No Elevador
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mais um dia. Mais uma luta. Mais confusão pelos portadores de diários e fugas consideradas impossíveis. Mas porque não se permitir uma travessura em meio ao caos?
E secretamente Akise Aru se perguntava isso. Internamente com um sorriso travesso, externamente sem uma alteração sequer. Aguardando o momento exato para dar inicio a travessura que começaria assim que entrassem no elevador e os celulares avisassem a alteração no futuro.
Não estava certo sobre fazer ou não, não estava certo sobre dar certo ou não. Diários do Futuro eram um pé no saco, e nesse caso o da Yuno seria o pior de todos. Mas sua incerteza acabou entregando a vitoria a seu plano de ultima hora.
Yuki, Yuno e Akise acabaram de derrotar um portador de diário. Como o esperado estavam sujos, cansados e com ferimentos. Nada grave que precisasse de hospital, algo que apenas uma boa noite de sono resolveria. Mas algo que sem duvida alguma facilitaria atrasar a garota para que ele pudesse ficar a sós com Yukiteru por alguns momentos.
Ele era o primeiro andando no corredor, e seu alvo estava ao lado da sua maior barreira, a garota que segurava o celular nas mãos, atenta a qualquer mudança no futuro para proteger a vida de quem amava. Em segundos o detetive reproduziu todas as ações em sua mente, passo a passo para não ter como errar no que faria, e sabia que teria de ser preciso já que não teria tempo para uma segunda tentativa.
Antes que terminasse de pensar, já agia, assim como nos dois diários, que alertaram a mudança na mesma hora. Infelizmente não rápido o suficiente, já que Akise apertava o botão para abrir o elevador e corria de encontro aos dois que andavam mais atrás.
Gasai mal abrira o celular para ver o que havia acontecido de errado e sentiu ele sendo tomado de suas mãos pelo albino, que tomara de si também Yuki, agarrando na blusa do garoto e fazendo correr ao seu lado até o elevador no fim do corredor.
— YUKI!
Yuno até mesmo tentou correr, mas tudo que conseguiu foi bater os punhos na porta fechada do elevador e gritar pelo amado, que há esta hora estava recuperando o fôlego e iniciando um questionamento que Akise sabia que viria.
— Akise-kun! O que está fazendo?
— Shh...
Amano-san observou o detetive guardar o celular de sua namorada no bolso e ir pra cima dele, por um minuto temeu pelo que ia acontecer e pressionou os olhos esperando por um ataque de faca ou alguma outra arma, mas quando sentiu seu rosto sendo acariciado, permitiu-se abrir os olhos e corar com a aproximação excessiva do outro.
Fazia tempo desde que o albino queria ter oportunidade para ter um momento a sós com Yukiteru e confessar seus sentimentos devidamente, e agora teria alguns andares para isso.
— Akise-kun! Você está... Perto... Demais...
— Temos 22 andares antes da Yuno aparecer. Não. Fale.
Se movendo lentamente e observando como Yuki se rendia pouco a pouco aos seus carinhos gentis, antes mesmo de chegarem no 20º andar as mãos do mais alto já se encontravam na cintura do moreno e seus rostos chegavam perigosamente perto. Yukiteru parecia preso em um transe pelos olhos vermelhos, mas ao sentir os narizes se tocando, teve de voltar a realidade e usar o resto da sanidade antes que não conseguisse mais resistir a quem deveria ser apenas um amigo.
— Mas... Isso não é certo! Me solte! Akise-kun! ME SOLTE!
— Não posso fazer isso agora.
— Por que não? Isso não é... Não posso... A Yuno vai descobrir e vai...
— Eu te amo.
As orbes azuis se arregalaram tão rápido que fizeram o albino parar e esperar o outro absorver essa informação, mas sem perder o olhar dos andares e do pouco tempo que teria para convencer Yuki de que o que dizia era verdade. E para isso estava decidido a atacar com tudo.
— Não deve mudar nada entre você e a Gasai, mas tem que saber. Eu te amo, Yukiteru-kun. Eu precisava te contar.
Sabia que era golpe baixo mover seu rosto para o pescoço do moreno e roçar a ponta do nariz pelo local para o outro sentir sua respiração em um lugar tão sensível, mas em 17 andares teria que dar um fim a tudo isso. Precisava ser rápido, contar e restabelecer o clima antes que a garota percebesse. Ela já deveria estar descontrolada demais para arriscar mais do que isso.
Mas só por um momento, Akise deixou de analisar tudo ao seu redor e tomou uma atitude focada apenas no que queria, capturar os lábios do menor.
Sua atitude trapaceira de provocar o outro havia dado certo, agora Yuki estremecia entre seus braços e dava a brecha para selar os lábios com os dele e dali iniciar um beijo necessitado, porém lento, por mais que não tivessem tempo para isso. Quando chegaram no 15º andar, os braços do moreno agarraram o pescoço do mais alto e retribuiu o beijo como o albino não tinha certeza de que aconteceria.
Outra coisa que o detetive não conseguiu prever foi o descontrole que viria assim que desse inicio ao beijo. Os corpos iam de encontro um ao outro como se quisessem se unir, as mãos deslizando para cima e para baixo querendo levar as roupas junto e livrá-los do incomodo que elas proporcionavam e o formigamento nos baixo-ventres dava o sinal de que estavam indo mais longe do que podiam ou mais longe do que o tempo permitiria, mas nem perto do que queriam.
Passando pelo 13º andar, Akise se perguntava quando perdeu o juízo, e talvez tenha sido quando comprovou o quanto as pernas do menor se encaixavam bem em sua cintura, ou quando percebeu que esse era o inicio de uma estrada perigosa que os levavam automaticamente a intensificar os toques pelo corpo um do outro e a respiração de ambos se tornar apenas um ofegante detalhe sem importância.
As mãos do albino penetravam por baixo das roupas do amigo até suas costas e a puxava de encontro a seu próprio corpo. Dizia a si mesmo para ter controle, mas descia a boca para o pescoço do mais novo e o mordia, arrancando gemidos que só atrapalhavam suas ordens mentais.
Sentindo seu corpo ferver, Yuki nem mesmo lembrava-se de Yuno mais, apenas sabia que não poderiam chegar ao térreo agora, e vendo que estava próximo do nono andar, forçou sua atenção até o botão de emergência e parou o elevador, despertando a atenção do mais alto para onde estavam e a atitude do moreno.
Não estava certo. Não estava sendo como planejara. Ele precisava se controlar. E controlar agora.
Em uma ultima tentativa de recuperar seu controle e se recompor, Akise desceu Yukiteru de seu colo e se afastou ele, indo para trás até suas costas baterem na parede oposta da que o outro garoto se encontrava.
Naturalmente, a atitude repentina assustou o menor, que queria perguntar o que aconteceu e se aproximar de novo, mas antes que fizesse, fora impedido quando o outro ergueu o braço entre os dois.
— Não temos mais tempo.
— Mas... Eu quero que a minha primeira vez...
— Yuki...
— Não quero que seja com a Yuno! E sim com... Akise-kun... Eu quero ser seu... Por favor...
Corado dos pés a cabeça, Yukiteru também confessou seu sentimentos e se atirou nos braços do albino, buscando os lábios dele e o puxando para a mesma posição que estavam antes. E diante disso, Akise não conseguir resistir a vontade de beijar o menor novamente.
Mais um beijo efervescente para fazer aquelas paredes pegarem fogo e transformar algo que seria apenas uma brincadeira perigosa, em algo sério e perigoso. Se Yuki renegasse seus sentimentos, só teria de se preocupar com si mesmo, mas agora, se a garota descobrisse que era recíproco, teria um grande problema se ela se voltasse contra quem dizia amar. E esse pensamento trouxe de volta a cabeça de Akise o quanto era importante parar o que faziam.
— E você vai ser... Mas não aqui.
Com pesar e contra sua vontade, o albino ergueu o braço e apertou o botão que faria o elevador voltar a descer, e tratou logo de arrumar suas roupas, assim como Amano, que fazia o mesmo, porém com uma expressão infantil e emburrada. Notando isso, o mais alto sorriu e ergueu o rosto de Yuki, para roçar seu nariz com o dele em um carinho gentil e seguro para evitar outro “acidente” que o faça perder o controle.
— Quero que nossa primeira vez seja especial, não fique chateado comigo.
— Mas é impossível com a Yuno. Ela agora mais do que nunca vai grudar em mim!
— Não confia em mim?
— Eu confio, mas... A Yuno...
— Vou dar um jeito, deixe que eu me preocupo com isso. Mas lembre-se, ela vai saber tudo o que você fizer, então não faça nada.
— Eu sei. Não posso fazer nada.
— Vou dar um jeito. Apenas espere.
Com um suspiro, o moreno desistiu de argumentar. De uma forma ou de outra, sabia que tudo o que ele fizesse seria registrado no maldito celular da Gasai. Viu o detetive mexendo nele e teve vontade de quebrá-lo, mas estremeceu ao pensar no que aconteceria com a garota se fizesse isso. Apesar de tudo, matar sua perseguidora era uma idéia impensável.
— O que está fazendo?
— Apagando as ultimas mensagens.
— E isso vai funcionar?
— Espero que sim.
Já estavam no segundo andar quando foram se despedir, com um selinho longo e com o mais alto deixando um beijo na testa no menor. Ambos encaravam a porta do elevador com receio, estava a segundos de ser aberta, e o detetive teria de ser rápido se não quisesse ser morto ali mesmo.
Enfim chegaram ao térreo, e a porta mal se abria e Yuno já se lançava para dentro da caixa metálica, checando se Yukiteru estava inteiro e depois se posicionando entre os dois rapazes. Estava irritada, não a ponto do seu descontrole mais sério, mas querendo arrancar o coração do albino, que sorria em provocação.
— YUKI! O que ele fez com você?
— Não está vendo? Não fiz nada, nem toquei nele.
— Devolva o meu Mirai Nikki!
— Pode ficar com ele. Até mais.
Com um sorriso no canto da boca, ele lançou o celular em direção a garota e enfiou as mãos nos bolsos, saindo dali com mil e um planos na cabeça e um coração transbordando de amor. Mais um dia. Mais uma luta. Mais confusão por causa de amores impossíveis. Mas porque não se permitir um momento de felicidade em meio ao caos?
E o detetive planejava ter muitos outros momentos como esse.
Fale com o autor