No Amor e Na Guerra
31 Capítulo 31- Sem você
Notas iniciais
Há pessoas que nascem umas para as outras. Não existem dúvidas quanto a isso. Porém, existem todos os obstáculos. Muitas vezes eles são tão impossíveis que sentimos uma agonia enorme em continuar lutando por quem amamos. Mas acho que essa é a questão, não é? Se fosse fácil, não se chamaria amor.
“Sabe aquela sensação que temos quando estamos prestes a perder alguém? Tentamos relembrar dos melhores momentos com aquela pessoa... O que nos proporciona uma alegria imensa, ou ao menos deveria. A tristeza toma conta do nosso ser como uma forte invasora, que, muitas vezes, não podemos combater. É uma batalha crucial, sem segunda chance e sem lugar para os fracos.(9)”
— Emms, acorda. Por favor.- dizia Regina com muita calma. Havia um certo suplico em sua voz.- Vamos, Emma!
—Regina, é de madrugada. Vai dormir.- respondeu.
— Amor, acho que não vai dar pra voltar a dormir.- Retrucou Regina. Seu olhar estava vidrado na janela, e clarões podiam ser vistos ao longe.
— Do que é que você está falando? Vem aqui...- insistiu a loira, tentando trazer a comandante para si. Porém, esta não mexeu nenhum músculo.- Agora está me assustando. Por favor, volta pra cam...- sua fala foi interrompida. Subidamente, seus olhos também estavam em transe com o que se projetava a sua frente.
— Regina, dá para ver Auschwitz daqui, não dá?- indagou.
— Sim, dá.
— Esses clarões... Eu passei a minha vida toda ouvindo-os. Sei muito bem o que são. Nenhuma pessoa deveria fazer uma atrocidade dessas... Quando fazem, estão roubando as almas das pessoas que são levadas por causa dos seus atos. Atos esses que nunca conseguiriam proporcioná-las uma alma...- Regina se levantou subidamente. Vestiu um xale e já se dirigia à porta.- Regina! O que isso quer dizer? Por que aqui? Por que agora?
— Quer dizer que Gold está vindo, Emma. E quer dizer também que eu pagarei por tudo que fiz quando eu não tinha alma.
Swan ficou perplexa. Queria gritar, queria colocar para fora todos os tormentos que estavam a devorando viva por dentro... Mas acima de tudo, faria de tudo para acabar com a tristeza que agora via nos olhos de Regina. Tristeza essa causada pelo arrependimento que ela teve, mas principalmente por não ter sido forte o suficiente para conseguir se perdoar.
— Regina...
— Eu sei o que você vai falar, Swan! “Você não é mais assim”; “é uma nova pessoa agora”; “o que aconteceu no passado fica no passado”; “vamos esquecer de tudo”; “a guerra pode durar mil anos, mas o nosso amor é mais forte que isso”... Acorda! Você não acha que eu queria, mais do que tudo, que todas essas coisas fossem verdade? Que isso não me afetasse? Eu queria! Queria ter sido uma pessoa boa desde o início. Eu queria ter te conhecido em um lugar diferente... Mas o sentimento surgiu mesmo assim. O que podíamos fazer? E dói, dói tanto que eu estou disposta a sair por essa porta agora e morrer por você!
“Eu resgataria tudo que a guerra tirou de nós duas se eu pudesse. Mas as coisas não são tão fáceis assim e temos que aproveitar ao máximo ao que ainda nos resta.- respondeu a morena.(26)”
— Eu nunca pedi que se sacrificasse por mim! Nunca! Acredite, muitas vezes eu desejei ter morrido. Muitas vezes eu me perguntava por que eu estava sendo castigada a ponto de ficar viva em meio a todo esse terror. O meu eu interior já havia se entregado a tempo. Mas tinha um sentido. Eu te conheci, e você fez com que eu ficasse viva novamente por dentro, Regina. Por favor, eu não aguentaria te perder...
Swan já estava chorando estupidamente. Suas lágrimas se misturaram com algumas que caíam do rosto de Regina em silêncio quando esta colou as suas testas.
“É gozado, mas, à medida que eu fui crescendo, percebi que seres mágicos e príncipes(ou princesas haha) encantados não existem. Mas um resquício da minha infância eu conservei. No meu íntimo, sempre acreditei que, em um certo momento, algo aconteceria na minha vida que a mudaria inteiramente. Aquilo que seria um marco, em que eu dividiria a minha vida em 'antes' e 'depois'. Não é impossível ser feliz quando a gente cresce, só mais complicado.(10)”
— Emma, eu não quero te deixar! Você é a melhor coisa que já me aconteceu, meu amor...- A comandante trouxe a noiva para si, deitando-a no seu colo e acariciando os seus cabelos.- Nós sabemos o quanto foi maravilhoso, não é? Nos amarmos... Mas também sabemos que o adeus é inevitável. Eu fiz uma escolha a muitos anos atrás, Emma. E, mesmo que eu tentasse apagar isso, é difícil, é praticamente impossível...- as lágrimas da morena já se misturavam com as de Swan. A dor era muito visível.
— Por favor, Regina! Por favor!!- Emma não conseguia pronunciar nada mais além do suplico que a atormentava por dentro. Seus pulmões tentavam se encher de ar, mas parecia que cada suspiro de vida lhe escapava por entre os dedos.
“Ei ei, eu estou aqui e sempre vou estar, Okay?- Swan secou as lágrimas do rosto de Regina e estampou um sorriso.- E se morrermos, que seja, mas eu vou estar do seu lado e é tudo o que eu preciso. Você é tudo pra mim, Regina.(27)”
— Hey, olha pra mim.- disse, segurando o rosto da namorada por entre as mãos.- Você é bonita demais para chorar, minha princesa.- relembrou.- Nós duas provamos que o impossível é possível quando se tem amor. Dito isso, estaremos sempre juntas. Não fomos feitas para fazer ou morrer, mas eu não posso deixar que acabe dessa maneira, Emma.
Regina beijou sua amada singelamente. Um beijo necessário mas, ao mesmo tempo, com um gosto amargo de adeus.
“Isso vai doer um pouco, Emma. Mas eu prometo que tudo vai acabar e você vai ficar bem.(8)”
— Sabe que eu amo você, Emma Swan. Amo o suficiente para dizer que tenho que partir agora... Toma, por favor- disse, dando-lhe a aliança. Era impossível pronunciar todas as palavras que a estavam devorando por dentro. Sua força vital já havia ido embora no início daquela conversa.
“Seria perfeito o mundo voltar meia hora atrás e que o tempo permanecesse parado eternamente.(10)”
— Eu amo tanto você!- disse Emma, ainda aos soluços.
— Emma, pega.- retrucou Regina, sorridente.- É pra você guarda-la para quando eu voltar. Eu te fiz uma promessa, lembra? E vou segui-la até o final.
Swan agarrou a aliança. Estava tonta demais pra conseguir até parar em pé. Regina secou as lágrimas do seu rosto e deu-lhe um último beijo na sua testa. O único som que pode se ouvir no quarto foi o eco brutal da porta batendo e depois... Nada.
A mente de Emma queria seguir Regina, mas o seu corpo insistia em permanecer em repouso. Usou todas as forças que ainda lhe restavam e lutou para caminhar até a saída. Mas era tarde demais. A silhueta da Regina já havia cruzado para o outro lado da porta.
"Eu não quero. Não quero ver o mundo sem Regina Mills." Repetia na sua cabeça várias vezes.(23)”
— REGINA!- o corpo de Emma repousou no chão gélido do hall, enquanto a neve caía lá fora, como se costume. Suas lágrimas pareciam não ter um prazo para acabar.
Pode sentir as mãos de Zelena envolvendo-a. Mas Swan ainda se contorcia, colocava todo e qualquer tipo de dor para fora através das lágrimas.
“– Promete que não vai deixar a guerra levar você de mim?- disse, com uma voz fraca e meiga.
— Prometo.(26)”
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