No Amor e Na Guerra
20 Capítulo 20- Irmãs
Notas iniciais
A mistura de suor e a respiração ofegante de Regina fizeram com que Emma a segurasse com mais força ainda, e com mais força nos braços também. A faca em seu pescoço não mexia um centímetro se quer, e nem a morena também, que continuava fitando a portadora da arma com um olhar mortal. Era mais fácil Regina fazer Emma de render a seus encantos do que o contrário, sempre foi assim. O que ainda restava de maldade dela a tornava mais irresistível ainda naquele momento e ela sabia se aproveitar desse dom muito bem.
– Acontece, Srta. Swan, que não pode haver xeque mate enquanto ainda existem movimentos a serem feitos...- dizia ela, com um sorriso sarcástico que realçava ainda mais a sua cicatriz. Toda vez que Emma olhava para aquela boca e a imperfeição em seu canto ela enlouquecia, que na verdade era uma perfeição, porque a cicatriz se adequava perfeitamente no visual de Regina, deixando-a irresistível. O que tornava tudo mais voraz era a lembrança de que Regina comentou que uma "namorada" dela havia deixado aquela marca nela. Emma ficava tentada demais em tirar outro pedaço daqueles lábios carnudos, mas não seria capaz de machucar Regina. Ela somente continuava naquele joguinho delas, brincando com a mente de Regina e tornando tudo mas especial.
– Mostre-me então, rainha. Você tem a opção de se mover para qualquer lado e em qualquer direção, acho que você devia se aproveitar disso.- Emma tirou a faca da garganta de Regina com toda a cautela possível, a fitando ofegante, e a jogou no chão. Uma gota de sangue saiu de um pequeno corte que veio como resultado, e Emma beijou o pescoço de Regina até que o sangue dela se tornasse o seu. A morena só permaneceu com os olhos fechados até que jogou Emma no chão também. Ffoi escalando o seu corpo devagarinho, como se estivesse se movendo espaço por espaço, para direita e para esquerda, em todos os sentidos. Ela brincava com o corpo forte de Emma, beijando cada centímetro de seu corpo e deixando o suor dela se combinar com o da loira.
– Sabe o que eu acho? Acho que agora eu te encurralei, Srta. Swan- ela penetrou a loira com toda a voracidade possível, tirando um grito de sua garganta. Agora quem a dominava era ela e Emma de nada se queixava, mas Regina pareceu preocupada.
– Desculpe, eu esqueci completamente dele Emma...- disse ela, com medo que poderia estar machucando o seu provável "futuro juntas".
–Srta. Mills, ele vai ficar bem. Esses dedos fininhos não causam tanto estrago assim.- disse Emma, colocando ainda mais fogo na fogueira. Se ela queria assim, então tudo bem, Regina agiu rapidamente, penetrando-a mais forte e massageando seu sexo, fazendo Emma soltar gemidos com cada vez mais intensidade, até ficar sem ar e repelir Regina, agarrando-a pelos braços e beijando seu pescoço repetida vezes até chegar ao ouvido.
–Eu te amo, Regina Mills. E quero você para mim assim para sempre, linda, simplesmente linda.- dizia enquanto Regina a arranhava pelas costas.
– Emma Swan, você é uma perdição, sabia?- respondeu a morena, sussurrando de volta no ouvido da loira. Depois disso, as duas trocaram sorrisos e ficaram deitadas no chão que antes era frio, mas que agora era agradável e quentinho com os seus corpos juntos.
– Eu tenho uma boa notícia para você, Srta. Swan.- disse Regina, acariciando os cabelos loiros de Emma que já haviam crescido bastante, mas que ainda tinham a marca da maldade que ela havia passado. Por isso Regina a admirava tanto: ela conseguia ser feliz depois de tudo que passou. Regina se deixou levar depois de dificuldades que surgiram na vida dela e machucou muitas pessoas por causa disso. A dor e o arrependimento que aquilo causava a atormentava todo dia, mas agora sua mente estava límpida do lado de Emma. Bastava o seu singelo sorriso surgir que as coisas ficavam mais brilhantes.
– adoro as suas surpresas, Srta. Mills. -disse ela, estampando aquele sorriso e tirando um de Regina também.
– Minhas irmã está vindo para cuidar da sua gravidez... Ela é a melhor, Emma. E vai ser uma boa chance de vocês se conhecerem. Tenho muito carinho por ela, e fiquei muito preocupada com ela na Inglaterra. Está pior que aqui na Alemanha. Aqui dentro do campo ao menos ela estará segura. Sei que é uma coisa meio mesquinha, porque ela estaria tão presa quanto nós, mas só quero o melhor para ela, sabe? Ela perdeu a família recentemente e...
Emma logo se sentiu sensibilizada pela dor da irmã de Regina sem nem ao menos conhecê-la. A Inglaterra tinha virado um verdadeiro campo minado... Ela ainda se lembrava dos sons antes de dormir ou das diversas noites de sono perdidas por causa disso . Lembra de Ruby, tão jovem e inocente que foi a única que a entendia em um mundo cruel. Lembrava-se se como foi a separação da sua família, ou assim ela pensava. Mas Emma não deixava de desejar a felicidade deles. Eram boas pessoas, apesar de terem cometido um erro que causou uma enorme ferida em Emma, que foi o motivo pelo qual talvez Emma estava em Storybrooke e não na Inglaterra.
– Eu sei que você só quer o melhor para ela, amor. Vou adorar conhecê-la e fico lisonjeada que ela cuide do NOSSO bebê. Imagino que vai ser maravilhoso acabar essa distância entre vocês, ela já é como uma irmã para mim também, Regina, porque para as pessoas terem um espaço no seu coração elas realmente são boas.- disse Emma, com seu sorriso singelo.
– A distância é horrível mesmo, Emma. Era como se ela estivesse aqui, me dando conselhos e cuida do de mim como a melhor amiga que ela sempre foi, mas ela não estava. Eu tinha apenas as lembranças que já eram tão distantes que parecia que eu não me lembrava nem do toque dela. É como o dia que fui até o Gold. Em poucos segundos, eu sentia que a distância já era enorme entre você e eu, mas mesmo assim podia sentir você cochichando no meu ouvido que me amava, me tocando e me fazendo feliz só como você faz, mas você não estava lá. A distância é um droga- comentou, já com um tom mais forte e irritado no final. Regina realmente tinha raiva de suas lembranças.
–Ei, eu estou aqui agora, está bem? Ainda não entendeu que não vai ter nada que vai nos separar? Nazistas, hemorragias, coma, avc e sei lá mais o que. Nós temos um imã pra desgraças, mas é porque somos felizes demais, meu amor. Agradeça por isso.- Regina roubou um longo e prolongado beijo da loira, dando a entender que concordou perfeitamente com tudo o que ela disse.
–Ahhh, tem mais uma coisa... Duas, na verdade...- dizia Regina, meio travada. Logo Emma tentou pressioná-la, porque aquilo não condizia com a sua personalidade, a morena tinha tudo o que queria e sempre falava as coisas com convicção, a menos que estivesse pensando algo não tão correto...
– Está bem, fale, Regina.- disse Emma, soltando um longo suspiro e já se preparando para o que viria pela frente.
–Bom, a primeira coisa é que, mesmo que talvez você não se sinta muito confortável com isso, eu consegui que a minha irmã providenciasse documentos falsos para você. Assim não vai precisar ficar trancada no quarto para sempre e...
– Regina, me desculpa, mas eu não quero ser um nazista, muito obrigada. Sei que sou loirinha e tenho olhos claros mas isso não me torna uma ariana... Na verdade isso não me faz diferente de qualquer um aqui. Eu gosto das coisas como estão, eu gosto de ficar com você.
– Eu sei, mas isso tem a ver com a segunda coisa. Bom, minha perna está um pouco melhor e eu esperava que eu pudesse levá-la para cavalgar comigo no Perseu.
Emma hesitou por um momento. Fazia anos que ela não chegava perto de um cavalo, mas sentia muita falta do tempo que a sua única preocupação era se ela iria comer terra quando o cavalo dela a derrubava sem querer. Apesar de serem animas grandes, eles têm um coração enorme e são mais humanos que muitas pessoas. Tinham até uma personalidade parecida com a de Regina: beleza, elegância, destreza, sensibilidade e um espírito indomável.
–Bem... É claro, porque não?... Não, espera! Você não pode, Regina! Ainda está perambulando por aí com essas muletas.
–Deixe de ser boba, Srta. Swan. Sei montar muito bem e qualquer coisa você vai estar lá para me segurar, não é?
–Um dia eu vou começar a sentir pena de mim mesma porque eu simplesmente faço tudo que você manda, isso é triste, Regina. Que vergonha.
–E um dia eu prometo que vou ser menos desejável, Srta. Swan. Agora vamos, Perseu está nos esperando.
O dia estava perfeito para um passeio, na verdade não tão perfeito assim, porque nuvens cobriam algumas partes do céu azul, mas nada disso importava porque a sensação de liberdade era incrível. A grama verde e densa se estendia pela caminho como uma pintura, cada detalhe da natureza chamava a atenção em todos os aspectos. Era impossível acreditar que aquele lugar ficava do lado de um lugar tão horrível como Storybrooke, mas por alguns instantes Emma esqueceu que um dia sofreu tudo o que sofreu e quantas lágrimas derramou ali. Mas principalmente muitas lágrimas de alegria, por causa da presença de Regina. Era a primeira vez que realmente faziam algo juntas, que interagiram e foi realmente incrível: o vento que soprava em seus ouvidos, o calor dos seus corpos abraçados juntos e o perfume de Regina tomando conta do ar.
– Muito obrigada, meu amor.- disse Emma baixinho, enquanto elas desciam do cavalo.
– Pelo quê?- indagou ela.
– Por fazer parte da minha vida. Por fazer tudo parecer tão perfeito que eu até acredito que o mundo é bom.- finalizou Emma, quase lacrimejando.
–Emma, eu não me importo que o resto do mundo seja ruim, porque só a sua presença nele já o torna o lugar mais perfeito que eu poderia imaginar . Você é a minha pessoa, sabia? E eu nunca vou parar de me perguntar como você entrou na minha vida.
– Ei, esse papo de novo não, porque se não você vai me fazer chorar. A gente se ama e é o que importa, ok? Vamos esquecer o resto do mundo. Eu só quero você comigo a todo instante.- finalizou Emma, encostando seus lábios nos de Regina. Era incrível como elas entravam em perfeita sintonia.
O caminho de volta foi chuvoso, mas não menos especial. As duas roubaram sorrisos e risos uma da outra, aproveitando o mau tempo e a liberdade que ainda as restava por enquanto. Entraram pelo portão da floresta novamente, que Regina havia pedido para colocar uma porta única e exclusivamente para que ela pudesse passear pela floresta e esfriar a cabeça um pouco. Às vezes ela também buscava refúgio lá para tentar entender os seus sonhos de perseguição, que ficavam cada vez mais frequentes.
Quando chegaram a porta estavam irreconhecíveis: o cabelo tumultuado, as roupas estampadas de barro e molhadas e a pele gélida e fria, mas um sorriso no rosto afinal.
– Você está horrível, amor- disse Regina, rindo estupidamente e sem parar, roubando uma risada de Emma também.
– Nossa, quanto amor. Mas você continua sendo a minha rainha mesmo toda suja de barro e parecendo um pinto molhado.
– Está bem, Srta Swan. Sou sua rainha eternamente.- finalizou Regina, abrindo a porta.
Ao entrarem no Hall, Emma estremeceu e ficou gélida como pedra. Regina nada entendeu, e tentou dar uma olhada para tentar achar a fonte daquele tremendo susto. Nada. Uma visitante, somente.
– Olá, irmãzinha.- disse a ruiva.
–Olá, Zelena.- respondeu Regina.
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