No Fluxo

4 Capítulo 3 - "Te peguei, mocinho"


Notas iniciais
E aí, meu povin! Tudo certo com vocês? Participação especial da comandante do QG feminino aqui hahahaha' Brincadeiras à parte, fiz essa pequena participação na construção desta linda história e espero de coração que vocês gostem. Não sou engraçada como a Clara e a Jamille, mas espero que dê pra, pelo menos, arrancar um sorrisinho maroto de vocês. Boa leitura! ~Nicole~

[Narrado por: Nicole]

Passaram-se mais de duas horas e nada da Clara voltar. As meninas tinham ido para os seus respectivos quartos, enquanto eu andava de um lado para o outro em minha sala, pensamentos fluindo a mil em minha cabeça. Não conseguiria dormir mesmo se tentasse muito.

O livro que agora segurava em minhas mãos era pesado. Tinha uma capa escura, com detalhes em azul e prata, as páginas já apresentando sinais de anos em uso. Algumas estavam cheias de anotações, o que me surpreendeu, devo admitir. Não sabia que Los Galácticos eram capazes de ler e fazer anotações tão inteligentes.

Sentei-me por um instante na cadeira que ficava atrás da grande mesa de madeira. Ali, pelo final do livro, outras folhas pendiam. No entanto, quando as puxei – fazendo com que se desprendessem da costura – não pude acreditar no que estava vendo: fichas completas de cada membro do QG dos meninos. Isso vale ouro! Eu finalmente tinha em minhas mãos a chance de acabar com eles de uma vez por todas. Meus olhos corriam pelas folhas, curiosos por descobrir cada nome e cada poder.

― Domínio sobre o elemento terra, ressurreição dos mortos, metamorfose-

Minha leitura foi interrompida quando percebi algo caindo da estante. Era um livro qualquer. Olhei ao redor apenas para comprovar que, aparentemente, estava sozinha naquele cômodo. Ainda assim, guardei o que tinha em mãos dentro da primeira gaveta da mesa e levantei-me devagar, aproximando-me aos poucos da estante.

― Ora, vejam só! Um rato! Ou seria... ― tentei segurá-lo antes que pudesse escapar de minhas mãos, mas foi tão rápido que não pude evitar. E o que eu já esperava, aconteceu.

― Surpresa? ― Filipe sorriu sarcasticamente, agora em sua forma humana.

― Nem um pouco ― agarrei-o pelo pulso em um movimento brusco, mas ele se soltou novamente, segurando meu braço tão forte que eu poderia jurar estar prestes a perdê-lo do restante do corpo. Com um golpe certeiro, consegui minha liberdade e o acertei nas pernas, fazendo com que caísse no chão, ajoelhado. Levantei seu rosto e fiz com que seus olhos se fixassem aos meus. Não posso perder uma chance como essa, pensei.

― Escute bem, mocinho. Você vai fazer o que eu quiser e não vai tentar escapar.

Quando acabei de pronunciar tais palavras, Camila apareceu na porta. Ela entendeu o olhar que acabara de lançar a ela e foi correndo chamar as outras meninas, enquanto eu via o corpo à minha frente parar de reagir e concordar com um simples aceno de cabeça.

Estava feito.

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[Narrado por: Clara]

Eu não aguento mais ficar presa nesse lugar. Isso aqui tá fedendo muito! Tudo culpa desses moleques porcos que não arrumam a casa. Não que eu seja um exemplo de organização, mas, por deuses, tem cueca até em cima da mesa! Argh, que nojo.

Infelizmente, por mais que eu queira muito, prometi a mim mesma não mais usar meus poderes, então só me restava esperar pela boa vontade alheia... Mas esperar pacientemente pelas meninas tava foda, viu? E se não bastasse tudo isso, minha barriga começou a roncar. Que ótimo, adoro passar fome.

― Tá com fome, Broca? ― André resolveu dar as caras novamente, dessa vez com a mão enfiada num saco de Panetini. Mereço.

― Não ― menti, forçando um ar de superioridade, mesmo estando em péssimas condições (amarrada, machucada, estressada e muito, muito faminta).

― Engraçado... Ouvi sua barriga roncar ― Gabriel apareceu logo em seguida, estragando o meu precioso momento. Aquele filho d’uma égua.

― Porra! Que ouvido de tuberculoso o seu, ein! ― debochei e ele sorriu, se gabando.

― Coitada, André. Dá alguma coisa pra menina ― Caio seguiu o bonde e resolveu me fazer companhia também. Agora só faltava uma foca e uma bola colorida para o circo estar montado de vez. Filipe de foca até que seria engraçado...

― Té fresqué?! Ela que fique com fome! ― e o viado mor praticamente berrou. Podia jurar estar ouvindo uma corneta.

― Ai! Cuidado com os gritos aí, fera ― Gabriel resmungou, as mãos tampando os ouvidos sensíveis.

― Hehe, seu frouxo ― retruquei, um sorriso sarcástico brincando no meu rosto.

― Cadê o Filipe, ein? ― Ricardo perguntou, da sala, interrompendo a possível discussão que se formaria depois de mais uma provocação minha.

― Ele foi no QG das meninas ― Caio respondeu, ajeitando os óculos na ponte do nariz e-

― O QUÊ?!! ― deixei escapar um grito, finalmente me dando conta da seriedade nas palavras que havia acabado de escutar.

― Caio! ― André o repreendeu.

― Não acha que ele tá demorando muito, não? ― e então Ricardo chegou à cozinha acompanhado de Davi, e de repente uma pequena conferência se formava bem diante dos meus olhos. Agora todos estavam de pé, à minha frente, ignorando completamente o fato de eu ainda estar presente e ouvindo tudo.

― Acho que não. Ele ficou de pegar o livro de volta, isso explica a demora. Ele deve estar procurando. Se eu bem conheço a Nicole, ela deve ter escondido em algum lugar difícil de achar ― Davi respondeu, meio alheio ao que realmente acontecia por ter parte da atenção voltada ao cubo mágico que tinha em mãos.

Quase tinha me esquecido de que Nicole e Davi eram irmãos, e ela nunca chegou a me contar a história toda de como ambos acabaram se tornando inimigos. Tudo o que eu sei é o que ela conta pra todo mundo, da rivalidade existente entre eles desde pequenos e de como as coisas foram piorando até tornarem-se o que eram hoje. Nada de detalhes, informações adicionais, extras, ou coisas do tipo. Só sabia ser algo de infância e, aparentemente, muito difícil de resolver.

Deixando os devaneios de lado, passei a absorver cada informação mínima que os Galácticos Mongóis me davam de bandeja sem ao menos perceberem. Tão ingênuos, pensei comigo mesma. No entanto, mesmo que tentasse focar minha atenção unicamente no que eles diziam, um pensamento insistente ainda me intrigava: se Nicole e Davi se odiavam tanto assim, por que ainda não haviam se matado?

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[Narrado por: Ineda]

Camila nos chamou para uma reunião urgente na sala do QG. Quando chegamos lá, deparamo-nos com a nossa comandante puxando um garoto pela jaqueta, arrastando-o até o centro do cômodo grande e espaçoso. Sentamos nos sofás espalhados pelo local e ela permaneceu de pé, ao lado dele.

― O que esse menino tá fazendo aqui? ― Jamille exclamou, visivelmente incomodada.

― É isso o que vamos descobrir ― disse Nicole. ― Ele está hipnotizado, portanto, fará o que eu mandar. Cada uma de vocês vai ter direito a uma pergunta. Se me permitem, farei as honras ― ela levantou o rosto dele, criando o contato visual de que tanto precisava. ― Você vai responder todas as nossas perguntas e não vai se recusar a nada. Agora diga-me: o que veio fazer aqui?

― Eu... ― ele lutava para não responder, era visível. Mas o poder de hipnose da Nicole falou mais alto, como sempre. ― O meu comandante me mandou. Para pegar o que é nosso.

― E o que é de vocês, seu abusado?! ― Ana se exaltou.

― O livro. O que aquela ali roubou ― ele lançou um olhar cheio de desprezo à Jamille enquanto falava.

― E como encontrou nosso QG? ― perguntei.

― Foi fácil. Segui o cheiro daquela menina. Broca, não é? Consigo me transformar no animal que eu quiser. Querem ver? ― o garoto até tentou se transformar, mas foi logo interrompido por um puxão de cabelo que Nicole lhe deu, fazendo-o franzir o cenho com a dor que aquilo causou.

― O que fizeram com a Clara? ― Ariel perguntou.

― Ah, então o nome dela é Clara? Bom, ela ainda está presa. Mas tenho certeza que vai estar morta logo, logo ― sorriu.

― Isso já tá indo longe demais. Temos que fazer alguma coisa! ― Maria levantou-se do sofá.

― Concordo. Não podemos mais deixar ela lá. Sabe Deus o que estão fazendo com ela! ―Jamille apoiou a ideia, levantando-se também. ― Vamos trazê-la de volta.

E nada mais precisou ser dito. Uma a uma, fomos nos levantando, enquanto nossa comandante deu as devidas ordens ao nosso mais novo refém: ele nos mostraria o caminho, sem truques e sem poderes.

― Pera aí! ― Sophia nos parou. ― Não acham melhor alguém ficar aqui vigiando, caso algum dos meninos apareça pra tentar pegar o livro de volta?

― Bem pensado ― Nicole respondeu. ― Alguém se voluntaria?

― Eu fico! – diz Ana, toda empolgada.

― Eu vou ficar também ― Camila logo levanta a mão.

― Então, sendo assim, vamos logo! ― me apressei ao abrir a porta, encerrando de vez a discussão.

Seguimos por um caminho longo e cansativo até chegarmos ao QG dos meninos. O céu estava ficando cada vez mais escuro. Era noite e havia uma possível ameaça de chuva. Quando estávamos pelo meio do trajeto – eu suponho – a chuva começou a cair, e por mais que tenhamos colocado nossos capuzes, era inevitável não se molhar.

E foi durante essa tempestade que chegamos ao nosso destino. O lugar se iluminou após o efeito de um relâmpago, promovendo um clima bem sombrio. Nicole continuava segurando o garoto firmemente, agora pelos braços, e uma última sessão de hipnose foi feita para garantir o efeito que durava em média uma hora, fazendo com que ele ficasse do nosso lado por mais tempo.

Nem foi preciso tocar a campainha. Com um grito supersônico – obra da Ariel – e um chute na porta desferido por Sophia, anunciamos nossa chegada triunfal.

Notas finais
FIM DESTA BUDEGA OSKASO;PALKDAJDAJD E aê, gostaram? Conta aí sua reação! Beijo no core