No Amor e Na Guerra
2 Capítulo 2- Uma certa comandante chamada Regina

—Eu sinto muito pelo que aconteceu a você, Emma. Os seus pais não tinham o direito de expulsá-la de casa, amor.- Disse Ruby.
—Eles não são os meus pais nem nunca serão. Só não entendo o porque da vida ser tão injusta assim comigo. A única pessoa que ainda me resta é você, Ruby.- Emma deixava com que as lágrimas escorressem dos deus olhos sem lutar. Chorava ao lembrar de todo o passado, do quanto fora enganada por pessoas que ela pensava amar e do quanto ela sentia saudades dos seus pais.
—Bem, sabemos que isso não é bem verdade. Os seus verdadeiros pais estão lá fora, nesse exato momento, pensando em você. Pensando no seu bem estar e pensando em como era acariciar esses seus lindos cachos.-Aquelas palavras fizeram Emma chorar estupidamente, mas de alegria, de saudades.
—Eu sei o que posso fazer por você, Emma.- Disse Ruby. -Posso comprar passagens para nós duas para a Alemanha e, assim, você poderá reencontrar os seus pais.
—Mas Ruby, a sua vida é aqui! E eu não tenho a menor ideia se os meus pais vão querer-me de volta, eles me abandonaram!- as lágrimas se misturaram com tristeza novamente.
Essa foi a primeira vez que Emma chegou a dizer isso da boca pra fora. Ela nunca havia aceitado esse fato, apesar dele estar presente e cada vez mais real. Seus pais não voltariam para buscá-la nunca. Mas a questão é: por que? Seria porque sua mãe trocou o sobrenome de Emma? Isso queria dizer que eles não faziam mais parte da mesma família?
Será porque, todos os dias que Emma conhecia alguém e se apresentava como Emma Swan, seu original sobrenome e também judeu, as pessoas diziam: "você tem sorte de ter escapado daquele inferno. Sua vida será muito melhor aqui, não se preocupe"? Aquilo girava na cabeça dela repetidas vezes, afinal, qual o problema em ser judeu? Por que na Alemanha as pessoas a julgariam por isso?
—Eu odeio esse lugar, Emma. Ninguém me entende nem me vê aqui. Vou preparar tudo é semana que vem, estaremos prontas para partir juntas, sem discussão!- O papo acabou por aí. No fim, era melhor Emma parar de remoer-se com o passado e aproveitar o que ela e Ruby tinham juntas.
Nos dias seguintes, a loira leu todos os jornais possíveis. Estava ciente de tudo que acontecia em seu país de origem e ela não gostava nem de pensar naquela situação. Ela entendia que, lá, ela seria subjugada como alguém "inferior", "não humana", um "rato", como Hittler muitas vezes falou.
Apesar de tudo, ela carregava o orgulho de ser judia porque havia sido aquela religião que seus pais a batizaram e a criaram durante o período em que estiveram juntos. Ruby já deveria ter voltado da estação de trem com suas passagens compradas, e seu atraso preocupava Emma. A loira, então, resolveu encontrá-la e ver o porquê de tanta demora.
Aproximando-se da estação, uma rua que antes era chamada de "heaven", paraíso em inglês, estava completamente irreconhecível. Uma cratera enorme era a principal, no centro da rua, além de uma grande nuvem de fumaça e várias cinzas.
Emma jamais havia visto um cenário de bomba com os próprios olhos. Ela só se lembrava de ouvir aqueles barulhos estrondosos todas as noites, perdendo o sono. Um feixe de luz vermelha chamou sua atenção. "Espera ai. Aquele ali não é o casaco da... Essa não!"
Emma saiu correndo, e encontrou Ruby abaixo de um enorme aglomerado de paralelepípedos, sem reação alguma, sem cor, sem seu lindo sorriso. As passagens para a Alemanha estavam em suas mãos gélidas e Emma começou a soluçar, implorar que ela voltasse.
Pensou em como aquelas passagens a levariam para outra vida, talvez pior, mas juntas. E agora, tudo estava destruído. Em segundos, a polícia apareceu e Emma partiu em disparada, dando um último beijo de adeus e deixando algumas lágrimas caírem no rosto sem vida da morena.Ela embarcou no primeiro trem que pode. Agora, seus pais seriam a sua última esperança de felicidade.
Como há dez anos atrás, Emma olhou pela janela. Tudo estava diferente, assim como ela. Dessa vez, o calor do verão parecia tornar mais quente as fogueiras de bombas que por ali caíram. Dessa vez, o branco foi substituído por um cinza sem vida, sem qualquer sinal dela, aliás.
As ricas pastagens verdes demorariam para aparecer naquela época do ano novamente. Deu delírio foi interrompido por um aviso: todos os passageiros que estiverem se dirigindo à cidade de Berlim, a última das paradas, devem trocar de trem imediatamente na próxima estação. Um frio tomou conta de Emma. Ela não sabia o que fazer. Ela sabia que nada daquilo era bom.
Ao se aproximar da estação, visualizou uma linda mulher morena, de olhos castanhos, porte médio, na casa dos 25, com um uniforme militar, descendo de um carro de luxo. Devia ser uma comandante, por todo o glamour do uniforme. Mais adiante, alguns soldados da SS recebiam ordens daquela mulher.
Essa possuía um olhar que Emma já havia visto repetidas vezes: em Ruby. De repente, soldados balbuciavam em alemão para que todos os judeus descessem. Emma passou perto da misteriosa mulher, onde em seu uniforme podia-se ler "comandante Regina". Ela a olhou dos pés a cabeça e quando percebeu que a outra também a olhava, ficou cabisbaixa.
Um vagão parecido com um daqueles de transporte de gado era o seu destino. Estava espremida em meio a multidão, que se juntou a outros tantos outros passageiros dentro do trem. Antes de tudo ficar escuro, a última visão de Emma foi o olhar de Regina encarando-a fixamente.
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