Ningen no tenshi

2 Por olhos humanos


Notas iniciais
No capítulo anterior: Aki realiza seu sonho de se tornar humana, com a condição de continuar com seus deveres de anjo da guarda.

Eu nasci sem nenhum tipo de complicação. Chorei, é claro, já que a luz forte fez meus olhos arderem um pouco, mas me calei rápido. Fiquei tão feliz em ver o rosto da minha mãe que me esqueci da ardência. Quando a vi, a minha ficha caiu na hora e pensei:

–Caramba... Eu tenho uma mãe!

Depois de ver a minha mãe e meu pai, fui levada para tomar um banho e ser vestida para poder ter a minha primeira amamentação. Fiquei ansiosa para ver meus pais novamente e quando finalmente me levaram de volta para eles, rapidamente estendi meus bracinhos de bebê para a minha mãe, que por sinal era linda.

Minha mãe se chamava Tomoyo Atsuki. Ela tinha a pele branca, com bochechas rosadas. Lindos olhos de cor lilás, lábios tão naturalmente rosados que quase não precisava passar nenhum tipo de batom ou gloss. Tinha cabelos castanhos e ondulados.

–Olá querida! Você está uma graça! –Disse minha mãe me pegando no colo- Ela é tão linda, não acha querido?

–Parece um anjo!

O meu pai era Chiba Atsuki. Tinha pele morena clara. Olhos castanhos e cabelo preto liso jogado estilosamente de lado. Também era muito bonito!

Enquanto eu mamava ficava olhando alternadamente do meu pai pra minha mãe. Eu só sabia sorrir! Foi então que meu pai resolveu tirar uma foto minha com um celular. Ele a mostrou pra mim.

–Esta é você filhinha!

Eu nasci parecida com minha mãe, mas com os olhos do meu pai. Sorri!

Um dia depois, meus pais e eu estávamos em casa. Meu quarto era lindo! As paredes eram brancas, mas só pela metade. Parte de cima branca e parte de baixo lilás. Entre as cores haviam flores pintadas de diversas cores. Tinha um lado do meu quarto cheio de bichos de pelúcia. Logo ao lado estava uma cômoda branca com gavetas que formavam um gradiente em escala de roxo. Do tom mais escuro ao mais claro, começando pela gaveta de cima. Meu berço combinava com a cômoda. Era branco e as grades tinham o mesmo gradiente dela. Eu olhava para todos os lados. Era tudo tão fofinho. Acho que meu pai percebeu e disse sorrindo:

–Bem Aki, este é o seu quarto. Gostou?

Sorri em resposta, já que ainda não sabia falar.

–Awwwnn que gracinha!

Disse minha mãe me dando um beijo.

Minha fase como um bebê passou voando. Eu ainda não tinha meus poderes, apesar disso estava calma. Eu sabia que eles iam aparecer mais cedo ou mais tarde. E... BATATA! Aconteceu! Foi quando eu tinha 7 anos. Quando eu era só uma anja, conseguia ver o que ia acontecer com meus protegidos antes que acontecesse assim eu sabia exatamente o que fazer para impedir o acidente. Eu estava comendo algumas maçãs embaixo de uma macieira e minha melhor amiga, Naomi Takahashi, tinha subido no pé para pegar uma maçã bem vermelhinha. Quando ela estava quase alcançando a bendita maçã tive a visão dela pegando-a e acenando pra mim, quando o galho em que ela estava apoiada quebrou e ela caindo de costas e ficando paraplégica. Quando a visão acabou ouvi:

–Olha Aki-chaaaaann! Consegui! –Tec, fez galho — O que? -quebrou-... Aaaaaaaaaahhhhhh!!

–NAOMIII!

Abri minhas asas em um reflexo e consegui segurá-la a tempo.

–Naomi, você está bem?

–Acho que sim... Não sabia que você tinha asas!

Ela disse sorrindo, mas ainda um pouco assustada.

–É... Finalmente apareceram! –Eu disse.

–Como assim?

–É uma looonga história!

Contei tudo para ela. Só para ela. E a instruí a não contar para absolutamente ninguém. Nem meus pais sabiam que eu era uma anja. Ela concordou. Ficamos ainda mais próximas depois daquilo tudo. Crescemos juntas. Ela nunca deixou de ser minha amiga. Minha melhor amiga, aliás.

Fiz muitos amigos e amigas ao longo da minha vida, e assim como Deus me instruiu, protegi a todos eles. Claro que tomava minha forma de anja para isso. Assim eu podia salvá-los sem que me vissem. Só Naomi percebia que eu é que tinha feito algo para salvá-la. Ela era muito inteligente, mas era muito distraída também. Eu salvava mais a ela do que a qualquer outro.

Minha verdadeira forma, a de anjo, é diferente da humana. Sou branca, e emano uma luz de mesma cor. Essa é a cor natural dela, mas varia conforme minhas emoções. Meus cabelos são lisos, brancos com as pontas violetas e ele é muito grande, chegam aos meus calcanhares. Meus olhos são prateados como os do meu aniki Miguel. Minhas asas são branquinhas e cobrem todo o meu corpo, que é a única coisa que é igual ao da forma humana, 1.63. Eu uso um vestido de preguinhas prateado e branco com fitas soltas em roxo.

Minha vida era ótima! Amava ser humana! Eu era muito feliz, até que logo depois de salvar a Naomi de ser atropelada por um caminhão, com 16 anos de idade, algo que eu não previa aconteceu.

–Naomi, pelo amor de Deus! Já falei pra você parar de ser tão desligada. Não sou uma anja completa mais! Consequentemente não sou onipresente. Não consigo estar em todos os lugares ao mesmo tempo! Um dia eu posso não conseguir te salvar, sabia?

–Tá bom, tá bom! Vou me cuidar mais!

–É o que você sempre diz!

–Sabe por que não me preocupo?

–Por quê?

–Porque você é muito eficiente! Kkkkkkkkkkkkkkk

–Minha eficiência tem limites, e você sabe disso! –Eu disse em um suspiro de exaustão.

–Hai hai... –Ela me deu tapinhas na cabeça- Ai! – e eu a retribuí com um peteleco.

–Sossega! ...Vá direto para casa, e POR FAVOR, fique na calçada!

–Ok!

–Quer saber? Vou te levar em casa! Você é impossível!

–Hi hi hi! Tá bom! Ah é!

–O que foi?

–Quando começa o seu cursinho?

–Amanhã. Vou pra lá logo depois da escola.

Ah sim! Nessa época eu estava pra começar um curso pré-vestibular. Ainda não sabia o que cursar na faculdade, muito menos em qual faculdade estudar, mas eu gostava muito de desenhar e achava muito interessante a área de design.

–Quanto tempo vai durar?

–Hum... Acho que 10 meses, se não me engano.

–Nuuuuuhhh!

–Há há há... É normal ora. Estamos saindo de janeiro já! A prova é em novembro!

–Quantas vezes na semana?

–De segunda a sexta.

–Legal! Posso te ver aos fins de semana!

–Naomi.

–Sim?

–Você já me vê todos os dias na escola! Já é nosso último ano, mas ainda somos da mesma sala!

Ela ficou parada olhando pra mim por alguns segundos e em seguida sorriu inclinando a cabeça.

–Doida!... Pronto, chegamos!

–Valeu por vim me trazer. Quer entrar?

–Não, valeu! Preciso descansar!

–Beleza! Te vejo na escola então! Até amanhã!

–Até!

Eu tinha acabado de me virar para ir em bora quando um ser muito familiar, mas extremamente odioso surgiu na minha frente.

–Finalmente te encontrei! Sua versão humana é bem diferente da celestial!

– Kohai!

Eu o olhei com um ódio mortal. Tomei minha forma de anja e fiquei em modo de batalha.

–O que você quer?

–Relaxa guria! Não estou nem um pouco a fim de lutar!

–Sério?

–Não!

Ele me acertou um golpe direto. Kohai tinha poderes relacionados à natureza, igual mim. A nossa diferença, fora a de eu ser luz e ele trevas é que eu era mais ágil, sabia lutar muito bem e era mais habilidosa com espadas e arcos. Ele por outro lado, era bom em tudo isso só que bem menos do que eu.

–Trapaceiro desgraçado!

Peguei minha espada e a embainhei com fogo. Fui pra cima dele, mas ele desviou.

–Sempre agressiva.

–Mas o que raios você está fazendo aqui?

–Concluindo uma investigação!

–Hein?

–Percebi que você tinha “sumido do céu” e um dos meus comparsas disse que ouviu alguns anjos comentando que você tinha virado humana então vim ver com meus próprios olhos.

–E o que você tem a ver com isso?

–Tudo! Agora que você é humana posso acabar com você com muito mais facilidade!

–Não sou totalmente humana, seu idiota!

–É verdade, mas isso ainda me deixa com vantagens.

–Cite uma!

–Humanos se apegam a outros humanos com muita facilidade. Eu posso não conseguir te tocar, agora tocar naqueles que você ama...

–NEM SONHE EM FAZER ALGO DO TIPO SEU... SEU...

–Epa! Epa! Cuidado com a boca mocinha! Anjos não falam palavrões!

–Tch! Eu estou te avisando. Se tocar em um fio sequer da cabeça de qualquer membro da minha família ou amigos, eu acabo com a sua raça!

–Vamos ver quem acaba com a raça de quem!

Dito isso, ele virou uma sombra e sumiu.

–Que ódio desse bicho! DROGA! –soquei um poste de tanta raiva – É melhor eu ficar mais atenta a partir de agora.

Ainda com minha forma de anja fui voando para casa. Tomei um banho e dormi, exausta.

Notas finais
No próximo capítulo: Aki conhece alguém um tanto atraente que vai lha dar um pouquinho de trabalho. Obrigada por acompanharem a minha fic ^^