No Ardor da Luxúria
1 O lírio tingido de negro
David sempre fazia o mesmo percurso durante a semana: deixava as crianças na escola às 07h00min indo logo em seguida ao trabalho, almoçava das 12h00min às 13h00min e largava do emprego às 18h00min, seguindo quase sempre o mesmo caminho. Numa típica noite de segunda, enquanto passava numa ruela escura apenas a alguns quarteirões de sua residência, ele avista uma bela mulher usando um vestido negro e atraente. Alichia tinha longos cabelos encaracolados e olhos azuis penetrantes, quanto mais perto David chegava mais seus batimentos aceleravam e ele se sentia cada vez mais excitado.
Ao faltar menos de um metro de distância entre os dois, um estrondo ressoa atrás de David, que quase instantaneamente olha para a origem do barulho e logo nota que foi feito por um gato que derrubou a tampa de uma lata de lixo; após voltar seu olhar para onde se encontrava a mulher percebeu que ela havia desaparecido, agora um pouco atordoado, David segue novamente seu caminho até sua casa.
David estava viúvo há apenas três meses, quem o ajudava era sua meia irmã Sara. Ela fazia os trabalhos domésticos e cuidava das crianças, pegando-as assim que largavam do colégio e levando-as para casa; Sara tem seus 19 anos, é solteira e mora perto do irmão; não é nem de perto feia, mas por sempre procurar o homem de seus sonhos nunca se conformou com nenhum candidato que tenha surgido, era ruiva de olhos verdes.
Ao chegar em casa as crianças já haviam jantado e estavam assistindo TV enquanto Sara lavava a louça.
Sara: Chegou tarde hoje, muito serviço?
David: Um pouco... Estou cansado, vou me deitar mais cedo esta noite, não esqueça de trancar a porta ao sair.
David tranca sua porta assim que entra no quarto e desaba na cama com a mesma roupa que chegou. Ao fechar os olhos a imagem da bela mulher que encontrou volta a sua mente. \"Quem era aquela mulher? por que ela me intriga tanto?...” Ele pega um comprimido e um copo de água no criado mudo e toma, alguns minutos após ele cai num sono profundo.
Tudo está negro... Uma luz fraca ao fundo começa a se intensificar, ele cobre os olhos com o braço por causa da luminosidade... Está agora em seu próprio quarto novamente, uma mulher morena de cabelos lisos está de lingerie deitada em sua cama.
David: Mas... Mas como?... Jéssica? Mas você morreu a...
A mulher deitada na cama faz sinal para que ele pare de falar e que venha se deitar ao seu lado. David, sem tirar os olhos dela, se deita e começa a beijá-la intensamente. A mulher o empurra para baixo dela e pressiona seus seios contra ele enquanto mordisca seus lábios. Ele fecha os olhos e beija a mulher intensamente, ao fazer isso parte de seu rosto escurece e os olhos da mulher lentamente vão ficando vermelhos. Ao perceber um desconforto, David abre os olhos lentamente e se depara com a mesma mulher que encontrou durante a volta do trabalho.
Surpreso, tenta inutilmente se desvencilhar de Alichia, mas a mesma o segurava com uma força sobre-humana enquanto roubava sua vitalidade e força. Das mãos de Alichia começam q se formar garras, de sua cabeça surgem dois chifres curvados no final e aparecem duas asas negras de suas costas. Ela rasga a blusa de David com ferocidade lambendo agora seus mamilos; David solta um gemido de prazer, o que a atiça ainda mais, ela abre rapidamente o zíper de sua calça e o consome completamente aquela noite, tanto físico como mentalmente. Ela procura por prazer, um prazer inigualável, mas logo percebe que não é ele a quem ela procura.
Ela anda pelo quarto olhando os mínimos detalhes, gosta de saber por onde faz suas refeições, um homem de entre seus trinta ou quarenta anos está desmaiado e em exaustão numa cama de casal solitária. Alíchia percebe que o quarto é rodeado de porta-retratos de um casal e suas duas filhas, eles parecem felizes no retrato, mas por algum motivo o homem ali deitado não era mais o mesmo que estava nas fotos, ele não possuía mais o brilho em seu olhar.
Alichia: Não se preocupe você agora é todo meu. Irei tirar de você todos os resquícios de sua antiga vida, você não mais sofrerá com essas perdas, mas também não poderá escapar de mim.
Ela esboça um sorriso enquanto pega suas roupas jogadas ao chão.
Alichia: Au revoir. Voltarei a visitar-te meu servo.
Agora não sobrava nem sombra de que alguém havia estado no quarto além de David, ele em sono profundo enquanto uma lágrima escorria de seu rosto. No outro dia David acorda com muita dor de cabeça, mas levantasse devagar.
David: Que sonho mais esquisito... Como pode a Jéssica... Não a Jéssica! Aquela mulher misteriosa. Por que não paro de pensar nela?...
Ele se levanta com dificuldade e toma seu remédio. “Não posso ficar pensando em besteiras agora, tenho que me apressar e ir ao trabalho”.
Às 18h00min David faz o mesmo percurso da outra noite, com esperanças de encontrar a mulher misteriosa, mas logo percebe que ela não estava lá essa noite.
David: Talvez tenha sido apenas um sonho.
Ao chegar em casa sua irmã Sara estava lá ainda, mas já havia posto as crianças para dormir.
Sara: Chegou cedo hoje, não teve muito trabalho dessa vez?
David se mostrava calado e pensativo.
David: Sara...
Senta-se numa cadeira da cozinha e coloca duas xícaras de café Sara faz como o irmão e se senta.
David: Você nunca pensou em se casar? Até hoje nunca lhe vi com um namorado se quer.
Sara se incomoda com a intromissão do irmão, mas tenta não demonstrar muito.
Sara: Isso é por que não apareceu nenhum candidato atrativo o suficiente.
David: Entendo... Então foi isso. Desculpe por perguntar assim tão de repente.
Sara: tudo bem. Sem problemas. Mas por que isso agora? Minha presença aqui o incomoda?
David: não, nunca. Muito pelo contrário, você me ajuda muito. Sem você não sei como conseguiria suportar a perda de minha esposa.
Sara desvia o olhar por um momento. Incomodava-se quando seu irmão falava de Jéssica.
Sara: irei me retirar agora meu irmão, voltarei aqui amanhã como sempre.
Sara vai embora sem olhar para trás, esforçava-se para parecer neutra. David terminou seu café e foi direto ao seu quarto, esperava por ver Jéssica uma vez mais, sua angustia era crescente; conseguiria ele ver novamente sua amada? Ele tomou seu remédio e se deitou. Como na noite anterior, tudo ficou escuro e logo após ele estava em seu quarto novamente. Ele olhou para cama com esperanças de ver sua falecida amada, mas ao olhar ele encontra uma cama vazia. Teria sido a noite anterior apenas um sonho?
Uma mão delicada alisa-o por trás. Ele se vira bruscamente. Era a mesma mulher que ele encontrou na noite anterior.
David: Quem ou o que é você? Por que me persegue?
Alichia: Eu lhe escolhi como meu servo. Você que experimentou uma grande perda e que agora não tem mais vontade pela vida. Tomar-lhe-ei tudo que você tem todos seus sonhos, todas suas esperanças, todo seu futuro, e principalmente, tomarei de você sua vida.
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