No Amor e Na Guerra
18 Capítulo 18- Lado Sombrio
Notas iniciais
–Eu aceito todos os seus lados, Regina. Eu aceito todos os seus perfeitos defeitos, aceito o fato de você chorar e rir ao mesmo tempo, aceito você fazendo loucuras por amor. Nem mesmo há palavras no nosso vocabulários que eu poderia usar para descrever você, pois você é única. E pessoas especiais são sempre bem vindas no meu coração.- Dizia Emma, tirando um sorriso de Regina a cada palavra.
–Emma... Esse é exatamente o problema. Você é boa demais e não merece alguém como eu. Fiz algo terrível na noite passada, sem ao menos lhe dar satisfação alguma. Eu não sei o que eu fiz certo na minha vida para merecer você, porque em meio a tantas coisas erradas eu finalmente mudei o meu eu interior. Mas você me vê como essa nova pessoa, e eu não sei se você vai gostar da antiga.
O suplico na voz da Regina era tremendo que até podia-se sentir ela se arrependendo por todas as coisas ruins que um dia ela fez, mas ela estava desesperada pela força escura que ainda crescia dentro dela. Ela tinha medo do futuro, porque o passado era um fantasma que ainda a assombrava com más lembranças, mesmo que ela tentasse esquecê-lo.
–Bom, eu acho que um bom desafio é exatamente o que nós precisamos, não é mesmo? Afinal, nós vencemos o maior desafio de todos, realizamos o que parecia impossível, com algumas convulsões, feridas profundas e hemorragias é claro, mas eu fico tremendamente feliz que terei cicatrizes que provam que isso aconteceu, porque eu não quero esquecer de nenhum detalhe. Eu topo, Regina, topo quebrarmos uns ossos de uns nazistas por aí e finalmente sermos felizes sem ter que se preocupar em levar uns pontos depois. O que você acha?
Está bem, era completamente estranho ver Emma querendo ferir alguém, mas Regina não pode segurar o sorriso sarcástico de quem queria aquilo mais do que tudo. Mas o estranho era que aquilo que parecia completamente loucura, porque era deveras desafiador e impossível duas mulheres incapacitadas conseguirem vencer uma tropa de nazistas, parecia ao mesmo tempo tão certo.
A sensação de libertar o campo, salvar milhares de vidas e poderem ver o seu filho crescer em segurança, além de também viver uma vida fora daqueles muros, era tentadora demais. Valia qualquer esforço, nem que as levasse a morte. Pelo menos elas teriam conseguido a sua liberdade juntas.
–Então... Quem você quer interrogar primeiro, quebra-ossos?- Perguntou Regina. Ela era ótima para dar apelidos temporários que eram marcantes e completamente sarcásticos ao mesmo tempo.
–Eu acho que devemos visitar um amigo nosso que deve estar precisando de um polimento novo no seu gancho. Quero que ele veja como a minha bochecha ficou bonita, sem cicatriz alguma. Por mérito da minha médica incrivelmente sexy e gostosa.
Não Emma, nada de provocações aqui. Já era demais Regina ter que estar de controlando por cousa do bem estar da gestação da loira, provocá-la daquela maneira era demais. Passando levemente a mão no rosto de Emma e descendo até a sua mão, Regina concordou.
–Apesar de você ter atirado nele bem na minha frente e ter sujado um dos meus casacos prediletos com sangue, Emma, eu acho que seria interessante ele nos contar o que o alto comando está planejando, a menos que ele queira perder outra mão, é claro.
–Não me surpreenderia ele gostar. Ele se gaba tanto daquele gancho ridículo que acho que não vai se importar em ganhar mais um.
As duas riram juntas, algo que não faziam a algum tempo. A maldade, ou não tão maldade assim, porque aqueles que elas planejavam se livrar não mereciam nem mesmo respirar de tanto mal que já causaram, era boa de se aproveitar. Não há nenhuma pessoa que seja completamente boa ou ruim, e quando conseguimos intercalar o lado sombrio e o da luz, achando um meio termo que pode levar a nossa felicidade e o bem comum, é maravilhoso.
Regina colocou um de seus casacos pretos, afinal, era a cor dela. Pegou as muletas e foi se dirigindo à porta. Emma a seguiu com uma jaqueta vermelha que era seu toque pessoal. Pela primeira vez, ela estava entrando no laboratório de Regina, que era interligado com o hospital, mas somente a morena tinha acesso a ele. Não importava todos os horrores que Regina havia cometido ali, ela a perdoava. Mas algumas imagens e sons de tortura vieram na mente dela por alguns segundos, deixando-a tonta.
–Você está bem, amor?- Perguntava Regina, preocupava.
–Claro. É a gravidez, acho que o nosso menino está começando a ficar cada vez mais forte.- Respondeu Emma, mostrando aquele singelo sorriso que só a morena reconhecia.
–Menino, hein? Acho que teremos um príncipe na nossa família, afinal, ele vai ser lindo assim como você.- Completou Regina.
Pela primeira vez, Emma pode pensar no significado de família novamente, algo que ela desconhecia nos últimos 2 anos. Regina, apesar de qualquer coisa que dissessem, lhe proporcionou a entrada dessa palavra tão especial novamente no vocabulário dela, trazendo sua mãe de volta e se entregando de corpo e alma a ser a mãe do seu filho.
–Emma, não precisa fazer isso comigo se não quiser. Eu dou conta sozinha. O importante era você aceitar, já era mais do que o seu dever...
–Olha aqui, você não consegue nem andar sozinha, e além do mais eu disse que estou presa a você, lembra? Vamos fazer isso juntas, por mais difícil que seja.
Emma passava as mãos nas costas da Regina, acariciando-a e sorrindo novamente. O laboratório era muito sofisticado, e Emma, como nunca havia feito faculdade, estimulava cada vez mais o desejo por exercer a medicina.
No final de um corredor, os equipamentos e acabaram sendo substituídos somente por paredes que já estavam bem desgastadas, parecia que ninguém passava por aquele lugar. Ao final, uma porta preta e de ferro destacava-se.
–Olá, gancho.- Dizia Regina, com seu sarcasmo de sempre.
–Regina... Vejo que trouxe a rata judia com você.
Imediatamente, Regina o acertou com a muleta, fazendo com que sangue saísse dos lábios de Killian.
–É comandante para você e o nome dela é Emma, entendeu?- Falava a morena, agarrando e quase sufocando gancho pelo pescoço, que nada respondeu. -Entendeu, nazista inundo?- Gritava exaltada.
Emma nada dizia, somente observava tudo e guardava rancor pelo "rata judia" dentro de si. Gancho cedeu ao passo que a mão de Regina apertava tão forte o seu pescoço que ele não conseguia respirar.
–Claro, senhora comandante. Tratarei a sua companheira com toda bondade. Ou como se eu tivesse a visto nua... Espera aí, eu vi, não é mesmo?
Regina o acertou novamente, o que fez com que ele cuspisse sangue.
–E agora me arrependo de não tê-la fudido tão forte que você não poderia estar carregando esse filho! Assim como eu fiz com a Regina... Ela não te contou, não é? Eu era o brinquedinho dela, seu total e humilde servo!
Dessa vez, quem se posicionou foi Emma, dando a gancho seus últimos momentos da maneira mais cruel e merecida possível. Ela pegou uma das facas cirúrgicas de Regina que haviam sido postas na sala para possíveis torturas, mas que Regina nas acreditava que seriam capaz de realizar, e cortou um dedo de Killian, e o fez morde-lo.
Em seguida, cortou sua garganta com um só golpe, deixando Regina, que estava bem a sua frente, coberta de sangue. O olhar no olhar de Emma mudou instantaneamente para um até então desconhecido por Regina. Não era igual àquele que ela havia visto na noite em que libertaram Mary Margareth e atirou em Killian, mas sim um olhar completamente sombrio, como se a luz houvesse ido embora em um apagão simultâneo.
Emma se aproximava de Regina, e aqueles olhos a fitavam cada vez mais de perto.
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