No Amor e Na Guerra
3 Capítulo 3- Por trás da Máscara
Notas iniciais

Regina sempre fora uma mulher determinada, que nasceu em um "berço de ouro" como muitos chamam. Filha de um aclamado general nazista, Henry, anteriormente soldado na I Guerra, e de uma das primeiras cirurgiãs alemãs, Cora, ela tinha de tudo para ter a vida que sempre quis.
A história de seus pais a inspirava, visto que sua mãe salvou seu pai na linha de frente da batalha, e os dois desenvolveram uma envolvente paixão a medida que Cora cuidava da recuperação de Henry. Esta tinha feições muito parecidas com Regina e, nessa época, as atitudes também. A sua boa intuição e requinte a fizeram estudar medicina, assim como sua mãe.
Ela salvou muitas vidas e desenvolveu técnicas cirúrgicas sofisticadas. O exército alemão via Regina como "uma bela mente" e não havia um dia em que seu pai não a pressionasse para alistar-se no alto pelotão, como "a mente" da SS.
Cora, por sua vez, aprovava a ideia de que Regina poderia se tornar uma das mais importantes médicas do exército alemão. A mulher até chegou a pensar e repensar muitas vezes em oferecer a filha para casar-se com o Führer, pois extrema era sua beleza e inteligência. "Imagine-se casada com o homem mais poderoso da Alemanha, minha filha, se não do mundo. O poder traz felicidade."
Regina jamais pensou em abandonar seus ideais e nem mesmo alistar-se. Afinal, o amor não era uma "fraqueza" como sua mãe sempre dizia, mas sim algo que faz de nós o que somos.
Ela gostava da exata maneira de que tudo estava: que ela pudesse acordar com calma, tomar uma bela xícara de café, colocar uma de suas belas saias que resaltavam seu corpo, um de seus blazers, uma camisa de gola alta sempre abotoada quase até a metade, deixando à mostra parte de sua seios, e colocar seu jaleco branco, o qual via-se escrito: Dra. Regina Mills.
Com muita calma e dedicação, sem nunca entregar-se a cobiça e nem a infidelidade, ela conquistou o posto de chefe do departamento de cardiologia, fazendo várias pesquisas e salvando muitas vidas.
Um de seus pacientes mais ativos era David Nolan, um loiro carismático. David tinha insuficiência respiratória, ou seja, seu coração não era forte o bastante para ele. Sua esposa, Mary Margareth, dizia que isto era apenas abstrato, porque, concretamente, o coração dela, de David e de sua amada filha Emma batiam como um só.
Não havia um dia sequer que a simpática moça de olhos castanhos e cabelo curto não mencionasse a filha para Regina. Para a Dra, o amor era exatamente isso: algo que não se pode tocar, nem comprar e que aparece nos lugares mais inesperados.
—Não há nenhum minuto que eu não pense na Emma, desejando tê-la comigo. Cada segundo longe dela é uma tortura.- afirmava David. -Mas esse é o preço do amor, não é mesmo? O sacrifício.
Perto de seu aniversário de 25 anos, Regina iniciou uma pesquisa com o aclamado Dr. Whale e seu assistente, Daniel. Daniel foi o primeiro homem a despertar a atenção de Regina, pela sua bondade e sinceridade.
Ele sempre apoiava a morena em suas decisões, e fazia com que ela seguisse o caminho certo ao invés do errado. Os dois tiveram uma paixão escondida, visto que Daniel não era da mesma classe social de Regina. Ela podia se sentir pela primeira independente por completo. Sem que ninguém tentasse colocar a mão no seu destino.
Poucas semanas depois, Regina estava preocupada por não ver David há semanas. Naquele mesmo dia, Daniel parecia mais nervoso que usualmente. Mal ela sabia, que seu próprio pai havia expedido um mandado de busca para David e Mary Margareth, que haviam sido denunciados por outros pacientes. Haviam afirmado que eles tinham trocado seus sobrenomes e tentaram realizar fugas da Alemanha diversas vezes.
O pai de Regina tinha aquele caso como prioridade, já que aqueles "bandidos" poderiam fazer mal ao próprio bem estar da sua filha. Daquele momento em diante, judeus só seriam tratados por médicos judeus, dentro de seu gueto ou campo.
Era perto das 8 da manhã do dia seguinte quando Daniel entrou porta a dentro, agarrando Regina pelo braço e suplicando por ajuda. Ela por sua vez, sem entender tal situação, tentou acalmá-lo de todas as maneiras possíveis, sem sucesso.
—Você não entende, Regina. Eu não posso ficar aqui. Mary Margareth acha que eu que denunciei ela e David, eles estão bem, a propósito. Eu estava escondendo-os, mas não sei aonde eles estão agora. Ela vasculhou meus documentos e também me denunciou à SS. Me desculpe, Regina, mas eu nunca estive destinado a poder ficar com você, apesar do meu coração...- Sua fala foi interrompida por um forte estrondo da porta. Seu pai entrou acompanhado de outros dois oficiais.
—Saia de perto dela agora mesmo, judeu!- Gritava Henry. Regina simplesmente não conseguia se mexer. Daniel não conseguia largar a mão dela por nem somente um segundo. Esse seria o mais rápido e menos doloroso fim para ele, no entanto, o pior para Regina. O corpo de Daniel ricocheteou para trás, deixando o jaleco de Regina estampado de sangue. Imóvel, ela cambaleou para trás e desmaiou.
Acordou aos cuidados de Cora, e logo que redobrou os sentidos despencou chorando nos braços da mãe.
—Eu sinto uma explosão de sentimentos que nunca havia me ocorrido, mãe. Eu me sinto mais perdida do que nunca, sem rumo algum. Sem ninguém.
—Isso não é verdade, Regina. Você tem a mim, você tem ao seu pai e ao seu trabalho. Eu te disse, querida, que o amor é uma fraqueza. O que aconteceu entre você e o Daniel não foi real.-De repente, o choro de Regina parou e ela encarou Cora fixamente.
—Quem lhe falou que eu tinha relações com o Daniel?
—Ora, o seu pai é claro.- Balbuciou Cora, depois de alguns instantes.
—Papai achava que Daniel era perigoso para mim porque ele era meu colega de trabalho, assim como os meus pacientes. Ninguém jamais soube da nossa relação, a não ser eu e ele. Na não ser que... Você está mentindo para mim.- Replicou Regina, com uma voz rouca.
—Não, só estou querendo o seu bem e isso é completamente certo. Eu fiz o que era preciso.
De repente, tudo fez sentido. Cora estava espionando Regina, seguindo seus passos dentro do hospital. Era ela que tinha mandado prender David e Mary Margareth, e fez de tudo para garantir que havia sido Daniel. Regina se sentiu completamente culpada por ter sentido raiva e ter desejado o mal de Mary Margareth. A morena deu um longo suspiro, e desabafou:
—Eu acho que não está certo! Como você pode conviver consigo mesma todos dias, dizendo que salva a vida das pessoas, quando, na verdade, as apunhala pelas costas? Você não tem alma!
A mente de Regina girava sem parar. Parecia que vozes soavam em sua cabeça com um enorme eco, não permitindo que ela ouvisse o resto do mundo. Ela só pensava em uma coisa: Daniel caindo em seus braços. Levada pela raiva, pegou um de seus bisturis cirúrgicos e se dirigiu ao escritório do pai. O mesmo estava distraído e ficou espantado com a condição da filha.
—Minha querida, tire este jaleco, está ensopado de sangue! Ponha um sorriso no rosto, hoje o Führer jantará conosco! Será uma ótima oportunidade de você conhecê-lo.-Disse Henry.
—Eu não quero conhecer ninguém, nem quero lavar o meu jaleco! Ele demonstra o monstro de você é e o sangue que carrega nas mãos todos os dias!-Gritava Regina.
Por puro impulso, a morena saltou em direção do general, cortando-lhe a garganta.
—Eu o amava, pai, mas você acabou com o meu amor. Este é o sacrifício que eu tenho que pagar: mais um vazio em meu coração.
Regina colocou o bisturi na mão do cadáver de seu pai, fazendo entender que aquilo parecia um suicídio. Até fazia sentido, pela grande pressão política que o pai recebia todos os dias e a bebida que ele tomava em demasia.
Ela fez discursos em memórias ao falecido pai, expressando palavras de bondade e gentileza para todos os cidadãos. Isso não tonava o que ela havia feito menos errado, mas o pai teve o destino que merecia.
Outrora, Regina salvou um bonde cheio de crianças na ida ao trabalho, e começou a ser cada vez mais glorificada pelo povo. Houve até um certo Hitler que encantou-se por aquele "orgulho da nação", oferecendo a Regina um dos postos de mais alto escalão, sendo comandante e, se quisesse, realizar experiências médicas nos detentos no campo de Storybrooke, do complexo Aushwitz, na Polônia.
A morena pensou em recusar, mas a oportunidade de afastar-se de todo o ocorrido no passado e mudar-se para longe deixava sua consciência mais limpa. Ela também não podia negar que havia mudado, se tornado mais fria e individualista. Ela jamais pensou que poderia ferir outras pessoas mas o seu final feliz era tudo o que importava daqui para frente.
"Você já entrou em uma situação que já sabia exatamente o que ia acontecer? Mas você entra assim mesmo...Então quando seus temores vem à tona...Você se tortura, porque já sabia?Mas isso é quem você é, e você fica se punindo por isso."
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