Nine Months
7 Seven Months
Notas iniciais
Finalmente, descanso.
Depois de adiantar papeladas, fazer horas extras e ficar até tarde resolvendo e adiantando casos, Levi finalmente foi recompensado com uma semana a mais de recesso. Agora eles poderiam ter uma semana na praia e outra semana em casa, descansando só os dois.
Eren estava brilhando com a ideia de ter o alfa inteiramente para si durante 15 dias inteiros e Levi estava aliviado em não ter mais que responder os telefonemas de merda de Erwin que parece esquecer que Levi é só um humano e começa a jogar responsabilidade atrás de responsabilidades no alfa.
Ele disse não. Nenhum telefonema iria ser atendido enquanto Eren e ele estivessem na Jamaica. Nem se Hanji explodisse com algum de seus surtos, ou a Wings of Freedom queimasse ou Isabel decidisse assaltar toda a Ben&Jerry’s. Não. Agora tudo o que Levi queria era deitar naquela cama do hotel que tinha escolhido – é lógico que tinha escolhido um dos melhores porque jamais iria colocar o pé num lugar nojento e fora de seus padrões de limpeza – e ficar em paz com seu ômega.
Mas Eren nem ligava.
A primeira coisa que o ômega fez ao entrar no quarto foi correr para a varanda e abrir a porta de uma vez, a brisa do mar entrando e balançando as cortinas brancas de seda. O mar azul esverdeado estava bem a frente deles, a alguns metros de distância. A areia era branquinha e poucas pessoas passeavam por lá. A sacada do apartamento estendia-se dois metros para frente e após uma escadinha de três degraus, já se podia pôr os pés na areia, alguns coqueiros fazendo sombra e bangalôs se estendendo em direção ao mar.
A visão era fascinante, ele tinha que admitir. Apesar de relutantemente ter escolhido um apartamento no térreo – o vento traria aquela areia maldita para dentro do quarto – Levi tinha que admitir que a facilidade de acesso à praia era apreciável.
—Levi!! Levi!! Olha que coisa mais linda! — Eren virou-se para o alfa mais animado que uma criança e Levi olhou os olhos verdes brilharem como uma esmeralda, quase da mesma cor que o mar lá atrás. Ou melhor, numa cor muito mais fascinante que o mar jamaicano.
Eren estava deslumbrante, barriga redonda bem a vista, pés descansos, cabelos bagunçados pelo vento e um sorriso enorme no rosto. Ele usava um chapéu grande que comprou assim que desceram no aeroporto e o maldito o deixava ainda mais delicado. Os cabelos foram colocados para trás da orelha e Eren usava as mesmas roupas que usou no avião: legging, uma blusa leve que não o apertava, um all star e o sobretudo ele já tinha jogado na cama.
O quarto estava todo decorado como se fosse usado para uma lua de mel. As paredes eram feitas de madeira rústica e metade do teto era de vidro, o qual podia ser fechado com uma claraboia. O chão era coberto com um tapete redondo de palha áspero, representante da cultura da ilha. A cama era uma cama de casal de dossel e uma cortina branca fina de seda cobria os quatro cantos. Por cima da cortina, havia cordões de flores, ornamentando e caindo pelos suportes do dossel. Havia uma banheira grande do outro lado, cheia de água pela metade e com pétalas de rosas a decorando junto velas acesas pela beirada amadeirada que a sustentava. Uma pequena mesa de vidro para dois tinha um vaso com uma bela orquídea roxa dentro e a sacada complementava o restante da paisagem.
Levi não se importava, desde que Eren estivesse feliz – e o lugar estivesse limpo, é óbvio – tudo estava certo.
Retirando o restante das malas do carro alugado, Levi entrou no apartamento e fechou a porta atrás de si, começando a organizar as coisas enquanto Eren vasculhava todo o quarto e sorria de orelha a orelha.
—Você acha que eles dão um mapa para a gente conhecer as cachoeiras? — O garoto perguntou, saindo o banheiro e jogando-se na cama. Levi estava passando os dedos pelas superfícies e dando um “não é perfeito mas é suportável” olhar para o nível de limpeza do ambiente.
Ele respondeu sem nem olhar para o garoto.
—É só pedir na recepção.
—Ótimo porque eu quero ir na Dunn’s River Falls, no Blue Hole, ah! Tem também o White River e a gente com certeza tem que ir na Glistening Waters!! E, Levi! Vamos ver se tem algum luau ou algum festival típ-
E ele foi falando e falando e falando e em algum momento a voz era apenas um ruído longínquo na cabeça do alfa, que já terminava de arrumar as malas quando se virou para encontrar um ômega semi nu.
—Eren, o que você está fazendo?
—Eu vou para o mar. — O garoto respondeu, ajeitando a sunga e colocando a saída de praia sobre os ombros. Ele levava uma canga, protetor solar, óculos de sol e o chapéu, pronto para tomar sol menos de uma hora depois de aterrissarem.
—Sozinho? — Levi esticou a coluna, franzindo as sobrancelhas para a ideia de deixar o ômega grávido e sozinho na praia.
—Ah, Levi! O que pode acontecer? Eu estou grávido e qualquer um vê que sou atado. Além do mais não é como se eu fosse me afogar no raso! — Eren disse, nem ligando para a preocupação do outro e já saindo pela varanda.
Levi bufou com a independência do garoto e foi atrás para vê-lo abrir um sorriso brilhante quando enfiou os dedos na areia.
Ele não conseguia dizer não. Que inferno.
—Tá, mas não fale com estranhos, não vá para o fundo e não toque em nada nojento no mar! Isso inclui aquelas estrelas malditas!
—’Tá, tá, pai!! — Eren bufou, andando em direção a água com tanto poder que Levi sentiu-se impotente. Um alfa sentindo como se Eren pudesse controlá-lo num estalar de dedos.
Vamos todos fingir que isso não é uma verdade.
—Eren, não toque em sacolas plásticas no mar, podem ser águas vivas! E passa protetor na barriga!!!
Levi havia se tornado um pai antes do previsto.
—---
Depois de visitarem cachoeiras e trilhas, no quarto dia, Eren insistiu que eles fossem até a praia de Montego Bay, muito mais famosa e agitada do que a praia mais reservada onde eles estavam. Levi não conseguiu dizer não. Às vezes ele se achava tão vulnerável àquele garoto.
—Amor, você pode pegar um suco para mim?
Levi levantou os olhos do livro que lia apenas para encontrar um Eren mais moreno que o normal, com olhos mais brilhantes que o normal, com as bochechas coradas pelo sol enquanto vestia um short curto amarelo e uma saída de praia branca rendada por cima. Ele estava sentado com as pernas esticadas em cima de uma canga que tinha estendido no chão.
O alfa torceu a boca pela quantidade de areia que já estava sujando a canga mas Eren pareceu lívido, olhando-o por cima dos ombros com olhos gigantes e pedintes, cabelo curto preso em um rabo de cavalo bem pequenino.
—O que eu não faço por você, Jaeger. — Levi disse, levantando-se da cadeira e saindo da proteção do guarda sol com a carteira no bolso. O ômega riu e, sim, o que Levi não faria por ele?
O mais velho praguejou a maldita da areia quente que grudava em seus pés mesmo que ele estivesse calçado e sinceramente? Como Eren gostava daquela sujeira toda, Levi não sabia. Apesar do calor absurdo daquele lugar, o menino parecia satisfeito e Levi agradecia que pelo menos ventava nesses litorais.
Entrando no hotel pela entrada de praia, Levi deu de cara com o bar e restaurante. O resort parecia feito para os banhistas simplesmente entrarem, fazerem um pedido e saírem de volta. A decoração era feita com bambu e madeira, de uma forma que, incrivelmente, ficava bem harmonioso. Havia aquelas flores coloridas penduradas e Levi pensou que era um clima muito havaiano apesar de eles estarem na Jamaica?
Não importa. Ele só queria pegar as bebidas – no caminho até lá, tinha decidido pegar algo também – e voltar para o ômega.
Chegando ao balcão, o alfa simplesmente ordenou um suco de laranja com morango e outro de maracujá e o atendente pediu-lhe com gentileza para aguardar até as bebidas ficarem prontas, ao que o alfa assentiu solenemente e pôs-se a esperar.
O que não seria um problema tão grande se um grupo de alfas mais jovens não entrassem falando alto e exalando os malditos feromônios como se fossem uma rede de peixes atrás de qualquer presa.
Levi torceu o nariz para aquela demonstração de dinâmica desnecessária que alguns estúpidos achavam que os fazia melhores. Ele simplesmente não entendia o que se passava na cabeça de metade – ou mais? – da sociedade para achar que aquele comportamento bossal e inelegante era aceitável.
Ele bufou quando o grupo de baderneiros sentou-se algumas bancadas ao seu lado, todos ordenando bebidas alcoólicas mesmo que não fosse nem mesmo onze da manhã. Não o entenda mal. Levi não era nenhum puritano e eles tinham sua parcela de bebidas alcóolicas em casa. Mais de uma vez ele bebeu na hora do almoço, inclusive. Mas todos sabiam que se embebedar na praia, onde o ambiente calorento te fazia suar e se desidratar muito mais rápido, era estupidez.
Mas, oh, os filhos da puta eram muito mais que apenas estúpidos.
Levi sinceramente não dava a mínima para a conversa dos outros, ele apenas queria chegar logo à Eren, uma vez que seus instintos estavam mais aflorados devido ao clima e devido ao rut pendente que ele tinha suprimido com medicamentos.
Mas então, seus ouvidos pareceram ouvir perfeitamente o que o grupo dizia alguns metros dele. O grupo não, uns dois ou três alfas que, ele imaginava, tinham sua parcela de anos abaixo dele. Levi não se considerava velho, mas aqueles ao seu lado era pirralhos, principalmente pelo modo como falavam.
“Eu aposto que ele daria uma ótima foda.”
“Mano, ele estava grávido, que nojo.”
“E daí? Não é como se eu estivesse fodendo a barriga, só a bunda.” O grupo de alfas riu e Levi afiou a audição, sangue correndo ligeiramente mais rápido só com a suposição de quem eles falavam. “Deve ser uma visão gostosa de ver, ele sentando no meu pau, segurando a barriga enquanto eu o encho de gozo.”
Levi quase rugiu pela forma desrespeitosa que os filhos da puta trataram aquele ômega e agora ele só queria pegar as bebidas o mais rápido possível para poder estar ao lado e proteger o ômega dele.
“De quem vocês estão falando?”
“Do ômega grávido lá fora. Um de short amarelo. Jason aqui parece ter se interessado nele.”
Oh. Oh, não. Eles não estavam, estavam?
“Cara, se eu fosse você mantinha essa boca calada. Aquele ômega deve ser atado.” — Um dos alfas disse com um tom cauteloso e Levi pensou que se tivesse que matar a todos, ele seria o último e talvez tivesse uma chance para correr.
“Que atado, o quê, porra! Aquilo lá parece ômega atado? Deve ter engravidado depois de uma das fodas de vagabunda que t-”
Levi nem viu como aconteceu.
No segundo seguinte ele tinha a mão agarrada nos fios curtos do filho da puta, batendo a cara dele com força contra o balcão de madeira escura.
Um “crack" soou alto e todo o barulho que ocorria no restaurante desapareceu em um instante. O restante do grupo de alfas olhava-o com olhos tão arregalados que Levi jurava que eles poderiam sair das órbitas a qualquer momento.
E, aliás, aquela seria uma boa punição para aqueles que cobiçavam o que não lhes pertencia.
Com o sangue fervendo de ódio e possessividade, ele levantou o rosto daquele que achava se chamar Jason e o puxou de uma vez para trás, o loiro caindo da banqueta e soltando um gemido de dor quando as costas bateram primeiro no chão.
Houve arfadas de susto e pena dos poucos que assistiam a cena, mas ninguém ousou interferir em um confronto entre alfas. A lei permitia o confronto de dois alfas quando cortejavam um ômega e cobria ainda mais quando um deles tentava roubar o ômega do outro.
Levi entendia muito de lei e ele sabia que se quisesse quebrar cada osso dele, ainda seria respaldado.
Mas aquilo levaria muito tempo e ao mesmo tempo que seu alfa interior rugia para estraçalhar o desgraçado que teve a audácia de falar daquele jeito de Eren, ele também lamentava alto para chegar o mais rápido possível e protegê-lo.
—De. Joelhos. — Rugiu, voz numa rouquidão incomum, instintos dominantes que geralmente ficavam bem guardados vindo à tona e exigindo submissão do alfa inferior.
O garoto ainda teve a audácia de olhar para ele com raiva e confusão nos olhos enquanto se recuperava da queda mas assim que teve um vislumbre da fúria que açoitava o mais velho, o grunhido morreu no meio da garganta.
Qualquer um sabia reconhecer o olhar de um alfa enfurecido e qualquer um sabia que era imbecilidade ir contra a brutalidade de um alfa que protegia o seu ômega. Se o outro não submetesse, aquilo poderia facilmente levar um deles à cadeia e o outro ao cemitério.
E olhando a situação, todos sabiam quem não sairia dali vivo.
Fazendo um barulho patético, o loiro moveu-se lentamente, instintos dizendo que evitasse movimentos bruscos que colocassem o outro alfa mais em alerta. Com o nariz visivelmente quebrado e jorrando sangue em seu rosto, Jason pôs-se de joelhos, relutantemente expondo o pescoço em um sinal de derrota.
Se Levi quisesse – e eles ainda estivesse em tempos das pedras – poderia simplesmente quebrar o pescoço dele com um tapa e ainda iria ser visto como um alfa honrável. Mas como o bom ser humano que era, ele apenas abaixou-se, pupilas tão dilatadas que os olhos azul-acinzentados estavam quase negros.
—Vamos colocar as coisas de forma mais clara. — Ele disse, um sorriso doentio adornando seu rosto enquanto fechava uma das mãos no pescoço do outro, apertando o suficiente para privá-lo de ar. — Se você pensar, olhar ou até mesmo respirar na direção do meu ômega com esse olhar nojento e essa sua boca podre, eu vou te encontrar mesmo no inferno e arrancar esses seus olhos da cara com meus dedos. — Para deixar seu ponto claro, Levi pressionou o indicador e o dedo médio da mão livre contra as pálpebras do loiro, que tremeu e tentou puxar o rosto para trás, só para ser mais enforcado quando o mais velho trouxe seu rosto de novo.
—Estamos entendidos?
Mesmo com o rosto vermelho com a falta de ar e mesmo com os instintos querendo lutar, Levi viu o desespero nos olhos castanhos do alfa e o viu balbuciar o que deveria ser um “sim, senhor” se o garoto tivesse valor pela própria vida.
Tirando a mão do pescoço dele antes que o sangue escorresse e sujasse suas mãos, Levi o deu um olhar enojado e virou para ver que, com satisfação, os dois sucos estavam prontos e o barman encontrava-se encolhido no canto mais oposto à disputa. Olhando-o por um segundo, Levi viu o homem abaixar a cabeça em respeito e largou uma nota no balcão enquanto pegava as bebidas e dirigia-se para a saída.
—Mantenha o troco. — Disse e agradeceu mentalmente por ter escolhido suco de maracujá, afinal de contas, não diziam que essa merda acalmava?
Ele chegou até Eren rapidamente, mais rapidamente do que tinha chegado no restaurante quando queria se esconder do calor e do sol lá fora.
O ômega parecia alheio ao mundo a sua volta, um sorriso leve no rosto enquanto apreciava a brisa de olhos fechados. Tais olhos turquesa se abriram apenas quando o garoto sentiu o cheiro do alfa próximo e quando Levi estava ao seu lado, Eren franziu as sobrancelhas.
—Você cheira a... — Eren puxou uma respiração profunda como se para provar seu ponto. As sobrancelhas se franziram mais ainda e Levi jogou-lhe um olhar desinteressado enquanto se sentava na cadeira com os dois copos na mão. — Levi, por que você cheira a alfa, outro alfa, em pânico??
—Ensinando uma lição para um filho da puta aí. — O alfa respondeu enquanto estendia o suco para Eren com gentileza, como se seu corpo não exalasse possessividade e fúria.
Eren pegou o suco de morango com laranja de olhos arregalados e depois olhou com reprovação para o mais velho.
—Levi! O que aconteceu??
Levi deu de ombros e se afundou na paz que era estar perto de seu ômega, sentindo a brisa do mar contra seu rosto, usando óculos de sol para proteger sua visão e exalando a fúria de um alfa protetor que afastou todos as pessoas num raio de cinco metros.
—---
Na mesma tarde daquele fatídico dia, depois que Eren conseguiu acalmar os instintos do alfa e descobrir o que tinha acontecido para deixá-lo daquela forma, eles decidiram caminhar na praia durante o pôr do sol.
Agora Eren usava um kimono longo todo colorido que Levi tinha achado horrível mas que em Eren tinha ficado bonito. A roupa cobria a barriga, mas a brisa do mar e a forma do corpo de Eren deixava bem claro que ele carregava uma criança.
Ambos andavam lado a lado, mãos atadas e Eren ia do lado do mar, deixando seus pés serem molhados pela maré que aos poucos ia abaixando. O fim de tarde foi marcado pelo sol se pondo no horizonte, refletindo seus raios nas poucas nuvens no céu, as quais ficaram rosadas, e banhando o mar com um tom alaranjado que fazia os olhos do ômega brilharem.
Levi, por sua vez, estava contente em apenas apreciar a brisa no rosto depois de um dia na praia, seu rosto num tom avermelhado enquanto Eren tinha um bronzeado injusto nem sem sequer tentar. Ele agradecia pela maré ter deixado a areia molhada e dura no chão, já que areia fofa era um sacrifício ainda maior para limpar.
—Eu queria que o bebê nascesse no mar. — O ômega soltou baixinho enquanto mantinha os olhos nas ondas calmas que açoitavam a areia.
Levi franziu as sobrancelhas.
—Você quer que o bebê seja um surfista? — Eren riu e se jogou na direção do alfa, ganhando um braço ao redor da cintura e um olhar confuso do mais velho.
—Não! — Eren pôs o braço ao redor do pescoço dele e encostou as testas, fechando os olhos e apreciando a companhia e o barulho das águas.
—Eu não queria que ele nascesse naquelas paredes horríveis do hospital.
—Ômega, é perigoso ter um bebê sem médicos por perto. — Levi franziu ainda mais o rosto em preocupação. Apesar de fazer todos os gostos do garoto, ele não permitiria um parto sem médicos, uma vez que não conseguiria lidar com a hipótese de algo dar errado e afetar os seus meninos.
—Eu sei, eu sei! — Eren afirmou, afastando-se e fazendo um biquinho. Levi soube que aí vinha coisa. — É por isso que eu pensei em um parto na água? — Os olhos pidões estavam lá, olhando para o alfa como se Levi tivesse obrigação de saber o que caralho era um parto na água.
—Que porra é essa?
A única coisa que ele imaginou foi enfiar Eren em instrumentos de mergulho e dar à luz ao bebê no leito de um rio.
Isso era loucura.
Eren o olhou com a expressão impassível e Levi arqueou as sobrancelhas como se perguntasse “como você quer que eu saiba sobre partos?”. O garoto bufou e revirou os olhos.
—Parto na água é quando eu fico dentro de uma banheira com água quente e o bebê nasce nela. Dizem que é muito mais rápido e menos doloroso, além de ser confortável para o bebê. — Eren explicou sucintamente enquanto eles voltavam a andar.
—E se o Abba afogar? — Levi perguntou, realmente preocupado com a criança vir ao mundo numa piscina e se afogar nos primeiros segundos de vida. Seu alfa interior já balançava a cabeça com descontentamento.
—Então, dizem que o bebê não respira pelo pulmão nos primeiros vintes segundos, então dá tempo de tirar e ele não afogar.
Levi manteve-se calado, pensando no que o parceiro disse. Por fim:
—Você andou pesquisando isso?
—Sim! — Eren logo choramingou. — Eu estava pesquisando sobre partos e, Levi, a coisa é horrível!! — Agora os olhos verdes estavam arregalados. — Eu não sei como o Abby vai sair de mim daquele jeito!! E então eu fui procurar algo alternativo menos doloroso e...feio e então veio o parto na água e o bom é que você ainda pode entrar comigo e me dar o apoio enquanto...bem...ele sai de mim... — Terminou com o voz baixa, subitamente envergonhado por ter um bebê saindo dele.
Foi a vez de Levi revirar os olhos. Agora ambos estavam de mãos dadas, caminhando de forma clichê em direção ao pôr do sol.
—Podemos trazer a opção para a Hanji. Do jeito louco que ela é, não duvido nada que ela vá concordar. — Levi cedeu, ainda meio relutante.
—Sim! Sim! — O garoto pulou para cima e para baixo, ansioso para conversar todos os meios e detalhes com a médica.
—Mas! — O mais velho ressaltou e Eren parou para prestar atenção. — Só se não houver nenhum perigo para você e para o bebê. E com a condição de ser feito em um hospital.
Eren murchou como um balão.
—Mas Levi...! — De novo os olhinhos de cachorro, mas dessa vez o alfa não cederia. Ele não poderia lidar com a ideia de algo dar errado colocando em risco a vida de Eren e do filhote deles.
—Não, Eren, a gente aluga um quarto, compra uma piscina plástica, se você quiser a gente põe a porra de um papel de parede com o mar e sons de ondas, mas eu não vou arriscar ter um parto em casa quando há o mínimo risco para vocês dois. — Levi disse, voz séria e irredutível, os dois parando a caminhada para discutir.
O moreno abriu a boca duas vezes, buscando algo para contrariar o homem, mas no final só chegou à conclusão de que ele tinha razão. E, bem, ele tinha conseguido fazer Levi entrar com ele em uma piscina com água, sangue e todos os fluídos de gravidez, então já podia considerar-se um vencedor.
Eren, então, sorriu e deu um beijo rápido nos lábios fechados do alfa, passando a andar com pulinhos enquanto falava como ele imaginava que seria o nascimento, como ele estava com medo de não conseguir, como ele tinha receio do quanto de dor sentiria, e no meio do monólogo Levi achou uma concha ligeiramente grande na beira da água, ainda sendo banhada pelas ondas.
Parando subitamente sem o garoto perceber, ele abaixou-se e avaliou a concha, tocando na superfície e achando-a limpa, já que a água não deixava que a areia grudasse na carapaça.
Ele olhou da concha para um Eren que continuava andando distraído e depois para a concha novamente e franziu os lábios pela ideia que passou na cabeça.
Levi pensou se era uma ideia estúpida, uma vontade apenas movida pela possessividade que ainda permanecia em seu corpo desde o incidente da manhã, mas no fundo ele sabia que não era. Ele e Eren tinha um nível de cumplicidade que o alfa jamais imaginou que fosse atingir com alguém. Ele nunca pensou que algum dia fosse amar alguém ao ponto de querer constituir uma família e ter um filhote, logo ele que nem gostava de pirralhos com nariz escorrendo.
Mas com Eren tudo era diferente. O garoto era a exceção da vida dele.
—Oh! O que é isso, uma concha?? — Quando o ômega finalmente percebeu que estava andado desacompanhado, virou-se para trás para encontrar o mais velho ajoelhado próximo a água com uma concha grande e espiralada na mão. Ele aproximou-se rapidamente e apoiou-se nos joelhos, olhando com curiosidade para o objeto.
Levi olhou para si com uma expressão indecifrável, depois olhou para a concha e fechou os olhos por alguns segundos.
Eren observou confuso quando o alfa virou o tronco e passou a ficar ajoelhado na sua frente, concha na mão como se a oferecesse ao garoto.
—Eren, quer casar comigo?
O de olhos cerúleos puxou uma respiração surpresa, dando um passo para trás automaticamente e uma mão voando para segurar a barriga. Levi o encarava sério, determinado a ganhar uma luta que já tinha acontecido antes. E assim como a primeira vez, Eren não pôde acreditar que estava sendo pedido em casamento de novo pela pessoa que amava.
—Levi... — Eren sussurrou surpreendido. Ele não sabia para onde olhar, para o rosto do homem, para a concha, para a situação como um todo e o jeito direto do alfa não lhe dava tempo para pôr o coração no lugar.
—Eu sei que já somos noivos, mas dessa vez é um pedido com data marcada.
Eren ficou ainda mais surpreso, uma vez que não pensava que Levi achava tão importante um compromisso de casamento quando eles já estavam ligados da forma mais íntima possível, ou seja, com uma ligação de alma e um filhote.
Levi continuou falando, e o ômega sabia que quando ele começava a falar sem parar, era porque estava nervoso. E, sinceramente? Aquilo fez o coração de Eren amolecer. Ele já era noivo daquele baixinho, por que ficar nervoso se a resposta não poderia ser outra além de “sim"?
—Eu também sei que você acha casamento uma estupidez, e eu concordo. Mas, Eren, nós não somos os seus pais e nem os meus pais. Um casamento é feito pelas duas pessoas e depois de tudo que passamos e da sua capacidade de lidar comigo e com a minha mania de limpeza, eu sinceramente duvido que alguma coisa pode dar errado.
Eren encarou com olhos brilhantes e gigantes, pela primeira vez calado e pensando seriamente no que estava sendo proposto. Levi trazer à tona o assunto de sua mãe, Kuchel, que era uma prostituta e engravidou de um cliente, era sinal que ele estava sério quanto a isso.
—Levi, você tem certeza q-
— Ômega, você está grávido, nós somos atados, moramos juntos há 3 anos e eu só quero que você use um anel do tamanho de um planeta, de preferência com uma foto minha dentro para nenhum filho da puta pensar em cortejar você.
E cortejar se nós formos colocar em uma forma educada. Eren não pôde evitar e riu ao imaginar a cena, seu ômega interior correndo em círculos extasiado.
—Esse foi o pedido de casamento mais original que eu já vi! — Ele olhou para o alfa com um olhar terno. Levi revirou os olhos, mas Eren viu o modo como ele estava envergonhado. Se não fosse a pele já queimada pelo sol, o ômega jurava que Levi estava corado.
—Você aceita?
Eren não precisou pensar, ele deu um sorriso ao mesmo tempo afetado e envergonhado.
—Sim, eu aceito o seu anel do tamanho de um planeta com uma foto sua dentro. — Levi deu um suspiro aliviado, já pensando em passar a concha para o garoto como símbolo do pedido. — Mas!
E então ele voltou toda a atenção para cima, sobrancelhas finas atadas e a expressão duvidosa. O sorriso de Eren tornou-se malicioso num piscar de olhos.
—Mas com a condição de que a foto seja um nude seu. — Ele disse pausadamente, querendo se certificar que o alfa entendeu a provocação por trás da frase. O alfa o olhou inexpressivo por alguns segundos e depois um sorriso de canto malicioso se formou em seu rosto também.
—Um ômega grávido não deveria dizer isso. — Ele devolveu a provocação e o sorriso do ômega cresceu mais ainda, ele dando de ombros enquanto falava a próxima frase, a vontade de rir de felicidade quase estourando em sua garganta.
—Tudo bem, um nude seu e um nude do Abby dentro.
Levi revirou os olhos. A pobre criança já estava sendo posta no meio da tensão sexual dos dois. Como se soubesse que estava sendo citado, Abby chutou e Eren acariciou a barriga por um tempo, ambos em silêncio e a brisa entre os dois. Levi usou o tempo para se levantar e limpar a areia dos joelhos.
—Promete que vamos pensar em uma data? — Eren perguntou baixinho e vulnerável, olhando para o anel de noivado em uma mão e depois para o companheiro.
—Sim, depois que o Abby nascer.
—Ok. — Eren mordeu os lábios, bochechas coradas e olhos verdes com um brilho fenomenal, quase como se seus olhos estivessem banhados em lágrimas. — Então nós vamos casar? De verdade?
—Sim. — Levi afirmou com a cabeça, e Eren achou hilário porque não era como se ele estivesse fechando um acordo com algum cliente.
—E você vai usar o vestido de noiva? — Ele chacoalhou as sobrancelhas e viu a tensão sair dos ombros do alfa rapidamente.
—Todos sabemos quem vai usar o vestido de noiva, mama. — Levi devolveu, um sorriso pernicioso enquanto passava a concha para o ômega. Mas então a expressão do alfa mudou de maliciosa para horror em um segundo e quando o moreno olhou para baixo, viu um bicho cheio de pernas sair da concha e prender a garra em um dos dedos pálidos e longos do alfa.
—Que porra?? — Eren gritou, afastando-se automaticamente e os olhos de Levi ficaram do tamanho de um prato enquanto ele puxava a mão atacada e balançava os braços loucamente tentando retirar o bicho nojento de seus dedos.
Eren olhou a cena por alguns segundos sem saber o que pensar até que percebeu que Levi chacoalhava os braços tão rápido que não passavam de um borrão.
—Porra, merda, filho da puta!!! Mata essa porra!!!
Eren explodiu em risadas com o pânico que se pôs na feição do alfa, xingamentos escorrendo da boca dele como uma língua materna.
—O-oh, m-meu Deus!! — O ômega curvou-se sobre os joelhos, rindo aos quatro ventos, lágrimas descendo pelas bochechas e algo quente escorrendo pelas pernas. Ele nem ligou, muito preocupado com o ataque do outro. -O alfa mais forte dessa ilha abatido por um siri!!! — E mais risadas altas saíram de sua boca.
Quando Levi finalmente conseguiu se desvencilhar do animal, siri para um lado e concha para o outro, ele assistiu com horror e nojo o crustáceo correr com aquele monte de pernas em direção ao mar e virar apenas um borrão nas águas caribenhas da Jamaica. E quando ele percebeu que seu ômega tinha ficado subitamente calado, voltou o olhar para o garoto, que agora tinha o rosto corado até as orelhas e uma expressão envergonhada enquanto olhava para as próprias pernas.
Eren tinha rido tanto que urinou em si próprio.
Levi ficou dividido entre sentir nojo e ficar incrédulo. O rosto do mais novo ficou ainda mais vermelho quando percebeu que estava sendo observado e ele franziu as sobrancelhas embaraçado e reclamou.
—Não me julga!! Esse filhote pisa na minha bexiga como se fosse um tapete!!
Com o dedo da mão esquerda latejando, Levi apertou os dentes e simplesmente disse com uma voz baixa e rouca e forçadamente calma.
—Para o mar.
Eren não esperou um segundo para entrar no mar de roupa e tudo e se lavar.
—---
Na última noite deles na Jamaica, um luau acontecia numa praia próxima a que eles estavam hospedados. Apesar do cansaço de pegar sol o dia inteiro, Eren insistiu que fossem.
Levi franziu as sobrancelhas para o quão vermelho o garoto estava, no mínimo uns dois tons acima da coloração normal de pele e ele apenas concordou se Eren bebesse no mínimo dois litros de água para evitar desidratação.
Eren disse que ele não precisava se preocupar, que eles teriam tempo suficiente para descansar em casa e que se ele tomasse mais uma gota de água, iria mijar na cara do alfa.
Levi não quis imaginar a cena.
No fim, ele não tinha opção a não ser ir com o ômega ou deixá-lo ir sozinho. E apesar de sete dias em euforia, indo de praia a praia e procurando cachoeiras e pontos turísticos, o luau não foi nada lotado, para o alívio do mais velho.
Muito pelo contrário, parecia que pouca gente sabia da celebração e no máximo umas 20 ou 30 pessoas estavam espalhadas pela areia branca, ondas rebentando longe devido à maré baixa. A luz minguante iluminava parte da praia e a outra parte ela iluminada com lanternas rústicas que eram presas a bambus enfiados na areia. Havia tapetes de madeiras com almofadas de diversas cores em cima distribuídos ao redor de uma fogueira baixa que sobrevivia bravamente à brisa. Algumas pessoas deitavam nos tapetes, outras em toalhas de praias coloridas e havia uma moça vendendo água de coco e algumas comidas típicas enquanto outra vendia colares e coroas de flores jamaicanas.
Um pequeno palco foi improvisado na areia, um homem sozinho tocando violão e cantando com uma paixão que fez os olhos verdes de Eren brilharem.
Eren ignorou o bufo que o alfa deu para a ideia de sentar na areia e puxou-o consigo para irem até um dos tapetes apreciar a música e o som. No entanto, ele foi parado assim que passou pela negra que tecia os acessórios, a qual segurou-o pelo braço e observou sua barriga.
—Um ômega macho grávido? — Ela perguntou, olhos azuis vidrados na figura do pequeno.
Eren, surpreso, parou no mesmo instante e encarou a mulher confuso, boca entreaberta sem saber o que falar.
—Uhm... sim... — Respondeu incerto, olhando para o alfa, o qual franziu as sobrancelhas e chegou mais perto para passar um braço pela cintura do ômega em proteção.
Apesar de raro, algumas pessoas ainda achavam ômegas machos grávidos uma afronta e outras achavam que bebês gerados por ômegas machos eram mais fortes ou mais férteis, dependendo do secundo gênero. De qualquer forma, a mulher não deixava mostrar expressão o suficiente para eles saberem se ela encarava a gravidez como algo bom ou ruim.
Vendo-a assentir e virar-se para procurar algo dentro de uma bolsa de palha, Eren olhou com insegurança para o parceiro, que parecia observar cada pequeno movimento da mulher, como se estivesse pronto para parar qualquer ação que pudesse machucar seu ômega e seu filhote.
No entanto, a negra voltou a dirigir-se a eles com uma pulseira na mão, uma pulseira trançada com palha e um pingente de pedra negra.
Eren assistiu boquiaberto quando a moça lhe beijou o pulso que ainda segurava e passou a pulseira ao redor dele.
—Para proteção contra inveja e raiva. — Disse, enquanto amarrava a palha de forma segura. – Ômegas machos são um presente da Mãe Natureza e devem ser protegidos. Gerar um filhote é um agradecimento a Ela pelo milagre que Ela concedeu. — Com um tom sagrado, ela soltou o pulso de Eren e pegou o de Levi, que a olhou com sobrancelhas atadas em confusão. — Você, meu filho, tem sorte por ter um ômega que te ama ao ponto de te dar um filhote. — Novamente, ela beijou o pulso de Levi com reverência. — Cuide do seu ômega e do seu filhote com a sua própria vida.
E como se nada tivesse acontecido, ela voltou a fazer seus colares sem nem mesmo voltar o olhar para eles.
Eren e Levi se entreolharam confuso e o alfa pegou a carteira para puxar de lá uma nota pela pulseira.
—Quanto é a pulseira?
Imediatamente a negra de olhos azuis levantou a cabeça, olhos brilhantes e um sorriso gentil se espalhando por seu rosto como se a interação que ocorrera há alguns segundos não tivesse existido.
—Oh, boa noite! — O olhar vagou entre eles e ela juntou as mãos em reverência quando notou a barriga de Eren. — Um ômega grávido!! Que maravilha!!
O moreno a olhou ainda mais confuso e Levi bufou com o joguinho da mulher.
—Eu perguntei quanto era a pulseira.
—Desculpe? Eu não vendo pulseiras. Só colares e coroas. — Ela sorriu gentil, dentes brancos e aliados contrastando com a pele escura. — Gostaria de levar uma coroa de flores?
E Levi nem soube como, mas logo Eren tinha uma coroa de flores coloridas na cabeça e um coco na mão enquanto os dois estavam deitados em um dos tapetes cheios de almofadas.
—Você acha que aquela mulher era mística? Por que os olhos dela mudaram totalmente em questão de segundos. — O ômega perguntou, sugando a água do coco com olhos grandes observando o alfa.
Levi estalou a língua, enquanto comia um espetinho de queijo que só comprou porque viu o vendedor cortando o queijo na hora e sabia que não era anti-higiênico.
—Ela era louca, isso sim.
Eren deu uma risadinha e voltou a prestar atenção no cantor, que agora começava a tocar notas que ele jurava que conhecida.
E então quando a música começou, os olhos verdes se arregalaram levemente e ele olhou para o alfa com animação.
—Levi! Dança comigo!
O alfa arqueou uma das sobrancelhas quando os primeiros acordes de Stand By Me começaram a tocar, num ritmo meio reggae, meio havaiano e antes que ele pudesse negar, seu ômega já estava de pé, olhos brilhantes olhando-o esperançoso.
—Eren, n-
—Por favoor!!! — Ele arrastou a voz, um bico característico nos lábios cheios e a figura de um ômega grávido em pé e implorando fez algumas pessoas próximas olharem para o alfa com indignação.
Com um suspiro metade resignado e metade irritado, o moreno levantou-se, batendo nas pernas para se livrar dos grãos de areia que ousaram tocar-lhe. Levantando o rosto, ele aproximou-se do ômega, segurando no quadril e franzindo as sobrancelhas quando sua barriga musculosa colou com a barriga de sete meses de Eren.
—Eu sinto como se tivesse um mundo entre a gente. — Ele murmurou, olhando para a cena.
Eren riu, pouco se importando e começando a sentir os acordes da letra. Assim como dizia, Eren não sentiria medo enquanto Levi estivesse ao seu lado. E ainda que o céu desmoronasse sobre eles, Eren agradeceria por estar aí, naquele instante.
Com olhos brilhantes e um sorriso cheio de sentimentos, ele apreciou o coro da música e enlaçou os braços ao redor do pescoço do alfa.
—É quase um pequeno mundinho, o pequeno Abby. — Eren sussurrou, quase como se tivesse segredando a magia que era gerar outra vida junto com aquele que amava.
—Um pequeno mundinho que está aumentando a distância entre nós. — O alfa reclamou, mas Eren sabia que era da boca pra fora. E quando Levi levantou o olhar para observar o ômega mais alto que si, o moreno soube do que se tratava.
Ele não achava que poderia sorrir mais do que já estava, completamente tomado pela emoção que a música causava em si.
—O quê? Preocupado em não alcançar os meus lábios? — O ômega riu, balançando as sobrancelhas para o alfa.
Levi imediatamente atou ainda mais as sobrancelhas e deu uma apertada em sua cintura como aviso, mas para Eren não passou de cócegas.
—Calado antes que eu te jogue nessa areia e te faça de frango empanado.
O riso de Eren foi tão alto que algumas pessoas observaram o casal que agora dançava completamente sem ritmo, apenas agarrados um ao outro enquanto rodavam em torno do próprio mundo. A música agora tocava os últimos acordes, o refrão implorando para o seu amor sempre ficar ao seu lado.
—Cruel, alfa, cruel. — Ele deu um beijo na testa do mais velho, e encostou a bochecha ali, cabeça virada e olhos focados na areia iluminada pelas lanternas, brilhando dourada até ser engolida pelo mar escuro que refletia a lua. Ao fundo, o som das pessoas rindo, do ukulele sendo tocado, das ondas quebrando, do vento soprando e do coração do seu amor batendo.
A única crueldade ali era aquele momento não poder durar para sempre.
No, I won'tbeafraid
Oh, I won'tbeafraid
Just as long as you stand
Stand by me
—Stand By Me, Ben E. King.
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