Nipôn | Elfos de Babel I
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vitor Dalas, um jovem shifter lobo caminhava em torno da praça da cidade de Vila Genov, e se perguntava se algum ser humano se encontrava por ali perto, se bem que a maioria dos seres humanos não sabiam se esgueirar sem fazer algum barulho audível aos sentidos aguçados dos shifters, mas lógico que podia existir exceções.
Vitor optou por adentrar entre as árvores e caminhar uns bons metros, antes de mudar para seu lobo, suas roupas foram anteriormente dobradas e deixadas num canto, onde Vitor esperava que pudesse se lembrar quando terminasse sua corrida. Seu lobo agia estranho desde alguns meses atrás, quando perseguindo um gambá, ele acabou parando num barracão de madeira, depois disso ficou mais constante a vontade do seu lobo interior em querer ficar livre.
Ele na verdade quase perdeu o controle a poucas horas atrás, quando seus caninos se alongaram dentro do trabalho e ele quase foi pego, ele teve que correr para o banheiro, para conseguir algum controle de volta. Seu controle estava tão ruim, que ele agora estava na parte leste da floresta, a parte onde os lobos da matilha que tinham na cidade vigiavam ou faziam suas corridas, ele sempre ficava na parte sudoeste que era a parte mais escura e a menos atraente para os outros lobos ou quaisquer shifters fazerem corridas ou mesmo vigiar de forma constante. Essa parte da floresta foi rodeado com cerca e avisos sobre os possíveis perigos que Vitor de tanto conviver dentro daquela floresta sabia que não tinha, mas era melhor daquela maneira, assim não haveria inconvenientes.
Seu lobo partiu para uma furiosa corrida para dentro da floresta, suas patas afundavam na terra, deixando pegadas profundas e ganhando impulso para quase saltar entre as árvores que em certo caminho do trajeto já não se viam tão juntas uma da outra, mas a mata rasteira e espinhosa aumentava à medida que as árvores se viam mais escassamente.
Vitor ouviu os sons de água em sua forma de lobo, possivelmente algum córrego se via próximo dali, o que indicava claramente também que devia haver um clareira por perto, próximo ao córrego, ele adentrou um pouco mais a floresta, e ouviu barulhos de humanos se entretendo no córrego, seus passos diminuíram gravemente para um trotar de patas quase inaudível, e observou por entre algumas rochas e pela mata espessa, os humanos se divertindo no córrego, alguns deles tinham trazido uma pequena churrasqueira e alimentos para desfrutarem na beira de uma pequena porção translúcida de água.
Entre os humanos, chamou sua atenção um homem que estava quieto, de olhos fechados encostado sobre uma árvore robusta na parte mais alta do solo que ficava na beira da água, seu corpo era maciço e forte, ele estava sem camisa e com bermudas jeans, em uma posição relaxada, mas Vitor via que a posição era enganadora, ele não estava relaxado e sim atento e consciente de todos ali.
Seu lobo sentiu a apreensão sobre seu corpo, avisando-o de algum perigo oculto, seu lobo farejou o ar, ainda que o feitiço que tivesse tomado tinha como efeito colateral o seu senso de olfato prejudicado, daquela distância ele podia saber que o cara era um shifter lobo, ele só não tinha dado a devida atenção antes. Enquanto seu lobo não se preocupava em encontrar outros shifters, Vitor pensava diferente, então silenciosamente ele se afastava do seu esconderijo por onde espionava os banhistas, enquanto seu olhar permanecia atento ao homem lobo que lhe dava sensações estranhas.
Suas patas vagarosamente se afastando do caminho que levava ao córrego, e a visão de Vitor se obstruída pelas árvores e pela mata alta, mas seus olhos treinados ainda tinham uma boa visão em linha reta do cara repousando sobre a árvore, até que o cara abriu os olhos lentamente, como se nunca os tivesse fechado anteriormente, como se estivesse sempre alerta, o que era observado e suspeito desde que Vitor o tinha visto.
O cara levantou calmamente, depois esticou seus músculos de forma casualmente falsa, como se fosse um humano. Pouco tempo depois, seus olhos frios e calculistas olharam diretamente para sua direção, apesar de estar a vários metros do córrego, o cara olhava para ele diretamente e Vitor ouviu-o dizer:
— Vá embora...
Seu lobo como se tivesse acabado de despertar de um transe, virou em direção oposta à da água e partiu numa corrida alucinante. Depois de minutos, correndo em sua forma de lobo, ele ouviu o mato sendo pisoteado a poucos metros a oeste e Vitor sabia que algum shifter também corria por ali agora. Se preparando para terminar sua corrida, ele caminhou ao que parecia ser em direção a borda onde a floresta e a praça se cruzava...
— Espere um momento! Uma voz rouca e grossa disse atrás dele, quando se virou para ver, se surpreendeu ao ver o homem que estava no córrego a alguns minutos atrás.
— Mude para sua forma humana. Instintivamente, como se obedecendo o lobo na sua frente, ele trocou em sua forma humana muito nua, o cara jogou um conjunto de roupas em sua direção, era sua roupa que ele empilhava escondido nos arbustos.
— Se vista e vamos conversar, jovem lobo. Disse o cara, numa voz de comando.
— O que você precisa, senhor ... Vitor perguntou depois de se vestir.
— Me chame de Ismael.
— Desculpe, me chamo Vitor, Vitor Dalas.
— O que você faz por aqui, senhor Dalas?
— Estava dando minha corrida semanal...
— Nunca o vi por aqui ou na corrida da matilha sob a lua cheia. Porque? Vitor sabia que chegaria essa hora algum dia, apesar do feitiço, ele sabia que não podia se esconder por tanto tempo, ele sabia que depois de 10 anos, ele viria a ser descoberto, mas ele sabia que não cairia nada bem Ismael saber que ele morava a 10 anos em Genov sem se apresentar a matilha, então ele resolveu mentir.
— Eu estou aqui em Genov a poucos meses, eu realmente não sabia que tinha uma matilha por aqui. Vitor esperava que seu tom de voz parecesse convincente, porque em sua paranóia em se esconder, ele achava que não.
— Humm... pelo seu cheiro, percebo que você é um mestiço. Vitor tinha conseguido o feitiço de um bruxo bem falado pela comunidade paranormal, não que ele tivesse muito contato com a mesma, mas ainda assim achou o bruxo e pediu o feitiço. Depois do bruxo lhe dar várias palestras sobre as consequências e os efeitos colaterais no que durou dias, ele fez o feitiço. O jovem lobo não se esquecera de o bruxo dizer que o feitiço em seu estado forte igualava seu cheiro a um humano, havendo perdas severas no seu olfato como consequência do feitiço forte, mas quando o feitiço estivesse enfraquecendo, ele cheiraria como um lobo mestiço, metade humano e metade lobo, e seu sentido de cheiro estaria um pouco melhor, mas só no raio de alguns metros.
— Sim, desculpe eu não sei muita coisa ainda sobre aqui.
— Tudo bem, conseguiu trabalho? Disse Ismael de forma mais suave e um pouco menos preocupado.
— Ahh sim, consegui uma vaga de auxiliar administrativo. Vitor esperava que o cara não perguntasse onde.
— Ok, seu sentido de olfato mestiço não deve ter cheirado os muitos shifters da cidade.
— Você conhece o alfa daqui?
— Sim, eu conheço. Eu faço parte do círculo interno do bando. Eu sou o lobo celta do bando.
— Lobo celta? O que é isso? Vitor perguntou confuso.
— Existe o lobo alfa que o chefe da matilha, existe o lobo beta que é o segundo da matilha e existe o lobo celta que é o terceiro da matilha que geralmente é o que gerencia os guerreiros lobos incumbidos de proteger o alfa.
— Ahh tá...
— Você parece conhecer bem a floresta, mesmo estando pouco tempo aqui. Ismael disse com um pouco de desconfiança no seu tom de voz.
— Quando se é um ser sobrenatural é fácil reconhecer a terra, tornando-se impossível perder-se nela... Eu amo essa floresta. Ismael podia ver o brilho nos olhos do lobo enquanto ele elogiava a terra.
— Se você se der um pouco mais de exploração durante a corrida você pode aprender mais sobre os extremos da região. No extremo oeste da floresta, há uma estrada de pista dupla que leva direto a uma aldeia indígena recentemente urbanizada e modernizada. Eles não pertencem a matilha, pois eles têm seu próprio líder, mas o chefe deles responde ao alfa quando acontece alguma coisa, pois a aldeia também se encontra nos limites da cidade. Vitor ficou impressionado ao ouvir de Ismael que existia uma aldeia indígena dentro dos limites da cidade. Ele nunca tinha conhecido uma.
— Para quem trabalha e vive na parte comercial da cidade há algumas áreas dentro da praça principal que dá acesso para dentro da floresta que se resume em bosques com um campo florido e árvores frondosas e cheias de frutos populares da região. Vitor não se importava de ouvir Ismael falar sobre a região com tanto orgulho, o lugar realmente tinha uma geografia bonita. A região de cerrado era realmente encantadora e um paraíso para shifters ou animais não-shifters. Ele também já ouvira falar de outros seres místicos que viviam em lugares mais longínquos da floresta, mas ele não sabia o que era e não se importava, pois raramente seu lobo se movia tão longe.
Vitor morava numa das casas que ficavam mais perto da parte escura da floresta, assim como outros discretos seres humanos e alguns seres sobrenaturais que necessitavam discrição ou que queriam muito mais da tranquilidade que aquela vila já fornecia... Vitor podia caminhar com seu lobo até mesmo de dia se tomasse certas precauções quanto a ser discreto.
— A cidade é um porto seguro para muitos diferentes tipos de paranormais. Algumas espécies raras de shifters, bruxos, alguns vampiros bem comuns e controlados pela lei da matilha, e vários seres humanos. Ismael terminou de dizer e Vitor sabia que a comunidade paranormal certas vezes era agressiva com diferentes espécies de sobrenaturais, mas a cidade Vila Genov era um paraíso de aceitação e um exemplo de que diferentes espécies podiam se dar bem. Vitor não se encontrava com nenhum deles pois seu lobo sempre explorava as terras próximas a cabana que ele construiu anos atrás, ele sabia que a matilha só caminhava na parte da floresta conhecida pela população, para demonstrar proteção a população da vila e a própria matilha... Ninguém se esgueirava pela parte escura da floresta, mesmo não havendo nenhum perigo, era bem fácil de se perder, porque ainda que estivesse no sol mais quente as árvores eram frondosas e cheias de folhas que cobriam a superfície e deixava uma aparência obscura mas não menos maravilhosa ...
— Obrigado pelas informações, Celta Ismael.
— Ohh sim, ok tudo bem. Ismael apesar da aparência feroz e letal, parecia um pouco atordoado. — Desculpe minha conversa longa sobre esse lugar. Mas eu tenho que confessar que eu amo essa terra. Décadas atrás isso se tornou um lar maravilhoso para mim. Nos vemos por aí, Vitor. Ismael mudou para seu lobo e se afastou deixando Vitor sozinho com seus próprios pensamentos.
E então depois de semanas do ocorrido, Vitor, um homem de aparência cansada vivia pacientemente por meses preso no mundo cruel que não desejava quebrar as correntes negativas que os homens continuavam a formar, mas o homem não era simplesmente um humilde ser humano quebrado da sociedade, e sim um shifter Lobo, um homem que podia se transforma em um lobo imenso e surpreendente, e seu lobo interior o pressionava mais e mais ao passar dos dias para a liberdade condicional de acolher suas compactas e mortais garras no solo úmido e libertador da floresta, que somente ao simples ceder pensar do seu lobo podia-se ver realmente vivo e repousado do fardo de estar somente em forma humana.
Os homens que em suas limitações físicas encontravam-se rapidamente cansados do trabalho de algumas horas e se viam na maioria das vezes batalhando mais duramente, Vitor se via ainda disposto a trabalhar por mais tempo, mas depois das muitas horas extras que seu corpo resistente fizera com mais agilidade e precisão do que um ser humano já se via cansado e seu lobo afoito querendo sair para correr, mas seu trabalho a dias não o permitia a tal feito.
Poucas semanas se passaram depois de seu encontro com o lobo celta da matilha, Vitor agora se encontrava atrás de sua mesa digitando furiosamente em seu computador dentro do seu cubículo na área de logística da empresa têxtil em que trabalhava.
Já passava das nove da noite, ele estava fazendo horas extras para seu chefe de departamento. Isso tinha sido durante toda a semana, ele não era materialista e nem ganancioso, mais o dinheiro extra podia lhe ajudar futuramente na compra de um carro ou uma moto.
Seus dedos martelavam o teclado com força, ele tentava se controlar para não quebrar o maldito teclado resistente, mesmo isso podendo dar-lhe uma desculpa perfeita para terminar suas horas extras mais cedo. Isso e o fato também de seus caninos estarem se estendendo a todo momento outra vez em muito tempo.
Seu lobo estava ficando mimado demais, apesar de estar sem tempo durante essa última semana para correr por horas como era o costume, ainda assim ele mantinha a rotina a corrida com seu lobo, então ele não sabia porque seu lobo estava tão irascível essa semana. Toda essa correria também o fizera esquecer de entrar em contato com o bruxo para que fabricasse um novo feitiço para esconder seu cheiro.
Seu olfato já estava queimando ao sentir os cheiros que rodeavam o escritório durante todo o dia, após o feitiço, ele relaxará seu controle minucioso sobre a extensão do seu olfato. Agora, além de ter que se concentrar no seu trabalho excedente, ele tinha que diminuir a extensão nervosa de suas narinas para que excluísse os cheiros ao seu redor. Mesmo estando sozinho no escritório, os cheiros dos funcionários que já haviam ido embora ficaram, junto com os perfumes caros que uma dezena deles usavam no trabalho, fazendo ele toda hora espirrar.
Seu lobo ainda arranhava dentro dele querendo sair para uma corrida na floresta, Vitor colocou em sua mente o fato, de que precisava terminar o trabalho rapidamente para poder sair o quanto antes dali, assim ele poderia correr. Com esse pensamento brilhando em sua mente, seu lobo interior se acalmou um pouco e o deixou trabalhar por mais um par de horas, antes que Vitor determinasse que seu trabalho já estava feito.
E Vitor se perdeu em pensamentos que insistiam em dominar sua cabeça: a ideia presunçosa de se ter um alguém. Um ser perfeito que lhe pudesse moldar sua alma perfeitamente num encaixe que careceriam todas as vontades e necessidades profundas, as superficiais ou até mesmo as inúteis.
Um ser que como num sonho, ele pensava que poderia se projetar ali para que pudesse durante uma vida inteira juntar momentos de se ver ali pronto para ser reivindicado como posse da sua paixão e do seu amor. E seu passeio pelos pensamentos foram quebrados de forma intensa por um som alto, agudo e doloroso dentro da sua mente ou de sua alma, ele não sabia ao certo, mas que causará uma instantânea dor de cabeça de motivos familiarmente conhecidos, vindo de um uivo que sua mente reconhecia facilmente como sendo do seu lobo.
Muitas vezes Vitor esquecia que era um shifter lobo e que seu lobo interior poderia uivar pela necessidade e desejo de ter seu companheiro perfeito ao seu lado, devido aos seus pensamentos que se perdem nesse ponto. O tempo diante da viagem aos sonhos deprimentes que sua mente o levará, fez com que o tempo que ele podia ter usado para sair logo do escritório para correr se extinguisse de forma rápida.
Terminado, finalmente o trabalho que parecia ter durado exageradamente uma vida para terminar, ele se dispôs a sair do cubículo que eles chamavam de seu escritório, que apesar dele ter sido promovido a gerente de seção do grupo B e H, ele ainda tinha que trabalhar no cubículo apertado, contudo agora tinha mais serviço e mais pessoas a incomodá-lo esperando algum trabalho feito ou um feedback diário de suas míseras realizações no trabalho, era cansativo mas pelo menos o dinheiro viria a calhar.
Pois miseravelmente ele não era um daqueles shifters que ficaram ricos durante seu extenso tempo de vida na terra, e sim, ele era daqueles que tinha uma imensa quantia de dinheiro na poupança, que ainda assim não o fazia rico, e que morria de trabalhar durante uma vida que o obrigou a se esconder em identidades falsas e planejadas para durar algumas décadas, para que depois viesse a falecer sem provocar dúvidas pelos frágeis humanos que procuravam encrenca no sobrenatural e os antigos seres que instigam sua vida o vigiando para ver se nada de mim escapava sobre o mundo secreto do conto de fadas ingênuo e imaturo.
"Contos de fadas! " Vitor cansado bufou de incredulidade, por saber que o mundo sobrenatural não era nada que os humanos, incansavelmente acreditavam por meio do romance barato das revistarias... sim existia o romance, a aventura e o mistério obviamente mas na maioria das vezes era alcançado com imensas quantidades de sangue e muito drama familiar, esse último item valendo-se mais ao caso dos shifters que enfrentavam constantemente divergências ao procurar saber de suas origens que contribui com a confusão em relação a paternidade, disputas por poder e entre outros que puderam confundir a real origem desses diversos seres espalhados no mundo.
Também pelo ato de restrição no registro histórico que era somente feito pelos anciões de matilha, orgulho, manada, kit ou o que fosse um monte de shifters reunidos! E isso não seria realmente um problema; mas a maioria que questionava sua origem eram aqueles que eram frutos de infidelidade entre metamorfos acasalados que acabavam largados enquanto filhotes em braços de uma mãe humana, o que fazia um híbrido ou nos braços de suas mães solteiras, que na maioria das vezes eram desgarradas do seu grupo devido ao preconceito de não ter se acasalado antes de ter o filhote, que também se tornava desgarrado em todo esse lamentável drama.
Esse último caso era onde sua vida se encaixava na desigualdade do mundo shifter , ele se tornara órfã de uma mãe shifter desgarrada aos 15 anos e daí nada tinha lhe deixado de dinheiro ou riquezas , sorte que naquela época já havia trabalhos para jovens daquela idade, na década que passara a muito tempo, onde não existiam leis contra a exploração infanto-juvenil.
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