No Limits To Darkness

1 Capítulo 1 - Desire


Hostick. Hostick costumava ser um povoado alegre e vivo. Crianças correndo por todos os lados sem nada temerem, todos podiam contar uns com os outros em seus afazeres, mães e pais encarregando-se de seus filhos e nenhuma aflição. Acabou. A cidade cheia de destaque e simplicidade por todos os arredores acabou.

Mitch Backwell, como estabeleceu, todo o dia caminha pela floresta a procura de algum animal descuidado ou repentinamente um fruto qualquer. Contudo o tempo não favorecia a seu estômago e muitas vezes aparecia de mãos vazias anunciando a triste verdade.

Alice Rutherford cuidava do esconderijo como se fosse sua própria casa, fazia questão de consumar o fogo para o caso de Mitch trazer consigo algum animal morto. O que era improvável já que a frieza não permitia. Neblinas vagavam por toda a montanha impedindo Mitch de caçar e achar o caminho de volta.

Alice e Mitch conviveram durante 11 anos juntos após um massacre entre mercadores da morte e lycans, mais conhecidos como vampiros e lobisomens. Além de presentearem sua cidade ser destruída, presentearam a morte de suas famílias. Sobrevivem até hoje num refúgio nas montanhas. Mas isso não muda o fato de continuarem a se tratar feito estranhos, já que a consciência dos dois vive presa a lembranças. Ambos fantasiam Hostick em seus sonhos e quando despertam, enxergam a angústia realidade e a agonia que irão passar por mais um dia.

Alice, de aparência robusta, fios de cabelo longos, ruivos e bem vivos que ascendem a escuridão, olhos verde lima cintilantes que se cansam inúmeras vezes de viver mais um dia, branca feito neve com belas maçãs contidas com sardas notáveis. Uma beleza diferente aos olhos de Mitch.

Mitch prefere manter sigilo, não é muito de conversar, seus pensamentos se ocupam muito enquanto busca comida. De aparência forte, rosto fino que abriga seus olhos pequenos e azuis do mar, uma boca desenhada e quase tão pálido feito Alice. Na antiga Hostick os indivíduos se assemelhavam somente na cor de pele pálida.

Mitch trazia em suas frias mãos cobertas por uma luva macia marrom um coelho despido de cabeça para baixo. Mitch o larga no solo gélido e se senta em frente a fogueira. As faíscas se deslocavam conforme a brisa fria atravessava a espécime da caverna tenebrosa e silenciosa.

- Desculpe. – Rogou Mitch. – Prometo que quando esse inverno passar conseguirei melhores suprimentos para nós. – Focar no coelho lhe dava indigestão, era a mesma refeição durante semanas.

- Nos viramos. – A franqueza de Alice aborrecia Mitch de tão inocente que era. Obviamente teriam que se virar, obviamente não estava tudo bem. Ele sentia raiva do fato dela sempre querer amenizar a realidade.

- Não temos nada. – Afirmou num tom grave.

- Temos o coelho. – Retrucou Alice.

- Não está cansada da mesma comida todo o dia?

- Você diz como se tivéssemos escolha. – Mitch descontinuou. Enrijeceu sua expressão e tratou de assar a carne de coelho a sua frente. Alice queria entender Mitch. Em alguns momentos parecia que ele desejava pleitear. Seu modo de falar era hostil e integrar-se com ela era árduo demais.

Mitch assou toda a carne e a cortou especialmente para Alice. Outro comportamento de Mitch que ela desconhecia. Talvez essa seja a forma dele pedir desculpas.

- Obrigada. – Agradeceu a Mitch com um sorriso modesto. Mitch assimilou com a cabeça e mordiscou sem vontade o primeiro pedaço da carne. Diferente de Alice que comia apressadamente saboreando cada fragmento.

Mitch a encarava disfarçadamente. Odiava o fato de conhecê-la porque a encontrou como sobrevivente. Queria conhecê-la em um impreciso dia de sol acidentalmente. Ódio? Claro que não. Fascínio? Sim. Mitch aparentemente não ânsia por vínculo, mas no íntimo clamava por algo a mais. Deveria ser por que era a única menina humana que conhecia? Pensava Mitch sossegado.

Saciados, os dois humanos decidem descansar. A fogueira quase se apagando entre os dois. Numa ocasião repentina os dois se olham intensamente. Alice começa a tremer de frio e por fim o fogo se dissipa. Na escuridão Mitch a encontra e a toca sem pensar muito. Sua pele aparentava estar congelada. Mitch deita ao seu lado e a puxa para si a abraçando com aspiração. Alice continua a tremer. Mitch se junta mais a ela e seu coração começa a agitar. Será que ele a deseja tanto assim?

Alice vira-se sussurrando um obrigada a Mitch. Seus lábios quase fazendo contato um com o outro. Alice nem se quer pisca ao ver Mitch a encarando. Mitch olha sua boca desenhada e carnuda. Ele passa sua mão no rosto de Alice com bastante cuidado e se deslumbra com ela. Ela fecha os olhos e quase se impede de respirar. Alice sente o carinho de Mitch e se põe a sorrir para si recordando dos momentos felizes que já passou.

Mitch tenta resistir a essa tentação, mas nota que seus lábios já estão seguindo rumo aos de Alice. Se encostam sutilmente. Ele com movimentos fortes a conduzindo e ela se rendendo a ele que não ousa parar. A língua de Mitch encontra a de Alice e tudo aquilo se torna intenso.

- Eu não quero parar... – Murmura Mitch na folga do beijo. Alice nada responde. Ela não esperava por nada disso. Não esperava sentir algo a mais pelo seu companheiro de sobrevivência, aquele cujo o qual é rígido e calado, que prefere passar um bom tempo sozinho do que estar a disposição dela. – Mas eu prefiro. – Finaliza beijando Alice na testa. Contudo Mitch não se move, os dois permanecem abraçados. As mãos dele envolta dela. Alice apoiando um pouco sua cabeça no peitoral de Mitch. Ela adormece segundos depois. Mitch ainda acordado massageia os cabelos ruivos de Alice. A todo segundo quando ela se locomove um pouco distante a ele, ele vai atrás impossibilitando do frio atormentá-la.

Mitch adormece. Desta vez não idealiza Hostick ou adquire pesadelos pela morte de sua família, ele sonha com o vazio. Sua mente apaga. Não se aflige mais.

[...]

Pela manhã Alice desperta e se espreguiça. Ela enxerga Mitch num sono profundo ao seu lado como jamais teve. Ela acaricia os cabelos dourados do rapaz e se permite levantar para fazer uma surpresa. Todos os dias ele segue caminho nesse tempo infernal, atravessa neblinas e enfrenta graves nevascas... Alice quer fazer o mesmo por ele.

Como sempre o frio é intenso e Alice não tem com o que se cobrir. A mesma roupa a alguns dias, uma saia longa rodada e uma blusa de manga comprida que nada servia para passar o frio. Não conseguiu grandes coisas no que sobrou de Hostick. Já fazia algumas semanas que os dois não desciam por lá. Ela sentia que algo de estranho naquele instante estaria acontecendo pelo antigo povoado. Não tinha mais vida. Isso ela garantia.

Enquanto a bota velha que calçava afundava na brancura, procurava por algum cervo ou esquilo. Uma carne diferente para fisgar com a única faca que Mitch tinha em mãos. Ela queria deixa-lo feliz.

Repentinamente ela presumi que não está sozinha. Alice arregala os olhos ao ver que uma pessoa mais ou menos de sua idade, 18, está caída diante da neve, ensanguentada e arduamente ferida.