No Fim
3 A aproximação
Mike e Paul passeavam pela escola e, procuravam Jennifer por entre os alunos que desciam de um ônibus e se dispersavam rapidamente.
– Encontrou ela? – Mike olhava cuidadosamente cada garota que estava perto deles.
– Ela deve não ter descido do ônibus ainda.
Paul estava um tanto irritado por ter que colaborar com a idéia absurda de Mike, até que ele arregalou os olhos e começou a balançar o braço de Mike desesperadamente.
– O quê? – Mike disse irritando-se também.
– Acho que a encontrei.
– Onde?
– Ali.
Mike seguiu o olhar de Paul e viu Jennifer descendo lentamente do ônibus. Paul tentou um aceno que, Jennifer não viu. Ela abaixou a cabaça e seguiu para o seu canto mais afastado, onde se sentou e abriu um livro para lê-lo.
– O quê ela tem? – Paul ficou um pouco ressentido.
– Olha, eu sei que não sou o Superman, mas, eu acho que é por que ela está usando fones.
Paul ficou um momento calado, pensando em como acabar com aquilo rápido, virou-se para Mike e disse hesitante:
– Me espere aqui! Eu vou dar um jeito nisso.
– O quê? Aonde você vai?
Paul não estava mais lá para respondê-lo, estava voando na direção de Jennifer para sentar-se ao lado dela.
– Posso ouvir também? – arriscou ele.
Jenny o analisou por alguns instantes e decidiu ceder.
– Pode. – disse ela passando um dos fones para Paul.
– Numb! – ele surpreendeu-se com a música – Então, você gosta de Linkin Park?
– Haham.
– Qual música deles você mais curte? A preferida.
– In the End. – respondeu ela indiferente.
– Esse clipe é perfeito. – ele fingiu ser deixado se levar pelos pensamentos – O que você faria se pudesse conhecê-los? – Paul virou-se para ela curioso.
– Nada. Porque não existem chances de eu conhecê-los mesmo e, eu não sei se, caso isso acontecesse, eu conseguiria olhar para a cara do Chester sem rir.
Paul não entendeu o porquê que ela corou levemente e baixou os olhos.
– O que aconteceu que eu não estou sabendo?
– Eu fiz besteira com uma música deles – ela riu.
Como alguém conseguia fazer besteira com uma das músicas do Linkin park?
– O que você fez exatamente?
Ela demorou uns instantes procurando uma música no seu Mp3.
– Dá só uma olhada se isso é digno de um fã.
Paul esperou ela encontrar a música e começou a rir no mesmo instante em que a ouviu. Era uma música com tanto sentimento que, acelerada, ficava impossível de prestar atenção em outra coisa a não ser aquela voizinha extremamente fina que Jenny tinha feito Chester ficar.
– Como foi que você conseguiu isso?
– Eu estava tentando fazer um slide de fotos e, sem querer fiz essa... Coisa horrível.
– Ta brincando? Está perfeito.
– O quê? Eu estraguei a perfeição!
– Mas guardou a prova do crime! – ele lembrou
– é verdade. Não vou mentir que essa música, ou o que sobrou dela, me faz rir quando mais preciso.
Paul olhou para as próprias mãos pensando em o quê fazer a seguir, como conseguir mostrar para Jenny que seus sonos estavam mais próximos de se realizar sem assustá-la. O sinal soou indicando que o tempo de recreio estava acabado, mas ele conseguiria mais algum tempo com a garota mais tarde.
Jenny retirou-se para a sua sala e Paul foi se encontrar com Mike que, estava sentado na secretaria impaciente.
– O que você estava fazendo? Poderia ter me falado antes sobre esse seu plano.
– Calma, Mike. Preciso que você faça uma coisa se quiser que esse caso se desenrole mais rápido.
– Caso? Que caso? Do que você está falando?
– Ela parece ser um pouco desconfiada das coisas e, eu acho, que nada fácil de convencer também.
– E eu acho que você tira conclusões rápido demais. Minutos apenas e você já fala como se convivesse com ela.
– Se você quiser, eu te conto os “porquês” de eu ter essas opiniões, ok? Mas, se você fazer o que eu te falar, eu acho que você conseguirá surpreende-la e ela, bem, eu acho que ela não poderá dizer não.
# Na sala do sétimo ano... #
Todos estavam agitados, virando-se em suas carteiras para conversar uns com os outros, menos Jenny que, como sempre, estava estática em seu lugar com a mente voando a milhões de anos-luz dali. Nem sequer sabia que existiam conversas múltiplas a sua volta.
– Calma gente, silêncio, por favor. – O professor que acabara de entrar na sala tentava dar um jeito de conter as conversas.
Jenny, enquanto isso, tentava entender o que se passou no intervalo há alguns minutos. Como e porque aquele garoto se aproximou dela? Poderia ser algum idiota que não tinha mais o que fazer e deu sorte ou, poderia ser algum idiota que perdeu alguma aposta e deu sorte, mas, se foi uma aposta, como DP não viu isso? Ele sempre impedia as pessoas de chegar perto dela. Rastreava a mente de todas as pessoas da cidade em busca de evitar perigo para nós. A aproximação de estranhos já era um perigo, um grande perigo que DP deixou acontecer quando não tinha a dominação sobre si que tinha agora e, Jenny teve que pagar por esse erro. Não queria pensar nisso.
Então não era uma aposta, era algo a mais. Algo maior estava acontecendo. Será que DP estava bem? Como que aquele homem conseguiu chegar tão perto dela e lhe dirigir a palavra? Ele não era um estudante, disso ela estava certa. Ele era muito mais velho que um estudante daquela escola, e tinha um leve sotaque estrangeiro. Alguém que viveu recentemente alguns anos fora do Brasil. Nada se encaixava. As únicas pessoas com quem devia se preocupar estavam bem perto e não tinham como buscar ajuda de outras pessoas em outro país.
Perguntas sobre o Linkin Park, e somente Linkin Park. Ele devia saber de algo a mais. Talvez seu segredo? Não. O tempo estava acabando, mas, ainda tinha dois anos para a entrega do pacote então, não haveria motivos para ser incomodada desnecessariamente.
– Jennifer?
Jenny acordou para o mundo com a voz do professor e, percebeu que tinha alguém do lado de fora da sala, pois o professor ainda mantinha os quadris voltados para a porta.
– Sim?
Tem uma pessoa que quer falar com você.
Podia até adivinhar que era para ela por que ele não chamaria a sua atenção quando seus olhos estavam voltados para a lição. Arrastando os pés, dirigiu-se até a porta.
– Você!
Fale com o autor