Notas iniciais
Ai gente, eu disse que ia postar só na sexta mas eu sou aquele tipo de autora que quanto mais recebe comentários mais vontade de escrever ahahahah Acho que eu sou um cachorrinho! E eu adorei tanto a resposta que você me deram com o primeiro capítulo e fiquei muito ansiosa para vocês verem o alfa Levi, aquele cutie cutie não tão cutie cutie assim ahahahah E dependendo de como vocês gostarem talvez eu consiga postar duas vezes por semana? Só uma ideia! Muito obrigada por lerem, por todos os comentários fofos e pelos favoritos! Boa leitura!

Eren fechou a porta do apartamento com força, como se tentasse prender todos os seus medos do lado de fora. Em uma mão, ele apertava a bolsa, muito consciente do que tinha dentro dela.

—Okay, okay, está tudo bem. — Ele tentou dizer a si mesmo, saindo da frente da porta e começando a retirar o casaco de forma desajeitada. Normalmente, Eren jamais jogava roupas ou a mochila pelo sofá porque ele tinha certeza que esqueceria de colocá-las no devido lugar e receberia um monólogo sobre arrumação de Levi. Mas naquele momento ele não podia se importar menos em deixar seus pertences no quarto e depositou a bolsa no sofá como se o material queimasse sua mão.

Eren a deu o pior olhar que tinha.

Nada parecia fora do lugar. Apenas uma bolsa estudantil, preta, simples, básica, não muito grande e preenchida com um estojo e algumas folhas que Eren deveria usar para anotações. Tudo como deveria ser para um estudante normal.

Exceto que no meio daquela normalidade, envolto em várias sacolas plásticas como algum tipo de material radioativo – Eren claramente não sabia a conduta perante material radioativo, mas tudo bem, por que a situação era tão perigosa quanto. Enrolado em várias sacolas plásticas que objetivavam esconder o conteúdo até que o moreno o socasse dentro da mochila, estava um teste de gravidez masculina.

Quer dizer, vários deles. Por que, sinceramente? Ele não fazia a mínima ideia de qual deles pegar e tinham tantas opções e não, jamais ele iria pedir ajuda para alguém porque, puf, aquela ideia idiota de Jean não poderia estar certa. Não, não, não, não!

Ele provavelmente estava com alguma doença estomacal, algum vírus ou bactéria ou qualquer termo específico que médicos falam. Tinha um desses bichos em frango, certo? Ele lembrava que sua mãe sempre lavava frangos com maior cuidado porque tinham alguma daquelas coisas que faziam muito mal.

Óbvio! Era isso! Ele comia frango quase todo o santo dia! Como esperavam que ele não pegasse uma doença dessa em alguma hora? Aliás, qualquer pessoa podia se sentir mal por alguns dias, ou algumas semanas. Ser atado e ter passado por um cio dois meses antes não queria dizer nada, certo? Por que ele e Levi se preveniam e com todos os preservativos e injeções de anticoncepcionais que Eren nunca esqueceu a dose.

Sim, sim. Isso era burrice e no final ele só gastou dinheiro atoa com aquelas coisas esquisitas que pareciam um termômetro.

Bufando para si mesmo por ter se deixado levar pela paranoia do cara de cavalo, Eren abriu a mochila com raiva e puxou lá de dentro a sacola com três testes de gravidez. Andando de forma determinada, ele foi até a cozinha e sem pensar duas vezes, jogou todo o conteúdo no lixo.

Isso. Perfeito.

Ele só precisava tomar um banho, beber uma água e ir descansar depois de todo esse estresse desnecessário que a paranoia de seus amigos causou em sua cabeça. Ele não podia acreditar!! Até mesmo Mikasa e Armin que sempre foram os mais inteligentes! Até mesmo Mikasa que sempre tinha um sexto instinto que nunca falhava tinha ido na onda de Jean e Connie e dito que Eren realmente estava bem chato com comida e com muitos enjoos recentemente.

Ele parou no meio do caminho entre a cozinha e a sala. Sem precisar olhar, sabia que a maldita sacola estava lá, no mesmo lugar, zombando dele.

Grávido? Não, não. Não era possível! Por mais que os sintomas batessem, Eren tinha certeza absoluta que não tinha esquecido a dose de anticoncepcional, então não era possível, certo? Não tinha como! Mesmo que ele fizesse os testes, não tinha nenhuma possibilidade de dar positivo!

—Meu Deus, Jaeger, Meu Deus!! — Exasperado consigo mesmo, Eren marchou até o lixo, pegou os testes e praticamente correu até o banheiro social, trancando-se lá dentro e jogando a sacola ao lado da pia.

Ele se apoiou na bancada e se olhou no espelho.

Grandes olhos verdes e assustados o encararam de volta, o cabelo castanho e macio estava ainda mais bagunçado devido às inúmeras vezes que o garoto puxou os fios em exasperação até que pudesse chegar em casa. Suor escorria levemente por seu pescoço e as bochechas estavam ligeiramente pálidas, tamanha era a apreensão que se traduzia em medo e ansiedade em seu aroma natural.

Aquilo não era o rosto de uma mãe. Ou pai...? O quê?

Abrindo a torneira, Eren encheu as mãos de água, jogando-a no rosto e tentando se trazer à racionalidade.

—Jesus, Eren, seja homem! Tudo o que eu tenho que fazer é mijar nessa merda, certo?

Com ansiedade mascarada por coragem, o ômega abriu o primeiro teste com as mãos trêmulas e passou os olhos rapidamente pelas instruções de uso. Ok, alguma coisa de hormônio HCG, urinar num copo – com as mãos ansiosas eles balançou a caixa até que um potinho descartável caísse –, cinco minutos, certo, uma linha é negativo e duas é positivo.

Okay. Okay, ele podia fazer isso.

Eren nunca imaginou que urinar pudesse ser tão difícil. Suor escorria por sua testa enquanto ele pôs o teste na própria urina e, meu deus, Levi surtaria se soubesse de uma coisa dessa.

Pensar no alfa o fez rir um pouco e se distrair, mas os cinco minutos mais pareceram uma eternidade. Ele andava de um lado para o outro no espaço restrito do banheiro, cogitando sinceramente olhar antes do tempo, mas sempre lembrando do “ATENÇÃO” que lera na bula e que dizia que o tempo de espera era fundamental.

No final, Eren não conseguiu olhar o resultado após 5, nem 6, nem 8 minutos. E quando a coragem o tomou, ele levantou-se rápido do vaso sanitário onde tinha sentado e tomou o teste na mão.

Ele quis acreditar que o que via era resultado da tontura de ter levantado rápido demais, mas Eren sabia. Ali estavam duas linhas vermelhas, tão vermelhas que pareciam pulsar para fora do visor.

—O-o que... — Um sussurro incrédulo saiu de sua boca e ele nunca se moveu com tanto pânico e desespero como fez quando largou o teste e pegou outro na sacola.

Aquele com certeza estava errado! Não era possível! Não, não, não...Oh, meu Deus, o que Levi pensaria? Ele ficaria bravo? Ele iria querer a criança deles?

—Não, não, não! E-essas coisas erram, n-né? S-sim, sim, eu s-só preciso...

Rasgando a caixa com força e fazendo uma bagunça de papelão pelo chão, ele pegou outra bula e, com ela na mão, correu até a cozinha para pegar uma garrafa de água, drenando quase um litro de forma dolorosa.

Dez minutos depois ele estava urinando em outro potinho descartável e colocando um teste que daria “mais” para positivo e “menos” para negativo. Dessa vez ele não teve forças e apenas sentou-se no vaso, a perna balançando e os lábios mordidos de nervosismo atacando as unhas. Eren contou os cinco minutos na cabeça, tentando se manter calmo, como se estivesse contando carneirinho e não os minutos para confirmar que tinha um bebê dentro dele.

Sem conseguir esperar um segundo a mais, o moreno levantou e pegou o resultado, deixando-o bem exposto à luz para que ele não pudesse errar.

Quando sua mente raciocinou o sinal positivo, as lágrimas desceram quase que automaticamente.

Ele nunca, jamais entendera as cenas de filmes em que as mulheres choravam quando descobriam que estavam grávidas mas naquele momento ele nunca estendeu tanto uma reação tão automática.

Logo suas costas estavam escorregando pela parede do banheiro, seu corpo trêmulo e fraco largado no chão, joelhos abraçados junto ao peito enquanto seu peito se comprimia e ele chorava desesperadamente, soluços pesados ecoando pelas lajotas do cômodo. Ele tinha consciência do medo, angústia, ansiedade e surpresa que carregavam seus feromônios e se misturava com o cheiro de urina e suor do banheiro.

—M-merda, merda...puta que pariu!

Ele não soube quanto tempo ficou ali, tentando respirar corretamente e sentindo as próprias lágrimas. Eren precisava falar com alguém. Precisava de alguém para tirá-lo daquele turbilhão de pensamentos que o engoliam naquele momento.

Puxando o celular do bolso, rolou a tela pelos contatos, mentalmente excluindo todos aqueles que passavam. Armin, Christa, Jean, Levi – ele parou alguns segundos nesse, mas continuou –, Mikasa e finalmente a única pessoa que poderia ajudá-lo naquele momento. A única pessoa que tinha experiência no assunto.

O telefone tocou vezes demais para o gosto de Eren e ele fungava e tentava tomar respirações de cachorrinho enquanto se encolhia ainda mais no chão no banheiro, como uma criança prestes a levar uma bronca.

Eren, meu amor! — A voz doce tão familiar da mulher soou pelo telefone e Eren imediatamente se sentiu mais relaxado. Fechando os olhos, ele encostou a cabeça na parede e respondeu.

—Mãe...

Tudo bem, querido? Mikada disse que vocês estavam em semanas de provas então resolvi não ligar porque sei o quanto você fica estressado. Como foram os testes?

—Foi tudo bem... a mesma coisa de sempre.

Hannes está mandando um abraço! — A mulher riu levemente como se estivesse interagindo com alguém do outro lado da linha e só a ideia de Hannes o fez lembrar de Levi que o fez lembrar da situação e ele já estava amaldiçoando os próprios hormônios que o transformaram em uma bola de choro.

Diga, amor, como está Levi? — E antes que ele pudesse responder, Carla pareceu lembrar-se de algo. — Ah, não! Antes disso, mocinho, Mika disse que você estava com alguma infecção no estômago. Já foi ao médico ver isso?

Oh, merda. Oh, merda.

N-não...Ainda não... — A essa altura sua garganta estava tão pressionada com lágrimas que a voz saia estrangulada e ele sabia que mesmo através do telefone, logo logo a mulher desconfiaria de seu estado.

Eren! Filho, você sabe que tem que ir ao médico ver quando algo está errado! Eu vou ligar pro seu pai e ele vai marcar uma co

—Não! — Eren logo respondeu, a cabeça latejando só com a ideia de colocar seu pai naquela história.

Eren, não seja imaturo, você sabe que tem que cuidar da sua saúde e o seu pai-

—Mãe, não, por favor, e-eu sei, okay? E-eu só... — E então ele soube que não conseguiria mais. Um soluço emergiu de sua garganta e logo Carla soube que algo estava errado. — E-eu não sei... mãe, m-me ajuda...

—Oh, bebê. — A voz aconchegante e calmante de mãe fez Eren chorar mais ainda, desejando que a mulher estivesse ali. - O que houve, meu filho? O que aconteceu? Você e Levi brigaram? Diz pra sua mãe.

—N-não, não... Não a-ainda... — O moreno tentou enxugar as lágrimas e explicar a situação em palavras. — Nós estamos bem.

Certo, então por que você está chorando?

Oh Deus, ele não imaginava que seria tão difícil!

—Uma coisa a-aconteceu... — Silêncio do outro lado. — E-eu acho... hm...m-mãe, a-acho que vou ter um b-bebê...

O quê? — A surpresa foi clara no jeito que ela respondeu e Eren teve certeza que Carla estava sentando em algum lugar.

—M-me desculpa... — E novamente a enxurrada de lágrimas e ele tentando explicar tudo rapidamente, embolando saliva, lágrimas e soluços. — E-eu tomei as injeções, não sei como isso aconteceu m-mas... f-fiz... dois testes deram positivo e, m-mãe, me ajuda, eu sinto m-muito!

—Okay, Eren, filho, respira! Não é bom para o bebê que você esteja nesse estado. — O ômega realmente tentou respirar, mas só a ideia de um bebê dependendo totalmente dele já fazia o pânico surgir novamente. — E, por favor, não peça desculpas, amor! É lindo! É uma coisa maravilhosa! Você não precisa se desculpar! O que Levi disse sobre?

—E-ele não...E-eu ainda não c-contei...

Eren! Ele é o pai! Ele precisa saber! Por que você não contou?

—P-porque...- Ele poderia falar que tinha descoberto naquele instante praticamente, mas então resolveu dar voz aos medos que o consumiam. — E s-se ele me odiar? E se ele ficar b-bravo? S-se ele quiser que eu t-tire —

Eren! — Carla pareceu ultrajada. — Filho, o que é isso? O que é essa desconfiança? Levi ama você! Vocês são atados! São almas gêmeas! Ele vai ser o homem mais feliz do mundo quando souber!

—M-mas não p-planejamos, f-foi um acidente, ele vai ficar decepcionado comigo e-

Eren, não! Você também não foi planejado e eu e seu pai ficamos extasiados quando descobrimos!

—E depois se separaram e agora você tem Hannes e ele já casou de novo e já está esperando outro filho! — Despejou tudo, raiva de repente rompendo suas lágrimas.

Carla bufou e provavelmente revirou os olhos também.

Isso não tem nada a ver com você. Eu e seu pai não éramos companheiros de alma como você e o Levi. Nós achamos que nos amávamos mas depois era claro que só tínhamos atração. Essa situação não se encaixa com você e Levi e, pelo amor de Deus, não me diga que você está com medo de contar porque acha que ele vai te deixar?!

O silêncio foi tudo que Carla precisava.

Eren! — Agora ela dizia com o tom de mãe que sempre usava quando Eren a desobedecia e quebrava algum vaso. - Eu não acredito nisso! Como você pôde acreditar nisso?

—E-eu-

—Não! Não quero ouvir mais uma palavra! Você vai se recompor e vai ligar pra ele e vai dizer que ele vai ser pai.

—M-mas-

—Nada demas! Ele é o seu alfa, ele merecia saber antes de qualquer pessoa! — Mais um bufo. — Ora, Eren, eu te criei melhor que isso!

Quando a mulher terminou seu rompante, Eren se sentia como uma criança boba e um suspiro cansado foi ouvido pela linha silenciosa.

—Filho, vai dar tudo certo, ok? Eu te prometo que vai dar tudo certo! Levi vai ficar deslumbrado e você vai ser um ótimo papa. Eu estou tão orgulhosa e feliz por você, bebê. — Ela disse com doçura, coagindo o garoto a seguir seus conselhos. — Você vai ligar para o seu alfa agora?

—Uhum...

—Ótimo, eu vou desligar para que você possa falar com ele, ok?

—Ok.

—Parabéns, meu amor! Quero você aqui o mais rápido possível, certo?

—Ok. Amo você, mãe.

—Eu também te amo, Eren. Até mais.

—Até.

Assim que a ligação foi finalizava, Eren deixou o celular no chão ao lado de seu corpo. Escondendo o rosto nos próprios joelhos, ele considerou o que Carla havia dito. Seu ômega dizia que Eren estava sendo tolo e concordava veemente com a mãe, exalando alegria por poder ser capaz de carregar os bebês de seu alfa. Mas a parte humana e racional do moreno o enchia de dúvidas e criava cenários ruins um atrás do outro.

A única certeza que ele tinha no momento é que, se os testes estivessem corretos, ele estava grávido.

Grávido.

O que Levi diria? Ele ficaria bravo? Ele iria querer a criança? A criança deles? Ele iria querer... tirar?

Foi então que Eren percebeu que mesmo que estivesse atado ao homem jamais deixaria alguém retirar seu filho de si. E mesmo diante de todos os medos que enfrentava naquele momento, Eren soube que protegeria aquela criança. Que lutaria pela felicidade e liberdade dela.

Decidido a limpar as lágrimas e a se recompor, Eren estava para se levantar quando três baques fortes foram dados contra a porta.

—Eren?

Merda!

Como uma pegadinha, toda a sua coragem foi por água abaixo. Droga! Ele precisava de um pouco mais de tempo! Só um pouco mais! Levi havia chegado mais cedo? Por que logo hoje??

—Eren, você está aí? — A voz rouca e profunda soou através da prova, parecendo ligeiramente curiosa.

—Ahm... S-sim... — Ele se forçou a se responder, levantando-se do chão e tentando dar um jeito na bagunça em cima da pia. Sem querer, ele esbarrou em um dos potinhos descartáveis e urina derramou pela pia. — Merda!

—O que aconteceu aí? — O tom do alfa soou mais preocupado agora e Eren já estava começando a se sentir pressionado, a ansiedade se espalhando pelo seu aroma.

—N-nada! Tudo ótimo, eu só p-preciso... – Abrindo a torneira de forma desesperada e pegando os testes e jogando no lixo, ele tentou fazer tudo parecer normal. Mas, bem, Levi o conhecia melhor do que ninguém.

—Não minta para mim, ômega. — E então Eren parou na metade da arrumação e sentiu sua respiração perdendo o ritmo, seu ômega interior ronronando para que ele abrisse a porta e fosse buscar proteção nos braços de seu alfa.

Um choramingo escapou de seus lábios inchados de tanto serem mordidos e Levi ouviu perfeitamente do outro lado.

—Eren, você está machucado? Abra a porta. — O ligeiro timbre de alfa tentou coagir o ômega a deixá-lo, mas Eren estava tão sozinho e com medo que não conseguia raciocinar a essência de alfa alarmado e aflito se difundindo pela porta.

—N-não, estou b-bem, eu só-

—Babe, o que aconteceu? Foi alguma prova? Foi aquele cabelo de dois tons? — Levi amansou a voz, aproximando-se da porta como se pudesse tocar o ômega claramente angustiado. Ah, se alguém tivesse tocado ou machucado o seu ômega, ele não responderia por si.

—Não... — Um murmúrio foi ouvido e Levi sabia que um pouco mais e ele teria o garoto em seus braços. Seu alfa interior parecia enfurecido com a porta, a qual impedia que ele pudesse chegar até o moreno e consolá-lo.

—Eren, me deixa te ajudar, abra a porta para mim, hm? Por favor? — E o coração dele partiu quando um choro baixinho foi ouvido do outro lado da porta, Eren quebrando diante do apelo do homem que amava.

—L-Levi... — O ômega choramingou, sentindo as pernas quererem desistir e arrastá-lo até a proteção que o alfa lhe prometia.

—Ômega, abra a porta. — Levi forçou a fechadura, considerando rapidamente arrombá-la para chegar até o garoto, mas então ele travou, olhos ligeiramente arregalados quando ouviu o murmúrio.

“Eu te amo...”

O coração do mais velho apertava em angústia e ele sentia o alfa interior lamuriar, desejando se certificar que sua outra metade estivesse a salvo.

—Eren, eu também te amo, ômega. Por favor, abra a porta.

Alguns segundos depois, o clique foi ouvido e Levi adentrou no banheiro com o nariz torcido para o cheiro de urina misturado com lágrimas e a essência de seu ômega angustiado.

Uma avaliação rápida sobre a pia suja, um pote descartável vazio, papel higiênico molhado pelo chão e seu garoto sentado sobre o vaso sanitário, olhos inchados, feição assustada, mãos trêmulas e bochechas rosadas e ele soube qual era a sua prioridade.

Afastando a mania de limpeza para o fundo de sua mente, ele abaixou-se de frente para o garoto e encarou profundamente nos grandes e intensos olhos verdes que tanto amava. Segurando as mãos ligeiramente molhadas, Levi pôs-se a desenhar círculos no dorso delas.

—Eren, o que aconteceu?

E o olhar preocupado e amoroso que o alfa o deu foi o suficiente para que Eren rompesse em lágrimas novamente, tombando o tronco para frente e enfiando o nariz no pescoço de Levi, próximo à glândula aromática. Aspirando fundo o cheiro de chá, madeira e limpeza, o ômega automaticamente se sentiu mais seguro e ronronou contra a pele pálida.

Sem pensar duas vezes, Levi o segurou pelas coxas e se levantou com o ômega no colo, forçando-o a entrelaçar as coxas em seu tronco. Ao sair do banheiro deplorável, ele pegou a sacola desconhecida, já que imaginava que ela tinha alguma culpa no estado de seu garoto e o carregou com facilidade até o banheiro da suíte que dividiam.

—Shh, está tudo bem... — Ele murmurou de forma calma enquanto sentia os tremores fragilizarem o moreno em seus braços, odiando ver seu determinado Eren tão vulnerável.

Ao entrarem no banheiro limpo, o mais velho jogou a sacola na pia e colocou o garoto choroso sentado no vaso sanitário. Beijando a testa dele, Levi resolveu dar-lhe um tempo para o garoto se recompor e se afastou para ligar a torneira da banheira, preparando um banho quente que sabia que acalmaria os nervos do ômega. O alfa voltou até a pia para pegar as essências de banho e parou o olhar por alguns segundos na sacola, decidindo questionar o garoto sobre o que era antes de abri-la. Levi colocou a essência na banheira, o cheiro calmante de lavanda se dissipando enquanto as espumas se formavam.

Em seguida, ele se agachou na frente de Eren, entre as pernas dele e encasulou as mãos dele nas suas novamente, um ato de apoio.

—Eren, você pode me dizer o que te teve nesse estado? — O de olhos verdes olhou para baixo, evitando contato direto e mordendo o lábio inferior. Levi depositou um beijo singelo no dorso da mão dele. — Eren, por favor. Eu presumo que aquela sacola tem algo a ver com isso?

Eren vacilou visivelmente, engolindo em seco e juntando toda a coragem que tinha para arrancar logo o band-aid de uma vez por todos.

—E-eu não sei como aconteceu... — Sussurrou, apertando forte as mãos do alfa e tentando buscar todo o suporte que podia.

—O que aconteceu?

—E-eu...- Uma respiração funda, a garganta apertando dolorosamente, mas Eren levantou o olhar e olhou nos olhos do parceiro, tomando todas as reações que se passaram ali após a frase ser dita. — Eu estou grávido.

Os olhos quase sempre baixos em uma expressão naturalmente tediosa se arregalaram como Eren nunca havia visto, pupilas automaticamente se expandindo. Lábios pálidos e finos se separaram levemente e Eren viu quando ele tomou uma respiração profunda como se estivesse digerindo a informação.

—O quê?

Oh merda! Ele estava puto, não estava?

Eren começou a chorar instantaneamente, os hormônios de gravidez agora parecendo cada vez mais perceptíveis no quanto afetavam seu emocional. Além disso, ele dividia uma ligação de alma com aquele homem e eram como se fossem duas metades. Naquele momento tudo o que Levi deixava passar pela ligação deles era choque e dúvida e aquilo assustou Eren profundamente.

O que ele não sabia é que Levi propositalmente bloqueou parte do link porque, assim que a frase saiu da boca rosada e cheia, seu alfa interior vibrou de alegria, uivando de satisfação ao saber que tinha engravidado seu ômega.

Ele não queria assustar Eren com a possessividade que automaticamente assumiu seu corpo, demandando que protegesse seu ômega e seu filhote a todo o custo. Mas então ele precisou deixar a satisfação de lado para dar atenção à um moreno choroso que pedia desculpas repetidas vezes.

Segurando gentilmente no rosto do menor, Levi ronronou de forma tranquilizante, recebendo um miado de volta.

—Shh, você não tem que se desculpar por nada, meu amor... — Um beijo em cada bochecha, outro no nariz e um beijo em cada olho, selando as lágrimas que escorriam por eles. — Essa é a melhor notícia que eu já recebi, Eren, não há nada para se desculpar.

O ômega levantou a cabeça rapidamente e encarou o parceiro numa mistura de confusão, alívio e surpresa. Tudo o que ele recebeu foi um sorriso pequeno de volta e logo Levi selou os lábios em um beijo gentil, para então se levantar e voltar até a sacola.

—É um teste de gravidez? — Perguntou retoricamente, enquanto tomava a caixa em mãos. Eren se sentiu subitamente muito envergonhado e apenas balançou a cabeça. — Você já fez um? — Eren confirmou novamente e Levi ficou ligeiramente triste por não ter estado presente para ver a surpresa tomar conta do garoto e prevenir que ele se deixasse lançar num poço de insegurança que mascarasse a felicidade do primeiro filhote deles.

Foi então que o ômega assistiu com espanto e medo quando o alfa saiu do banheiro sem falar nada, deixando-o sozinho. Ele ficou estático por alguns segundos e quando decidiu levantar para ir atrás do noivo, Levi entrou novamente com uma garrafa e copo de água na mão.

—Você só precisa urinar nisso, certo? — Ele fez uma cara enojada enquanto deixava o que trouxe na pia e abria a caixa.

—S-sim...

—Ótimo, vamos fazer isso juntos. — E retirando o pote descartável e o teste, ele os deixou prontos para serem usados e colocou água em um copo.

—M-mas eu já f-fiz... — Eren se perguntou se Levi duvidava dele, se Levi achava que ele mentiria uma coisa importante e estava à beira de outro abismo de emoções quando o mais velho novamente veio agachar-se na frente dele, olhando com admiração para o rosto completamente inchado e vermelho devido às lágrimas.

—Eu também quero ver o nosso bebê. Ômega, por favor. — E o olhar sereno, sério e amoroso era tudo que Eren precisava. Ele mordeu o lábio inferior, balançando a cabeça várias vezes em confirmação e bebendo o copo d’água para parar as lágrimas de alívio e felicidade.

E então ele bebeu mais outro e mais outro e Levi desligou a banheira e mais outro copo, até que ele pediu ao alfa para lhe dar privacidade enquanto urinava e colocava o teste dentro do pote.

Menos de um segundo depois, Levi irrompeu de volta no banheiro, parecendo alheio ao pote de urina em cima da pia. Ele o olhou como se fosse mais importante do que mijo e depois foi até Eren ajudá-lo a retirar as roupas. Levantando os braços, o moreno deixou ser despido de sua camisa e viu quando o olhar do alfa parou em seu estômago.

—Quantos minutos?

—Cinco.

Eles aguardaram num silêncio desconfortável e ansioso, Levi encostado na parede, parecendo a um passo de olhar o resultado, e Eren sentado no vaso com os braços ao redor do tronco desnudo.

Exatamente cinco minutos – Eren se perguntou se o mais velho tinha contado na mente também – Levi estava indo em direção ao pote e olhando o resultado sem hesitação. O de olhos verdes automaticamente prendeu a respiração, seu estômago revirando de apreensão.

Levi o olhou de uma forma estranha. Da mesma forma que ele olhou quando Eren disse sim ao pedido de noivado. Com uma mistura de admiração, amor, felicidade e surpresa.

—Deu positivo. — A voz dele não passou de um sussurro quando ele voltou o olhar para as duas linhas vermelhas e as observou por um tempo. O ômega observou a reação dele calado e então, como um tapa de sentimento, Levi desbloqueou a ligação entre eles e Eren sentiu toda a confusão de sentimentos que o alfa sentia.

Felicidade, orgulho, possessividade, deleite, surpresa e amor. Muito amor.

Eren já estava cansado de chorar, mas dessa vez pelo menos foi de felicidade.

—Eren, nós vamos ter um bebê. — Levi o olhou com os olhos arregalados.

—S-sim... — Eren deixou as lágrimas escorrerem e levou as mãos à boca, anel de noivado bem visível apesar da luz baixa do banheiro. Levi se apressou até ele.

—Eren. — Dando-lhe um beijo rápido e forte, ele o olhou novamente. — Nosso filhote.

—Sim.

—Você está grávido.

—Sim! — E agora ele estava soluçando, sentindo alívio ao sentir o quão feliz fazia o alfa no momento.

Levi o tomou nos braços e os dois se abraçaram, em pé no meio do banheiro. Cada um se agarrando ao outro como se dependessem daquele contato para viver. Eren querendo se certificar que Levi estava ali e nunca o deixaria. Levi enfiando o nariz no pescoço do outro e se sentindo estúpido mas assustadoramente feliz ao notar o cheiro quase imperceptível de leite e mel, diferente da camomila e girassol característicos do ômega, um sinal do filhote deles sendo nutrido.

—Eren, obrigado. — O mais velho sussurrou carregado de emoção, seu alfa interior se deleitando em orgulho e fascinação.

—Uhum... — Eren murmurou em resposta, aliviado ao se sentir protegido ao invés de em desespero e com medo.

E com calma e nunca retirando as mãos totalmente do garoto, Levi o despiu totalmente e o ajudou a entrar na banheira, todo protetor e cuidadoso. Eren teria rido se não estivesse tão esgotado mentalmente e teria recusado o excesso de preocupação se não estivesse tão necessitado da presença tranquilizadora do alfa.

Assim que seu corpo cansado entrou em contato com a água morna, o ômega soltou um gemido deleitoso e fechou os olhos, respirando fundo para deixar a tensão escorrer de seus ombros. No minuto seguinte, Levi estava entrando atrás de si e puxando-o para apoiar as costas no peitoral firme.

De forma quase reverenciosa, Levi começou a lavar a pele morena e suave, espalhando sabão e bolhas enquanto massageava os ombros, lavava os cabelos castanhos tão macios e começava a contar como foi o seu dia estressante, e a reclamar de Hanji e Erwin numa voz profunda e tranquila que não combinava com o tanto de palavrões que deixava a sua boca.

Eren não poderia se sentir mais relaxado e em êxtase, ainda descrente do quão bem Levi lidou com a notícia. Melhor até que ele!

Quando ele chegou até a barriga lisa e começou a acariciá-la, Eren sentiu a última parcela de tensão deixar seu corpo e se apoiou completamente no corpo forte atrás de si, suspirando em deleite.

—Eren.

—Hm...

—Você sabe que com o tanto que a gente fode é surpreendente não ter acontecido antes.

—Levi!! — Um tapa e um ômega vermelho que tentava se esconder debaixo da água, enquanto o alfa o segurava e dava risadas contidas enquanto beijava-lhe o pescoço.

Notas finais
E aí, meus amores? Gostaram? Gostaram da primeira aparição do Levi? Eu disse que essa fanfic ia ser fluff mas agora eu vejo que tem um pouquinho de angst de gravidez para depois eu jogar fluff em vocês ahahahah Muito obrigada por ler e comentem para me deixar feliz, por favor? Próximo capítulo tem Eren Cross-dresser!!! Um grande beijo e até o próximo!!