No Fim
12 O rapto
No dia seguinte, bem cedo (um pouco antes de o sol nascer), a campainha da casa de Mike tocou. Paul abriu a porta ainda de pijamas, meio descabelado e com os olhos inchados.
– Oi. – disse ele em um bocejo
– Oi, Paul. Preciso falar com o Mike. – Apressou Jenny.
– Que horas são?
– Cinco e meia.
– Entãããão – bocejou ele – eu acho que ele está dormindo.
– Se não fosse urgente eu não estaria aqui.
– Mas...– CHAMA ELE LOGO!
Meio sonâmbulo, Paul foi até a cama que Mike dormia e deu-lhe alguns tapas com o seu braço mole, engrolando alguma coisa que fez Mike se virar e continuar a dormir. Quando ouviu o nome “Jenny” junto com a palavra “urgente” se levantou e se arrumou o mais rápido que pôde. Ao sair viu Jenny que, mordia o lábio inferior e mexia as mãos com os dedos entrelaçados nervosamente. Ao ver Mike, Jenny pulou em cima dele lançando seus braços em torno de seu pescoço e começou a falar-lhe baixinho no ouvido. Mike não entendia nada.
– Eu não posso te falar tudo o que sei, mas... Você não ia entender nada mesmo. Eu não posso mais te ver por que... – ela começou a gaguejar – por...Mike a agarrou pelos ombros para tirá-la de seu pescoço, e a olhou firme nos olhos.
– Agora, se acalma e me diz tudo o que aconteceu.
Em sua busca desesperada por ajuda, Jenny se esquecera de falar inglês e falava tudo, em português sem perceber, o mais rápido possível. Gesticulava tanto que Mike a agarrou pelos pulsos tentando acalmá-la. Ela viu virando o outro quarteirão um grande carro preto vindo em direção a eles.
– O que aconteceu, Jenny?
Mike a chamara sem receber retorno. Até que ela o olhou apavorada e o beijou. O carro se aproximava cada vez mais, Jenny tinha que ser rápida. Ela recuou e colocou em uma das mãos de Mike um papel dobrado e falou rápido:
– Por favor, entre. Agora.
– Mas...
– Vai. – Jenny o empurrava de leve.Ele resolveu ceder e caminhou para trás devagar, ainda o olhando pasmo. Fechou a porta, foi até a janela e puxou um pouquinho a cortina.
Viu o carro parar na frente de Jenny e descer um jovem pálido, bravo com ela. DP apontava para ela e para o carro, querendo que ela entrasse. Ela respondia negativamente com a cabeça. Uma garotinha de longos cachos ruivos desceu do carro. Mike viu a mão de Jenny tremer quando ela viu a garota. DP se aproximava de Jenny que recuava até que, saiu correndo com ele atrás. DP a agarrou pelas costas e, a arrastava até o carro. Mike não agüentou assistir a cena parado. Saiu e viu Jenny gritando algo como “Não, não quero”. DP tentava colocá-la no carro, mas, ela empurrava-o de volta com seus pés apoiados no portal do carro.
– Hey, solta ela!
Mike correu em direção à DP, mas, ele já havia conseguido colocar Jenny no carro e, entrava junto com a garotinha. O carro arrancou e se foi. “E Jenny também” pensou Mike.
Ao entrar na casa, Mike estava um tanto branco e assustado pelo que vira. Algumas pessoas haviam saído na frente de suas casas para saber a causa do tumulto. Diante das perguntas de seus amigos que também haviam se levantado com os gritos de Jenny, Mike foi em estado choque até seu quarto e fechou a porta deixando-os assustados.
– O que aconteceu com ele? – Dave questionou Paul
– Não sei se estou certo, mas, tenho a impressão de que aconteceu algo com a Jenny!
O barulho de objetos se quebrando no quarto de Mike os interrompeu e, seguiu-se de um abafado grito de angústia.
# No carro em que Jenny estava... #
Naquele enorme carro negro, que saía da cidade antes que alguém possa acordar para vê-lo, estava Jenny de braços cruzados, olhando o nascer do sol que fazia suas lágrimas brilharem. Logo ao seu lado estava sentado um rapaz com a pele tão pálida que contrastava com a escuridão profunda dos fios de seus cabelos que, ele arrumava descontraído. A garotinha de longos cachos ruivos estava sentada na frente deles. Sem dúvida DP tinha dado um jeito de colocar os bancos de frente um para um para o outro, para a viagem. – Foi o correto. Não chore.– Você não pode fazer isso. – retrucou Jenny calmamente– E por que não?– Você não é o Chefe! – Pela primeira vez desde que tinham entrado no carro, Jenny se virou para ele e o encarou.
– E por que você a trouxe?
– Eu não iria querer que você saísse do controle novamente.
– Você falou com ele?
A mudança de assunto atordoou DP.
– Com quem?
– Chefe!
– Não.
– Não devia consultá-lo antes de fazer alguma coisa, principalmente alguma coisa idiota?
– Não quero estragar as férias do seu precioso Papi.Jenny bufou e voltou-se para olhar o nascer do sol.
# Na casa de Mike #
– Mike! Mike acalme-se, o que aconteceu?Paul invadiu o quarto de Mike. Os enfeites da cômoda estavam ao chão juntos com alguns objetos do amigo. Mike estava sentado na ponta de sua cama com as mãos entrelaçadas apoiando o queixo, seu rosto estava de um vermelho intenso.
– E-ela foi...
– O que aconteceu com ela? O que ela fez?
– Ela queria me dizer algo e veio um cara e...
– Ela foi?
Mike negou e baixou a cabeça.
– O que é isso? – Paul perguntou vendo uma mancha branca saindo das mãos entrelaçadas do amigo.
Mike nem olhou para o papel e respondeu, ainda encarando o chão:– É um papel que ela me deu.
– Posso ver?
Parecia que estava em dúvida, mas acabou cedendo o papel a Paul.
– Isto aqui é um endereço. – Paul murmurou para si mesmo.
Mike ergueu rapidamente seus olhos para Paul, com esperança.
– Você acha que...
– Não sei, não. Não é desta cidade. – ele explicou.
– Use a internet.
– Agora? São 6 da manhã!
– E? Procura para mim, por favor? Hmm?
– Está bem. Se eu não procurasse que tipo de amigo eu seria, não é mesmo? – Disse Paul, saindo do quarto.
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