Nine Months
8 Eight Months
Notas iniciais
A campainha do apartamento tocou três vezes com impaciência e Eren revirou os olhos – o que a convivência não faz, certo? — e foi abrir a porta.
Ele vestia uma calça de moletom velha e folgada e uma blusa branca manchada de azul de amaciante, o cabelo preso em um rabo de cavalo pequeno e os pés descalços. Mas isso não importava para as pessoas que aguardavam no corredor.
Ele abriu a porta e lá estavam todos os seus amigos.
—Quem foi que convidou o Jean? — Foi a primeira coisa que saiu da boca do moreno, dando espaço para seus amigos entrarem um por um. Jean, Marco, Ymir, Krista, Armin, Reiner, Sasha, Connie, Bertoltd, Annie e sua irmã Mikasa.
Todo o esquadrão estava ali, com roupas velhas por baixo dos casacos e prontos para uma missão importante.
—Você mesmo. — Armin passou e deu-lhe um beijo na bochecha.
Krista deu-lhe um sorriso, Ymir um aceno, Jean já foi entrando com um Marco sorrindo envergonhado, Reiner deu-lhe uns tapas masculinos nas costas, Annie e Bertoldt um aceno, Connie e Sasha foram direto para a cozinha e Mikasa deu-lhe um abraço apertado – bem, tão apertado quanto a barriga de oito meses permitia.
—Eren, como você está? — A morena perguntou, olhar sempre preocupado como uma mãe, enquanto assistia o ômega fechar a porta e acenar com a mão como quem despensa a preocupação.
—Bem, não se preocupe, Mika.
—Mas você tem certeza que vai poder pintar o quarto hoje? Você não pode se cansar demais, ou fazer muito esforço e, Eren, o cheiro pode fazer mal para você e o bebê-
E ela começou a murmurar preocupada todos os “e se’s” que vinham na cabeça de tia dela. Eren sorriu gentilmente, tentando não se sentir pressionado com aquela super proteção – já bastava o outro Ackerman – e começou a empurrar a garota para sentar em um dos sofás.
—Vocês estão aqui para me ajudar então não tem porque ficar preocupada. — Disse quando conseguiu fazer a irmã sentar e depois olhou para os amigos com as mãos na cintura.
Até que Jean resolveu abrir o bocão.
—Eren, você tem certeza que não vai explodir a qualquer momento? — O alfa perguntou, olhos ligeiramente arregalados e observando a barriga escondida pela blusa. — Por que quando você abriu a porta a primeira coisa que eu vi foi essa bola flutuante! Certeza que dá para espocar com uma agulha igual um balão!
Reiner riu das besteiras que saiu da boca dele, alguns revirando os olhos e Marco parecendo envergonhado.
—Jean, não é assim... — O moreno de sardas até tentou ajustar a situação mas Eren apenas bufou porque agora ele era uma pessoa evoluída, ele conseguia lidar com as pessoas falando o quanto ele se transformou em uma bola, sim ele pod-
—Cala a porra da boca, Jean, eu tenho dó do Marco se ele decidir ter filhotes e acabando parindo cavalos.
Sim, muito evoluído. Ainda mais com todo a paciência que ele não tinha, a qual era drenada pelas dores nas costas, barriga e pernas.
Jean fez um gesto com a mão como se mostrasse o seu ponto, olhos arregalados olhando o restante da turma.
—Vocês viram? E isso é porque ele está se tornando mãe! — Agora com as mãos em rendição, Jean se recostou no encosto do sofá e Eren o deu um olhar fulminante antes de pôr um sorriso no rosto e se dirigir aos amigos.
—Gente, muito obrigado por terem vindo e, mesmo que eu não esperasse que viessem todos, fico feliz de ter vocês aqui. — Ele sorriu gentilmente e nem Jean provocou dessa vez.
Eren estava brilhando com a gravidez, como se ele pudesse flutuar com os hormônios da maternidade, sempre mantendo uma mão na barriga como se protegendo a cria.
—É claro que a gente viria, Eren! — Mikasa disse, como se ela jamais fosse perder um segundo da vida do irmão e Armin balançou a cabeça concordando.
—Ah! — A pequena Krista interrompeu, chamando a atenção de todos quando retirou da bolsa um embrulho e levantando-se do sofá para chegar até Eren. O moreno observou a movimentação, olhos indo do rosto da loira até o embrulho e ele tinha expressão surpresa no rosto. Quando Krista chegou perto, ela sorriu feliz. — Eu vi isso quando estava no shopping e não consegui não comprar. — Ela disse, rindo gentilmente e entregando o presente.
Eren pegou o embrulho hesitante e antes mesmo de abrir, deu um abraço na garota e devolveu a felicidade com um sorriso grande.
—Krista, não precisava, mas eu agradeço. — Ele a deu um beijo na bochecha, mas ela pareceu mais animada com o presente e apenas dispensou todas as formalidades e o incentivou a abrir o presente.
Segundos depois, Eren tinha uma embalagem de chupeta na mão. Não qualquer uma, mas uma destinada a bebês até 3 meses, verde transparente e em formato de ursinho. O ômega olhou do presente para a amiga e depois para o presente novamente e logo as lágrimas se acumularam na linha d’água de seus olhos enquanto segurava o presentinho próximo ao coração e sorria agradecido à Krista.
—Uma hora ele grita e outra hora ele chora! — Jean sussurrou para Marco, fingindo estar assustado, mas todos foram capazes de ouvir e então a magia foi quebrada quando o ômega o olhou fulminante e começou a guiar todo mundo para o quarto de hóspedes que se tornou o quarto do pequeno Abby.
—O Levi vai vir? — Armin perguntou quando entraram no quarto, Reiner, Jean e Ymir começando a querer se mostrar para os parceiros e levantando latas de tinta desnecessariamente.
O quarto estava vazio, uma vez que os móveis chegariam na próxima semana. Havia apenas jornais espelhados pelo chão e as paredes brancas esperando a serem pintadas de tons de azul e cinza para fazer a decoração de nuvens e pisca-pisca funcionar.
—Não, ele odeia bagunça e hoje é dia de trabalho.
O loiro riu.
—Odeia bagunça e vai ter um filhote.
Eren ri também e todos começam a trabalhar, de um jeito meio bagunçado e com Eren dando ordens como uma mãe mas com muito amor e risadas.
—---
No final, eles foram obrigados a fazer várias pausas quando Eren reclamou que o cheiro da tinta estava dando-lhe enjôo.
—Mas você nem está pintando! Só está aí dando ordens! — Foi a resposta de Jean, que prontamente recebeu um tapa atrás da cabeça e um olhar de Marco que dizia claramente “cala a boca, ele está grávido”.
Ah, a desculpa de estar grávido era uma maravilha. Eren ia sentir saudades.
A resposta do moreno foi dizer que todos da espécie humana ganhariam cookies e como Jean era um cavalo, ele estava de fora. Os amigos seguiram para a sala felizes com a perspectiva de comida de graça enquanto Jean ia pedindo para Marco usar seus poderes de ômega para convencer Eren a dar cookies para ele também.
Enquanto boa parte sentava no sofá e conversavam e riam em bom tom, Eren foi até a cozinha acompanhado de Armin para checar se os cookies já estavam assados.
—Você está melhor? — O loiro perguntou, enquanto se abaixava e olhava através do vidro do forno os cookies dentro da forma.
—Uhum... — Eren murmurou, após beber mais um copo de água, o que ajudava a lidar com o enjôo e com o olfato sensível que a gravidez o proporcionou.
—Certo... — Armin respondeu, ainda olhando para o forno mas com a cabeça bem longe. No entanto ele não se levantou, ficando sentado ali e recebendo um olhar engraçado de Eren.
—Ok, garotinho, não importa o quanto você olhe, os cookies não vão assar mais rápido! — O moreno riu, deixando o copo vazio na pia e encostando-se na pia pra ver o rosto de Armin ficar vermelho.
O loiro deu um sorriso sem graça ao perceber que foi pego em seus próprios pensamentos e levantou-se coçando a nuca.
—Uhm...Y-yeah... — Ele disse e foi andando em direção à sala com Eren o olhando com uma sobrancelha arqueada e dando de ombros para a estranheza do amigo.
Até que Armin parou na entrada da cozinha e virou-se claramente nervoso enquanto mordia os lábios. Dessa vez, Eren o fitou confuso.
—Na verdade, Eren... — Disse, olhando para qualquer lugar menos o amigo e batendo o pé no chão.
—Sim...? — O moreno tentou incentivar, olhos esmeraldinos escaneando as mãos do amigo segurando na barra da camisa fortemente como apoio.
Ali vinha coisa.
—E-eu gostaria de falar, hm... T-tem uma coisa... — E mais uma vez, o loiro se perdeu nos próprios pensamentos, algo atípico de Armin, que sempre tinha respostas espertas na ponta da língua.
Eren revirou os olhos percebendo o quão fora de caráter o garoto estava agindo e então ele resolveu usar os métodos de Levi.
—Só cuspa logo. — A frase soou quase agressiva para Armin, mas isso era porque ele não espera que Eren fosse tão direto. Os olhos azul-bebê olharam para o amigo arregalados e o loiro manteve a boca meio aberta em surpresa quando Eren o olhou com mãos na cintura e duas sobrancelhas arqueadas.
—Isso... — Armin começou, soltando a barra da camisa e passando uma mão suada pelos fios amarelados. — Isso soou como o Levi. — Terminou, respirando fundo e fechando os olhos para se recuperar do pânico momentâneo que o tomou.
Eren riu, ainda que estivesse curioso e preocupado com o que pôde ter feito seu amigo agir daquela forma.
—Bem, é um método que sempre funcionou comigo. — Ele deu de ombros e puxou uma cadeira para se sentar, dando um olhar para o outro ômega fazer o mesmo.
Armin começou a pensar que Eren estava aos poucos cada vez mais instintivo, mas ele agradeceu a ideia de se sentar. Assentindo com a cabeça, o loiro puxou a cadeira de frente para o amigo e sentou-se lá, fitando a mesa como se ela tivesse culpa da bagunça que estava seus pensamentos.
—Quando você quiser. — O de olhos verdes disse, sabendo, depois de anos de amizade, que Armin tinha algo importante para falar.
Antes, ele demorava a admitir da mesma forma quando Eren e Mikasa tentavam sabem qual dos vizinhos encrenqueiros bateu nele. Armin sempre se sentia muito fraco e muito inútil quando aquilo acontecia e seu orgulho não queria que os melhores amigos tomassem essa pequena batalha diária para eles. Ainda mais Eren, que sempre foi tão forte e independente mesmo tendo o estigma de ômega em suas costas.
Quando eles foram crescendo, essa baixa autoestima foi começando a melhorar e logo Eren, aquele que tinha uma certa aversão contra alfas, simplesmente encontrou um que fez com que ele tivesse a ideia de ser marcado. Eren lembra bem que alguns anos atrás era ele naquela posição, tentando contar para Armin e Mikasa que ele tinha encontrado alguém que o fizesse se sentir livre e vivo ao mesmo tempo.
Portanto ele daria o tempo que o garoto quisesse para falar, mesmo que a curiosidade começasse a corroê-lo por dentro. Talvez o garoto tivesse decidido mudar de curso na faculdade? Talvez fosse algo com o avô de Armin? Ou com os pais dele que sempre estavam viajando o mundo como fotógrafos da vida selvagem? Talvez o ômega tivesse passando por algum problema financ-
—Eu encontrei um alfa.
A frase veio como um soco para Eren, que arregalou os olhos instantaneamente assim que ouviu a confissão.
Tudo bem, talvez a comparação tinha sido certeira demais.
Eren ficou embasbacado, nunca imaginando que Armin, o pequeno e frágil e loirinho Armin, o Armin que nunca tinha beijado e só pensava em estudos, tinha encontrado um alfa! Claro, ele era um ômega, mas isso não queria dizer que ele tinha que arrumar alguém – supressantes serviam para isso! Além do mais, Eren sempre achou que Armin não confiasse em alfas como ele e que provavelmente iria atrás de um beta? Ou uma beta? Ou-
—Um alfa? Quando? Quem? Armin, você tem cert-
O moreno começou a disparar perguntas quando o mais inocente do grupo deles tinha acabado de admitir que tinha desejo sexual! Logo Armin!
Meu Deus, Eren não queria pensar nisso! Armin era tão novo! Tinha tanto a viver! Arrumar um alfa? Uma família? O que se pass-
—Há oito meses.
—Oito meses?! — Eren quase saltou a cadeira, uma mão seguindo instintivamente para a barriga e olhos verdes focados no amigo. — Armin, oito meses?! Como assim?! Por que eu não soube, o q-
—Eu não queria falar! — Armin aumentou a voz o suficiente para Eren perceber que aquele era o momento dele. Imediatamente, o moreno deixou as palavras morrerem em sua boca e Armin começou a vomitar informação que vinha o corroendo todos aqueles meses. — Não é como se eu não quisesse contar para o meu melhor amigo! — Armin disse e foi como se uma estaca fosse enfiada através do peito de Eren, que o olhou visivelmente machucado.
O ômega loiro pareceu perceber a frase e soltou um grunhido frustrado, olhando desesperado para o amigo e estendendo uma mão por sobre a mesa para alcançar a mão livre de Eren.
Eren continuou calado, olhos ligeiramente traídos mas um fogo o ordenando a continuar falando.
Armin engoliu em seco e fechou os olhos com força a fim de tentar controlar seus próprios hormônios que reagiam ao aroma de gravidez de Eren.
Quando ele finalmente abriu a boca era para falar num tom mais baixo, calmo, sério e confidencial.
—Eu não sabia se ia dar em alguma coisa e não quis dizer antes de ter certeza e então... — Armin levantou seus olhos azuis e olhou para qualquer parte da cozinha menos para o amigo. — E então você ficou grávido e eu sabia que você ia reagir com muito mais afinco por causa dos hormônios quando soubesse.
—Armin, eu-
—Era o seu momento! — O garoto o interrompeu, apenas para ter Eren retrucando de volta.
—E você achou que eu ia ficar com ciúmes de você sendo feliz? Achou que eu queria toda a atenção para mim? Armin! — Eren o olhou visivelmente ofendido.
—Não! — O loiro devolveu. — Eu só não queria que você ficasse preocupado comigo e até mesmo Erwin disse q-
—Erwin?! — Bem, dessa vez, Eren levantou da cadeira e Armin fez o mesmo só por instinto, olhando de olhos arregalados para ele. — É o Erwin?! Armin, ele é um século mais velho que você!!
As sobrancelhas do loiro quase atingiram o couro cabeludo.
—O quê?! Ele é no máximo seis anos mais velho que o Levi!
—Ainda é muita coisa!
—Ah, Eren, você não vai entrar nessa discussão, né? Que puta hipocrisia é essa!
—Put-Meu Deus, você está xingando! — Eren o olhou horrorizado e Armin revirou os olhos, decidindo ser o mais maduro dali e voltando a sentar na cadeira.
—Desliga o modo mãe e vamos conversar racionalmente?
A boca do moreno abriu-se ainda mais e ele ia discutir com o amigo quando viu os olhos determinados de Armin e decidiu sentar-se, mesmo que bufando.
—É melhor você explicar isso. — Eren fez pose, cruzando os braços e tentando soar intimidante quando na verdade estava se sentindo emotivo ao saber que Armin tinha se entregado aos charmes daquele homem gigante e charmoso e-
—Não tem nada a explicar. Eu e ele estamos saindo há quase nove meses e Eren... — Armin o olhou com olhos sem nenhuma barreira, completamente sincero. — Eu acho que estou apaixonado...
A frase foi tão baixa quando a respiração que Eren soltou.
Ali estava Armin, aquele que Eren sempre achou que protegeria, saindo debaixo de suas asas e indo para debaixo daquele corpo estupendo que era Erwin Smith.
Não que ele preferisse o loiro que Levi, mas vamos ser sinceros. Eren teve que afastar a ideia de como Armin conseguia sentar tão tranquilamente se aquilo estivera dent-
Nãonãonãonão!
Mas então...
—Oh, Armin... — Eren disse num tom suave, o mesmo tom que usava quando Levi estava a ponto de botar fogo em alguém vivo e precisava de um pouco de carinho para combater o estresse.
Foi o necessário para os olhos azuis se encherem de lágrimas e em um segundo Eren estava de pé e abraçando o amigo que ainda permanecia sentado. Era um abraço no mínimo super estranho quando Armin se viu com a cabeça apoiada em uma barriga de oito meses e Eren estava acariciando seus fios enquanto murmurava que tudo ficaria bem.
Bem, não tinha quem conseguia ir contra os instintos maternos de Eren, então Armin simplesmente deixou-se ser segurado até que ouviu o amigo perguntar docemente para que ele começasse a contar como aconteceu e se Erwin era gentil e se ele o tratava bem e se também estava apaixonado porque se ele não estivesse – e nesse momento Eren já tinha se desvencilhado e estava com um pano de prato na mão, o apontando como se ele fosse letal – Eren teria que lhe ensinar como tratar um ômega apropriadamente porque ninguém machucaria Armin!
E no meio daquilo tudo, podre Jean – sempre Jean – entrou na cozinha cheirando com aquele nariz gigante e acusando Eren de deixar os cookies queimarem.
No fim, o pano de prato era realmente letal quando Eren decidiu bater com ele no alfa.
—---
Levi chegou em casa e deu de cara com um ômega fazendo um buraco no chão de tanto que andava de um lado para o outro. Arqueando uma sobrancelha, ele fez toda a rotina de chegar, dar um beijo no garoto, deixar a carteira e chaves no escritório e se dirigir para um banho para voltar para a sala e encontrar Eren sentadinho no sofá e o olhando com olhos enormes e inquisidores.
—Cuspa logo.
Imediatamente, Eren se levantou e seguiu o alfa para a cozinha.
—Você sabia que Armin está tendo um caso com o Erwin? — O ômega perguntou, encostando-se no balcão e observando o alfa se movimentar para fazer um chá. Ele viu quando Levi hesitou por um instante ao pegar o bule e quando o mais velho falou, Eren já sabia a resposta.
—Sim.
—Por que você não me falou? — O moreno perguntou, cruzando os braços e já começando a se sentir traído. Levi o deu um olhar por cima do ombro, nem se importando com o drama que o ômega fazia e tratou de dizer em voz calma e monótona.
—Você gostaria que o Erwin dissesse para o Armin que eu e você estávamos juntos quando você ainda não tinha contado para ninguém?
A questão caiu como uma bomba na sala e Eren arregalou os olhos quando a considerou. Ainda abriu a boca algumas vezes, mostrando como odiava perder uma discussão, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Levi estava certo.
Mas isso não impediu que Eren fizesse biquinho.
—Eu só não queria ser o último a saber! — Ele disse, batendo o pé como uma criancinha, barriga ligeiramente mais baixa, o que mostrava que o corpo do ômega estava se preparando para dar à luz.
—Se agora você reage assim, imagina se o Armin tivesse dito enquanto você estava uma bola de hormônios. — Levi rebateu, totalmente insensível e alheio ao olhar ofendido que fulminou suas costas e ao ômega que segurou a barriga, como vinha fazendo muito, em proteção.
—Bola?! Eu estou carregando o seu filho! — Eren reclamou e no mesmo instante Levi virou-se para pegar o pó de chá e usou os segundos para mandá-lo um sorriso de canto.
—Você quer que eu te recorde de todas as loucuras que você fez, Eren Jaeger?
—Não! — Eren fez bico, inflando as sobrancelhas em uma visão cômica. — Eu quero uma massagem porque você... — E ele apontou para o alfa -...é o responsável por isso! — E apontou para a própria barriga, deixando um alfa de sobrancelhas arqueadas enquanto marchava para o sofá com os braços cruzados.
Depois de ter passado a fase dos enjoos, das alterações de humor, da carência e dos desejos, Eren tinha entrado de paraquedas na fase das dores. E ninguém o tinha avisado que sentir aqueles incômodos e dores ia fazê-lo tão manhoso e facilmente irritado.
Depois de ter ficado o dia inteiro em pé e ajudando os amigos a pintar o quarto de Abby, o ômega sentia que suas pernas estavam próximas de desistir de carregar o seu peso e o peso do bebê, que, aliás, lhe dava uma dor na coluna absurda! Sem contar os pés que estavam tão inchados que quase nenhum sapato cabia nele! Ah, mas para ele saber disso, é óbvio que alguém tinha que comentar, porque Eren já não conseguia ver os próprios pés com a barriga daquele tamanho.
A pior, no entanto, era a dor no quadril que estava sempre ali. Sério, ele tinha experiência com dores no quadril, mas aquela era insuportavelmente chata. Quanto mais próximo eles chegavam da data do nascimento, mais Eren achava dificuldade para dormir, para achar uma posição confortável na cama. Ele ficava virando de um lado para o outro e às vezes até quis chorar de frustração por estar morrendo de sono e não conseguir relaxar com aquela pressão absurda em sua bexiga, o que o fazia levantar de meia em meia hora para mijar.
Hanji havia dito que seu quadril tinha que alargar para conseguir deixar o bebê passar durante o parto, mas porra! A dor em seu ventre parecia ser interna, como se alguém estivesse puxando seus quadris para o lado, enfiando uma furadeira em seu osso.
É por isso que agora eles tinham um creme de massagem sabor morango perto do abajur que ficava na mesinha ao lado do sofá.
Levi, odiando ver seu garoto com a expressão sofrida e reclamando de dores nas costas, sempre se disponibilizava para fazer o que podia – o que não era muito, considerando a origem das dores.
Indo até o sofá, o alfa deixou seu chá na mesinha de centro para esfriar e colocou vários travesseiros atrás das costas do moreno, apoiando o ômega contra o braço do sofá.
—Meus pés então me matando... — Eren se apoiou contra as almofadas, gemendo em alívio quando sua coluna foi deixada reta e a gravidade já não estava mais querendo puxá-lo para o chão pela barriga.
—Como foi o seu dia? — Levi perguntou, apenas para manter o moreno falando enquanto colocava um jazz de fundo na televisão, mantendo o som bem baixinho, apenas o suficiente para ouvir os toques. Em seguida, com Eren começando a contar sobre a bagunça que fizeram no quarto de Abby, Levi tomou um gole de chá e abriu o tubo do creme de massagem, espalhando-os nas mãos para aquecê-los antes de começar a massagem pelos pés inchados.
—Oh, sim sim... mais forte... — O garoto murmurou e quando Eren diz que Levi tem mãos mágicas, acredite! O homem conseguia pressionar nos pontos necessários, com a força necessária e de uma forma tão boa que Eren quis gemer quando Levi massageou a sola de seu pé, apertando e fazendo círculos com o polegar que rapidamente mandavam arrepios pelo corpo do garoto.
Não demorou muito para ele dar uma pausa, beber mais chá e passar a deslizar as mãos molhadas com gel pela extensão das pernas do ômega. Apertando a batata da perna e os músculos tensos que estavam ali, ele assistiu Eren puxar uma respiração rápida, contorcendo-se e depois relaxando novamente, permitindo que Levi fizesse o que quisesse com seu corpo.
Com cuidado, ele massageou atrás do joelho, dígitos afundando na carne e deixando a pele do garoto morna e relaxada, espasmos de prazer enviando sangue para o pênis do ômega sem que ele permitisse. Com o short de pano que ele vestia, Levi logo seria capaz de descobrir o que a mente de Eren estava imaginando enquanto ele se devotava a massagear e apertar as coxas roliças e macias, pele tão suave e cheirosa que Levi queria cravar os dentes e beijar cada centímetro delas.
—Puta merda, quem te deu essas pernas, Eren? — O alfa quase grunhiu, já nem lembrando de fazer a pausa do chá, quando afundou o nariz no meio das coxas fechadas de Eren, aspirando o aroma natural de seu ômega e sentindo a barriga tremer só de lembrar como aquelas coxas o enlaçavam quando ele estava metendo fundo no seu garoto.
—A minha mãe? — Eren respondeu quase como um gemido, olhos fechados e mãos acariciando a barriga, onde Abby chutava com entusiasmo toda vez que Eren soltava um gemido baixinho ou sentia-se arrepiar com as mãos manuseando seu corpo.
—Não não não, não me faça pensar na Carla agora, seu-urgh – Levi grunhiu, tirando o rosto de lá e olhando para o ômega com sobrancelhas franzidas enquanto aumentava a força e subia as duas mãos, uma em cada coxa, com mais pressão, as melando de gel e ondulando os dedos até perto da virilha.
Eren, que tinha começado a rir da reação do alfa, terminou a ação mordendo o lábio inferior, seu pênis já semiereto com as mãos habilidosas estando tão próximas. Ele nem pensou quando levou uma das mãos para massagear seu membro sobre o short cinza, o volume já aparente e chamando a atenção do mais velho.
—Meu ômega ficou duro só com uma simples massagem? — Levi deu-lhe um sorriso de canto sedutor, separando as coxas de Eren e se encaixando lá sentado enquanto assistia com o olhar desejoso o ômega se masturbar por cima do short.
O que não durou muito porque Eren já se sentia tão molhado que simplesmente enfiou a mão dentro da roupa íntima e começou a manusear seu pênis.
—S-simples... — Eren sussurrou desacreditado, gigantes olhos verdes e brilhantes agora abertos para ver o alfa com olhos nublados fixos na parte molhada de seu short, pupilas dilatadas enquanto aproveitava o show. — I-isso foi uma massagem erótica...
Levi deixou escapar uma risada rouca que saiu de sua garganta, o som reverberando pela pele de Eren e o ordenando a acelerar os movimentos. No entanto, antes que ele pudesse buscar o próprio prazer, as mãos pálidas estavam retirando as roupas que o impediam de ver as partes íntimas de seu ômega, propositalmente roçando as mãos e unhas curtas pela pele já sensível das pernas dele.
Agora ele tinha a visão do pênis e da entrada rosada, já escorrendo lubrificante de tão sensível que Eren estava. Mas Levi teve que se controlar para não o penetrar ali mesmo, tendo em vista a presença do pequeno Abby dentro da barriga de oito meses.
Então ele objetivou levantar o olhar e chupar a alma daquele ômega fora através de beijos até que seu olhar foi atraído por algo muito mais interessante.
Contra a camisa de algodão que Eren vestia, mamilos eretos despontavam e formavam duas manchas molhadas no tecido.
—Oh, olha o que temos aqui. — Os olhos do alfa praticamente brilharam quando sua atenção foi completamente tomada pelos mamilos intumescidos de Eren e logo ele estava com as mãos na barra da camisa, deixando a barriga a mostra e levantando-a até ficar enrolada próximo à clavícula do ômega.
Ali estavam, dois botões rosados, rígidos de excitação, jorrando gotas de leite de forma quase envergonhada.
Levi observou a cena em admiração, seu ômega deitado, completamente nu, grávido com o seu filho e produzindo leite. Eren gemeu envergonhado, rosto num vermelho vivo, quando viu as pupilas do alfa dilatarem de uma vez, uma expressão feroz tomando o rosto dele e os dedos apertando com força as coxas do ômega.
—Tão lindos... — Foi o que o alfa disse abaixando-se como um gato arqueado para não pressionar a barriga e quanto o olhar afiado e quase negro se fixou nas orbes esmeraldas, Eren sabia.
—Nã-Ugh!!Le-Levi! — Ele até tentou impedir, mãos nos ombros largos e definidos mas logo um gemido alto escapou de sua boca quando Levi colocou um mamilo na boca, rolando o botão com a língua e mordendo levemente.
Arqueando fora do sofá, Eren estava com as orelhas e o pescoço vermelho enquanto seu alfa lambia e chupava um de seus mamilos avidamente, provando as poucas gotas de leite que saiam enquanto brincava com o outro com uma das mãos.
—Tão prontos para o Daddy, uh? — Ele disse, voz rouca e desejosa, e soprou ar quente contra o mamilo sensível.
—Ugh, n-não faça... — O ômega apertou os dedos contra as costas do mais velho, mas ao mesmo tempo se arqueava e acabava por empurrar o peitoral na direção do rosto de Levi enquanto tentava rolar o quadril e esfregar a ereção contra ele.
—Não seja egoísta, Eren, você não vai precisar disso por um tempo. — Levi lambeu novamente de forma lenta, a língua provocando e retirando as gotas que escorriam. Soltando o outro botão, ele passou a massagear o peitoral do ômega com as mãos sujas de gel massageador e leite, apertando os dedos em círculos contra a pele inchada e avermelhada.
—Ah! N-não...uhm...D-dói... — Eren murmurou entre gemidos, olhos fechados e lábio inferior entre os dentes, unhas cravando os músculos definidos das costas do parceiro.
—Isso é porque você está muito cheio, babe. — Levi murmurou em um tom sujo e sorriu quando o garoto abriu os olhos em surpresa ao ter seu membro pressionado contra a coxa dele.
—A-Ah!
—Eu não posso deixar o meu garoto cheio de leite, uh? — Levi sorriu mais largo, apertando um peitoral com a mão e colocando a boca no mamilo.
Quase que instantaneamente Eren soltou um gemido alto e lânguido, empurrando o tronco contra a boca do alfa que o chupava avidamente e sentindo o líquido quente sair de si como jatos. Levi gemeu quando leite jorrou em sua boca, chupando com força e querendo deixar seu ômega seco de tão prazeroso que era ter seu garoto o alimentando.
Por um segundo, Levi teve inveja de Abby.
—Ah! Le-vi! D-dói! — Eren choramingou, lágrimas escorrendo por ser rosto corado cada vez que Levi mordia ou chupava, faminto pelo o que já não tinha mais.
Como se soubesse que não tinha mais nada em um, Levi simplesmente moveu a cabeça para o outro e repetiu o mesmo processo até ter o mamilo de seu garoto na boca e o sugando com vontade. Assim que deixou de massagear o peitoral, Levi levou uma mão até o membro de Eren, tentando distraí-lo do incômodo.
Logo o ômega estava se contorcendo em meio a gemidos, rosto embaraçado ao ter seu alfa chupando seus mamilos e tirando leite dele.
—Você é uma delícia, Eren... — Levi murmurou, lambendo e mordendo o botão abusado e tentando tirar até a última gota para si.
—O-oh Deus! — Eren fechou os olhos com força, dedos puxando os fios negros e causando arrepios no corpo do alfa. — Eu não acredito nisso! Hm...s-seu pervertido! — O ômega tentou, rompendo um gemido quando ganhou um chupão no pescoço e respirando aliviado quando alfa pareceu satisfeito com sua refeição.
Levi lambeu os lábios inchados e vermelhos e os roçou contra os de seu ômega na mesma condição. Eren passou aquela língua pecaminosa nos lábios para os preparar para o beijo e assistiu o alfa praticamente fodê-lo com os olhos.
—Você aceitou casar comigo sabendo da perversão. — E um sorriso de canto fez Eren abrir a boca em incredulidade, Levi nem um pouco culpado após...após...
—Ugh, t-tão estranho!! — O pequeno levou as mãos para cobrir o rosto, mamilos latejando de dor e pênis derramando pré-gozo na pele onde estava curvado contra a barriga. — Eu sou um homem, porra!
E o olhar envergonhado, sobrancelhas franzidas e provavelmente o bico que deveriam estar escondidos por trás das mãos dele foi o que motivou Levi a beijar dedo por dedo e ir os retirando do rosto lindo que era o seu ômega.
—Olha a boca, amor. — Ele disse, um tom que variava entre o sedutor e o dominador, enquanto abaixava para capturar a boca dele na sua e iniciava uma maratona de beijos enquanto massageava o pênis de Eren sem muito afinco.
—E-eu odeio você... — Eren sussurrou sem fôlego, um filete de saliva os juntando, bochechas coradas e olhos refletindo paixão e desejo. Sorrindo, o alfa voltou a se sentar sobre os joelhos, tirando um segundo para observar o que era seu.
Levi adorava aquele garoto, ainda mais quando ele tinha esse olhar pedinte e desejoso, molhado e duro enquanto implorava para ser satisfeito pelo único alfa que tinha a permissão para fazer isso.
—De joelhos e de costas para mim. — Com as mãos nos quadris do ômega, Levi o ajudou a se levantar com cuidado, virando-o e colocando-o sentado sobre as pernas, a barriga solta enquanto Eren a segurava com uma mão e apoiava a outra no braço do sofá.
Imediatamente, o ômega ganhou um beijo simples na nuca, bem acima da marca de ligação, enquanto Levi se posicionada de joelhos atrás dele e passava mais gel de massagem nas mãos.
—Relaxe, ômega. — Levi sussurrou contra o ouvido do pequeno, tirando a oportunidade para dar uma lambida em seu lóbulo e rir roucamente quando Eren se encolheu todo ao ter o corpo chacoalhado por um arrepio.
No instante seguinte, o moreno gemeu languidamente quando as mãos de Levi estavam de volta em sua pele, dessa vez em seus ombros tensos. Apertando de maneira deliciosa, o alfa fazia círculos e de vez em quando mordia levemente, arrancando suspiros que levaram Eren a expor o pescoço em submissão, dando permissão para ser adorado.
Soltando a barriga agitada, Eren ignorou os chutes de Abby por um instante e desceu a mão até seu pau dolorido, pegando-o entre dedos e massageando para cima e para baixo lentamente e com força.
Ele queria que o momento durasse o máximo possível.
Atrás de si, Levi sentia as calças de moletom restringirem sua ereção, mas não parou a massagem, descendo as mãos pelas laterais do ômega e seguindo toda a extensão da coluna com os polegares em cima dela, pressionando e fazendo o garoto se arquear em resposta.
Quando chegou na base da coluna, Levi não conseguiu desviar o olhar da bunda perfeita e redonda que estava à mostra. Acima dela, duas covinhas decoravam as costas como uma coroa e Levi era fraco pelo fato que seu dedo cabia perfeitamente nelas.
Massageando os quadris dele ali, espalhando gel pelas nádegas, o alfa sabia que ele já estava lubrificado, preparado para ter seu alfa dentro. Só o cheiro mais acentuado, os tons de sedução e excitação diziam isso. Mas ele também sabia que Eren estava de oito meses e ainda que desejasse ter seu garoto naquele momento, Levi não arriscaria colocar nenhum deles em risco.
Assim, ele encostou a testa no ombro de Eren, respirando forte e quente contra a pele sensível quando levou a mão direita para se masturbar. Retirando o pau duro e já rosado com sangue, Levi começou a torcer o pulso, apertando a extensão, acariciando suas bolas e provocando a glande enquanto tinha uma visão privilegiada das costas, covinhas e bunda de seu ômega, mordida na nuca apenas fazendo seu alfa interior rugir em satisfação.
Eren gemia mais abertamente agora que uma mão de Levi segurava seu quadril e ele podia sentir a presença atrás de si também se masturbando, o som das mãos contra a carne dura e molhada com pré-gozo fazendo-o corar e acelerar os movimentos.
Não muito tempo depois, Eren estava arqueando as costas e gozando contra o couro do sofá, sujando-o com todo o seu prazer enquanto gemia baixinho e desesperado o nome de seu alfa. Levi só precisou torcer o pulso mais algumas vezes, o eco de seu nome em mente, enquanto gozava nas costas de Eren.
Enquanto ambos recuperavam a respiração, o alfa observou seu gozo escorrendo pela pele macia, entre as covinhas e seguindo para a bunda do ômega, quase tentado a descobrir se ele tinha a entrada molhada e ávida para recebê-lo.
—Minhas pernas estão dormentes. — Mas então Eren disse sem fôlego e risonho e em um segundo, Levi se levantou e colocou o garoto em pé, apenas para segurá-lo no colo e seguir para o banheiro no quarto deles.
Antes de sair da sala, ele deu uma olhada no sofá sujo e fez uma nota mental de limpá-lo enquanto Eren tomava banho.
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—Parece um alien.
Agora, depois de ambos limpos e um sofá esterilizado, Levi e Eren estavam deitados na cama, os dois apenas de boxer enquanto a única luz do quarto era o abajur perto da cama. Ah, Levi, Eren e um Abby que chutava com força dentro da barriga do ômega, fazendo-a ficar por vezes contorcida ou deformada.
—Levi!! — Eren olhou ultrajado para o alfa. Ele tinha que admitir que era estranho ver sua barriga se contorcer daquele jeito, até mesmo um pouco assustador sentir o bebê se mexendo dentro dele. Mas aquele bebê era Abby, o bebê deles, então estava tudo bem.
—Daquele filme Prometheus. — Levi arqueou as sobrancelhas, a expressão cética e não! Deus! Não o lembre daquela cena nojenta daquele filme mais nojento ainda que eles tiveram o infortúnio de escolher. — Você quer que eu minta?
Eren o deu um olhar e revirou os olhos, cabelo ligeiramente maior jogado para trás e deixando as feições suaves do ômega à vista.
—Não fica triste, Abby, o seu papa que é insensível por natureza. — O moreno sussurrou, ambas as mãos na barriga e ele encostado contra um travesseiro, tentando segurar a própria pele que era esticada pelos chutes do bebê.
Levi não respondeu. Apesar de ainda se manter fiel à sua opinião, ele entendia que melhor do que discutir com Eren era observar Eren.
Observar o jeito que os cabelos macios e castanhos escuros já estavam cobrindo suas orelhas, quase atingindo os ombros. O jeito que os olhos grandes e verdes observavam com carinho cada movimento forte em sua barriga. O jeito que a pele dele ainda estava rosada depois do banho que tinha tomado. Até mesmo o jeito que os ombros estavam marcados com as mordidas de Levi. Tudo em Eren gritava perfeição e ele provavelmente poderia ficar encarando o ômega por dias e ainda acharia um pequeno detalhe que o faria mais perfeito ainda, que faria Levi se apaixonar ainda mais.
Como o fato de que, se você olhasse de perto, Eren tinha algumas sardas, bem poucas, em seu nariz e bochecha. Seus olhos, apesar de verdes como o oceano, poderiam combinar com as roupas cinzas e azuis que Eren vestia, bem como também tinham alguns fios dourados quando eles brilhavam ao olhar para o alfa. E havia os lábios cheios e avermelhados, que, se Eren estivesse concentrado e sem falar, tinham o formato de um coração.
—Por que você está me encarando? — Eren piscou para ele e o alfa percebeu que passou bons segundos calados, apenas apreciando a obra de arte que era seu ômega. Observando as bochechas dele ficarem coradas e o garoto franzir as sobrancelhas envergonhado, Levi decidiu que não iria parar. -Leevii!! Paraa!
Levando as mãos ao rosto, o moreno tentou se esconder do olhar caloroso que era direcionado a si, mas era como se cada centímetro de sua pele esquentasse sob o olhar do alfa e seu ômega interior ronronava com a ideia de que ainda era amado e ainda era desejado, mesmo com dores e pele esticada e estrias.
Ser amado era uma das coisas que Eren jamais achou que conseguiria e uma das coisas que anulou todas as outras que ele almejava.
—Você acha que o Erwin vai fazer bem ao Armin? — De repente a pergunta escapou de seus lábios e ele mesmo teve que prestar atenção no que disse. Virando o rosto agora sério e curioso para o mais velho, Eren o viu piscar algumas vezes.
—Ele disse que acha que ama o cogumelo loiro. — Levi respondeu, deitado de lado e a cabeça apoiada em uma mão enquanto observava seu ômega por inteiro. Mas a resposta chamou mais a atenção do garoto do que o peitoral trabalhado a sua disposição.
É, o que as pessoas não fazem pelos amigos...
—Acha?! Ele tem que ter certeza! — Eren sentou-se de uma vez, ignorando o apelido e olhando para Levi com sobrancelhas mais franzidas ainda. Levi nem precisou ouvi-lo falar para saber que tudo aquilo era preocupação, mas ambos sabiam que amor não era tão fácil assim.
—Você sabe que as coisas não são assim, Eren. — Levi disse, observando o ômega esticar-se para pegar o cobertor que estava aos seus pés e começar a se embrulhar.
—Hnf. — Eren teve que concordar, mesmo que silenciosamente, e cobriu-se até a barriga, olhos grandes fixados no teto e mergulhados em pensamentos dele interrogando certo alfa loiro. Bem, até que o bebê quis atenção. – Ai, Abby! — O ômega silvou com a dor que sentiu momentaneamente e Levi já estava com uma mão sobre sua barriga, sussurrando.
—Shii, shii, quietinho aí. — Deu alguns tapinhas fracos como se chamando a atenção do filhote e depois se esticou para beijar a expressão de dor do moreno, dando-lhe selinhos no rosto até que ele se distraísse e ficasse relaxado.
—Vamos dormir. — Levi finalizou com um beijo mais prolongado contra os lábios de coração e puxou para voltar a falar com a barriga, um sorriso de canto avisando Eren que aí vinha coisa. — E você, Abba, não destrua o seu mama. Eu ainda quero usar esse corpo por anos.
—Hahaha, muito engraçado. — Eren revirou os olhos, mas tinha um sorriso tranquilo no rosto, o qual logo foi substituído com outro petulante. — Como se você fosse durar até lá, old man.
Levi devolveu com um meio sorriso pervertido e se esticou para apagar o abajur.
—Você não conhece os genes Ackerman, amor.
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