No Amor e Na Guerra
9 Capítulo 9- O Sonho Vivo
Notas iniciais

Regina dava passos largos a medida que o misterioso perseguidor se aproximava. A mata densa surgiu na sua frente. Seus pés estavam latejando dentro de seus sapatos e ela resolveu tirá-los. Uma estrada de pedras e alguns espinhos faziam com que vários cortes ficassem à vista e também várias calamidades nos pés. Ela não podia parar, de jeito algum, se não seria pega.
O homem começou a caminhar cada vez mais rápido e ela corria em meio à escuridão, corria sem parar. Sua respiração ofegante a fez cair no chão, e em meio à noite ela não conseguia ver o rosto do perseguidor, que estava bem na sua frente. Ela arrastou-se sobre o chão lamacento da floresta, tentando achar uma saída. Um forte estrondo ao longe proporcionou uma clareira e Regina pode ver seus olhos, somente os olhos, antes dele segurar seus pescoço por trás. "Não! Pare!" Ela gritou.
–Não, não! Pare!- Gritava Regina, ao passo que Emma tentava acalmá-lá. Ela suava sem parar e sua respiração estava muito acelerada. De repente, ela viu-se aos prantos, diante da fantasiosa, mas também dolorosa situação de sua mente.
–Foi horrível, horrível... A dor mais real que eu já senti, o desespero com mais agonia...- falava ela, sem quase conseguir respirar em meio às lágrimas.
–Aqui, deite-se no meu colo.- Emma a acariciava e aos poucos os suspiros de Regina foram tornando-se mais longos e profundos. -Agora, vamos limpar este rosto lindo, que nunca deveria derramar uma lágrima sequer.
Regina sorriu e Emma também, mas de maneiras diferentes. O de Regina era um sorriso doce, de felicidade e satisfação. O de Emma era de agradecimento e total gentileza. Em seguida, Emma levantou da cama com muita dificuldade. Seu corpo ainda doía do tombo e parecia que ela podia sentir as cordas ainda amarradas aos seus pés e mãos.
Regina a equilibrou por trás, e a trouxe para junto de si, passando as mãos pelas costas de Emma, e massageando seus ombros aos poucos.
–Viu só? Eu sou uma mulher completa: dou amor, sou médica e ainda faço massagem.- Disse Regina, sendo irônica, como sempre.
Ela parou por uns instantes quando percebeu as manchas rochas de Emma e também alguns ossos saltados, resultado da má nutrição dos últimos anos. Mesmo naquela situação, ela não deixava de ser menos bonita, nem por um segundo.
–Regina, eu sinto dor um pouco mais para baixo e na lateral, também.- Disse a loira. A morena massageou a lombar de Emma e em seguida perto de suas costelas e perto de seus seios.
Emma amava ser tocada por ela, era tudo que ela podia desejar e lhe proporcionava uma grande felicidade e satisfação. A loira virou-se e olhou para os desenhados olhos castanhos de Regina, que, realmente, pareciam uma pintura. Ela passava a mão de leve no seu rosto macio e delicado.
–Regina, eu... Eu... Acho que estou apaixonada.- disse por fim.
Regina pegou levemente na mão de Emma e a colocou sobre o seu lado esquerdo do peito.
–Sentiu isso? É o meu coração, e ele bate cada vez mais forte quando estou com você, amor.- Olha o sorriso novamente! Ele sempre deixava Emma alegre.
–É gozado, mas, à medida que eu fui crescendo, percebi que seres mágicos e príncipes(ou princesas haha) encantados não existem. Mas um resquício da minha infância eu conservei. No meu íntimo, sempre acreditei que, em um certo momento, algo aconteceria na minha vida que a mudaria inteiramente. Aquilo que seria um marco, em que eu dividiria a minha vida em 'antes' e 'depois'. Não é impossível ser feliz quando a gente cresce, só mais complicado.- Disse Emma.
–Da maneira que eu vejo, aprendemos as noções básicas da vida: andar, falar etc. Temos que usar aquela roupa ridícula que a nossa mãe nos comprou e a nossa opinião não conta. Quando crescermos um pouco, mesmo que a gente possa escolher as roupas, não podemos escolher quando nos apaixonar. Algumas coisas acontecem e nós temos que fazer delas parte das nossas vidas.- Disse Regina em contrapartida.
–Você já pensou em o que nos acontecerá quando a guerra acabar, Regina?-
A pergunta calou ambas, nenhuma saiba a resposta. Tudo podia acontecer ou não acontecer.
A felicidade podia estar bem na frente delas, mas a desgraça e a tristeza podiam estar batendo na porta. Mas, como já é conhecido, elas esperavam aproveitar o aqui e o agora, deixar o passado para trás e não pensar no futuro até que ele se torne presente. O passado pode machucar, mas da forma que elas viam, podemos correr dele ou aprender com ele. A vida é muito curta para se desperdiçar. Sempre haverá outra chance, outra amizade... Mas raramente outro amor verdadeiro e nunca outra vida.
Emma deixou o quarto por alguns instantes, indo até a sala para pegar um copo d'água. É de conhecimento universal que, quando uma parte da nossa vida começa a melhorar, outra despenca em pedaços. Um brusco barulho ecoou em seus ouvidos, e ela voltou rapidamente.
Um homem segurava Regina por trás, com uma faca sobre o seu pescoço. Emma pode perceber seu cabelo médio e completamente liso pousar sobre os ombros de Regina, e algum brilho de seus dentes de ouro.
–Gold, ela não tem nada a ver com isso...- Dizia Regina, ela aparentava estar calma, mas podia-se ver o medo em seus olhos.
–Quieta, queridinha, não queremos que essa lâmina deslize cedo demais, queremos?- Virou-se para Emma. -Agora, Srta. Swan, acho que temos muito o que conversar, não é mesmo?
Emma estava completamente quieta e calada. Vários sentimentos surgiram dentro dela ao mesmo tempo. Queria acabar com aquilo tudo, só podia ser um pesadelo! Mas ela sentia agonia e medo ao lembrar que tudo que sentia e ouvia era real e estava acontecendo. Jamais imaginaria que passaria por isso. O que mais doía em seu coração e mais queimava em sua alma era saber que, talvez o que ela fizesse ali, poderia ser o fim de um grande amor que ela vivia.
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