No Amor e Na Guerra
17 Capítulo 17- Uma nova e longa jornada
Notas iniciais
Como resultado, Emma simplesmente tinha que tentar parar de pensar no que havia acontecido, e sim tentar encarar o presente. Era impossível não pensar no seu amor a cada parte do dia. Qualquer sensação que ela sentisse e não fosse relacionada a Regina, parecia querer ocupar um espaço vazio, e isso era simplesmente impossível, porque o espaço parecia infinito.
Até onde a vida a tinha levado? Não teria sido muito mais fácil ela ter morrido na mesma bomba que matou Ruby, ou levar um tiro quando chegou naquele bendito campo, e nunca ter conhecido Regina? Aquilo doía, e muito. Agora, já não tinha mais volta, Emma precisava sentir Regina consigo, a cada momento do dia.
O closet estava cheio, não faltava uma única peça das roupas de Regina. Era como se nada tivesse acontecido! Como se a morena apenas estivesse dormindo, ou fazendo alguma refeição r todas as suas coisas estavam no devido lugar, como sempre.O seu perfume ainda era sentido em cada centímetro de cada tecido, e o de Emma também.
Aquilo era mesmo proibido? O amor era proibido? Porque não parecia, as fragrâncias pareciam se misturar com tanta harmonia que era impossível que não tivessem sido feitas para serem misturadas.
–Emma, quer conversar?- Dizia Mary Margareth.
A verdade mesmo era que Emma queria passar o resto do tempo ali, trancada naquele closet, sentindo a sua própria dor prosperar. Mas e o seu filho? Ele não deveria crescer aos cuidados de Regina? Parecia que, se ela não voltasse, os dois teriam que viver sem ela, mas aquilo já não era mais possível.
–Não, por favor. Me deixa aqui, me deixa ficar com a Regina, mãe. Ou ao menos o que me resta dela.- Emma já estava aos prantos. Da última vez que Regina partiu, ela sabia onde a morena estava. Dessa vez, não sabia. Estava na imensidão, ou na ilusão pelo menos.
–Emma, você fala como se ela não fosse voltar. Isso não é verdade. Sabe o que eu aprendi em todos os meta anos de convivência com a Regina? Ela sempre acharia quem ela amava. Ela nos achou, Emma, e se estou viva hoje é por causa dela. Eu acho que você devia se levantar e pensar no melhor.
A fala de Mary Margareth foi interrompida por um barulho repentino da porta. Regina estava parada ali, suas mãos estavam ensanguentadas, e ela mal parava em pé, mesmo de muletas. Emma iria levantar-se para abraçá-la, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, a loira deu um tapa na cara dela.
–Emma!- Contestou Mary, apavorada.
–Está tudo bem, eu mereço. Meu corpo já está um lixo mesmo, Emma é a única que consegue deixar uma parte dele sem maldade e acho que ela tem o direito de fazer o contrário às vezes.
A tranquilidade na fala de Regina era tremenda.
–Quem você pensa que é, Regina?
Mais uma vez o ditado veio à cabeça de Emma. Ela achava mesmo que tinha o direito de aparecer do nada, sem explicação alguma, ensanguentada e ainda aceitando ser esbofeteada? Não, aquela não era ela.
–Mãe, sai, por favor.- Completou Emma. Mary logo obedeceu. -Que absurdo, Regina! Você acha mesmo que o meu amor por você vai aumentar cada vez mais quando você simplesmente deixa o meu coração em desespero e depois o acalma? Sumindo e voltando assim? Eu queria pensar que não, mas não é verdade. É exatamente esse jogo que você faz comigo. É isso me enlouquece.
–Você não tem ideia de como isso me enlouquece mais, senhorita Swan.
Aquele olhar, novamente, mortal e tentador. Era um pecado, com certeza. Tudo o que podia ser feito era tentar ignorá-lo, mesmo que por pouco tempo.
–Alguém te machucou-" Tentou desviar Emma. Ela não podia nem ao menos olhar para Regina sem que o mais forte dos sentimentos explodisse dentro dela.
–Não, Emma. Mas eu feri alguém, e espero que você me desculpe por isso.
Pedidos de desculpas eram, na relação delas, uma coisa completamente fora do comum. Aquela palavra era mágica, com toda certeza. Para muitos ela passa despercebida, mas naquele momento, não.
–O que você fez exatamente? Precisa me contar, porque eu já não aguento mais, simplesmente isso.
A morena se aproximou dela, apoiou-se no seu ombro e se sentou no chão do closet. Emma fez o mesmo, e o silêncio ecoou por alguns instantes.
–Emma, você sabe que, desde que eu te conheci, tudo em mim mudou. Você me tornou uma pessoa melhor...
Emma a interrompeu.
–Você encontrou a bondade em si mesma, Regis, não fui eu. Por que você não aceita isso?
Regina respirou fundo.
–Eu sei, amor, mas a questão é que eu não pude mudar quem eu sou. Essa é a questão. Eu encontrei uma pessoa completamente nova dentro de mim, que sempre esteve presente, mas que não queria sair. Hoje, essa pessoa apareceu por sua causa, e eu sou eternamente grata por isso. Mas o problema é que está sendo muito doloroso e difícil guardar a outra pessoa, a maldade, sabe? Ela me serviu muito bem, me fez esquecer do que eu passei. Aquela raiva era tudo o que eu tinha, sabe? Mas hoje eu percebo que eu não devo me livrar dessa má pessoa, mas sim aprender a conviver com ela. É quem eu sou. E é assim que eu quero continuar sendo: eu mesma. Não quero guardar segredos de você, Swan, e espero que você continue me aceitando, apesar de tudo. A nossa vida é uma bomba relógio, e se ela explodir nós vamos ter um fim. Não estamos no lugar certo, nem na hora certa, mas isso não importa, porque estarmos juntas é a coisa mais correta do mundo.
Às vezes, apesar de Regina ser absolutamente a melhor em sua profissão, Emma achava que ela estava no ramo errado. Seu domínio das palavras era tão perfeito que ela podia ser poeta. Emma podia ter se apaixonado por ela apenas pelas palavras.
–Regina...- falou ela baixinho.
–Emma, por favor, eu preciso continuar, está bem?
Emma confirmou positivamente.
–Eu dei o primeiro passo para fazer com que estejamos no lugar certo e na hora certa e, para isso, eu tive que fazer um grande sacrifício psicológico. Eu tive que deixar o meu lado mau vir à tona novamente, Emma. Mesmo que eu tenha matado alguém que merecesse, eu já não consigo mais fazer isso sozinha. Eu preciso da sua ajuda. Eu quero libertar esse campo, quero acabar com os nazistas e fingir que nada jamais aconteceu. Você aceita o meu lado escuro?
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