No Amor e Na Guerra
8 Capítulo 8- A Luz
Notas iniciais

Sabe aquela sensação que temos quando estamos prestes a perder alguém? Tentamos relembrar dos melhores momentos com aquela pessoa... O que nos proporciona uma alegria imensa, ou ao menos deveria. A tristeza toma conta do nosso ser como uma forte invasora, que, muitas vezes, não podemos combater. É uma batalha crucial, sem segunda chance e sem lugar para os fracos.
É quando o coração bate cada vez mais acelerado e desejamos que essas batidas sejam doadas para aquele ente querido que estamos perdendo. Regina realmente não sabia o que fazer. Emma estava, sem dúvidas, morrendo. Se ela não fizesse nada, não haveria saída. Emma continuava contorcendo-se, e seus olhos começaram a arregalar-se.
Aquela convulsão tinha de parar! Podia-se perceber sangue escorrendo de seu nariz. Era bem possível que Emma tivesse hemorragia interna. Regina tinha duas opções: agir contra o mundo e todos, levando Emma para a clínica, ou realizando algum procedimento de risco em seu laboratório. Em ambos os casos, elas poderiam ser visto. Era tudo ou nada, 8 ou 80.
Primeiramente, ela precisava fazer com que a convulsão parasse. Ela deitou Emma de lado, abraçando-a. Ela acariciava Emma, e suas lágrimas escorriam sobre o fraco corpo da loira. A letra de uma música veio à cabeça de Regina, e ela começou a cantá-la com uma voz suave e límpida.
"Você pode me dizer todos os seus pensamentos
sobre as estrelas que enchem os céus poluídos
e me mostrar para onde você corre
quando ninguém sobra para tomar o seu lado.
Mas não me diga onde termina a estrada
porque eu simplesmente não quero saber,
não, eu não quero saber.
Não me diga se estou morrendo.
Não me diga se estou morrendo"
Aos poucos, os tremores foram parando e Regina fechava os olhos, acalmando Emma.
–Aí está, passou.- falava ela, chorando.
–Eu não vou a lugar nenhum, Regina.- sussurrou Emma, com uma voz fraca, e continuou cantando a mesma música que Regina cantava para ela:
"Você acredita no dia em que você nasceu?
Diga-me você acredita?
Você sabe que todo dia é o primeiro do resto da sua vida.
Quero sentir, toda a química no interior.
Quero sentir só para saber que estou vivo."
Regina a olhava com aquele sorriso que só Emma reconhecia. Olhar de felicidade, da mais pura de todas.
–Aqui, deixe-me limpar o seu nariz...- disse Regina, com uma voz aliviada. -Nunca mais me pregue um susto desses, Srta. Swan, nem pense nisso!- abraçando-a.
–Sabe o que é mais engraçado, Emma? Eu vivi todos esses anos infeliz. Agora, eu pareço ter uma chance de felicidade, mas parece que ela escorre pelos meus dedos sem que eu possa segurá-la. Acho que não mereço um final feliz depois de todas as coisas que eu fiz. As pessoas acham que eu sou um monstro...
–Regina, olhe para mim. O que você viveu nesses anos passados ou o que as pessoas pensam de você não importa. Só quem pode definir quem você é, é você mesma. Esqueça-se de todas as coisas ruins e, principalmente, perdoe a si mesma. Deixe o passado para trás! E eu garanto, eu vou te apoiar para o que der e vier daqui para frente.- dizia Emma, passando as mãos desde as costas até os ombros de Regina.
–Eu preciso te contar uma coisa. Eu negociei e consegui um lugar isolado para você se esconder. Fica em uma parte bem distante do campo, é um abrigo anti-bombas. Ninguém vai lá há anos quase. Eu sei que é difícil ficar longe, mas eu prometo que irei visitá-la sempre que puder.
Emma não podia cogitar ficar um segundo longe de Regina. A morena era praticamente o ar que ela respirava. Mas, imaginando como seria ficar longe de todo o caos, de toda a guerra, somente com a paz, fazia com que isso diminuísse a sua saudade. Sim, ela já sentia falta de Regina desde já.
–É mais do que uma notícia maravilhosa, Regis.- falava a loira.
–Regis? Até que gostei, mas parece um nome de cabaré, loira! Hahahaha.
–Bom, temos que planejar muito bem como você vai me levar para lá, não é mesmo? Quanto mais rápido pensarmos e agirmos, melhor será.- já falava Emma, com muito entusiasmo.
–Calma aí, loirinha! Você quase acabou de morrer bem na minha frente e eu já não pensava em mais nada! Quando você melhorar, então irá para lá.
Emma sorriu.
–Isso que dizer que eu vou ficar aqui no seu quarto até lá?- Ela levantava as sobrancelhas, como quem diz "que essa morena chegue todo dia aqui só de calcinha."
–Sim, você vai ficar aqui. Mas sem truques!- falou Regina séria.
–Sabe Regina, quando você cantou aquela música para mim, eu percebi ali que estávamos conectadas de alguma maneira, sabe? Pode parecer loucura, mas eu acho que foi aquilo que me deixou viva. Eu cantava aquela música todas as noites enquanto eu estava naquele gueto e naquele trem escuro. Eu pensava no que ela representava e isso deixava a minha mente mais tranquila quanto a minha situação. É difícil de acreditar, mas a felicidade pode ser encontrada nas horas mais sombrias, nós só precisamos lembrar de acender a luz dentro de nós.
Aquilo era impossível. Há quem diga que o destino não existe, mas ele está presente, mesmo que como um fantasma. Ele age nas horas mais inesperadas. É por isso que, algumas vezes, as coisas mais reais deste mundo são as que a gente não consegue ver. O amor é aquilo que não temos termos humanos para explicar. Vai além do nosso conhecimento.É aquilo que ultrapassa todas as barreiras e todas as guerras, todas as religiões e opções sexuais.
–Sabe, eu tenho medo de tudo. Tenho medo do que eu fiz, todo o horror que eu já causei, do que vi e de quem eu sou. Mais que tudo, tenho medo de sair deste quarto, Emma, e nunca mais, em toda minha vida, sentir o que sinto quando estou com você.
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