No Amor e Na Guerra

32 Capítulo 32- Planos e Medos


Notas iniciais
Oiii, meus amores! Sei que abandonei vocês, não vou negar... Mas espero que entendam. Meu pai esteve muito doente e eu fiquei completamente atordoada por causa disso.(sim, agora ele já está melhor) Mas também espero que vocês não tenham esquecido da nossa história. Eu vou terminá-la, como o prometido, e vamos chegando na nossa jornada final. Vamos voltando aos pouquinhos nesse capítulo que, modéstia parte, está tendo pra caramba. Boa leitura!

No árduo caminho do amor, somos capazes de tudo. Não somente fazemos as maiores loucuras pelas pessoas que amamos, como também fazemos por nós mesmos. Fazemos porque essas pessoas acreditam que podemos ser incríveis, que somos bondosos de coração e que podemos fazer qualquer coisa com um pouco de fé em nós mesmos. Infelizmente, acreditar nem sempre vai fazer que aceitemos o nosso lado bom e ruim.

Mas qual é o sentido do sacrifício? É provar para aquela pessoa que você realmente a ama? É provar para você mesmo que realmente é aquela pessoa maravilhosa e corajosa? Não. Sacrifício é proteger quem amamos, é expor todos os nossos erros, e revertê-los por uma causa maior. É esquecer da dor, por maior que ela seja.

“A questão é que eu não pude mudar quem eu sou. Essa é a grande questão. Eu encontrei uma pessoa completamente nova dentro de mim, que sempre esteve presente, mas que não queria sair. Hoje, essa pessoa apareceu por sua causa, e eu sou eternamente grata por isso. Mas o problema é que está sendo muito doloroso e difícil guardar a outra pessoa, a maldade, sabe? Ela me serviu muito bem, me fez esquecer do que eu passei. Aquela raiva era tudo o que eu tinha. Mas hoje eu percebo que eu não devo me livrar dessa má pessoa, mas sim aprender a conviver com ela. É quem eu sou. E é assim que eu quero continuar sendo: eu mesma. Não quero guardar segredos de você, Swan, e espero que você continue me aceitando, apesar de tudo.”(17)

Esse tipo de pensamentos que rodeavam a cabeça de Regina Mills abruptamente. Se ela se arrependia pelos erros do passado? Com toda certeza. Mas estava consciente do que fez, não culpava nada nem ninguém pelas maldades que executou. Sua alma estava mais leve do que nunca desde que Emma entrara em sua vida.

É difícil dar o primeiro passo em direção a qualquer desconhecido. Mais difícil ainda é caminhar para o que pode ser o final de tudo. Para ela, não era tão horrível assim. Tinha um família novamente, alguém que a amasse e um coração verdadeiramente puro. Quem sabe, o fim não poderia ser o início?

Mas foi o cenário de Auschwitz que a aterrorizou da maneira mais arrebatadora. A neve, originalmente branca, tornava-se uma mistura macabra de tons escuros das bombas com o sangue de quem morrera ou sangrara ali. Judeu, nazista, comunista ou o que fosse... Todos eram iguais nos seus últimos suspiros e o seu sangue não se diferenciava do de ninguém.

Uma jovem que aparentava ter a idade de Emma, os seus 20 anos, a segurou pelos pés. Era nítida a sua dificuldade para respirar.

— Por... Por favor...- suplicava em meio ao sangue e as lágrimas.- me ajude.

Regina entendeu que a ajuda que ela pedia não era qualquer chance de cura. Via em seus olhos que tudo o que a menina ansiava era o fim do seu sofrimento. A comandante segurou o seu pescoço e quebrou-lhe em uma única puxada. Suas lágrimas começaram a se misturar com as da garota. Não pode deixar de pensar em Emma.

Sentiu uma pontada nas costas. Dois guardas apontavam-lhe os rifles sem tremor algum. Gritaram em alemão para que Regina mostrasse as mãos e se rendesse.

— Es ist alles in Ordnung.- ela disse.- Eu vim me entregar.

Sem hesitar, o maior deu-lhe uma coronhada na cabeça e Regina desmaiou.

“Eu dei o primeiro passo para fazer com que estejamos no lugar certo e na hora certa e, para isso, eu tive que fazer um grande sacrifício psicológico. Eu tive que deixar o meu lado mau vir à tona novamente, Emma. Mesmo que eu tenha matado alguém que merecesse, eu já não consigo mais fazer isso. Eu quero libertar esse campo, quero acabar com os nazistas e fingir que nada jamais aconteceu. Você aceita o meu lado escuro?”(17)

Era como se o tempo tivesse voltado no momento em que ela, Emma e Zelena estavam aprisionadas. Só que dessa vez, Regina estava sozinha, e mais determinada e fortalecida que da última vez.

Alguém tirou-lhe a venda que cobria-lhe os olhos e a comandante foi despertando os sentidos completamente.

— Desculpe, querida, pela arrogância da situação.

— Gold.- ela exclamou.

— De fato.- o comandante de Auschwitz riu.- É engraçado vê-la se entregando. Eu me lembro muito bem de quando você disse que os russos iam me esquartejar, e aqui está você, fugindo feito uma cadela.

— E se eu bem me lembro, você disse que ainda tinha tempo para me fazer sofrer. E aqui está, o imponente Comandante Gold, com medo nos olhos.

— Cala essa boca...- ele gritou.

— Não calo! Porque nós dois sabíamos que isso ia acontecer, que o Terceiro Reich e Hitler não iam durar mil anos. Por deus, eu não estou aqui por eles. Isso sempre foi um jogo de poder. Eu queria ser alguém na vida e você queria provar o quão poderoso podia ser. Vamos lá, Gold, admita que está com medo do fim! Porque eu não estou, e o único motivo de ter me mantido viva é porque precisa da minha ajuda.

— Eu odeio admitir, mas você sempre foi inteligente, Regina. Mas não se engane. Eu ainda tenho tempo de te matar. Ou melhor, matar a Srta. Swan.

— Deixe-a longe disso!- A morena levantou, com as mãos ainda amarradas, e olhou-lhe bem nos olhos. – Se encostar um dedo nela, eu garanto que vou cortar cada um desses dedos nazistas sujos, você entendeu?

— Olha só! O amor é forte, não é, querida? Te deu a coragem para me enfrentar. Quem diria que aquela medicazinha assustada e com remorso iria se tornar uma grande mulher? Bravo, Regina! Bravo!- Gold abusou o quanto pode de sua risada sarcástica e a encarou de volta.

— Eu vejo os olhos de um covarde. Um covarde que não teve nem a coragem de ir atrás de quem ama... Como é mesmo o nome dela?- satirizou Regina.

— Bella...- sussurrou Gold.

— Bella! Olha só, Gold... Não me interessa o homem imundo que você é. Não me interessa o quanto tente ainda se provar o maior e mais poderoso. O sangue está derramado ali fora. E estou aqui para garantir quer nem o de Emma e nem o da Bella sejam derramados. Está na hora de deixar qualquer pátria ou regime fascista de lado e lutar!

— Você não tem ideia do que está falando! É um território perigoso este que está querendo se aventurar, Srta. Mills.

— Não me importa! Eu vou lutar!

— Shhhh!- ele a calou com a palma das mãos.- Você não tem noção mesmo. Acontece que eu tenho, e sei que traidores tem um destino bem pior do que você imagina.

Um guarda da SS adentrou. Ela empunhava um rifle que Regina conhecia muito bem. Era especial para execuções.

— Não tinha que ser assim, Regina. Mas você não me deixa outra escolha.- o coração da morena acelerou-se de repente. Não tinha cumprido o seu propósito ainda. Aquilo não podia acontecer.- Agradeça por eu estar fazendo isso ao invés de você ser enforcada em praça pública por traição. Eu realmente sinto muito, mas eu preciso seguir os planos.- exclamou Gold.

Por um momento, o corpo de Regina anestesiou-se de tal maneira que o único barulho que conseguia escutar era o da sua própria respiração. Por um momento, ela temeu a morte.

E então ouviu o som da arma. Seu corpo retraiu-se ao chão por instinto próprio, mas nenhum outro incomodo a percorreu. Ao invés disso, o corpo do atirador recaía em uma poça de sangue.

— É, eu também tenho planos.- Regina ficou boquiaberta.- Olá, Rumple.

— Mãe.- deixou escapar.

Notas finais
Sei que a Emma não apareceu nesse capítulo, mas espero que tenham gostado. Não deixem de comentar o que acharam! Beijos e até a proxima! P.S1: Gold fdp. P.S2: Cora ♥