No Fluxo
6 Capítulo 5 - Altas tretas
Notas iniciais
[Narrado por: Ariel]
— Agora somos só nós dois.
E agora? Ao meu redor, estavam todos desmaiados. Eu não tinha a quem pedir ajuda e Gabriel ainda estava usando aqueles malditos protetores no ouvido. Tenho que pensar em alguma coisa, e rápido...
— Olha ali! Não é o Freddie Mercury? – gritei apontando em sua direção.
— Deus, é você? – ele se virou imediatamente com as mãos levantadas. – Me leva!
Pff, não pensei que seria assim tão fácil.
Corri em direção a ele e, com um chute na parte de trás do joelho, consegui fazer com que ele caísse antes mesmo de tentar se defender. Imobilizei suas mãos e em seguida retirei os protetores que ele colocou no ouvido. Soltei um grito simples, mas que para ele, pareceu mortal.
O garoto ficou desacordado no chão enquanto eu me levantei, vitoriosa. O cenário era lamentável, mas fiquei orgulhosa em saber que fiz a maior parte do estrago por causa de minhas habilidades. Corri até as meninas e, por sorte, Nicole e Clara estavam se levantando lentamente, com as mãos na cabeça.
— O que aconteceu? Acabou? – Nicole perguntou.
— Sim! Ele não vai acordar por pelos menos umas duas ho...
De repente, senti uma mão agarrar meu tornozelo. Quando resolvi olhar para trás, notei, para o meu espanto, que um exército surgia do chão.
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[Narrado por: Nicole]
— Davi! – eu gritei, afastando Ariel e Clara de perto do zumbi que agora se arrastava mais rapidamente pelo chão.
O garoto loiro estava parado, do outro lado do jardim, apenas com uma mão estendida em minha direção. Em seu rosto, uma expressão séria e concentrada. As criaturas iam surgindo cada vez mais e mais rápido. Em poucos segundos, haviam bem mais que cem ali.
Lentamente, as meninas e os meninos iam despertando, ainda perturbados pela onda sonora emitida por Ariel. Ao meu lado, as meninas acordadas lutavam contra os zumbis usando todos os artifícios que podiam. Jamille corria, invisível, ao redor deles e ia os derrubando. Não sei aonde ela havia conseguido uma katana, mas era possível ver as cabeças voando enquanto os corpos se lançavam ao chão. Do outro lado, animais de vários tamanhos, formas e cores iam aparecendo e se transformando mais rápido do que pude acompanhar, até o momento em que o metamorfo finalmente se decidiu e, em forma de guepardo, correu em nossa direção atingindo Maria, que usava sua habilidade para tentar congelar o animal.
Caio tentava reanimar o amigo desmaiado em vão, visto que ele não iria acordar, muito menos ouvir alguma coisa tão cedo. André lançava pedras para todos os lados, enquanto Ariel as destruía com seus gritos. Eu tentava a todo custo ter contato visual com Davi, mas ele não olhava diretamente para mim, logo, seria inútil tentar usar meus poderes nele. E mesmo assim, era difícil fazer isso ao mesmo tempo em que eu tinha que me defender de zumbis nojentos.
Foi aí que tive uma ideia.
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[Narrado por: Ana]
— Ai, que demora! Eu já estou ficando de saco cheio de ter que ficar aqui lendo essas revistas –reclamei ao arremessá-las em cima da mesa, entediada.
— Eu também, mas temos que ter paciência... – Camila disse, levantando-se do sofá.
— O que será que está acontecendo lá? – Sophia perguntou, saindo da cozinha com a boca cheia de bolo para depois sentar-se no lugar recém desocupado do estofado.
— Será que elas morreram? – eu perguntei, levando a mão à boca, mas logo afastei essa ideia da cabeça. – Não, acho que não. Esses meninos são uns bananas! Não conseguem nem matar uma formiguinha!
— Será que elas estão precisando de ajuda? – perguntou Sophia. – Acho melhor a gente ir até lá! – em seguida saltou do sofá, limpando os cantos da boca melados com cobertura de chocolate.
— Tá, mas quem ficaria aqui caso eles aparecessem? – Camila indagou receosa e pude senti-las olhando para mim ao mesmo tempo.
— Ah, não! Nem pensem nisso! – reclamei, batendo os pés e colocando as mãos na cintura.
— Mas, Ana... – Sophia começou.
— Não! Eu não vou ficar aqui sozinha. Tá o maior tédio! – gritei, interrompendo-a.
— Calma! Você só precisa ficar mais um pouquinho. Vamos voltar rápido. E vamos trazer as meninas de volta, também.
— Ai, quer saber? Cansei! Vão logo – desisti de lutar e me entreguei às revistas novamente. E antes que eu pudesse me despedir, a porta já tinha sido fechada com força e eu, deixada sozinha com aquelas revistas chatas.
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[Narrado por: Ineda]
— Clara! Use seus poderes! – Maria gritou enquanto se esforçava para fazer uma parede de gelo a fim de conter por alguns minutos os zumbis. – Não vou aguentar por muito tempo!
Estávamos lado a lado e formávamos uma espécie de parede contra as criaturas que insistiam em continuar brotando do chão. Aquele menino não cansa? Todas nós usávamos nossos poderes da maneira que conseguíamos para acabar com eles, mas estávamos ficando cansadas de tanto lutar.
— Não! Eu já disse antes que não ia usar e não vou usar! Tá difícil entender isso?! – ela gritou.
— Então deixa que eu uso por você! – gritei de volta, mostrando minhas mãos em sua direção.
Ela hesitou por um momento, mas logo cedeu. Coloquei minhas mãos em seus braços e em menos de dez segundos eu já conseguia sentir algo diferente em mim. Era assim todas as vezes em que sugava o poder de alguém. Clara se afastou e eu me virei, soltando bolas de fogo na direção daquele exército. Consegui diminuir o número rapidamente, mas parece que a cada vinte que morriam, outros trinta surgiam do chão.
Aquela seria uma batalha demorada.
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[Narrado por: Caio]
— Ei! O que fizeram com o Filipe? – gritei, apontando para o outro lado do jardim.
— Mano, congelaram ele! – Ricardo coçava a cabeça, agoniado.
Daqui tínhamos uma visão privilegiada. Por mais que a varanda estivesse toda destruída, tivemos que arrastar nosso amigo de meia calça preta e cueca vermelha pra cá. Assistíamos a luta incessante daquelas garotas ao tentar se livrar do exército de mortos que só mesmo o Davi conseguia levantar. Estávamos logo atrás dele e era até divertido ver que era tão simples fazer com que dezenas de zumbis aparecessem do nada. Até que um deles veio a nosso encontro, correndo, todo suado.
Ah, não. Era só nosso líder.
— Davi, chega de zumbis! – André veio ofegante e tocou no ombro dele. O mesmo não parecia nem ligar e continuava na mesma posição. Mais concentrado do que quando tá no Paintball.
— Não adianta, André. Ele não vai te escutar. É quase impossível ele...
Não consegui terminar a frase. Em menos de três segundos, Davi já estava no chão.
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