No Inverno de Brusque
4 No Dormitório Feminino.
Mais tarde, Anne chegava ao dormitório feminino. Subiu as escadas e abriu a porta. Sherrie, sua colega de quarto estava no computador e falou:
- Nossa... Demorou, nem te esperei para almoçar, estava com fome.
Anne tira a touca da cabeça e desenrola o cachecol do pescoço, senta-se desanimada sobre a cama:
- Ah, tudo bem.
- Eu acho que não... O que aconteceu? Já sei... Johann, né?
- É... Aquele idiota veio falar comigo. Está querendo voltar, dá pra acreditar?
Sherrie sai da frente do computador e vai até a cama onde Anne está sentada, sentando-se na beirada dela:
- Anne, eu acho que está sendo radical demais. Johann é um cara legal, e gosta de você. Na aula ele só fica falando de você.
- E o que ele fala?
- Fica falando do quanto você é bonita, que nenhuma moça do campus é como você, e bla bla bla.
- Ele me abandonou quando mais precisei dele.
- Anne, só faz três semanas. Acho que ele só queria dar um tempo... É fácil notar quando um cara está a fim de você. E o Johann gosta de você de verdade.
Anne abaixa a cabeça e olha para a cabeceira da cama, onde há um retrato dela, abraçada com seu pai. Respira fundo, e a jornalista da televisão dá a seguinte notícia:
- Derek Feldman, o ex policial acusado de matar seu colega de trabalho Michael Hathaway ▬ A foto de Michael Hathaway, pai de Anne aparece na tela, e logo mostra Derek algemado andando acompanhado pelos policiais na delegacia ▬ foi solto na manhã de ontem à falta de provas contra ele. Anne Hathaway, a filha do policial assassinado testemunhou contra Derek, dizendo que o mesmo matou seu pai.
Anne levanta da cama surpresa e olha para Sherrie. Sherrie desliga a televisão e Anne diz:
- Deus... Não acredito que soltaram esse cara.
- Calma Anne, ele não vai te fazer mal.
- Mas Sherrie... Sherrie pensa comigo. Não é estranho ele ter sido solto ontem de manhã, e ontem à tarde o Jeremy e a namorada terem sido mortos?
Sherrie solta um riso inseguro e receoso, voltando com a expressão séria:
- Anne está ficando paranóica. Isso... Não tem cabimento.
Anne se senta sobre a cama preocupada, e passa a mão nos cabelos, os empurrando para trás. O dia passa e a noite chega.
Na casa das Beta Gama, a festa rolava solta. O frio que fazia lá fora não se comparava com o clima quente que estava dentro da casa. Todos dançavam na sala, algumas pessoas conversavam na escada e alguns casais transavam nos quartos do segundo andar. Era uma verdadeira festa universitária, com direito a bebida, sexo e muita putaria. Alejandro e Cici estavam em um dos quartos. Ele deitado, e ela por cima do mesmo, amarrando as mãos dele na cabeceira da cama, enquanto rebolava no colo dele. Cici sussurrava no ouvido do rapaz:
- Você está sendo privilegiado demais. Não são todos que podem dormir com uma Beta Gama.
Alejandro estava bêbado e mal conseguia falar um “A”. Os lenços que amarravam seus pulsos na cabeceira estavam bem fracos, apenas para dar um clímax a mais. Cici começou a beijar o abdômen do rapaz, e foi subindo sua camisa lentamente, enquanto o olhava por debaixo das sobrancelhas.
- Está gostando gatinho?
Alejandro estava achando tudo um porre, e tirou os pulsos da cabeceira, se levantando logo em seguida, com Cici caindo sobre a cama. Ela levanta da mesma e fala em tom autoritário:
- Qual é o seu problema?
- Desculpa, mas... Eu não estou a fim, foi mal aí gata. Deixa pra próxima.
- Aiiiiiiiii... Que ódio!
Enquanto Alejandro saía pela porta, Cici jogou um travesseiro com raiva, contra ele. O rapaz desceu as escadas um pouco tonto. Na sala, Johann estava sentado em uma poltrona, tomando um refrigerante desanimado. Ele vê então Sherrie entrando pela porta da sala. Levantou-se e foi até ela:
- Anne não veio com você?
- Não, a Anne ficou no campus, sabe o que ela acha dessas festas. Pensa que é só putaria.
Johann olha para a festa e volta a olhar pra Sherrie e fala em um tom debochado:
- Mas é só putaria. Sabe se ela já dormiu?
- Por quê? Vai invadir o quarto dela?
- Quem sabe.
- Sabe que homens são proibidos lá.
- Eu dou o meu jeito.
Fale com o autor