alice.

[...]

Um pequeno feixe de luz infiltrava-se naquele lugar escuro. Alice sem perceber, havia adormecido. Quando descerra os olhos o primeiro impulso que toma é de localizar Mitch. Ela o vê sentado cochilando. Tenta chamá-lo sussurrando, mas de nada adianta.

Alice descarrega sua vontade de chorar naquele instante. Acabou. Ela verá toda sua família em breve e só isso a fazia se sentir melhor.

– Não chore. — Alice levou um pequeno susto ao ver Mitch abrindo os olhos. Ele se agarrou na grade como no dia anterior e tornou a tomar conta de Alice apenas pelo seu olhar, para não vê-la permanecer abatida. Pela primeira vez conversavam sobre qualquer coisa que não fosse a guerra ou onde foram parar, e por mais que Alice ainda estivesse ressentida pelo ocorrido, respondia a ele sempre. Em alguns momentos conseguia tirar um sorriso branco dela, deixando-o satisfeito.

– Bom dia. — Uma voz nada simpatizante chamou atenção dos dois.

– Quando pretende nos dar alguma explicação? — Alice se esquivou ao ouvir a pergunta de Mitch. Ela só queria que nada acontecesse com ele. Depois do homem sendo torturado, espera que Mitch fique paciente.

– O que acham? — O caçador de estrutura forte com diversas cicatrizes pelo braço e uma no rosto perguntava de volta querendo que advinhassem sua vontade.

– Você acha que somos um deles? — Desta vez Alice que se pronunciava. Jack se dirigiu a ela. Mitch surrava as grades que o separava de Alice exigindo que Jack não encoste nenhum dedo nela.

– Acha mesmo que não sei diferenciar meros humanos de lycans ou sanguessugas?

– Então o que quer? — Alice engolia em seco. Sabia que uma resposta que gostaria de ouvir não vinha a calhar.

– Digamos que... Estamos aprontando novas armadilhas para capturar essas aberrações e descobrir o que querem.

– Como assim o que querem? — Mitch que falava.

– A guerra de 11 anos atrás aconteceu devido a uma disputa de territórios. Vampiros e lycans queriam se apoderar do mesmo lugar.

– Hostick. — Completou Alice.

– Hostick era o lugar perfeito para se procriar e refugiar famílias do mesmo clã... Quem vencesse a guerra poderia desfrutar do lugar. Acontece que vampiros estão a milhares de anos na terra e já tinham seu próprio lugar.

– Então por que insistiram nessa droga de guerra?! — Pergunta Alice, equivocada.

– Porque, minha querida, — Jack encarou Alice com precisão. — Os sanguessugas sempre exigem mais. — Conclui Jack deixando Alice com maior apreensão.

– De qualquer forma, Hostick seria tomada... — Compreende Mitch com um olhar vago e com desgostoso.

Agora que Jack Mortenson manifesta o que sabe, Mitch e Alice se perguntam em como irão aproveitá-los com novas armadilhas. Se tinham o que queriam, não precisavam deles.

– Ainda não nos respondeu... Jack. — Mitch dizia o nome de Jack como se o estivesse intimidando.

– Estamos precisando de iscas. Só isso. — Ao Jack deliberar tais palavras Alice novamente afligi-se. Do outro lado, Mitch derrama algumas lágrimas, mas nada que o impeça de estar sempre a disposição de Alice. — Lamento. Mas é preciso. — Diz o caçador com um tom sarcástico e muito convencido. Retira-se os deixando na escuridão repetidamente cobertos de padecimento.

[...]

O dia havia tido pressa. Era noite, e talvez a última noite de Mitch e Alice. Ambos se olhavam querendo um último abraço... Ou talvez mais. Ela estica seu braço passando entre as grades e ele faz o mesmo. Quase se alcançam, mas o braço de Alice não se compara a largura do braço de Mitch os fazendo ansiar por aquilo e nada mais.

– Eu nunca agradeci pelo seu acolhimento... — A ruiva diz entre choros.

– E eu nunca agradeci por sua ternura. — O sorriso de Mitch vinha seguido de inúmeras lágrimas que chegavam até seus lábios. Ele queria olhá-la enquanto ainda lhe restava tempo. — Se houvesse uma maneira de escaparmos... — Murmura.

– Eu devia...

– Não. Você não devia ter feito nada. Iríamos estar aqui do mesmo jeito. Não se culpe. — Pede Mitch com uma voz fraca ao dizer a frase: ''Iríamos estar aqui do mesmo jeito''.

Em seguida os dois levam um susto quando a porta se abre com força. Desta vez não era o caçador que conheciam, um estranho de cabelos desgrenhados abre uma das jaulas. Para o desapontamento de Mitch era a de Alice que foi aberta.

– NÃO! POR FAVOR NÃO! — Gritava, pedia, clamava para não fazerem isto. — ELA NÃO! ME LEVEM POR FAVOR! ELA NÃO! — Implorar não adiantava, o homem a levava a força. Alice estava com correntes nas pernas e nos braços.

– Adeus Mitch. — Ela diz a ele. Ele tenta alcançá-la dessa vez, querendo apenas tocá-la.

– NÃO! — Ele cai no chão com amargura sentindo seu coração apertado.