Nipôn | Elfos de Babel I
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Vitor adentrava a floresta em direção a sua casa, depois de mais um dia de trabalho enfadonho e chato, e essa era mais uma daquelas semanas cheias de horas extras, em que ele havia trabalhado sem parar. Em meses, ele não havia encontrado Ismael, nem qualquer membro do bando que comandava a cidade.
Seu lobo, novamente em uma semana ocupada e com ele tentando conciliar tudo, já estava reclamando sobre um tempo a mais para correr pela floresta. E ele não sabia o porquê, mas ele e seu lobo passaram a se amargurar com o pensamento incessante de descobrir seu companheiro. Ele não sabia porque ele e seu lobo estavam tão focados nisso, mas seu peito apertava pensando na solidão que ele vivia, se movendo diariamente entre seu trabalho e a sua cabana enfiada na floresta.
Como seria seu companheiro? Ele seria um ser humano ou um ser sobrenatural como ele? E se fosse sobrenatural, será que seria um shifter lobo como ele ou uma espécie diferente de shifter, ou pior, uma espécie diferente de sobrenatural tipo um bruxo, um mago ou uma fada? Ele desejava que fosse um shifter lobo como ele, para que pudessem correr juntos pela floresta.
Enquanto andava para dentro da floresta perdido em seus pensamentos sonhadores, o que realmente já estava se tornando uma rotina desde de meses atrás, ele não deixou de observar o silêncio que estava dentro de si, não que ele não gostasse do maldito silêncio interior, mas seu lobo por meses importunava-o para uma corrida, ou para o sentimento saudosista de ter um companheiro, e agora, ele não sabia porque, mas esse silêncio interior dentro de si, era inquietante e triste.
Será que seu lobo estava deprimido, isso queria dizer que ele também estava deprimido? Vitor por vezes questionava ser um shifter normal, era suposto dele e seu lobo, serem um só, terem os mesmos pensamentos, as mesmas vontades ou ambições. Mas seu lobo interior queria por vezes coisas que Vitor não queria.
Ele parou um momento sobre a trilha que ele fazia até a sua casa, deu uma respiração profunda acalmando seu corpo, fechou os olhos e se concentrou no seu lobo interior. Ele estava em profunda meditação com seu eu. E lá estava ele, seu lobo estava enrolado deitado, com a cabeça repousando entre as patas. A sua cauda estava se movendo lentamente indicando que ele não estava dormindo, e sim só descansando e relaxando no momento. Seu lobo abriu os olhos, que eram da mesma cor que os dele. E parecia olhar diretamente para ele.
"Você acha que eu queria estar te incomodando assim?" Vitor se assustou com a voz repentina que parecia vir de todos os lugares ao redor do lobo. A voz era etérea, e quase igual a sua. Surpreendentemente, Vitor sabia que era a voz do seu lobo. Mas ele não sabia o que dizer, então ele esperou ouvir a voz novamente.
" Tem algo nessa floresta que está me chamando mais e mais nesses últimos meses, mas eu não sei descrever o que é...." Vitor se emocionou pela voz solene e necessitada do seu lobo.
Ele olhou para o lobo que continuava enrolado deitado, mas sua cabeça estava inclinada e seus olhos fechados em uma concentração meditativa. "Eu não sei o que dizer a você" Vitor pensou, levando-os até a figura do lobo avermelhado.
"Nós devíamos ter ficado mais tempo lendo aqueles escritos antigos que seu amigo apresentou..." Vitor se lembrava daquele dia, em que um shifter amigo apresentou os escritos antigos, que tinha conhecimento sobre sua espécie de lobo, mas ele estava apressado para o trabalho, e não tinha lido mais que duas páginas daqueles escritos, mas ele não deixou de sentir naquele dia a vontade que seu lobo tinha de continuar a ler.
" Você está muito inserido no mundo humano que se esquece que é shifter, isso pode ser um erro." Vitor ouviu a voz de seu lobo e meditou sobre isso. Será que realmente era um erro ele estava tão inserido ao redor de muitos humanos. Mas não deixava de ser verdade o fato dele saber tão pouco sobre shifter lobos como ele.
"O que sabemos sobre nós mesmos, eu nem mesmo sei porque somos um, mas ao mesmo tempo somos dois dentro de um, as poucas informações que você leu dizem que devíamos pensar, agir e sentir o mesmo todo o tempo. Mas não acontece isso com a gente..." Seu lobo tinha os mesmos questionamentos que ele, talvez tivesse sido mesmo um erro não ter ficado mais tempo lendo aquelas escrituras.
Vitor esperou ouvir mais da voz interior, mas depois de um tempo não ouviu nada até que ele pensou: "Como eu consigo ouvir sua voz? Porque eu nunca te ouvi antes? " A figura relaxada de seu lobo se levantou e levantou a cabeça soltando um longo uivo que o despertou do transe da meditação. Pelo visto seu lobo era tão impaciente quanto ele, deixando o saber pelo uivo que a conversa havia terminado.
E ele ainda percorrendo o caminho até sua casa e seu trajeto de casa para o trabalho coincide de passar pelo parque que se ligava ao grande e robusta floresta daquela pequena cidade tão recheada de verde, mas algo parou e repousou sobre seus sentidos e anseios profundos. Um misto de intensas fragrâncias se viam resumidas na entrada de um dos bosques da floresta e seus pés já não eram seus propriamente eles eram do instinto, que já o guiava para adentrar o bosque.
E no andar ligeiramente apressado ele passava respirando os diversos cheiros florais e doces por vezes grosseiras por vim de tão rica terra... o cheiro era das rosas, tulipas, copos de leite e de outras tantas flores que o homem não conhecia para se nomear das mais silvestres sobre as mais delicadas que formavam uma superfície colorida do qual se erguiam grandes palmeiras e árvores de pequenos frutos do cerrado...
Mas algo ocorreu de chamar a atenção de suas narinas, o cheiro floral misturado a mel e sol do entardecer, como ele poderia saber a definição de um cheiro sobre o sol do entardecer, não lhe pergunte pois ele mesmo não sabia, o cheiro se definira assim e era peculiar e estranho o cheiro conter mel, fazia seu corpo relaxar e seu nariz coçar e gozar de uma felicidade como se o cheiro fosse divino mas ainda, vivo em seus pensamentos, tão perdido na essência floral adocicada que tão adentro da floresta estava, que não mais lhe importava em estar na sua forma humana.
Seu corpo se incendiava no cheiro e ele já abandonava suas roupas no meio da floresta e deixava se mudar num lindo e majestoso lobo de pelos avermelhados com tons claros quase amarelados indicando uma mistura de raças sendo um pouco maior que um lobo normal, pois ele era um shifter que a natureza tentara equilibrar entre o humano e o animal...
Já em sua forma deslocada ele percorria o floresta com mais agilidade ainda que trotando sobre as gramíneas silvestres sentindo de forma bem mais intensa o peculiar cheiro de flores e mel sobre os outros tantos cheiros ao redor. Movido ainda mais ao instinto pela sua forma atual, ele se deixava guiar pelo cheiro estranho que se tornava mais forte a cada trotar de suas patas sobre uma terra que já começara a tornar-se mais úmida indicando algum córrego ou fonte de água se aproximando a essência que chamava sua alma.
Seu caminho o levara num ponto de início a uma grande orla de árvores , uma área circular enorme onde num extremo dessa área se podia entrar num córrego, resumindo o tal sublimado cheiro o levava a um dos tantos paraísos que os bosques da cidade tinha em segredo do conhecimento humano, um local perfeito onde se podia ver descobertos somente por seres paranormais, a área onde pétalas se viam desmanchadas de algumas flores já velhas e exalando o cheiro, mas o grosseiro do odor do mel ainda se encontrava mais forte do que antes e então foi aí que ele notou que não estava sozinho...
Ao leste da orla florida se via um corpo esguio de um homem deitado sobre o macio das pétalas e das folhas, um homem que não pareceu notar sua presença ainda ou que o permitiu olhar e admirar com atenção o belo espécime pelo seu olhar aguçado de lobo, seu corpo voltou a forma humana agora nu e descalço sobre a floresta que nada o impedia de ainda se fascinar pelo belo homem que tinha toda sua atenção e era um banquete para o seu olhar...
" Você tão inserido no mundo humano, isso pode ser um erro..." As palavras voltaram como um tipo de tortura ao olhar para aquele corpo voluptuoso repousado, até que o cheiro que ele havia perseguido voltou a tomar-lhe sua atenção.
O cheiro que lhe fez perseguir um caminho até onde o tornava mais intenso em si provocando um ardor desconhecido em sua alma, o cheiro estranhamente lhe levava ao jovem homem deitado que visto agora de perto tinha o corpo delineado por curvas salientes e de aparência macia no olhar um corpo negro se via cheia de curvas que o faziam quente e duro pronto a acasalar.
E os movimentos bruscos do seu corpo extasiado o denunciaram ao desconhecido homem que se encontrava naquele meio, talvez quem sabe perdido, o corpo antes numa posição de lado lhe dando a vista das costas de chocolate se mexia virando-se lentamente a frente em sua direção.
E houve o tal famigerado encontro de olhares impressionados um pelo outro os olhos castanhos mel do shifter lobo e os olhos verdes escurecidos do menino desconhecido jogado na floresta se encontrando e justificando o cheiro de rosas e mel sobre o sol do entardecer vindo diretamente daquele jovem, de seu suor e calor corporal o fazendo se ver em paz com sua mente e coração pois ali naquele menino que não se sabia o nome se irradiava em ondas esse cheiro magnífico e divino que deixa seu corpo de prontidão e seu lobo uivando, na verdade, ele nunca tinha visto seu lobo agir assim perto de alguém ou diante de um cheiro, ele desejara saber o que fazer agora...
Nipôn ouvira o barulho apesar de seu corpo dar mais atenção a maciez das pétalas da superfície onde se via adormecido, apesar de quase desacordado, seus sentidos sempre se mantinham alertas para qualquer evidente perigo a distância, seus ouvidos principalmente se viam bem sensíveis ao som e também ao toque, sendo que poderia ouvir passos ao longe e exatamente ouvia a uns 15 minutos atrás, sons de passos humanos que passaram para um trotar de patas, possivelmente um shifter que andara por essa floresta em sua forma deslocada para se soltar um pouco.
Mas ainda se via estranho em um dia de semana ver um shifter transitar pelo denso bosque em sua forma deslocada, pois a maioria dos shifters apareciam no final de semana para relaxar o que o permitia saber quando estar longe da floresta para deixarem fazer o que quiserem fazer em paz, pois ele não gostava de entrar em contato com outros seres sobrenaturais, não por preconceito e sim por cautela, pois muitos seres ainda se viam hostis com seres de outras espécies por se considerarem superiores.
E também ele nunca vira um shifter caminhar em direção a uma orla natural de flores, claramente muitos não apreciavam as flores só passam correndo trotando e amassando e despedaçando as flores sendo que a maioria dos shifters vivos hoje em dia eram de carnívoros que não suportavam o cheiro suave e doce das pétalas.
Mas seus sentidos não prenunciavam perigo quanto ao ser que se aproximava mais e mais desse caminho, senão ele lançaria alguns feitiços de impedimento contra o shifter que não o faria ver sua presença ali, mas o shifter se aproximara mais e mais perto de si, ele ainda não queria se levantar , queria esperar e ver o que o jovem paranormal queria com ele, já que ele se encaminhou diretamente a ele, o jovem shifter lobo se aproximava mais e mais, e apreensão curiosa do jovem sob a flores aumentava ao querer saber qual era os objetivos do cara que se aproximava.
O ar possuía uma tonalidade diferente agora, o ar se encontrava pesado agora com um odor peculiar e estranho, eram dois cheiros emaranhados um no outro, e um deles era estranho, árido e seco se ele pudesse apostar diria que era o cheiro de um encanto, ele era um elfo e os elfos tinham grandes sentidos para sentir magia em todos os sentidos do corpo, principalmente o olfato.
Além de que muitas espécies de elfo mexiam com poções e encantos além de que alguns também trabalhavam com experimentos científicos , o que para ele era estranho ver sobrenaturais vivendo num mundo científico e humano.
Já o outro cheiro era maravilhoso ainda que fraco o cheiro se resumia a leite e grama molhada, podia ser um combinação estranha de odores mas ainda para os elfos de sua espécie era o paraíso, ainda mais pra si mesmo que viveu praticamente no campo a sua vida toda...era como se fosse um perfume feito para si mesmo usar como essência afim de relaxar.
Ele já sabia o que era o cheiro ainda que fraco, estranhamente fraco o cheiro maravilhoso ele sabia, ele lentamente virava seu corpo em direção ao lobo que parara para observá-lo , e veio direto ao encontro do olhar do shifter, um olhar escurecido de instinto e desejo.
Um olhar que agora podia se encontrar resumido no dele mesmo e ele não se conteve, o medo que seu corpo sentira não o impediu de se movimentar aos poucos pra se ver relaxado sobre as pétalas ainda que com companhia e seu rosto relaxou, seu corpo relaxou e sua voz não foi impedida de dizer :
— Eu esperei você por muito tempo e finalmente te tenho...
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