No Amor e Na Guerra
21 Capítulo 21- Laços de Família
Notas iniciais
–Emma...- Balbuciou Zelena, ao passo que tentava compreender se aquilo realmente estava acontecendo. Ela começou a se aproximar da loira devagar e estendeu os braços. A outra nada fez e desviou de seu caminho.
– Não toque em mim!- Emma gritou alto e continuou a caminhar para trás, confusa, derrubando o que via pela frente e chegando até mesmo a acordar Mary Margareth, que logo veio correndo mas Regina fez um sinal para que ela ficasse longe daquilo. A situação era somente entre as três e o clima não iria baixar até que se entendessem. Todas estavam divididas e completamente confusas, suas histórias estavam interligadas e talvez de uma maneira nada agradável. Regina deu um passo rápido tentando acalmá-la e evitar que ela gritasse ainda mais, pois, por um momento, Emma esqueceu completamente que poderia colocar todas ali em grande perigo. Mas isso não parecia incomodá-la muito, já que a presença de Zelena na sua frente tinha despertado o lado sombrio dela mais uma vez.
– Emma, acalme-se.- disse Regina com uma voz leve.
– Não me diga o que fazer até me explicar o que ela está fazendo aqui!- gritou Emma ainda mais alto.
– Por favor!- gritou Regina ainda mais alto, segurando forte Emma pelos braços e a encarando. A atitude surpreendeu a loira que já estava respirando ofegante. — Eu não quero gritar com você.- dizia ao passo que largava os braços da outra e diminuía a força que aplicava. — Por favor.- suplicou mais uma vez.
–Regina, eu só não saio daqui agora porque eu tenho consideração por você, mas eu preciso saber por que você nunca me contou que essa traidora era sua irmã.- disse Emma, apontando para Zelena.
A visitante nada falava e tentava entender tudo que estava acontecendo. Talvez até merece tamanha raiva por parte da filha adotiva, mas ela acreditava que aquilo tinha ficado no passado há muito tempo. Ela nunca imaginava que o erro que cometeu podia ter causado tanta dor, inclusive nela mesma. Não havia um dia que ela não pensava em Emma. Chegou até a pensar que a menina havia morrido na explosão junto com Ruby antes de embarcar.
–Emma, eu sei que você está chateada...- disse a ruiva, tentando iniciar uma conversa digna.
– Não fale comigo, por favor. Você já não faz parte da minha vida a muito tempo, Zelena.
Cada palavra que Emma balbuciava era uma facada para Zelena. O que havia acontecido com o "mãe"? O que havia acontecido com o amor que a muito tempo as duas compartilhavam? Zelena viu cada passo, cada centímetro que Emma cresceu, a consolou nos dias em que ela sentia dor, a ajudou a entender o mundo a sua volta. Doía, e doía muito. Mas ela sempre foi daquelas que acreditavam que para tudo tem uma segunda chance e que tudo tem uma razão, por mais horrível que aquela coisa seja.
– Bom, eu vou falar e não espero que você me escute. É uma escolha completamente sua se quer ouvir o que eu tenho a dizer ou não.- continuou ela. Emma não falou nada, se prendendo apenas a olhá-la com um certo rancor. Regina estava completamente dividida. A pouco estava feliz por rever a sua irmã e por ter tido um dia perfeito ao lado de Emma, mas a vida sempre parecia puxar para o lado ruim. Ela estava quase saindo e deixando as duas sozinhas, porque era algo que deveriam resolver entre elas, seja lá o que tivesse acontecido. Mas resolveu permanecer para garantir que Emma ficasse bem e não cedesse para o lado sombrio acima de tudo.
– Emma, eu sofri muito depois do que fiz, e a minha vida começava a piorar em grande escalas depois que você foi embora. Sabe como foi ter visto aquela explosão e pensar que você tinha ido embora para sempre?- dizia Zelena, já aos prantos.-Foi uma dor enorme, porque sim, eu te considerava uma filha, e foi a maior burrice da minha vida dizer que você não era. Mas agora eu sinto, Emma, que, na verdade, você não só minha filha, mas sim a melhor pessoa que eu já tive a chance de ter ao meu lado. Agora que eu descobri que você está viva, que tive a chance de te ver só mais uma vez e também ver que você está feliz, ao lado da outra pessoa que eu mais admiro na vida, eu não preciso de mais nada. Você está com a sua mãe biológica agora, aquela que você me contava que iria reencontrar com o sorriso mais lindo do mundo e todos os dias eu não deixava você parar de ter esperanças, mesmo que fossem mínimas. Eu não mereço o seu perdão, mas ainda tenho esperanças que eu tenha a chance de conviver com você novamente.- finalizou, secando as últimas lágrimas e saindo porta afora.
Emma já estava chorando também, pois ela realmente não conseguia mais ser forte. O inimigo era outro, a vida era outra, a dor era outra. O bem ficou longe dela por muito tempo, ela já não via mais a benevolência e a gentileza das pessoas. Estava acostumada a sempre as pessoas se fingirem de boas e serem más, ou simplesmente serem cruéis de cara. Agora, ela podia sentir a balança girando, e no fundo ela sabia que Zelena nunca havia sido má. Ela via isso agora. Olhou para Regina, e a abraçou chorando sem parar. Ela só queria ter certeza que a vida a tinha dado uma segunda chance. Emma respirou fundo enquanto Regina secava as lágrimas do rosto dela uma por uma, sorrindo singelamente.
– Eu errei, Regina, ela não merecia...- sussurrou Emma.
– Shhhhh!- interrompeu Regina. — vocês são as duas coisas mais importantes da minha vida, é natural que não seja tão perfeito assim. Agora, vá atrás dela, e depois eu quero outro abraço.- finalizou, com aquela cara que só ela sabia fazer. Emma saiu porta afora o mais rápido que podia, sem ligar para o fato de que qualquer hora alguém podia impedi-la. No final do corretor avistou os cachos ruivos de Zelena, que já estava saindo no meio da tempestade. Diminuiu o passo e, antes mesmo de alcançá-la, começou a falar no tom mais alto que pode no meio da tempestade, enquanto a ruiva ainda estava de costas, sem que Emma conseguisse enxergar exatamente a sua imagem.
– Talvez eu tenha reencontrado a minha mãe biológica, mas talvez você estivesse certa, um dia eu não perderia as esperanças e veria a minha mãe novamente. Acontece que só agora que eu reencontrei a minha verdadeira mãe e não quero que ela vá embora no meio da tempestade.- Emma deu um longo suspiro depois de conseguir ter dito o que realmente sentia e agora tudo o que ela queria era abraçar Zelena, que foi mostrando o rosto aos poucos. Mas algo no rosto dela estava diferente. Seus olhos já não suplicavam mais por perdão, mas sim por ajuda.
– Me desculpe, Emma.- pronunciou ela antes que a loira caísse no chão e tivesse uma imagem nítida de Gold golpeando a ruiva, que também caiu e a olhou no fundo dos olhos antes de ambas desmaiarem.
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