No Fluxo

5 Capítulo 4 - Demolidor


Notas iniciais
Eae povo? É a Jamille e aqui está minha contribuição para a fanfic! Boa leitura!

[Narrado por: Gabriel]

Caía uma chuva forte lá fora, enquanto os manos estavam tendo um papo de homem na sala, o que era hétero demais para mim, então me afastei. Entediado, sentei-me num dos bancos da cozinha e ali fiquei quieto por um tempo... Mas só um tempo mesmo.

― MAMÃÃÃÃEEEEE, OHHHHHH ― cantei em plenos pulmões ―, EU NÃO QUERO MORREEER, ÀS VEZES DESEJO NUNCA TER NASCIDOOOOOO.

― ANDRÉ!!! TIRA ESSE GAROTO DAQUI!! ― Clara gritou, interrompendo minha belíssima cantoria. ― Jesus amado, ele canta mal pra porra.

― Calma aí, jovem ― falei, esfregando as mãos nos ouvidos numa tentativa de aliviar o incômodo que aquele berro me causou. ― Tua voz não é nem um pouco agradável também ― continuei resmungando.

Neste momento, André surgiu da sala com um sorrisinho irônico.

― Gabriel é o nosso melhor torturador. Espere só ele começar a falar de HQs, não vai parar mais. Tu vai preferir a morte ― e depois saiu, rindo feito retardado.

Fiquei pensativo... Torturador? Eu apenas queria fazer uma amiguinha! Não era bem essa a minha intenção.

A garota estranha fez uma cara emburrada e abaixou a cabeça; logo o barulho de chuva dominou a cozinha, mas uma dúvida cruel tomou conta do meu ser, e eu não pude evitar o que veio a seguir:

― Ei ― chamei sua atenção e ela logo olhou para mim. ― Posso te fazer uma pergunta?

― Já tá fazendo, né ― Tão doce, essa menina...

― Ok. Minha barba tá boa assim? ― Aproximei-me dela. ― É que eu tava passando um mol de produtos da Elseve, mas deixou a região muito oleosa. Eu pensei em fazer minha barba igual a do Jean, porque meu deus... Aquele homem é um Deus. Luz da minha vida. Se bem que preciso de pelos mais maduros no queixo pra isso, então acho que vou só deixar crescer, num estilo mais árabe. O que tu acha?

― Sei lá, foda-se.

― Sabe, é bom ter uma garota aqui. Os manos não entendem minhas questões barbais.

De repente, ela olhou para mim com a maior cara de cu e disse:

― Tanto faz, só cala a boca.

Ficamos em silêncio novamente. Mas eu não ia desistir. Jamais!

― Ei, ei ― chamei sua atenção outra vez. ― Quer tocar?

― É O QUÊ? ― ela se exaltou. E provavelmente teria pulado da cadeira, se não estivesse presa à ela.

― Na minha barba, moça. Sinto muito orgulho dela.

― VOCÊ É LESO?! É CLARO QUE NÃ-

E então, para interromper o momento, um grito supersônico invadiu meu cérebro, deixando-me desnorteado. Só me lembro de assistir aos vidros da janela se rachando e a Clara caindo da cadeira, e depois um frio subiu por minha espinha quando tive certeza do que se tratava tudo aquilo: era a Ariel.

Alguns poucos segundos depois, minha visão ficou turva e eu não pude ver mais nada. Somente a escuridão.

.

.

― Ei mano! Tu tá bem? ― Filipe me despertou, dando tapinhas em meu rosto.

― Hã?

Eu ainda não estava ouvindo direito, mas bastou um pouquinho mais de esforço e tudo ficou claro. Filipe continuava me olhando, preocupado.

― Amooooor! Onde tu tava? ― perguntei, por pouco não me jogando em cima dele. Seria vergonhoso.

― Eu fui sequestrado eu. Aquela menina que controla mentes me prendeu ― disse ele, nada feliz por ter sido pego como refém. ― Agora as garotas entraram no QG! Tá rolando maior pau aqui!

― Essa não! ― exclamei. ― Me ajuda a levantar.

Após mais um momento gay entre nós, corremos direto até a sala. Era difícil acreditar, mas a cena que vi, logo que adentrei o cômodo, era digna de um episódio de X-Men nas manhãs do SBT.

André defendia com todas suas forças o armário de Panetinis, criando várias muralhas de pedra ao redor dele, enquanto Clara, claramente empolgada, jogava jatos de água clara na cara do moço (ba dum tss). O estranho é que eu não lembrava que tínhamos uma mangueira por aqui... Pergunto-me qual seria o poder dessa garota.

No jardim, onde se encontrava o fluxo de toda aquela confusão, Davi estava sentado no chão, brincando com seu cubo mágico, rodeado por um exército de zumbis que iam todos em direção à uma garota loira que se mantinha parada, de olhos fechados, como que tentando controlar o inimigo.

Caio estava se contorcendo, como que sendo segurado por alguém invisível. Mas era só questão de tempo até ele se soltar – aquele dali era flexível feito borracha. Uma garota de cabelo liso e preto estava desmaiada num canto qualquer, com um machucado horrível na cabeça. Provavelmente havia levado uma pedrada e-

Espere.

Essa garota desmaiada tinha um gilete na mão!

Passei a mão por toda a extensão da minha barba, receoso. Graças a Deus, ela continuava ali, do jeitinho que tinha deixado antes de desmaiar.

Voltando ao assunto... Outra garota, morena, estava dando socos e chutes nos móveis e parecia se divertir muito fazendo isso. Mas que vândala! Depois, finalmente, avistei Ariel, que parecia já estar procurando por mim há algum tempo.

― Bora ajudar os migos! ― Filipe falou para mim, antes de correr até Caio, que se esticava ao máximo em volta de alguma coisa.

― Ok! ― concordei na hora, porém, havia algo que eu deveria fazer primeiro.

Preparei-me para entrar na casa e salvar o dia, mas quando ouvi um pedido de ajuda, refreei meus passos. ― Bigodón! Mano! O que foi?!

Fui até o mestre bigode, jogado no chão e- Oh meu Deus! Uma catástrofe aconteceu! RASPARAM O BIGODE DELE!

― Gabrieeel... Me ajuda.

― O que fizeram contigo, cara?! ― perguntei, entre lágrimas.

― Aquela menina desmaiada ali... Ineda, o nome dela... ELA RASPOU O MEU BIGODE, CARA! ― ele respondeu, em prantos. Nem toda dor do mundo poderia resumir o que eu sentia pelo meu amigo de pelos faciais.

― Como posso te ajudar, amigo?

― Eu peço apenas... Cof cof cof... meu remédio pra tosse ― disse ele, com a voz fraca e deprimida, antes de fechar os olhos e partir para a inconsciência.

― EU TE VINGAREI, BIGODE!!!! ― gritei em plenos pulmões, realmente desejando vingança.

Não esperaria mais nenhum segundo até fazer justiça, então corri para dentro da mansão.

.

.

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[Narrado por: Ariel]

― Onde será que tá esse menino? ― perguntei à Sophia, que estava bastante ocupada quebrando móveis alheios.

― Deve tá escondido de ti, provavelmente ― disse ela. ― Desde que ele fez aquilo contigo, deve morrer de medo de cair nas tuas mãos.

― Verdade. Ele vai ver só! VOU EXPLODIR OS TÍMPANOS DELE!

― Isso mesmo, os dele, não os meus! ― Sophia ralhou, tapando os ouvidos.

― Como ele pôde falar que pandas não são tão fofos?! Ele mandou uma foto de um panda morto pra mim! ― continuei reclamando. ― Aquele maldito. Mais parece o Tony Ramos, todo peludo.

― Whatever. Vai atrás dele que eu vou ajudar a Ineda ― disse Sophia, despreocupada.

― Tá, tá.

Sem mais esperar, voltei à minha busca pela criatura perdida. Graças a Merlin, não demorou muito dessa vez, então logo o encontrei. E, claro, o resto do mundo também encontrou. Seria cega demais se não o visse.

Saindo de dentro da mansão, Gabriel vinha correndo, determinado, trajando um uniforme bem escroto. Era uma meia calça preta, com uma sunga vermelha por cima; a blusa era de couro, bordada com dois “D” vermelhos bem no centro; também usava óculos escuros e protetores de ouvido. Ele olhou diretamente para mim.

― Ora, ora... Se não é Murdock! ― Ele tava falando comigo?

― Quê? Quem é Murdock?!

― Para o seu bem, espero que a Justiça seja feita aqui hoje. Senão, ela será feita depois.

― Quê, menino?

― Vou fazer justiça! Justiça para os pelos retirados de meu amigo! ― ele exclamou, destemido. ― Querido Ricardo, fizemos uma promessa de nunca desistir, de nunca ter medo e de ficarmos sempre juntos pro que der e vier ― continuou, jogando um vidro de spray para garganta em cima do menino estranho que, agora, jogava Fifa no meio da luta.

― Valeu, manoooooow!

― Justiça é uma ova! ― respirei fundo e fechei os olhos. Foquei em toda minha raiva e canalizei energia, soltando um berro supersônico com todas as minhas forças.

Primeiramente, meu grito foi foda. Todas as janelas se quebraram e explodiram em milhões de cacos, assim como vasos, pratos e outros objetos. O grito atingiu também os “heróis” lutando: todo mundo caiu desmaiado no chão, tanto meninos quanto meninas.

Mas... Quando a poeira baixou, lá estava Gabriel. De pé, acariciando sua barba, com uma capa negra esvoaçante atrás de si. Ele tirou os óculos escuros e, com um sorrisinho, disse:

― Agora somos só nós dois.

Notas finais
O capítulo é esse, espero que tenham gostado! Me diverti bastante escrevendo.