Ningen no tenshi
3 Satoro Yusuke
Notas iniciais
Kohai era extremamente horrendo na verdade, mas ele só se apresentava com sua antiga forma, quase tão bela quanto à do Miguel. Ele tinha cabelos pretos bem escuros e olhos azuis celestes. Ele tinha um porte físico perfeito. Afinal ele já foi um anjo. Ele pode assumir sua antiga forma, mas não totalmente, por exemplo: Ele não tinha mais a sua própria luz; também não tinha mais asas brancas como a neve e sim negras como carvão; não tinha mais tanta força e agora tem aversão ao fogo (meu principal poder alias).
Aquele idiota me deixou com tanta raiva que até sonhei com ele (se bem que foi mais um pesadelo). Sonhei com Kohai, segurando um rapaz pelo pescoço em um penhasco enorme. Não consegui ver o rosto do rapaz, mas eu estava desesperada. Eu tentava de todas as formas chegar ao topo, mas minhas asas estavam muito machucadas e eu não conseguia voar. Meu corpo estava ensanguentado e um dos meus tornozelos estava torcido. Eu estava horrível. Ia me arrastando pra onde Kohai estava com o rapaz. Eu gritava muito. Parecia que eu estava implorando para que Kohai não o matasse, e ele (Kohai) sorriu pra mim com os olhos cheios de ódio. Foi quando eu acordei.
–DROGA! Só me faltava essa...
–Akiiii! Desça logo ou vai se atrasar! Seu café já está pronto, vamos!
–Estou indo mãe!... Ele que se atreva a tocar em um dos meus protegidos. Quem será que era aquele rapaz? Não deu pra ver o rosto. Bom, seja quem for, espero que Kohai não o esteja perseguido.
Desci e depois do café fui para a escola. Encontrei Naomi na sala me esperando, como sempre.
–Aki-chan, o que aconteceu com você? Parece que virou a noite acordada.
–Antes fosse! Tive um pesadelo com um velho inimigo.
–Velho inimigo? Como assim?
–No intervalo te explico tudo.
Como prometido expliquei tudo a Naomi durante o intervalo. Eu confiava muito nela e ela em mim. Nunca escondíamos nada uma da outra. Depois que contei tudo a ela, ela ficou calada. Muda. Até fiquei preocupada, já que em seguida ela se levantou e voltou para a sala sem dizer nenhum “A”. Ela permaneceu assim até o fim da aula quando quebrou o silencio.
–Aki-chan...
–Hum?
–Você vai ficar bem, não é?
–O quê?
–Você ainda vai viver, não é?
Ela estava com a cabeça baixa e falando muito baixinho. Quase sussurrando.
–Hã? Do que está falando?
–Do que eu estou falando? ESTOU FALANDO DE UM DEMÔNIO DE VERDADE QUERENDO DAR CABO DA SUA VIDA!! É DISSO QUE EU ESTOU FALANDO!
–Naomi, acalme-se! Você está gritando! Não precisa ficar assim tão exaltada. Não é nada de mais!
– Não é nada de mais você diz? Aki, você por acaso se lembra do que me disse quando seus poderes ressurgiram?
– Lembro!
–Você lembra que me disse que era meio anjo e meio humana?
–Sim.
–Também se lembra que sendo meio humana você se torna mortal, não é?
–Obviamente.
–Então você sabe que com poderes ou não você pode MORRER se entrar em alguma batalha com um demônio completo.
–Que nada. Kohai é muito fraco. Eu o vencia com uma mão só.
–Disse bem! “Vencia”, em tempo pretérito. Agora minha amiga, você não tem todo o seu poder, sem falar que está enferrujada. Quanto tempo faz desde que enfrentou um demônio no mano a mano? Hein?
–Anos, mas...
–“Mas” nada! Se você tiver que lutar a sério com ele, você não só pode como VAI perder!
Foi quando me lembrei do sonho. Eu estava esfolada. Arfei e abaixei a cabeça. Eu sabia que ela tinha razão. Pensei por um breve instante e a olhei nos olhos com uma expressão seria.
–Naomi, me escute bem. Você tem toda a razão, mas eu JAMAIS vou deixar um demônio obter êxito em nada. NADA! Eu posso até morrer, mas eu dou um jeito e mato ele também!
–Isso é possível?
–Se for necessário, passará a ser!
Naomi me deu um abraço tão forte que quase perdi o ar.
–Aki, por favor, não faça nada perigoso. Eu não quero perder você amiga. Por favor!!
–*suspiro* Ok! Eu prometo me cuidar!!
–Ótimo! –Ela me soltou – Você tem que ir pro seu curso, não é!
–Sim sim. Já estamos chegando. Ali! Está vendo aquele prédio azulzinho do outro lado da rua?
–Estou! É lá?
–Sim! Eu te deixo agora. Já estou atrasada!
–Ok! Até amanhã!
–Até! E toma cuidado no caminho de casa!
–Há há há há há Posso te dizer o mesmo dessa vez!
Eu sorri e assim que o sinal de pedestres ficou verde atravessei, mas eu não vi que vindo em minha direção tinha um caminhão desgovernado. Só ouvi uns gritos de “cuidado!” e “saia daí!” quando senti alguém pulando em mim me tirando do caminho do caminhão que bateu com toda a força em um poste logo a nossa frente. Tomei um susto enorme. Meu coração estava muito acelerado. Foi tudo tão rápido que eu nem entendi direito o que houve. Só voltei a mim quando uma voz séria falou ao meu ouvido:
–Deve prestar mais atenção ao atravessar garota. Só porque o sinal ficou verde não significa que seja seguro.
Olhei por cima do meu ombro e vi um rapaz lindo de olhos verde esmeralda e cabelos castanhos com as pontas repicadas na altura do pescoço. Meu coração que já estava acelerado por causa do susto disparou de novo. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Eu parecia em transe. Sentia que estávamos apenas nós dois ali. Ele ainda estava em cima de mim quando disse aquilo. Ele se levantou e eu via a sua boca mexer, mas eu não ouvia nada do que ele dizia. Até que ele sorriu e me deu um peteleco na testa.
–Ai! Por que fez isso?
–Pra ver se saía do transe! Você está bem? – Ele estendeu a mão pra mim.
–Estou! Obrigada! – Segurei a mão dele e ele a ajudou a me levantar quando senti uma fisgada no pé direito e ele me apoiou. – Ah! Droga!
–O que foi?
–Acho que torci o pé direito.
–Quer que eu te leve a um médico?
–Não. Não precisa obrigada. Hoje é meu primeiro dia no curso e não posso faltar.
–Onde fica seu curso?
–É nesse prédio aí na frente.
–Curso pré-vestibular?
–Sim. Como sabe?
–É meu primeiro dia também. Qual é a sua sala?
–27.
–Parece que somos da mesma turma. Vamos, te dou um apoio ate lá.
–Não precisa. Eu consigo andar obriga...
Antes de eu terminar de falar ele me pegou no colo e me levou em direção ao curso.
–Eu faço questão. Não posso deixar uma donzela se virar sozinha.
Eu fiquei paralisada. Fora o meu pai, nenhuma outra pessoa me pegou no colo depois de crescida. Senti meu rosto formigar. Com certeza eu estava muito corada, porque quando ele olhou pra mim de novo começou a rir.
–T-tá rindo do que?
–De você! Há há há há há Não precisa ficar com vergonha. É só uma gentileza que estou te prestando. Qual o seu nome?
–Aki. Aki Atsuko.
–Aki... É um belo nome. Eu sou Satoro Yusuke. É um prazer conhece-la!
Caramba! Que rapaz mais fofo e educado. Coisa rara hoje em dia. O único problema é que eu sentia algo sombrio vindo dele. Será que era Kohai tentando me enganar? Não! Se fosse ele não conseguiria me segurar daquele jeito, meu corpo o queimaria instantaneamente. Esse poder ainda ficou comigo, mas então... O que será?
–Pronto, senhorita! Chegamos!
–Ok! Obrigada! Agora pelo amor de Deus me ponha no chão. Todos estão olhando – sussurrei.
–há há há há Está bem! Pronto!
Ele me colocou em frente a nossa sala.
–Você primeiro!
–Obrigada!
Eu o olhei novamente por um breve instante e pude ver que seus olhos eram um pouco caídos. Tristes. Algo de muito ruim já aconteceu com ele, eu tinha certeza. Ele estendeu o braço em direção a sala me pedindo para prosseguir. Assenti e entramos.
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