No Limite do Divórcio
5 Lembranças
Notas iniciais
Gente, fiquei muito feliz pelos reviews de vocês!
Mais hj vou agradecer a uma leitora em especial: a Juh-S2
por recomendar a fic. Pois é, a NLDD teve sua primeira recomendação! VIVAAA!
Bom, o capítulo vai ser dedicado a ela, Juh-S2, e tambem a todas aquelas que comentam com frequencia.
Também tenho notado que tem leitoras da NLDD que estão lendo/já leram A Melindrosa e vice versa. Fico mt feliz!!
Nos encontramos lá embaixo! bjs e boa leitura.
Da salinha, vimos o caipira que tinha ganhado o campeonato masculino saindo com um sorriso de orelha a orelha. Logo seria eu. Entramos lá e demos de cara com o infeliz que havia juntado os nossos sobrenomes no meu nome. Ele olhou pra mim reconhecendo a CAPEÃ PATRICINHA e me entregou um envelope que rapidamente abri para conferir a obesidade do cheque.
- Espera aí. – Disse. – Tem uma coisa errada. O prêmio era de US$ 1000,00.
- O prêmio é de US$ 1000,00.
- Então porque você me deu US$ 200,00? – Disse indignada, esse caipira ta zuando com a minha cara?
- Eu descontei dos veterinários. US$ 800,00 pra fazer um touro ressuscitar. Dá próxima vez a senhorita tente não enforcar o touro!
- Isso é um absurdo! Os veterinários têm que ser pagos pela prefeitura de Hindson, não pela pessoa que precisa deles em um rodeio! – Disse Edward gritando.
- Aqui em Hindson é assim: paga quem usa.
- Eu vou processar você! – Disse.
- Ah é? Em que tribunal de Hindson? Olha aqui minha filha, fique satisfeita por não tirar mais US$ 100,00 da alimentação deles.
- Você não ousaria. – Disse.
- Ousaria sim, não tenha dúvida. – Disse a orca se levantando em minha direção, pronta pra me atacar a qualquer momento.
- Vamos Edward.
- Mas Bella!
- Vamos.
De uma coisa eu tinha certeza: teríamos que arranjar logo uma nova forma de ganhar dinheiro, porque US$ 200,00 não era nada
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E. Cullen
As nossas condições não eram as que podemos chamar de melhores. Estávamos falidos, sem documentos, nossas roupas estavam imundas, os cabelos bagunçados, e indo passar uma noite em um muquifo que Hindson chamava de hotel. Em pensar que era só o começo...
Cara, agora que eu notei que Bella estava mancando. Também, olha a lapa do salto dela! Como alguém consegue se equilibrar naquilo? Eu conhecia Bella, e ao olhar pra ela vi que a sua face não estava das melhores. Seu rosto lindo e delicado estava transformado em uma careta de raiva, com os dentes trincados e eu tinha certeza que o olhar dela poderia matar alguém.
Entramos no local e nos dirigimos a recepção, onde havia uma senhora de aparentemente uns 60 anos e uma mulher de mais ou menos 25. Vi o olhar da última sobre mim.
Meu peito inflou. Tem como não dizer que eu sou O foda?
- Boa noite... Mas olha vovó, se não é a mulher que quase matou o touro?! – Disse a menina olhando pra Bella como se ela fosse um verme.
Por que será que eu estou pressentindo que isso não vai dar certo? Já sei, é porque o olho de Bella ta piscando de raiva. Pelo jeito sou eu que vou tomar as rédeas por aqui.
- Não precisava mencionar isso Jane. – Disse a senhorinha. Coroa com bom senso é dez! Provavelmente ela deve ter sentido calafrios quando olhou pra Bella.
- Claro que precisa vovó. Nós precisamos rir de vez em quando. – Disse ela sorrindo.
Eu não to entendendo o problema dessa mulher com a Bella.
- Boa noite. Meu nome é Dona Senna, em que posso ajudá-los?
- Olá. Sou Edward Cullen e esta é Isabella Cullen – Ignorei a careta de Bella ao ser chamada de “Cullen” e segurei os braços de Bella por trás, estava vendo a hora dela pular naquele balcão e dar um soco na loira. – Nós queríamos um quarto de casal.
Bella olhou sadicamente para mim.
- Só um momentinho. – Disse para as duas e levei Bella até um canto do hall. – Nós não temos dinheiro para alugar dois quartos Bella. E para ficar em um quarto sem chamar a atenção desse povo, nós temos que ser casados. O que é uma verdade.
- Edward. Resolva logo essa porra, que eu preciso dormir. Meu cabelo tá horroroso, meu sapato que era vermelho está preto, minha roupa esta imunda, eu estou fedendo a cocô de boi, logo, o meu humor não está dos melhores e eu to sentindo que eu vou explodir a qualquer hora. E a primeira a morrer vai ser aquela vadia e logo em seguida você. Entendeu?
- Perfeitamente. Você está possuída por Lúcifer.
- Exatamente.
Voltamos ao balcão e a senhora me esperava com os papeis de entrada.
- Quanto é uma noite?
- US$ 50,00 com direito a jantar e café da manhã. O valor é pago agora.– Oh céus, 25% do dinheiro. Vida de pobre é foda. Com esforço e uma dor profunda em meu peito, minhas mãos tremiam e minha perna quase perdendo as forças, dei os meus tão queridos e insubstituíveis US$ 50,00.
Acha que estou fazendo drama? Se coloque no meu lugar!
- Onde é o quarto? – Perguntei ainda tomado pela dor da despedida.
- No segundo andar. – Disse Jane. – Pertinho do meu. – Disse piscando para mim.
Vi Bella tremer. Era impressão minha ou ela estava com ci... Não. Ela não estaria.
- Jane, pare com isso! – Disse senhorinha.
- Qual é vovó. Tenho certeza que eu deixo essa aí no chinelo.
- MAS EU MATO ESSA LAMBISGÓIA! – Bella pulou no balcão e segurou o pescoço de Jane, com os joelhos em cima da mesa.
Normalmente eu sentaria na poltrona e assistiria a briga. Afinal, tem coisa melhor do que briga de mulher? Porém, ali era Bella, uma criaturinha de 1, 52 contra Jane, de 1,70 e pouco. Não que Bella não fosse forte, — sou testemunha da força de Bella – mas ela sempre deixava a impressão de ser tão frágil e quebradiça. Além do mais, a velhinha poderia ter um infarto.
- Calma Bella, para! Para! – Segurei-a pela cintura e a afastei do balcão, enquanto a própria balançava as pernas no ar. – Nós não estamos tendo um dia muito bom. – Disse para Dona Senna enquanto Bella havia parado de balançar as pernas e começou a se acalmar. – Fomos assaltados durante nossa viagem, roubaram nossos documentos e nossas malas. A única coisa que nós temos é a nossa roupa do corpo.
- Ow... Pobrezinhos. – Disse a coroa. – Eu tenho algumas roupas da minha filha e do meu genro que não moram mais aqui. Eu posso dá-las a vocês. E me dêem suas roupas que eu boto na lavanderia e estarão limpinhas amanhã de manhã. Cortesia da casa.
- Obrigada. – Disse Bella. – Me desculpe pelo que aconteceu. – Disse corando de vergonha.
Lá vou eu começar minha tese sobre a coloração de Bella: O corado de raiva toma conta de todo o rosto, porém, o de vergonha fica só nas bochechinhas. Diga agora que eu não poderia fazer um doutorado?
- Eu entendo querida. E Jane não é mole. Está doida pra casar e dá em cima de todos os hóspedes sem exceção.
E eu aqui me achando O fodão porque nenhuma mulher resistia a mim.
Me senti um lixo agora!
- VOVÓ! – Jane gritou com as mãos na cintura.
- É verdade e foi você que começou. Vou levá-los até o quarto e logo mais trarei as roupas para vocês poderem tomar banho.
- Pode-nos trazer a comida no quarto? — Perguntou Bella – Estamos muito cansados.
- Claro que sim.
Comecei a procurar o elevador naquele lugar até observar que a mulher estava subindo a escada. Eu realmente sou uma pessoa ingênua.
Bella fez uma careta pra mim e seguiu a mulher, comigo nos calcanhares. Finalmente chegamos ao quarto e a senhora nos deu a chave, dizendo que já chegaria com as roupas. Bella abriu e porta e nós entramos.
O quarto era simples e tinha uma infiltração pequena no teto. Havia um banheiro do lado da cama que era de molas e tinha uma TV pequena em cima de uma cômoda velha de madeira. As cortinas desbotadas cobriam a porta que dava para uma pequena varanda. A única coisa que parecia ser novo naquele lugar era o guarda-roupa de duas portas.
- Bom... Não é um cinco estrelas. – Disse Bella. – Mas acho que dá pra passar a noite.
-Bella, isso não é nem ¼ de estrela. Mas dá pro gasto.
Bella se encaminhou até o armário e tirou de lá duas toalhas de banho, shampoo e sabonete.
- Estão cheirosinhas. Tomara que esse shampoo dê certo para o meu cabelo. – Revirei os olhos. Por que mulheres são todas iguais?
- Estou entrando. – Disse Dona Senna. – Aqui estão as roupas, espero que sirvam. Daqui a pouco vou trazer-lhes a janta e pegarei a roupa de vocês para lavar.
- Obrigada dona Senna. A senhora está sendo muito gentil.
- Nada, minha filha. Até daqui a pouco.
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B. Swan
Dona Senna saiu e encontrei Edward jogado na cama com os olhos fechados. Ah, mais é agora que mato cachorro a grito!
- Edward, você está imundo! Saia já dessa cama! – Ele abriu os olhos e me encarou sem nem se mexer, só sorrindo torto como se tivesse zombando da minha cara. Desgraçado! Segurei a mão dele e tentei puxá-lo pra fora da cama, mais o filho da mãe me puxou pro lado dele.
- E agora, vai querer sair daqui?
Nós estávamos exaustos, e sair daquela cama era realmente difícil. Não que fosse confortável, eu podia até sentir um lado mais alto que outro, mas aquilo ali era o paraíso naquele momento.
E eu também não poderia deixar de notar a estranheza de ter Edward ao meu lado numa mesma cama de casal. Eu sei que vocês estão pensando besteira seus pervertidos, mais é que depois de dois anos sem estar ao lado dele e do nada: BUUMMM... Edward praticamente dormindo na mesma cama que eu... É de se estranhar.
-Vamos Edward, levanta, vai tomar banho logo.
- Ta, ta bom, você venceu. Mas que mulher chata! – Pegou suas coisas e foi para o banho.
Não demorou muito para Edward sair de lá com uma calça tactel. Mas onde está o pudor nesse mundo?
- Você não tem camisa não?
- Bella eu só coloquei essa calça porque Dona Senna vem aqui. Você sabe que eu durmo só de cueca.
Como? Eu não vou dormir com aquela... aquela... protuberância a mostra. Deus do céu, esse quarto não tem um ar condicionado não?
Ia retrucar quando Dona Senna entrou com um carrinho de comida. O cheiro estava ótimo.
- Creme de galinha. Espero que gostem.
Ela saiu e eu fui para o banho imediatamente. Sempre tive o costume de jantar só depois que tomava banho. E Edward pareceu se lembrar disso quando falou pra eu ir tomar banho logo que ele estava com fome. E o mais estranho foi que ele me esperou. Alguém entende esse cara?
- Finalmente! Vem já botei a comida e to com fome! – Disse quando sai do banheiro.
Nós dois comemos a panela toda. Estávamos morrendo de fome e nem nos preocupamos em melar a boca toda. Fui no banheiro lavá-la e depois sentei na cama. Foi ai que eu senti o quão dolorido meu pé estava. Fiz uma careta.
- Está doendo? – Disse Edward.
- Não, só esta parecendo uma bola de futebol mais isso não quer dizer nada! – Pergunta idiota tolerância zero. – Claro que está doendo. Experimenta usar um salto 15 o dia todo.
- Quando é que você vai entender que nunca vai crescer Bella, mesmo usando um salto 15 o dia todo. – Mostrei minha língua. Ele está engraçado hoje né?
Mas o que me surpreendeu foi quando ele se sentou na ponta da cama e começou a massagear meu pé, como sempre fazia quando eu chegava cansada do estúdio. E essa atitude me deixou confusa. O que ele pretendia com aquilo?
- Diz logo o que tu quer.
- Você vê maldade em tudo né? Logo em mim que sou um homem de bem. – Edward sorriu torto. As mãos dele eram maravilhosas. – Eu só não quero ter que te carregar amanhã, por que sei que se você estiver cansada, de alguma forma que eu nunca vou entender, me persuadiria a te carregar no colo.
- Mas você não se acha nem um pouco né? – Disse cruzando os braços. Apesar do ego dele estar inflado demais e meu orgulho lá em baixo, eu é que não ousaria tirar meu pé dali. Caramba, eu estou entre a cruz e a caldeirinha.
- OH! Vocês fazem um casal tão lindo e perfeito! – Disse Dona Senna entrando no quarto. Segurei meu riso. Ô se fazemos... somos tão perfeitos juntos quanto mentos e coca-cola em um mesmo copo.
- Claro que somos... – Edward olhou sorrindo para mim. Lá vem merda, to até sentindo o cheiro. – Sabe, Bella era uma prostituta quando a conheci. Logo me apaixonei e a tirei desse mundo promíscuo.
ELE TA ZUANDO DA MINHA CARA? Ta querendo me provocar Cullen? Espera um pouquinho que a vingança já está vindo.
- Que romântico...
- Conta a história direito amor... – Disse sentando em seu colo e passando as mãos por seu pescoço. — Na verdade ele foi no meu cabaré por que descobriu que era corno. A mulher não o queria mais porque era... cotoquinho entende? – Fiz um gesto com a mão demonstrando o tamanho. – Mas o amor supera tudo! Porém acho que é essa a razão de não termos tido filhos ainda. – CHUPA ESSA, CULLEN!
Edward sorriu com uma cara que poderia ter me dado medo. Mais eu estava tendo convulsões de rir por dentro e nem liguei. CUTUCA PRA VER SEU PIOLHO.
- É tudo tão bonito... Dá até pra escrever um livro. – Com certeza que dá vovó! Ela recolheu os pratos e pegou a roupa com a promessa de que amanhã estaria limpinho.
Assim que a porta fechou, os gritos começaram.
- PROSTITUTA?
- COTOQUINHO?
- Você começou! Eu estava quieta no meu canto e você veio me cutucar.
- Você não pode nunca falar do tamanho do precioso de um homem. A não ser que seja pra elogiar!
- Talvez sirva pra você baixar esse seu ego que mais parece um balão de tão inflado!
- Ou pra você esquecer as maravilhas que o COTOQUINHO já lhe deu. E você sabe que de cotoquinho ele não tem nada!
Imediatamente corei. Ele não precisava ficar jogando isso na minha cara! E vocês mulheres sabem o quanto é bom fazer amor com um cara tão... avantajado.
- E você não gostava nem um pouco, não é Edward! – Revidei. Eu é que não vou ficar por baixo. – Gemia horrores comigo!
E o quarto ficou em um silêncio constrangedor. Ele olhando para a varanda e eu para meus próprios pés. Boa Edward, tudo por que você falou que eu era prostituta. Cara, ninguém merece.
- Eu vou escovar meus dentes. – Entrei no banheiro e me olhei no espelho. E o pior era que o cotoquinho era uma maravilha!
Sai do banheiro e vi Edward tirando a calça e se deitando na cama.
- Eu não vou dormir na mesma cama que você, ainda mais estando semi-nu nela.
- Ótimo, o chão está disponível. – Disse Edward de costas pra mim. SEU GROSSO DO BUMBUM GOSTOSO!
- Quanto cavalheirismo!- Revirei os olhos. Ele se virou e sorriu sinicamente.
- E eu sou cavalheiro. Estou lhe oferecendo metade da cama. – Disse passando a mão no lugar onde eu deveria estar deitada. Palhaço!
Mostrei a língua, arrancando uma gargalhada dele e peguei os lençóis, começando a arrumar minha “cama” no chão. Ele tinha o dom de me provocar, de me irritar ao ponto de perder o cont...
- Edward! – Subi na cama e chacoalhei ele, que já estava de olhos fechados. – Edward!
- Bella, você tá pálida. – Edward colocou as mãos em meu rosto e por um momento eu me esqueci do que estava acontecendo.
Deixa de ser frouxa mulher!
- Tem uma barata ali. – Não ria de mim, eu não gosto de baratas ok?
Edward, que já conhecia meu medo, não comentou nada e foi matá-la.
- Boa noite Bella.
- Boa noite Edward. E é Isabella.
- Ta certo Bella.
Revirei os olhos e fui dormir. Baratas realmente me dão medo. Aquelas antenas parecem que conseguem ler nossas mentes. Será que tinha mais baratas nesse quarto? Provavelmente, há quanto tempo não é dedetizado esse hotel? E onde tem baratas tem escorpiões. Quem é pior: barata, escorpião, ou um piolho dormindo na cama?
De todos, o piolho é o menos ruim. Me levantei e deitei ao seu lado.
- Já Bella? Que rápida.
- Nem uma palavra Edward, nem uma palavra.
Não demorei muito para dormir.
..:::..
E. Cullen
Aquele hotel era uma porcaria. Já eram 4:00 e eu não conseguia pregar meu olho devido aos catombos que haviam naquela maldita cama, mais um cachorro que não parava de latir e mais um grilo que não parava de cantar.
Ao meu lado Bella dormia pesadamente. Parece que havíamos trocado os papéis, já que eu dormia feito uma pedra e ela acordava com qualquer ruído. Deveria estar muito cansada mesmo. Também, reclamando e tagarelando como ela havia feito o dia inteiro, quem não ficaria cansado?
Ela estava suando devido à falta de ventilador naquele quarto. Na verdade, havia um sim, só que nós decidimos não ligá-lo devido à quantidade de poeira em suas hélices. Foi bem limpinho, viu?! Será que dona Senna conhecia o desinfetante. Vou apresentá-los amanhã. Serão ótimos amigos.
Levantei, fazendo com que a cama praticamente gritasse pois aquelas malditas molas pareciam ter cordas vocais, e fui até a varanda para ver se passava a insônia.
Tudo havia acontecido tão rápido. A carta de Jasper, a taxista tarada, o motorista com cara de Leôncio e Bella... Minha cabeça deu um giro de 360° quando a vi. Eu realmente não esperava vê-la ali, naquele ônibus quente que nem o inferno, com o rostinho mais lindo que eu já vi em toda a minha vida. Na verdade eu não havia pensado na possibilidade de encontrá-la no aniversário da Julinha, pois é muito difícil para nós dois deixarmos o Brasil.
E sem querer e sem imaginar, minha cabeça foi involuntariamente ao momento em que eu a conheci.
FLASHBACK ON
- Já to chegando Alice. Pare de gritar e me fala logo o que eu tenho que fazer? Qual o nome da moça mesmo? – Disse atravessando a rua e indo em direção a floricultura.
- Quantas vezes eu vou ter que te falar? É Isabella Swan. Ela é minha amiga da faculdade e faz Fotografia e Publicidade. Eu já falei com ela do buquê de aniversário da mamãe e ela disse que já está pronto. Fale que é meu irmão e ela vai lhe dar.
- E quais são as flores?
- Lírios. Lírios brancos. Já estão pagos.
- Ok, já estou entrando. – Disse abrindo a porta da simpática floricultora, que estava lotada no momento. – Isso aqui ta um inferno Alice. – Disse me esbarrando com um cliente.
- Pare de reclamar e pegue logo esse buquê. – E ela desligou na minha cara.
Na minha cara!
Depois de pegar uma senha e esperar horas na fila — foi só 10 minutos, mas eu tenho que fazer drama pra história ficar legal – fui atendido por uma menina loira de olhos castanhos, que me deu um sorriso de 32 dentes. Eu sei que eu sou gostoso.
- Oi. Eu queria falar com Isabella Swan.
- Ah! – Deu um sorriso sem graça. – Bella! Cliente pra você.
Uma menina baixinha com belas curvas , pele macia e branca, com cabelo castanho avermelhado, cacheado e bem definido até a cintura, as feições delicadas e com um sorriso doce veio até mim. Seus olhos tinha um tom de chocolate. Usava um vestido florido, um pouco curto e soltinho. Ela era maravilhosa.
- Oi, o que posso fazer por você?
Ela me intrigou. Não me deu nenhum sorriso safado, nem piscou o olho, muito menos rebolou. Será que ela é cega?
- Você é Isabella né?
- Prefiro Bella.
- Prazer Bella, sou Edward Cullen. – Disse sorrindo. De alguma forma, eu havia gostado dela. – Irmão de Alice Cullen.
- Sim! Veio atrás do buquê?
- Aham.
- Só um momento, está guardado lá dentro. – E ela saiu com um rebolado nem um pouco artificial. Aquilo havia me encantado. Era gostosa e sensual ao natural.
Ela voltou segurando o buquê e dando os últimos retoques nele.
- Foi você que fez? – Puxei assunto.
- Foi. Por quê? Não gostou? Eu posso mudar.
- Não, está perfeito. – Ela me entregou sorrindo docemente. – Obrigado.
- De nada. Manda um beijo pra Alice e os parabéns para Esme. Diga que eu sinto muito por não poder ir.
Ela era íntima da minha família. Por que não ser íntima de mim também?
- Digo sim. Bella?
- Sim.
- Você termina o trabalho que horas? Eu conheço um lugar incrível que...
- Não Cullen...
- Edward.
- Não, Edward. Eu não saio com clientes. – Disse dando um sorriso de desculpas. Eu estava sonhando ou eu tinha realmente levado meu primeiro fora?
- Eu não sou um cliente. Só vim buscar as flores da minha irmã. Ela que é sua cliente. – Disse sorrindo na tentativa de persuadi-la.
- Pisou na floricultura é cliente pra mim. Sinto muito Edward, mas não. Até mais. – Ela voltou para onde estava antes de eu chamá-la
Certo, não é o fim do mundo né? Eu só levei um fora da garota mais linda que eu já havia visto. Ela era natural e esbanjava sensualidade sem o menor esforço. Isso não era nada.
Não era nada.
Nadica de nada.
Zero.
- Ei! – Chamei um funcionário que passou por mim. – A Bella termina aqui de que horas?
- 20:00.
- Obrigado!
Sai com um sorrisão gigante da floricultura. A mina seria minha.
FLASHBACK OFF
Naquele dia eu esperei que ela saísse do trabalho e a chamei para sair. Ela recusou novamente e eu me ofereci ao menos para levá-la em casa que era a dois quarteirões de lá. A contragosto — e depois de eu muito insistir — ela aceitou. E todos os dias em que ela trabalhava eram assim. As 20:00 eu estava lá, pronto para acompanhá-la até sua casa.
Nos tornamos amigos, mas eu sempre demonstrava o quanto eu gostava de Bella, fazendo questão que ela soubesse que eu queria mais que sua amizade. Ela ria e dava uma tapinha em mim quando eu ia longe demais. Mas éramos muito próximos um do outro, eu sabia toda a vida dela e ela a minha.
Bella trabalhava para pagar o apartamento onde morava e a faculdade de Fotografia e de Publicidade. Não precisava de nada disso já que os pais tinham boas condições e moravam na mesma cidade que nós. Mas ela queria ser independente e isso só me fazia ficar cada vez mais encantado por ela.
Talking to the Moon — Bruno Mars
http://www.youtube.com/watch?v=2vt52TBQ0LE
E esses pensamentos me levaram a um só: por que tudo havia acabado? Se era tão maravilhoso estar ao lado dela, tê-la em meus braços, por que me separei? Foram essas as perguntas que me fiz quando recebi em minha casa o papel de divórcio. E foi por isso que não assinei. Não que eu ainda a ame — imagine só: eu ainda amar a Bella, que ridículo – mas foi a confusão em minha cabeça que fez com que eu rasgasse o papel na cara do idiota do Oficial de Justiça¹. Quem aquele cara pensava que era pra me entregar um papel de divórcio? Ele era só um Oficial de Justiça.
Só isso.
E mais uma vez minha mente sem o meu consentimento foi parar no dia da minha separação. A pior lembrança que eu tenho. O dia em que a mulher que eu amava disse que não me queria perto dela. Que tinha nojo de mim.
FLASHBACK ON
- Doutor Cullen? – Daniella entrou em meu consultório com algumas fichas na mão. Ela era bonita, tinha cabelo preto e olhos azuis. Mas quando um homem ama realmente, as outras mulheres se tornam apenas... mulheres. E era o que acontecia comigo.
Ela era o motivo das minhas maiores brigas com Bella. O ciúme dela era algo absurdo. Não que eu não tivesse ciúme dela, eu tinha até demais, mais não deixava isso tão explícito. Me controlava. Mas ela não.
Bella exigia que eu demitisse Daniella porque ela “dava em cima de mim descaradamente”. Tão descaradamente que eu nunca percebi. Mas eu não podia fazer isso, Daniella não tinha culpa do ciúme sem fundamento de Bella. Além de ser extremamente competente.
E essa minha resistência fez com que Bella pensasse mais besteiras. E as brigas sempre aumentavam.
- Sim Daniella.
Daniella foi andando até mim, que estava do lado da cama de atendimento, e no último passo tropeçou, fazendo com que eu caísse na cama e ela por cima, com uma mão em meu peito e a outra em meu rosto.
- E depois nega... – Ouvi a voz chorosa da minha mulher de longe, vindo da porta.
Eu não queria olhá-la, eu não queria vê-la, eu não queria acreditar que Bella havia entendido tudo errado. Empurrei Daniella de cima de mim quando vi Bella atravessar a porta, saindo do meu consultório.
- BELLA! NÃO É NADA DISSO! BELLA! – Ia saindo quando Daniella me puxou. – ME SOLTA! BELLA!
- Não faça escândalo, Doutor Cullen. Têm pacientes no corredor.
Pensei melhor. Não podia acabar com meu casamento e meu trabalho no mesmo dia.
- Cancele todos os meus pacientes de hoje, Daniella. Eu só atendo os que já estão aqui.
Eu tremia enquanto receitava remédios. Eu não sabia o que me aguardava quando chegasse em casa.
Inseguro, girei a chave e entrei em casa, dando de cara com minhas três malas feitas. Isso não poderia estar acontecendo. Vi Bella descendo as escadas. Seu olhos estavam vermelhos igualmente ao seu rosto.
- Engraçado. Hoje você chegou cedo.
- Bella, não foi nada disso que você está pensando.
- CHEGA EDWARD! Eu não agüento mais isso! Eu não agüento mais essas desculpas ridículas.
- Se você me desse uma chance! – Gritei desesperado. – Uma chance de explicar o que realmente aconteceu.
-NÃO ME FAÇA DE IDIOTA! Eu não quero mais ouvir mentiras. Eu não quero mais ser enganada, Edward! – Ela voltou a chorar. – Não quero ficar acordada até as 4:00 da manhã esperando você chegar em casa e imaginando o que você esta fazendo com aquela mulher.
- EU NUNCA LHE TRAI! Eu chego tarde para encontrar você dormindo e não ter que brigar sempre. Eu não gosto de brigar com você. A coisa que eu mais odeio no mundo é ver essas malditas lágrimas em seu rosto.
- PARA! PARA COM ISSO! Se não gostasse não se deitaria com Daniella sabendo que eu estava do lado de fora do seu consultório. Você não tem um pingo de consideração por mim!
- Eu não sabia! Ela ia me avisar quando tropeçou e...
- Já falei para não mentir. – Ela veio pra cima de mim e começou a me bater com as mão fechadas.
Eu não sentir dor nenhuma fisicamente. A única dor que eu sentia era uma que só tinha um único remédio. E no momento, meu remédio estava me batendo. Tentando resolver as coisas que no fundo eu sabia que não tinha mais volta, a beijei. E pela primeira vez, ela rejeitou. Separou-se e ainda próxima a mim, falou baixinho.
- Entro em contato com meu advogado amanhã.
As minhas lágrimas que até então estavam sendo seguradas, caíram sem o menor pudor.
- Bella, você está nervosa. Vamos fazer o seguinte: amanhã a gente conversa e resolve tudo. – Segurei a cabeça dela fazendo com que me encarasse. Eu estava desesperado.
- Não Edward. Eu quero divórcio.
- Não, não pode! – Soltei Bella e passei as mãos em meu cabelos. – Nós nos amamos Bella! O nosso amor não pode simplesmente acabar!
- Você matou ele. – Disse baixinho. – O único sentimento que eu tenho por você agora é nojo. Pegue suas malas e vá embora. Só quero vê-lo no dia da audiência.
FLASHBACK OFF
Assim que sai daquela casa, liguei para Emmett chorando e dizendo que meu casamento havia acabado. Uma semana depois, Jasper e Emmett foram ao Brasil me resgatar do poço em que eu estava. Tinha deixado de atender no meu consultório e havia me afundado na bebida.
E do nada, tipo assim, de repente mesmo, percebi que Bella era apenas um amor de faculdade, sem a menor importância. E ao cair a ficha sai para comer as mulheres que eu não havia comido desde que eu me envolvi com Bella. Emmett e Jasper me gozavam por eu só pegar mulheres de cabelos e olhos castanhos. Mas fazer o que, se elas me atraiam mais do que as outras?
Senti algo molhado descendo pela minha bochecha. Era uma lembrança dolorosa a do divórcio. Era a primeira vez que eu lembrava tão detalhadamente daquele dia, devia ser pelo reencontro inesperado que tive com ela. Eu amava Bella, um amor sem importância, mas na época ela era tudo pra mim. Só na época, hoje não. Vocês entenderam né?
Me doía lembrar desse dia pois foi a maior decepção da minha vida. Mas só por isso mesmo. Hoje eu vejo isso, mas na época... foi horrível.
Limpei as lágrimas que desceram ridiculamente e sem nenhum motivo pra isso, e voltei para o quarto. Bella estava deitada de lado e a camisola que ia até o joelho tinha subido, revelando as coxas brancas e torneadas. Não havia como não sentir tesão por ela, mesmo Bella estando dormindo inocentemente. Qualquer homem imploraria para pra fazer amor com ela.
Claro que eu sou uma exceção pois faria apenas sexo com ela, já que não sinto mais nada a não ser atração. Seria demais eu dizer que Bella não é atraente.
Tirei esses pensamentos da minha cabeça e voltei a deitar na cama de molas com cordas vocais. O grilo ainda cantava, o cachorro ainda latia e a porcaria da cama ainda tinha catombos. Observei Bella ao meu lado e ela dormia como se nada tivesse acontecendo.
E ai eu me lembrei que eu já havia lido em algum lugar sobre a energia que as pessoas transmitiam para as outras. E como eu acredito fielmente nessas coisas de energia humana, me perguntei se Bella estaria emanando a energia de calmaria.
É claro que sim seu burro!
E como eu precisava de calmaria, me aproximei de Bella, ficando de conchinha. Involuntariamente, ela se acomodou em mim, entrelaçando suas mãos na minha. Era quente, gostoso e cheiroso ficar com ela assim. O cheiro que vinha de seus cabelos era uma delicia. Claro que essa sensação vem da energia.
E eu não ouvi mais nada e nem senti os catombos da cama. O sono começou a pesar e eu dormi imediatamente.
Tudo graças à energia de calmaria.
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Oficial de Justiça¹: Um oficial de justiça cumpre ordens judiciais. No caso do Edward, ele levou o papel de divórcio para ele assinar.
Notas finais
Gente, quero lembrar a vocês que não é fácil reconhecer que ainda temos sentimentos por uma pessoa que nos magoa e Bella e Edward magoaram um ao outro.
Porem,o próximo capítulo vai ter uma certa aproximação, mas só lendo pra saber.
Vou fazer uma pergunta e por favor me responda com os reviews: Vocês preferem o Edward narrando ou a Bella?
bjs e até sabado!
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