No Hope
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Adorei a ideia de ir caminhar com a Penn, mas sabia sobre o que íamos conversar. Assim que nos afastamos do Trevor, ela perguntou sobre o Daniel, expliquei tudo a ela, como nos conhecemos, como acabamos virando amigos, tudo, expliquei o porquê de eu ter beijado ele ontem à noite, me senti mais leve, Penn não me julgou ou me criticou, ela apenas ficou ouvindo e assentindo. Depois de eu ter explicado a história toda decidi que era hora dela começar a falar.
– Então, como foi no colégio ? – Perguntei. Ela suspirou.
– Foi ótimo, estou recebendo uma ótima educação, mas... – Ela deu uma pausa. – Eu me sinto muito solitária. – Disse por fim.
– Eu sinto muito, queria ter ido com você. – Falei. Ela sorriu.
– Lembro-me do berreiro que você fez quando disse que não íamos mais nos ver. – Disse ela rindo.
– Você era minha única amiga. – Falei.
– Você ainda é a minha. – Disse.
– Senti sua falta Penn. – Confessei. – Já sei o que podemos fazer para recuperar o tempo perdido. – Falei.
– O que ? – Perguntou ela.
– Comprar vestidos novos. – Respondi sorrindo.
Chamei Roland para nos levar, ele era amigo do Daniel, então acho que posso confiar nele, bom, minha mãe confia. Não vi Trevor antes de sair, acho que ele estava conversando com o meu pai e o dele, às vezes sinto pena dele, desde criança Trevor sabia que tinha uma responsabilidade, ele sabia que seria o herdeiro, sempre se dedicou e imitou o pai o quanto pode, eu tenho certeza que ele vai conseguir ser um sucesso, assim como nossos pais.
Chegando à cidade tudo parecia ser como antes, saímos da carruagem e as pessoas já começaram a olhar, normalmente eu me agradaria, sairia sorrindo para eles como se fosse uma rainha, mas agora, isso me incomodou, abaixei a cabeça, deu vontade de perguntar o que eles estavam olhando. O que estava acontecendo comigo ? Entramos na loja de vestidos e já veio uma pessoa nos atender.
– Senhora Biscoe, é um prazer revê-la. – Disse a mesma mulher que sempre nos atendia.
– Essa aqui é minha amiga Penn, Penn Lockwood. – Falei apresentando a Penn.
– Senhora Lockwood, como está crescida. – Disse ela.
– Você me conhece ? – Penn perguntou.
– Oh sim, mas você era muito pequena, sua mãe ainda vem aqui para comprar vestidos. – A mulher respondeu.
– Você poderia nos mostrar alguns vestido, por favor ? – Perguntei.
A mulher que eu não lembrava o nome nos mostrou alguns vestidos maravilhosos, azuis, brancos, verdes, até amarelos, mas os que eu mais gostei foram os vermelhos, sempre amei essa cor em mim, Penn já preferiu os azuis, azul combinava com ela, já estava quase mandando preparar para levar quando eu vi outro vestido, ele era preto, com alguns detalhes dourados nas mangas e até a cintura, seu decote pegava um pouco acima dos seios e as mangas eram longas, fiquei admirada com a beleza dele, mas minha mãe nunca tinha me deixado comprar um vestido preto, ela dizia que era deselegante para uma moça. Bom ela não está aqui no momento, é aquele que eu vou levar. Quando saímos da loja pude ver que o sol já estava indo embora, arregalei meus olhos, Daniel, eu tinha marcado de me encontrar com ele.
– Temos que ir Penn, rápido. – Falei puxando a mão de minha amiga e correndo para a carruagem, senti os olhares sobre nós, mas dessa vez não me importei.
– O que aconteceu ? – Perguntou ela assim que chegamos à carruagem.
– O sol. – Falei apontando para o mesmo. – Roland, quero que você vá o mais rápido que puder. – Ordenei entrando na carruagem sendo seguida por Penn.
– O que tem sol ? – Penn perguntou.
– Eu marquei de me encontrar com Daniel no riacho quando o sol estivesse indo embora. – Expliquei.
– Mas e o Trevor ? – Perguntou, por que ela perguntou sobre ele ?
– Nós só vamos conversar. – Respondi encerrando o assunto, não estava com cabeça de conversar sobre Trevor com ela, tinha que pensar no que ia falar para o Daniel sem parecer uma garota mimada e esnobe.
Roland fez exatamente o que eu mandei, ele quase voou, conseguia sentir a carruagem tremer toda vez que ele passava por cima de pedras, mas não tinha tempo para pensar na carruagem, se eu não fosse me encontrar com Daniel ele nunca mais iria querer me olhar no rosto e, além disso, nós precisamos conversar. Assim que chegamos a casa, pedi para Penn levar meu vestido para o quarto, sai da carruagem correndo, mas para a minha infelicidade eu encontrei Trevor no caminho e para piorar as coisas, nossos pais estavam junto.
– Aonde vai com tanta pressa minha filha ? – Perguntou meu pai. Eu tinha que pensar rápido, já estava começando a escurecer.
– Eu preciso resolver um problema meu pai. – Respondi as pressas.
– Que tipo de problema ? Talvez eu possa ajuda-la. – Trevor disse.
– Não! – Disse imediatamente, os três me olharam espantados. – É um problema de garota. – Falei me explicando, eles pareceram entender.
– Tudo bem minha filha, sua mãe está lá dentro. – Meu pai disse e logo em seguida beijou minha testa, sorri para ele e voltei a caminhar.
Assim que percebi que não estavam mais olhando para mim, voltei a correr, o estabulo nunca foi tão longe assim. Quando cheguei, percebi que um dos cavalos não estava, ele já tinha ido para o riacho, estava me esperando, eu tinha que ser mais rápida, selei o cavalo e tentei ser discreta, não podia deixar meu pai ou Trevor me ver sair, eles iriam desconfiar. Quando cheguei à floresta, montei no cavalo e fiz o mesmo começar a correr, precisava chegar lá antes que anoitecesse, não queria correr o risco de chegar lá e ele já ter ido embora.
Quando consegui ver o riacho comecei a desacelerar o cavalo, não esperei ele parar para descer, isso acabou resultando em uma queda, apoiei meus braços no chão e senti as pedras arranharem os mesmos, me levantei o mais rápido que pude, quase cai de novo, nunca fui boa com equilíbrio, meu vestido ficou todo empoeirado e cheio de pequenas pedrinhas grudadas, sacudi meu vestido para elas caírem, não deu muito certo, decidi esquecer isso e comecei a procurar por Daniel, não vi sua silhueta e nem a do cavalo, será que ele já tinha ido embora ?
– DANIEL ? – Gritei seu nome olhando ao redor, não via sinal dele em lugar nenhum.
– LUCE! – Gritou ele de volta vindo em minha direção, senti o alivio tomar conta de mim e o nervosismo também, estava na hora de encarar a realidade, estava na hora de acabarmos com isso. Quando estávamos próximos comecei a falar.
– Precisamos conversar sobre... – Não consegui terminar a frase, assim que ele chegou até mim, seus lábios vieram de encontro aos meus, suas mãos segurando cada lado de meu rosto, foi um beijo desordenado, mas cheio de desejo e sede, senti meu corpo estremecer e logo já não sabia mais o que iria falar, simplesmente me esqueci, tinha vindo aqui conversar com ele sobre alguém, mas quem ?
Fale com o autor