Notas iniciais
Nyah há séculos em manutenção... como eu queria postar e agora aki estão meus caps!!!

# 15 de Outubro, 7:42 PM. Casa de Mike#

O médico acabara de se levantar ao lado de Jenny, que estava dormindo profundamente em uma cama, ele se retirou do quarto silenciosamente. Ao fechar da porta, Jenny sentasse na cama. Ainda se recuperando, com a respiração ofegante, olhou para a janela ao seu lado, da qual o barulho de chuva que a atingia era muito forte. Já respirando aliviada, levantou-se da cama com um pulo e ia abrir a porta. Tarde demais, já a abriram por completo antes que ela o pudesse fazer.

– ­Você está bem?

Mike estava á sua frente, mostrando-se preocupado.

– Estou muito bem. Por quê

– Você... acho que...

– Só passei mal. Só isso!

– Tem certeza?

Mike fechou a porta e tomou Jenny pelos ombros a levando até o espelho, a deixando pasma.

– O que aconteceu?

– Você desmaiou– ele explicou apontando para as bandagens que ela usava na cabeça – e então, começou a sangrar. O que é mais interessante – Mike agora a encarava pelo espelho – é que ninguém conseguiu encontrar nada em você. Nem um arranhão sequer.

Jenny tirou a faixa de sua cabeça e a examinou no espelho. Havia sangue, mas, como Mike havia dito, sem motivos para isso. Ela passava a parte limpa da faixa em si tentando tirar o que restava do sangue enquanto Mike sentava-se na ponta da cama.

– Eu sei que não posso te obrigar a me dar uma resposta, mas, eu tenho a impressão de que você sabe o por quê disso, não é?

Jenny hesitou meio encabulada com o que Mike pedia para ela falar.

– Tenho que ver o DP. – Foi a única coisa que ela conseguiu dizer antes de se virar cabisbaixa e ir até a porta.

– Mas está chovendo... – Mike se levantou com um pulo e a agarrou pelos ombros.

– Eu não me importo com a chuva. – Jenny se desfez das mãos de Mike com certa facilidade que surpreendeu Mike.

– Mas...

– E não me siga!

Ela disse essas últimas palavras em um sussurro mortal e saiu o mais rápido possível para longe daqueles sete pares de olhos.

Na rua, Jenny corria embaixo da chuva o mais rápido possível. Ao chegar na varanda de sua casa toda molhada, ela parou a um passo do tapete de entrada e a água que havia nela escorreu silenciosamente pelas lajotas do piso até a chuva, a deixando “semi-seca”.

Entrou na casa e passou por algumas pessoas que a perguntavam “Mas, o que aconteceu com você?” sem as fornecer respostas.

Ao chegar ao seu quarto, percebeu que a porta estava entreaberta. Cuidadosamente a empurrou, fazendo-a ranger. Ficou ali, parada, vendo algo que já esperava. Tudo em seu quarto quebrado, rasgado... Não estava com vontade de fazer, mas era preciso. Ao colocar o primeiro pé dentro do quarto, sua penteadeira com bibelôs, que estavam todos jogados no chão e quebrados, foram “puxados” para a parede e se auto-restaurando. Ficaram como novos. No segundo passo, sua cama, que estava estralhaçada em um canto, voou ao seu lugar. A cada lento passo, os livros rasgados no chão voltaram inteiros às prateleiras, o computador quebrado ficou novo.

Tudo voltou ao seu lugar, menos o guarda roupa que não fora tocado pelo intruso. Ao abrir uma das portas, longos vestidos medievais apareceram. Ela retirou um vestido com a cor de vinho, de longas mangas e o colocou em frente ao seu corpo no espelho. Sorriu enquanto olhava seu reflexo. Bateram na porta, e rapidamente guardou o vestido para abrir a porta.

– O que quer?

Era DP. Ele a encarava com seus braços cruzados em frente ao seu peito.

– Tenho que entrar. – disse ele.

– Pra...?

– Preciso te falar uma coisa. É sério.

Jenny abriu a porta e fez-lhe um sinal com a cabeça para entrar. Depois de fechar a porta se virou com uma carranca para DP.

– O que aconteceu?DP olhava para suas roupas ainda molhadas.

– Nada.

Nesse momento o vidro da janela ia liquido pelo chão ao lado de DP e subia pela penteadeira de Jenny.

– Pelo visto – disse DP que acabara de ver o vidro se moldar em um copo e se solidificar – você mudou de idéia em relação aos seus poderes.

Agora a água que restava em Jenny ia em direção ao copo

– Por que você não pergunta para a Tânia, como ela fez para eu mudar de idéia?

– Eu sei, é por isso que estou aqui.

– Como assim? – Jenny se escorou na parede cruzando os braços no jeito “interrogatório” de que estava acostumada.

– Você vai ter que dizer “tchau” para o Mike.

– Hã?– Se você não consegue controlar seus poderes... Vai ter que ficar longe dele até conseguir.

– O quê?

– Você vai para Campo Grande, depois de amanhã e, não poderá ver o Mike até lá. Arrume suas malas, se é que você precisa delas.

Jenny se dirigiu ao copo enquanto DP saía, e o levou á testa. DP fechou a porta e se virou para ir embora. Um estrondo de vidro se chocando com a porta o fez parar de imediato e ele murmurou um “desculpe” cabisbaixo.

# 16 de Outubro, 9:19 AM #

– Minhas mãos estão doendo! – reclamou uma garota enquanto esfregava uma camiseta em um tanque de roupas ao fundo da casa de Jenny.

– E eu não perguntei se você está se divertindo ou morrendo. Você vai continuar até que eu mande parar. – disse Jenny, escorada a parede, próxima da garota.

– Será que você não pode ter uma mestria igual ao dos outros? DP não me mandaria fazer isso!

– Se você me olhar com maior precisão verá que não sou DP, e o que me distingue dos outros substitutos de mestres é o jeito que eu trato meus alunos. Você quebrou as regras e então vai agir como uma humana.

– Não me apresentaram a regra que diz que não se pode quebrar, sem querer, aquele vaso horroroso.

– É interessante a sua simpatia por aquele artefato. Talvez tenha sido nela em que você escorregou ao passar pelo vaso que valia mais do que esta casa com tudo o que tem dentro.

– Como é? Aquele negócio valia uma grana preta?

– É pela sua total falta de noção e ignorância, que você nunca foi escalada para ir à Cynah.

– Qual é?

– Jenny, — a voz de DP estrondou às costas dela – será que você poderia me acompanhar?

– Deixe isso como está, quando eu voltar você terminará. – Jenny instruiu a garota antes de se voltar para DP – Espero que seja rápido. Você está me tomando um tempo precioso.

Eles caminhavam pelo corredor que dava acesso aos dormitórios, lentamente. DP parecia levemente zangado quando começou a conversa com Jenny.

– Por que faz isso? Você sabe que não pode descontar a sua raiva nos seus aprendizes!

Jenny lhe respondeu no tom mais seco e frio que possuía.

– Eles deixaram de ser meus aprendizes há algum tempo, se você não se recorda! Estou apenas lhe fazendo o favor de educar corretamente essas crianças endiabradas.

– Se bem que me lembro, você foi bem pior do que eles. Eu quase perdi meu cabelo, literalmente, tentando te pôr na linha.

– Você sempre soube que eu nunca seria normal!

– O caso é que você está descontando neles a raiva que sente pela Tânia...

– Esqueceu de mencionar a que eu sinto por você.

DP fingiu não ouvi-la e, continuou:

– Você sabe que os castigos aplicados são tarefas e não trabalhos manuais!

– Eu vejo trabalhos manuais como tarefas. Todo mundo vê assim!

– Você sabe à quais tipos de trabalhos eu me refiro.

– Qual é? Serviços manuais ajudam a formar o caráter.

– Você disse para o Lucio aparar a grama como castigo por não ter aprendido a assar uma carne com perfeição.

– Ele torrou a carne. Aquilo virou uma rocha, foi um desperdício de comida.

– Você deu uma enxada para o garoto. Agora, você sabe que tamanho tem o nosso quintal? – Agora DP mostrava-se realmente furioso.

– Alguns hectares.

Jenny não olhava para DP e mantinha o tom cortante com certa calma.

– 56 hectares e uma enxada. Você está ficando maluca?

– Eu disse para ele limpar apenas duas.

– O garoto me apareceu com bolhas enormes nas mãos, sem falar da “corzinha extra” que você deu a ele. Agora ele está na enfermaria cuidando das queimaduras. E você quer conversar sobre aquela história da Marisa limpar a cela do Fernando? Você sabe como ela estava por ter que dividir o espaço com um lobisomem?,

– Fernando é gente boa. Não ia atacá-la.

– Ela está em estado de choque, com medo de errar qualquer coisinha e ser punida novamente. Eu sei que você é boa em tortura, mas, tente guardar seus dons para os nossos inimigos, ok?

– Se você for caçar, traga um carcereiro para mim. Assim eu posso me comportar melhor.

DP suspirou e parecia se desculpar.

– Não, não vai dar. Eu sei que o cara tem tantas informações quanto os últimos 14 que pegamos, ou seja, nenhuma; e, além disso, você não vai ter tempo para fazer qualquer atividade extra, sabe disso.

Jenny suspirou. Ela sabia que o dia seguinte, antes do nascer do sol, estaria a caminho da capital. Sendo afastada de metade de sua alma.

Notas finais
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