Nine Months
9 Nine Months
Notas iniciais
Eren estava tendo um sonho estranho.
No sono, ele era um gigante e estava tão nervoso que começou a comer tudo à sua frente. Casas, árvores, cavalos e nem mesmo pessoas conseguiam fugir de sua fome absurda. E ele comia e comia e comia e ainda se sentia vazio, ainda se sentia desesperado e no fim tudo o que ganhava era uma dor no estômago horrível, que ia aumentando conforme o tempo, como se apertasse suas entranhas. Ela descia por suas costas e pernas e Eren pensou que talvez o gigante fosse cair ajoelhado de tanta dor.
Mas depois a dor ia diminuindo aos poucos e ele começava a comer e comer e comer até que a dor voltava e ele novamente achava que ia expulsar tudo e todos que comeu de uma vez só. Então a dor passava e ele voltava a agarrar as pessoas que corriam de si, jogando-as na boca como pipoca, a visão embaçada até que ele reconheceu quem segurava nas mãos.
O pequeno humano, menor do que a maioria, batia em suas mãos gigantes com punhos fechados e parecia gritar furioso para si, fios negros caindo por sobre sua testa. Ele vestia uma capa verde e algo que parecia um uniforme, Eren não soube dizer, e ele também não conseguia se concentrar firmemente para saber quem era.
A dor voltou e o Eren gigante do sonho só queria colocar mais algo para dentro e ver se aquele tormento passava. Ele ergueu o pequeno humano, que olhava horrorizado quando o gigante abriu a boca e cravou o dente no meio do corpo, torcendo-o ao meio e engolindo metade da figura de uma vez só.
Então Eren reconheceu o gosto do sangue.
Era o mesmo que ele sentiu quando cravou os dentes na curva do pescoço do homem que mais amava no mundo e firmou uma ligação de alma com sua alma gêmea. Ele havia comido Levi. Devorado como se ele fosse um aperitivo, apenas para saciar aquela dor profunda que sentia em sua região inferior.
E no susto, ele abriu os olhos com uma tragada de ar desesperada, lágrimas escorrendo por suas bochechas sem que ele nem percebesse.
Batendo a mão sem pensar duas vezes, ele tapeou o lado da cama, encontrando o corpo quente e vivo e inteiro daquele que tanto amava.
A respiração saiu de sua boca como um gemido de dor quando ele percebeu que parte do pesadelo não tinha se desfeito.
A dor profunda e difusa que parecia cortar seu osso do quadril com uma faquinha de serra ainda estava lá, aumentando de intensidade aos poucos até Eren achar que não poderia mais aguentar para depois ir sumindo com os segundos.
O ômega sabia o que era. Ele estava tendo contrações de Braxton Hicks, as famosas contrações falsas, desde o sétimo mês, mas não era nada monstruoso ou que passasse dos 15 segundos. Era apenas um incômodo, como se alguém pressionasse uma parte de sua barriga de uma vez e depois soltasse aos pouquinhos. E não doía tanto, era só uma pressão que acontecia de dias em dias, nada preocupante ou realmente doloroso.
Mas isso não. Isso era de verdade. Isso era mais de 15. Isso era no mínimo uns 20 segundos e essa porra doía, puta que pariu!
—L-Levi...Levi! — Eren tentou dizer, mas saiu mais como um gemido estrangulado quando ele percebeu que com a contração não tinha como respirar direito e, puta merda, como ele estava assustado! O bebê estava marcado para dali a cinco dias e o pirralho ainda tinha a audácia de, além de vir mais cedo, querer vir de madrugada?!
Batendo a mão no alfa, Levi acordou no susto, sentando rapidamente para ver seu ômega com as sobrancelhas franzidas, expressão de dor e as duas mãos segurando a barriga.
—Eren? — A voz dele saiu rouca de desuso e ele chutou os cobertores para ligar o abajur na mesa de canto e rumar para o ômega novamente. — Contrações? — Ele perguntou, já tendo presenciado alguns dos sinais falsos mas nunca vendo o garoto segurar a respiração por tanto tempo.
—...19,20,21,21-oh, oh puta merda, Levi! Isso foi de verdade, isso não é um alarme falso! — Eren olhou para o alfa com olhos arregalados e assustados, buscando confiança no olhar dele. Hanji tinha dito que ele deveria contar os segundos que as contrações durassem para que fosse mais rápido saber em que fase do parto eles estavam mas porra ele não pensava que poderia aguentar mais de 30 segundos daquele inferno!
O alfa olhou para ele e para a barriga e depois de três segundos em choque, Levi se levantou rápido e Eren estava tão assustado que apenas agarrou o braço dele porque não queria ficar sozinho.
—Não! Não vá! Não vá, não me deixa sozinho! — Eren pediu, tropeçando nas próprias palavras, lágrimas descendo sem dificuldade alguma enquanto ele puxava o braço do alfa para que ele ficasse ali e lhe protegesse.
Levi olhou para o garoto confuso e depois percebeu o quanto ele deveria estar assustado para não realizar que Levi apenas ia buscar a bolsa para levar para o hospital e as chaves do carro.
Com calma e respirando fundo porque ele precisava dar forças para o ômega, Levi se aproximou dele, que ainda estava sentado na cama e respirando sem ritmo e segurou em seu rosto com as duas mãos, testas encostadas.
—Eren, você está em trabalho de parto. Consegue entender isso?
Eren balançou a cabeça. Ele não era estúpido porra! Se aquilo não fosse trabalho de parto, ele juraria que estava morrendo atoa!
—Certo, ótimo. Então eu preciso ir pegar a bolsa, os seus documentos e a chave do carro para que possamos ir ao hospital, entendeu?
Agora o ômega balançou a cabeça negativamente, mordendo os lábios e olhando com olhos gigantes e amedrontados.
—Nã-não! Não me deixa sozinho! Levi, não! – Ele agarrou a camisa do mais velho trazendo-o o mais próximo possível e querendo ter a certeza que ele estava ali.
—Ômega, babe, você precisa fazer uma escolha. Ou eu vou pegar as coisas e vamos para o hospital ou vamos ter que ter o bebê aqui nesse quarto, sem enfermeiras e sem a certeza de que o bebê vai estar bem. – Levi deu um beijo no nariz do garoto em incentivo. – Você precisa escolher, Eren. Você quer que tudo der certo, sim?
Eren confirmou freneticamente.
—Eu prometo que estou de volta em um segundo e então vamos ir para o hospital e daqui a pouco estaremos de volta com o bebê. Você consegue?
A imagem de estarem voltando para casa com o pequeno Abby nos braços foi o que deu forças para o ômega junto com a confiança absurda que o alfa tentava passar através da ligação que tinham.
Eren tinha medo de fazer algo errado, de não estar preparado para dar à luz e depois de um sonho terrível, ele tinha medo que Levi se decepcionasse com ele e o deixasse por qualquer motivo que fosse, mesmo que por um segundo para pegar as chaves do carro.
Mas ele era um ômega forte e ele iria fazer como o alfa pediu. Ele escolheria e faria Levi orgulhoso.
—U-um segundo... – Sussurrou, voz baixa e trêmula e o medo de uma contração vir fazendo com que segurasse o ar a cada inspiração.
Levi sorriu de canto e deu um beijo no topo nos fios castanhos bagunçados. No instante seguinte ele estava fora do quarto e indo até o quarto do bebê para pegar a bolsa para levar para a maternidade. Colocando-a no ombro e enfiando os documentos do ômega dentro, ele voltou para o quarto certo de que a chave do carro estava pendurada próximo à porta.
Quando ele entrou no quarto, no entanto, Eren estava com os olhos mais aterrorizados do que antes, grandes orbes verdes olhando para ele como se fossem saltar para fora a qualquer momento.
—Eren, o qu-oh. – Levi chegou próximo o suficiente para ver a poça molhada ao redor do ômega, que agora segurava a barriga protetoramente e olhava para a bagunça na cama com pavor e vergonha.
—M-me de-desculpa... – Eren sussurrou e Levi bufou com aquilo, largando a bolsa na cama e voltando para levantar o ômega da cama suja com líquido amniótico.
—A bolsa estourou? – Levi perguntou retoricamente e viu o garoto assentir com a cabeça enquanto deixava ser posto de pé. A roupa que vestia estava ensopada e ele decidiu deixar seu ômega mais confortável antes de sair. – Vamos pegar uma roupa limpa para você, hm? – Levi deu-lhe um beijo na bochecha para tentar retirar o ômega do estado de choque, mas de nada resolveu.
Rapidamente ele pegou uma calça de moletom e uma cueca limpa, despindo e vestindo seu ômega de novo e colocando uma jaqueta por cima da camisa “eat all day sleep all night” que o pequeno estava usando.
Levi nem se importou em trocar de roupa, permanecendo com a mesma calça de moletom preta que tinha ido dormir, uma tank top cinza e só acrescentando uma jaqueta de couro preta para protegê-lo do frio até estarem no hospital.
—Vamos, babe, vamos tem um filhote. – Levi passou um braço pela cintura do ômega e colocou um braço dele sobre seus ombros, ajudando a segurar uma parte do peso enquanto saiam do apartamento. Eren nem se incomodou em calçar algo além de pantufas verdes do Mike de Monstros S.A.
Levi calçou um par de chinelos que estava na porta e catou a carteira, celular e chaves, colocando-os no bolso enquanto levava Eren para fora do apartamento. Ele agradeceu que o prédio tinha elevador e em poucos minutos estavam na garagem se dirigindo ao carro.
Eren subiu no banco do passageiro com a ajuda do parceiro e logo Levi estava dentro do carro, ligando-o e ativando o bluetooth do veículo.
—Eren, fica calmo, vai dar tudo certo. – Levi disse, apertando a mão do ômega que estava em sua coxa e guiando o carro até as ruas vazias da madrugada. – Ligar para Hanji Quatro Olhos.
A voz robótica devolveu um “ligando para Hanji Quatro Olhos” e logo vários toques se seguiram, Eren olhando ansioso para o painel automático até que a voz excêntrica soou grogue através dos auto falantes.
“Baixinho, isso é hora de interromper essa médica trabalhadeira?”
Levi notou o relógio marcar 02:13 da manhã mas não se importou menos. Seu filhote estava vindo ao mundo e se preciso ele ligaria para o presidente dos EUA àquela hora para garantir que seu ômega e o bebê estivessem nas melhores mãos.
—Quatro olhos, eu não me importo se você teve um plantão de 50 horas ou se está transando nesse momento, o fato é de que Eren está em trabalho de parto e eu quero você naquele hospital em 10 minutos.
“Eren está em trabalho de parto??” – A morena soou acordada e alerta em um segundo e eles conseguiram ouvir barulhos do que pareciam ser cobertores e depois uma porta de guarda roupa sendo fechada com força.
Eren se sentiu mal por acordar a médica naquela hora, mas logo uma contração começou e uma pontada forte na base de sua coluna o fez se contorcer no banco e soltar um gemido dolorido enquanto fazia respiração de cachorrinho para tentar lidar com a dor.
“Oh Eren, meu ômega preferido! Isso é uma contração?” – Hanji soou assustadoramente animada e Levi bufou por que obviamente havia mais o que fazer do que bater papo como se seu ômega não estivesse com dor.
—Porra, é claro que sim, Hanji! O que te parece? Que ele está fingindo? – Levi quase rugiu, instintivamente acelerando pelas ruas da cidade e não dando a mínima para quaisquer multas que fosse ganhar.
“Ow, ow, alfa! Fique tranquilo que eu chego em dez minutos. Te vejo lá, Eren!” – Hanji cantarolou.
—Você tem cinco, no máximo. – Levi grunhiu e apertou o botão de desligar com força, olhando por um segundo para Eren e vendo que ele ainda estava no meio da contração.
Ainda nem havia começado e o alfa só queria que já tivessem o bebê nos braços para não precisar ver seu ômega em tanto sofrimento.
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Acontece que, no final, Eren perdeu a vergonha e o choque assim que entraram no hospital. Ele estava tendo um filhote, porra! O mundo tinha que girar ao redor dele!
E mesmo assim ele se sentiu um inútil quando Levi entrou no lobby do hospital com ele pendurado em si e disse que tinha um ômega em trabalho de parto. Segundos depois uma enfermeira trouxe-lhe uma cadeira de rodas, para a qual Eren olhou com desconfiança.
Ele estava tendo um filhote e ainda ousavam achar que ele era frágil?!
Mas então depois de muito convencimento – e um beijo – Eren concordou em esperar quietinho na cadeira enquanto Levi preenchia a ficha e eles esperavam para serem encaminhados para o quarto privado que tinha optado.
Bem, isso quando uma enfermeira deixou o olhar vagar pelo corpo de Levi por mais de três segundos e Eren sentiu a fúria tomar seu corpo em segundos.
Ele estava tendo um filhote e a vadia ousava dar em cima do pai do seu bebê?!
A prova de que ele agora estava muito irritado devido a dor e nem um pouco acanhado foi quando Eren disse para toda a recepção ouvir para ela “tirar os malditos olhos de cima do meu alfa porque ele está aqui para ter um bebê e não uma foda qualquer!!!”
Após isso, o hospital inteiro trabalhou para ter o ômega o mais rápido possível em um quarto privado onde as mágicas do nascimento ocorreriam enquanto o ômega citado reclamava com Levi do por que ele parecia tão gostoso enquanto ele estava ali numa cadeira, com uma barriga de nove meses, a ponto de explodir um bebê pela bunda.
Nessas mesmas palavras.
Levi o olhou com os olhos arregalados e perguntou em um tom besta.
—O quê?
—Oh, agora você vai se fazer de besta?? Quem vem ter um filhote com uma jaqueta de couro e mostrando essa camiseta desgraçada que te deixa dez vezes mais bonito???
Levi não respondeu enquanto empurrava o garoto para o quarto privado e começavam a preparar o parto.
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Hanji entrou no quarto 20 minutos depois que eles chegaram e Levi nem podia gritar com ela porque estava preocupado demais em tentar acalmar Eren após mais uma contração.
—Hey, hey!!!! – A morena entrou o quarto com um sorriso enorme, parecendo muito animada em comparação com as duas expressões de ódio que recebeu. Hanji riu. – Mas que cara é essa, papais? O garotinho está vindo ao mundo e vocês com esse humor?
—Hanji, eu juro por D-
—Sim, sim!! – A médica o interrompeu, passando o olho no prontuário e depois o deixando de lado enquanto colocava luvas na mão.
Eren estava deitado em uma cama enquanto tinha uma piscina de plástico funda no canto do quarto, a qual estava sendo enchida com água morna pelas enfermeiras.
—Ok, Eren. – De repente, Hanji tinha sua voz profissional e o moreno não pode evitar a não ser ouvi-la e confiar completamente nela. – Eu preciso fazer o exame de toque agora para determinar com quantos centímetros de dilatação você está, tudo bem? – Eren assentiu um pouco hesitante. – Não se preocupe, não vai doer nada e é só para a gente saber como está o passo das coisas.
Eren mordeu o lábio inferior quando viu a médica passar lubrificante nos dedos e o ajudar a ficar em uma posição de lado, em posição fetal e com uma perna ligeiramente mais alta que a outra.
Para distraí-lo do constrangimento, Levi resolveu perguntar enquanto passava uma mão pelos fios castanhos e com a outra segurava forte em uma das mãos do garoto.
—Com quantos centímetros o bebê vem?
—Geralmente com dez centímetros nós já temos o titãzinho pronto para vir ao mundo! – Ela disse enquanto terminava o exame e retirava os dedos. Eren, que tinha passado o instante todo de olhos fechados com vergonha, suspirou de alívio quando os dedos intrusos – que não eram de Levi – saíram de dentro de si.
Voltando a uma posição sentada, Eren teve que ter coragem para olhar para a médica e perguntar.
—Com...quantos centímetros?
Hanji virou para ele com um sorriso tranquilo, querendo dizer-lhe que não havia necessidade de ficar acanhado. As enfermeiras terminavam de encher a piscina com água e uma delas checava a temperatura com um termômetro.
—Eren, meu anjo, você está com cinco centímetros! – Ela disse, animada, enquanto entregava uma mão cheia de papel toalha para Eren limpar o lubrificante que ficara em si.
Com acanhamento, Eren começou a se limpar, Levi sempre ao seu lado e, como se dividissem a mente, o alfa perguntou justamente o que gostaria de saber.
—Isso é bom ou ruim?
—Cinco centímetros é mais do que a média! Geralmente nós temos aqui ômegas em trabalho de parto com três a quatro centímetros.
—Por que eu estou com cinco então? Não é alguma coisa com o bebê, é? – Eren sinceramente não se imaginava abrindo até dez centímetros e ele com certeza não queria olhar para chegar se já tinha cinco centímetros mesmo. Ele tinha certeza que seria uma imagem que o assombraria para sempre.
—Own, meu ômega fofo! – Hanji riu e os dois homens olharam para ela com confusão. – Provavelmente por conta de tudo que você dois já fizeram e experimentaram. – E uma piscada no final foi o que levou Eren a entender a conotação sexual por trás da frase e rapidamente sua mente tomou uma coloração vermelha como um morango.
Levi, por outro lado, tinha uma expressão orgulhosa estampada no rosto, alfa interior satisfeito em saber que as vezes em que o sexo não foi tão casual tinha ajudado a trazer o bebê ao mundo. Mas então Levi franziu as sobrancelhas de novo quando uma enfermeira disse a Hanji que a piscina estava pronta.
—Quanto tempo mais até dez centímetros?
Hanji suspirou e deu um sorriso quase como se pedindo desculpas pelo o que falaria.
—Geralmente, a dilatação ocorre devagar, um centímetro por hora. – Eren sentiu sua expressão cair, a ideia de mais cinco horas de dor destruindo sua determinação. – Alguns partos chegam a 14 ou mais horas, isso depende muito do ômega.
O garoto de olhos verdes quase quis chorar com a previsão de quanto tempo mais ele teria que enfrentar aquelas dores periódicas para trazer Abby ao mundo e como se ouvisse seus pensamentos, Levi esfregou o nariz contra os fios castanhos.
—Quatro olhos, você não está ajudando!
—Mas! – Hanji disse, pegando o prontuário e anotando as informações que tinha colhido. Ela olhou para Eren e deu um aceno determinado. – Você já tem cinco centímetros e alguns ômegas dilatam mais rapidamente. Tudo depende do quanto você dilata por hora e a água quente da piscina ajuda na irrigação sanguínea, o que pode apressar as coisas.
Eren deu um aceno pequeno na cabeça, tentando digerir a informação que estava sendo dada.
—E Eren... – E então ele olhou no fundo dos olhos castanhos da mulher, que pegou uma de suas mãos e a apertou com seriedade. – Você é forte e determinado e está fazendo um dos maiores milagres que pode acontecer. Nesse momento, você é mais forte e mais corajoso que todo mundo nesse quarto e, pelo que eu ouço meus outros pacientes dizer, a espera é recompensada.
Foi o que Eren precisava ouvir.
Ele era forte e determinado e iria fazer isso. Ele iria fazer isso por ele, por Abby e por Levi. E logo, logo os dois teriam mais um pacotinho para levar para casa. Ele faria isso da melhor forma possível.
Hanji e Levi o ajudaram a trocar de roupa, e Eren entrou na piscina apenas com um cropped masculino que deixava toda a barriga à mostra. O restante, ele estava nu. E apesar disso, a única coisa que notou foi o quão maravilhosa a água estava, em seus 37°C, e abraçando cada músculo contraído em seus membros inferiores.
Sentando na piscininha de plástico, a água morna cobriu toda a sua barriga, molhando inclusive uma parte do cropped. Levi apesar trocou o moletom por uma bermuda de praia e permaneceu com a tank top, entrando na piscina logo atrás de seu ômega.
Eles já tinham conversado sobre isso e tinham discutido os prós e contras sobre Levi dentro da piscina. Mas no fim, Eren não se importava. Ele queria o alfa ali o segurando quando sentisse que fosse cair.
—Certo! – Hanji disse, agachando do lado de fora da piscina e observando Levi segurar Eren por trás e o garoto começar a acariciar a barriga, como se incentivando o bebê a sair mais rápido. A morena deu um sorriso e saiu do papel de médica para o papel de amiga por alguns segundos. – Eren, Levi.
Notando a mudança de tom, ambos voltaram seus olhares. Ela continuou.
—Esse é um momento de vocês e a sincronia de vocês dois vai ajudar a trazer o filhote ao mundo. Talvez demore um pouco, mas eu garanto que vai valer a pena. Eu não poderia estar mais feliz e mais honrada em ter sido escolhida para fazer parte desse processo.
Eren sorriu genuinamente para ela e estendeu uma mão molhada, a qual foi pega sem hesitação nenhuma.
—Obrigado, Hanji. – O garoto agradeceu, voz firme e determinada, um sorriso confortante em seus olhos. Hanji assentiu solenemente antes de voltar ao profissionalismo.
—Bem! Eu vou deixar esse botãozinho aqui e você toquem se houver qualquer mudança ou problema. Eu volto daqui a uma hora e preciso que você, Levi, conte os segundos que as contrações duram e o tempo entre cada uma. – Levi assentiu. – De resto, é só esperarmos o mocinho aí dentro resolver sair!
Revirando os olhos, Levi assistiu a médica sair e se preparou para as longas horas que se seguiriam.
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Duas horas depois, o relógio marcava 4:30 da manhã. Eren e Levi ainda não havia avisado ninguém que estavam em trabalho de parto, já que a previsão era que o bebê nascesse depois das 10 horas da manhã.
Eren estava com 6,5 cm de dilatação e as contrações agora vinham de 30 em 30 minutos e duravam 45 segundos. A cada vez que uma vinha, Levi segurava a cabeça do ômega contra seu ombro e passava um pano molhado na testa dele, tentando consolá-lo. Hanji vinha de uma em uma hora e ao mesmo tempo, enfermeiras vinham checar a temperatura da água e acrescentar mais água fervente para manter a temperatura adequada para um parto na água.
Eles já estavam molhados a tanto tempo que Levi nem sabia mais o que era estar seco.
Mais cedo, uma enfermeira veio trazer uma cesta com frutas, iogurte e água, deixando-os sozinhos novamente segundos depois.
Como Hanji havia dito, aquele era um momento íntimo deles e até que o bebê estivesse preparado para vir ao mundo, eles iriam ter a privacidade e a independência necessárias.
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Às oito horas da manhã, Hanji entrou no quarto no meio de uma contração e acompanhou a contagem que Levi fazia em voz alta até 60 segundos.
—E como o meu ômega preferido está indo? — A médica perguntou, seguindo até a janela do quarto e a abrindo para que os raios de sol entrassem levemente no quarto. Após, ela abaixou-se ao lado do moreno, que estava com o rosto vermelho de esforço. Levi limpava o rosto dele, sussurrando elogios em seu ouvido para parabenizá-lo.
—Péssimo. — Eren respondeu, voz rouca e cansada. — Esse bebê não sai logo!! — Ele choramingou, jogando a cabeça para trás e recebendo carinho em seus fios castanhos. No entanto, ele não queria carinho, ele só queria Abby fora de si para que aquela tortura acabasse!!
—Vamos checar com quantos centímetros você está e veremos como está o passo das coisas.
Eren nem precisou que ela pedisse, abrindo as pernas automaticamente para que ela checasse a dilatação.
—Hmm... — Hanji retirou a mão e mediu os dedos. — Quase oito centímetros, Eren.
Eren bufou alto, choramingando e empurrando a barriga para baixo.
—Vamos, Abby, só saia logo!! Venha conhecer o mama e o papa logo, hm??? — Lágrimas de frustração desceram seu rosto e Levi teve que segurar as mãos dele para que ele parasse de empurrar a barriga e forçar uma saída.
Levando as mãos dos ômegas até seus lábios, o alfa, que já tinha o cabelo molhado todo jogado para trás, plantou um beijo casto nela.
—Calma, meu amor, logo logo ele está aqui.
—Mas dói demais!! — O garoto choramingou, escondendo o rosto da melhor forma possível no bíceps do alfa.
Levi olhou para Hanji como um pedido mudo e a médica deu um sorriso comprimido, negando a cabeça porque não havia nada para se fazer em um parto normal. Eles só poderiam esperar o curso da natureza se seguir.
—Vocês já ligaram para as pessoas importantes?
—Ainda não, ninguém quer ser acordado às 02 da manhã e ainda ter que esperar horas para o bebê chegar. — Levi respondeu e no mesmo segundo ganhou um tapa na coxa e uma expressão raivosa do ômega.
—Você cala a boca porque ao menos não está sentindo a dor que eu estou sentindo!! — O alfa assistiu o garoto explodir com olhos ligeiramente arregalados e pediu desculpas baixinho, tentando beijar o pescoço do ômega só para ser empurrado.
Eren não estava com paciência para essa porra!
Hanji riu, já tendo visto aquela raiva acometer muitos ômegas devido ao tempo em que estavam submetidos a dor.
—Bem, eu acho que já é uma boa hora para ligar para os familiares. — Levi assentiu e continuou a jogar água na barriga de Eren, fazendo uma massagem leve para tentar diminuir as pontadas de dor que ele sentia entre as contrações, as quais agora vinham de 15 em 15 minutos.
Tanto Eren quanto Levi estava ignorando a ereção que o ômega tinha, muito provavelmente porque o bebê pressionava todo o aparelho urinário e causava a ereção automaticamente. Quando ambos perceberam a situação, o ômega ficou muito envergonhado e antes que o mais velho pudesse falar qualquer coisa, disse que não iriam discutir o assunto.
Agora Hanji só tinha uma coisa a dizer.
—O trabalho de parto é demorado, eu sei. Mas algumas coisas podem ajudar a acelerar o processo. O parto na água é um que ajuda o bebê a vir mais rápido e confortável e dizem que a dor é menor que outros partos.
Eren bufou alto e olhou para a médica com sobrancelhas franzidas.
—E você realmente acha que tem como essa merda ficar pior???
Hanji ignorou a pergunta e deu um sorriso torto, continuando a explicação.
—Algumas comidas, como comidas apimentadas, costumam induzir a dilatação também. E tem mais uma coisa que vocês podem tentar.
Levi, já cansado de ver o ômega em tanta dor e com tanto mal humor, perguntou.
—Fala logo, quatro olhos.
—Bem... — Hanji coçou o pescoço e parecia com um pé atrás de dar a sugestão quando Eren parecia tão arisco e impaciente. — Alguns ômegas machos dizem que a masturbação e um orgasmo ajudam a conter a dor e a dilatar ainda mais.
—O quê?! — Eren praticamente gritou, tentando sentar-se mas voltando a depender do alfa quando uma dor forte atacou sua coluna e ele franziu o rosto todo em dor. — Vocês estão loucos?? — Ele continuou, quase como se sibilando enquanto tentava lidar com o desconforto.
—Eren, deixa el-
—Não, Levi! — O garoto gritou de novo, batendo a mão na água e a fazendo espirrar no alfa e na médica. — Eu estou parindo um filho e você quer me masturbar?? Que tipo de doença é essa??
—Eren, o orgasm-
Hanji tentou, só para ser interrompida por um ômega muito irritado que não deixou espaço para discussões.
—Não, não e não!!
—Babe, pode ser que isso ajude o bebê a vir. — Levi ainda tentou mais uma vez, só para ser fuzilado por olhos verdes raivosos.
—Você é surdo?! Eu disse não! Eu não vou ser um ômega que faz sexo enquanto o bebê dele está vindo!! — O garoto bateu nas mãos de Levi que estavam segurando em suas coxas para mantê-lo em posição. — E tire as mãos!!
Levi levantou as mãos em derrota e com um olhar para Hanji, ele soube que era o momento de chamar Carla.
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Uma hora depois, a beta entrou no quarto com o cabelo bagunçando e um sobretudo por cima de roupas amassadas que não combinavam. Hannes seguia logo atrás dela, segurando balões azuis de postos de conveniência, ambos com sorrisos enormes ao verem o casal de costas para eles dentro da piscina.
Eren tinha os olhos fechados, respiração desregulada enquanto tentava lidar com a dor cada vez mais aguda, que durava muito mais tempo a cada vez que uma contração vinha.
Elas agora vinham de 10 em 10 minutos e duravam quase um minuto e 15 segundos.
—Erenn!!! — A voz animada de Carla soou e Eren suspirou, lágrimas escorrendo enquanto procurava o afeto de sua mãe. Mas estão a voz de Hannes soou e Eren automaticamente fechou as pernas, com vergonha da ereção dolorosa que ainda portava.
—Nã-não... Hannes não... — O ômega rogou baixinho e desesperado, tentando se esconder no corpo do alfa e não ser visto daquela maneira tão íntima.
—Hannes, você pode por favor esperar lá fora? — Levi pediu no mesmo segundo, não querendo que seu ômega ficasse desconfortável. — É um momento íntimo.
O beta olhou para o topo dos fios castanhos, um olhar de preocupação, mas deu um sorriso torto e assentiu, amarrando os balões na cabeceira da cama.
—Ahn... Okay, tudo bem! Eu só vou deixar os balões amarrados aqui... — Ele disso, enquanto amarrava os balões e limpava as mãos suadas na calça, claramente nervoso. — Você está bem, Eren? — O loiro não pôde deixar de perguntar, afinal de contas Eren era tão parecido com Carla que Hannes o tinha como um filho.
—S-sim, Hannes... P-perdão, eu só preciso de um tempo! — Eren tentou soar tranquilo, não querendo que o homem se sentisse excluído, mas ele só não queria que mais alguém, além de sua mãe, seu alfa e Hanji o visse naquela situação.
Carla percebeu que algo estava anormal e guiou o homem para fora do quarto, dando-lhe um beijo e dizendo que não era nada pessoal, mas sim devido às dores e ao estado nu do garoto. Hannes assentiu, e sentou-se em uma das cadeiras no lobby enquanto a mulher voltava para dentro.
—Eren, meu amor, tudo bem? — Carla se apressou para se ajoelhar ao lado da piscina, o garoto com olhos vermelhos de lágrimas e mãos trêmulas buscando suporte nas coxas do alfa.
—M-mama...dói m-muito... — Eren sussurrou, um soluço rompendo sua garganta, enquanto estendia uma mão para a mãe segurar. A mulher pegou-a e a deu um beijo no dorso dela, olhando com admiração para o filho e dando-lhe um sorriso gentil. Ela já esteve naquela situação, ela sabia o que o garoto estava passando.
—Baby, eu sei o quanto dói, eu sei que é insuportável, mas você precisa ser forte e fazer isso para que o Abby venha ao mundo. — Carla fez um carinho leve na bochecha suada e corada do garoto, nunca perdendo o sorriso no rosto, mesmo que o moreno parecesse perdido com os olhos desfocados. — Você não quer vê-lo? Conhecer o seu filhotinho?
—S-sim... — Eren chorou um pouco mais, contorcendo-se quando mais uma onda de dor vinha, um aviso de que a próxima contração estava vindo.
Carla olhou o filho de cima a baixo e Levi agradeceu por ela não ter feito caso sobre a ereção que o ômega portava.
—Com quantos centímetros ele está? — A beta perguntou diretamente ao alfa, que tinha uma expressão séria e feromônios calmantes tomando o quarto.
—Oito centímetros há uma hora atrás.
—Ah, então já está bem perto, meu amor! — Carla sorriu um pouco mais largo, esticando-se para dar um beijo na bochecha de Eren. — Já já você vai ter o seu bebê nos braços! — Ela disse animada e se afastou, pondo-se de pé e checando o garoto mais uma vez.
Foi então que Levi notou a ligeira vermelhidão nas bochechas dela e o jeito que Eren encolheu contra si o fez pensar que o ômega também tinha percebido.
—Eu vou deixar você mais à vontade para que... — Ela olhou para o teto da sala como se procurasse a palavra certa. Levi já sabia o que a mulher queria falar e resolver poupar-lhes do constrangimento.
—Obrigado por vir, Carla.
A mulher o olhou em agradecimento e antes de sair, disse que tinha ligado para Mikasa e, conhecendo a irmã, Eren já imaginava que em pouco tempo todos os seus amigos estariam empilhados na sala de espera.
Assim que ela saiu do quarto, Levi ouviu um sussurro baixinho e acanhado, bem diferente do tom raivoso que vinha ouvindo nas últimas horas.
—Alfa...
—Hm. — Respondeu, tomando a oportunidade para roçar o nariz contra a glândula aromática dele e sentir o corpo do moreno relaxar contra o seu.
—M-me toque...
Levi não conseguir ver a vermelhidão tomar todo o rosto do garoto, mas ele sabia que Eren não queria que as enfermeiras o vissem naquele estado, mesmo que fosse completamente normal num trabalho de parto de um ômega macho.
Ainda assim, ele não perdeu um segundo para rodear a barriga do garoto e tomar o pênis dele nas mãos, bombeando lentamente até que seu ômega estivesse se contorcendo contra si, expressão metade prazerosa e metade dolorosa.
Ele agradeceu pelo quarto individual e por todos baterem na porta antes de entrar.
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Dez horas e sete minutos da manhã, Hanji Zoe entra no quarto com uma horda de enfermeiras betas ao seu lado, todas elas com algum equipamento na mão. Uma vinha empurrando um suporte de soro e carregando uma bandeja com agulhas e algodão. A outra entrou empurrando vários lençóis e no fim Eren se viu cercado por Hanji e mais duas enfermeiras.
Nervosismos tomou conta de si e por um segundo, o ômega inclusive esqueceu da dor.
—Está na hora? — Ele perguntou, sobrancelhas franzidas e olhos confusos. Apesar de ter pedido durante todas as horas que o bebê saísse, Eren não se via preparada para ser um mama. E, meu deus, isso era muito assustador. Todos olhando para ele como se ele fosse uma espécie de deus era assustador.
—Vamos dar mais uma checada, mas eu acho que sim! — Hanji respondeu animada, colocando as luvas e indo checar a dilatação. Ela sorriu ainda mais largo quando retirou os dedos. — Dez centímetros, Eren! Parabéns, você foi ótimo! Vamos trazer esse garotinho ao mundo, hm?
Eren nem teve tempo de responder, uma das enfermeiras pediu permissão para ter o seu braço e logo ele estava ligado a um soro que, segundo elas, era apenas para mantê-lo hidratado e com glicose o suficiente para ter forças para o parto.
Levi ainda estava o abraçando por trás, tendo saído da posição apenas algumas vezes durante todo o processo. Ele colocou as duas mãos na barriga do ômega e encaixou o queixo na curva do pescoço dele. Eren, por sua vez, tinha uma mão segurando uma coxa do alfa e a outra segurando em um braço dele.
Eles estavam prontos. Abby viria ao mundo.
—Levi... — Eren chamou baixinho, voz rouca e amedrontada enquanto uma das betas o guiava em uma posição mais confortável.
Levi liberou feromônios confortantes que induziam confiança e força ao garoto e sussurrou-lhe que tudo ficaria bem.
Foi então que Eren descobriu que, sim, tinha como ficar pior.
As contrações que se seguiam vinham de cinco em cinco minutos e duravam um absurdo de tempo que ele sinceramente achava que ia desmaiar.
Assim que estava tudo preparado, Hanji se ajoelhou à frente dos dois, do lado de fora da piscininha. Eren estava com as pernas bem abertas e as coxas de Levi ao seu lado. Levi segurava suas duas coxas abertas, para prevenir o ômega de fechá-las e Eren estava pronto para cravar os dedos nas coxas firmes e musculosas de seu alfa.
A médica deu um sorriso animado e encorajador.
—Eren, esta é a hora. — O moreno engoliu em seco, sentindo-se ao mesmo tempo apavorado e animado por finalmente dar um fim àquele trabalho de parto. Hanji tomou uma postura séria e profissional, a voz em um tom confiante. — Você vai sentir a vontade de empurrar automaticamente, como um instinto, mas eu preciso que você se lembre de respirar entre as empurradas, entendeu?
—S-sim... — Eren assentiu e encostou a cabeça no peito do alfa. Levi estava concentrado atrás de si, confiança e apoio reverberando através da ligação de alma deles. Ele se sentia zumbindo, quase como anestesiado, como se um dever muito importante desligasse todos seus outros pensamentos e o deixasse focado naquele único momento.
—Nós vamos estar aqui para incentivar e ajudar nos empurrões, então você precisa nos deixar saber quando vier uma contração. Elas vão vir mais forte, mais duradouras e em menos espaço de tempo mas você consegue. Quanto mais forte, mais perto do seu bebê chegar, entendeu?
Eren engoliu em seco, assentindo e fechando os olhos para captar as informações.
—Certo, o comando é seu e nós vamos seguir o seu ritmo.
Eren ia perguntar “que ritmo” mas então novamente a pontada em suas costas o fez se contorcer e ficar rígido no abraço do alfa, puxando respirações desesperadas e curtas até prender a respiração, ranger os dentes e fazer força, como seu ômega interior comandava.
No fundo de sua mente, ele conseguia ouvir um cântico de “Empurra, empurra, empurra, empurra!!! Isso, Eren! Força, força, força!!!” e ele continuou empurrando até a exaustão e a necessidade de respirar queimassem seus órgãos internos.
—Respira fundo! Respira, Eren! — Hanji disse e ele estava tentando, porra! Mas até respirar doía!
Antes que ele pudesse reclamar, a dor veio novamente e ele empurrava forte como os gritos o guiavam. E em algum momento, gritos de dor e força começaram a soar pela sala e, levando em conta sua garganta dolorida, Eren apostava que era dele.
Quando mais uma das contrações terminou, ele estava vermelho e sem fôlego, lágrimas descendo por seu rosto e Levi pegou um pano molhado para limpar o suor de sua testa. O ômega estava muito fora do ar para se importar com Hanji checando sua dilatação e dizendo “mais alguns empurrões e a cabeça sai, Eren! Força, você consegue!”.
Ele estava com ódio daquele que tinha o engravido e sinceramente??
—Oh, você pode estar uma delícia nessa camisa, mas eu te juro, Levi Ackerman, você não vai colocar esse nó em mim tão cedo, seu filho da puta!!! Tem noção do caralho que é essa dor????
Levi nem ao menos reagiu, já tendo ouvido sua parcela de xingamentos durante aquelas últimas horas.
Mas depois de mais alguns empurrões e gritos, Eren não estava nem aí. A dor era tão grande que ele até esquecia dela. Esquecia das pessoas no quarto, de seu alfa o segurando, do ódio de não ter dado à luz ainda e ele só queria que aquele inferno acabasse! Agora o moreno chorava abertamente, dor paralisando de sua cintura para baixo e para ele toda aquela força não estava dando em nada!
-Não sai!! N-não sai!! Ele não quer sair!! Hanji, ele está preso!! — Eren gritou, começando a se preocupar ao não sentir nada escorregando para baixo. Todavia, a médica colocou a mão enluvada entre suas pernas e ergueu o olhar determinado.
—Eu sinto a cabeça, Eren. Mais alguns empurrões e o bebê está aqui.
Sem nem pensar direito e desesperado para aquela criança sair logo, Eren prendeu a respiração e empurrou o mais forte até aquele momento, dobrando-se por sobre a própria barriga para forçar o bebê a sair.
—Ok, Eren, uma pausa! — Hanji ordenou e colocou as duas mãos dentro d’água para organizar a cabeça do bebê e puxar os bracinhos para fora. — Me dê a sua mão para você sentir o bebê! — Rapidamente a médica pegou a mão que Eren oferecia e direcionou para o meio das pernas dele.
O ômega quase pulou de susto, olhos assustados quando sua mão tocou uma cabeça pequena e fios gosmentos, mas ele não conseguir sentir nariz e nem nada! Aquilo o deixou em pânico e Eren empurrou mais forte, ansioso para ver o bebê e checar se estava tudo bem com ele.
O grito estridente que ele fez veio acompanhado de um “plof” que fez com que a barriga murchasse de uma vez, mais ou menos para o mesmo tamanho de uma barriga de quatro meses. Mas isso não era tudo. Eren soltou uma arfada quando um corpo escorreu por si e Hanji enfiou as mãos na água para levantar um bebê pequeno, rosado e todo enrugado. Como instinto, Eren fechou as pernas e esticou os braços para que Hanji o entregasse o bebê, os braços do ômega e do alfa se fechando para proteger a pequena criatura.
Não havia palavras para descrever a sensação de uma criatura tão pequena em seus braços depois de horas de sofrimento. Mas Eren ignorou o sangue tomando conta da água, a sensação latejante em seus membros inferiores e tomou aquele bebê pequenininho, todo molhado e com um pouquinho de sangue condensado em sua pele enrugada.
Ele não abriu os olhos, mas franziu as sobrancelhas e deu um choro estrangulado, se movendo contra o peito do ômega, boquinha aberta como se procurasse algo.
Eren, que nos últimos meses teve as mamas ligeiramente mais inchadas e mamilos mais sensíveis, simplesmente segurou o bebê mais próximo, a boquinha arroxeada sendo direcionada para um dos mamilos do ômega. O bebê demorou para entender, mas com um pequeno massageio em seu peitoral, Eren conseguiu que o pouco leite que produzia saísse e o bebê começou a chupar por instinto.
Ômegas machos não produziam leite suficiente para alimentar uma criança. Apesar o suficiente para repassar hormônios e anticorpos. O restante da alimentação tinha que ser suplementado com leite especial, o qual a enfermeira foi buscar.
Agora, no entanto, era o momento deles. Com a respiração falha, o cansaço caindo como uma bigorna em seu corpo, Eren segurou o pequeno bebê perto. Levi, por sua vez, moveu as mãos para segurar o ômega e o bebê em seus braços e tinha uma das mãos nas costas do bebê enquanto a outra fazia um carinho quase medroso na cabecinha pequena dele.
Eren encostou a cabeça novamente contra o alfa, virando o rosto e enfiando o nariz na glândula aromática do mais velho para tentar se acalmar de todo o esforço e foi então que o garoto percebeu as lágrimas que escorriam silenciosamente do alfa.
—Levi? — Eren perguntou, voz rouca, dolorida e quase perdida, olhando com olhos assustados para a feição estoica coberta de lágrimas elegantes.
Ele só tinha olhos para o bebê nos braços do ômega, que, na visão de Levi, era o bebê mais amavelmente feio que ele já tinha visto.
Essa história de que bebês nascem bonito? Porra nenhuma.
Mas o patinho feio era dele e de Eren, então ele era perfeito.
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A enfermeira que trouxe a mamadeira com o leite de Abby veio acompanhada de outra que tinha uma balança e outras coisas.
Eren quase chorou quando pegaram o bebê deles e Levi teve que repetir mais de dez vezes para sua parte alfa que aquilo era preciso, que não iriam machucar o filhote e que ele precisava dar apoio ao ômega.
Abba Jaeger-Ackerman nasceu às 11:10 da manhã com 3,490 kg e 57 cm de comprimento, filho de Levi Ackerman e Eren Jaeger-Ackerman.
Depois da placenta ser retirada de Eren, o ômega e o alfa foram ordenados a tomar um banho até que Abba pudesse voltar da checagem normal que um recém-nascido passava. Já se sentindo nojento com o tanto de fluídos que pregavam em sua pele, Levi nem ao menos reclamou.
Ele teve que convencer e carregar todo o peso de um moreno cansado, e depois de banhar os dois e colocar o ômega em calças confortáveis de moletom e uma camisa de manga comprida, depositou-o com cuidado na cama do quarto.
Levi estava vestindo uma calça jeans escura, chinelos e uma camiseta branca simples, cabelo molhado devido ao banho que tinha tomado.
A esse passo, a piscina que foi usava para o nascimento já havia sido retirada – o que o alfa agradecia por não querer nem relembrar os fluídos em que esteve dentro.
Já Eren se sentia extremamente cansado, como se pudesse dormir dias sem parar, mas ele estava nervoso, olhando para todos os lados com olhos verdes gigantes e feição cansada, instintos protetores de ômega querendo o filhote por perto. E Levi não podia dizer que estava muito diferente. Ele queria o pequeno ali, na proteção deles, mesmo que o bebê ainda tivesse uma cara de 80 anos de idade.
Ambos suspiraram em alívio quando a porta se abriu com uma enfermeira trazendo um bebê chorando, enrolado em um cobertor azul e em um macacãozinho amarelo de leões que Levi escolheu. Ele tinha recebido o primeiro banhozinho, tinha tido os pulmões aspirados e estava chorando com saudades do mama e por que queria comida.
A mulher se aproximou lentamente, com um sorriso gentil, e Eren nunca admitiria que quase arrancou a criança dos braços dela de ciúmes.
O bebê era dele, porra!! Agora além de quererem o seu alfa, ainda querem o seu filhote??
A raiva passou imediatamente quando o pequeno pacotinho se alinhou a si e o choro diminuiu quando reconheceu o cheiro daquela pessoa. A mamadeira com leite especial foi entregue a Eren e ele olhou para o alfa com o olhar mais perplexo do mundo e Levi deu a volta na cama para assistir o garotinho abrir a boca e se acostumar com o bico de plástico, bem diferente do mamilo por onde tinha mamado antes. No final das contas, Abby começou a chupar novamente e ficou caladinho, olhinhos fechados enquanto se alimentava.
A luz do quarto, que antes estava bem mais clara, foi abaixada para um tom amarelo mais escuro, cortinas fechadas para que tanto o ômega quanto o bebê se sentissem mais à vontade para o processo de amamentação pela primeira vez. Estabelecer esse vínculo com o bebê assim que ele nascia era importante e nenhum dos pais parecia preparado para abrir a porta e deixar o mar de gente lá fora roubar aquele momento precioso. Além disso, Abby ainda era sensível à luz e por isso era provável que ele ainda não abriria os olhos por alguns dias. Assim, manter as luzes baixas era importante para o bebê.
Eren o observava de pertinho, segurando o bebê como se pudesse protegê-lo do mundo e observando a pele rosada e enrugada, fios negros na típica cabeça grande de bebê. Ele sentiu Levi se aproximar e olhar a cena por cima de seu ombro, mapeando seu ômega e seu filhote enquanto o alfa interior derretia em contemplação. Mas o ômega nem desviou o olhar, olhos verdes com pupilas dilatadas absorvendo cada detalhe da criança em seus braços.
—Hanji estava certa... — O ômega sussurrou, voz baixa, rouca e cheia de adoração. — Ele tem o seu nariz... — Disse, acariciando a bochechinha com um dedo que ele conseguiu livrar da tarefa de segurar a mamadeira.
—Hm. — Levi grunhiu em resposta, olhos focados no momento íntimo que compartilhavam. Ele nunca imaginou que teria a sorte de vivenciar um momento como esse, mas aqui estava Eren, dando-lhe tudo e muito mais. -Ele não tem sobrancelhas. — Afirmou, observando a pequena camada de pelos finos no local onde deveria ter sobrancelhas.
Eren deu uma risadinha fofa e olhou para o alfa com olhos grandes e brilhantes, uma feição tão em paz que o mais velho simplesmente se sentiu relaxar e se sentou ao lado do moreno, apoiando o queixo no ombro dele.
—Bebês não têm sobrancelhas, alfa. — Eren disse em um tom brincalhão, voltando a olhar para o bebê e percebendo que o filhote cuspiu a mamadeira, movendo os lábios até descansá-los e depois abrindo a boquinha de forma ávida enquanto franzia a testa e movia a cabeça para tentar recapturar sua fonte de alimento. — Aposto que ele vai franzir a testa igual a você.
Como em automático, Levi franziu as sobrancelhas e buscou alguma coisa no bebê para jogar na cara de Eren também.
—Ele tem os seus lábios de coração.
Mas o efeito foi o contrário.
O ômega deixou um sorriso tranquilo e gentil tomar seus lábios, sorrindo para o filhote em mãos e observando os lábios cheios e rosados que, realmente, tinham o formato de um coração.
—Mas ele é uma cópia do papa, hm, Abby? — Eren disse quando o pequeno terminou de se alimentar, barriguinha cheia e quente de leite, uma feição tranquila tomando o rostinho dele e avisando os pais que agora era o momento da soneca.
Eren entregou a mamadeira para Levi, que a deixou em cima da cômoda ao lado da cama e voltou a se virar para sua família.
O moreno agora tinha a mão que antes era ocupada, traçando com mais afinco o nariz arrebitado, as bochechinhas cheias e rosadas, os lábios de coração e a pele rosada que mais tarde provavelmente daria origem à pele pálida que herdou do alfa.
O tufo de cabelos negros e finos foi o próximo alvo do ômega, que acariciou a cabeça com cuidado e quase medo de machucar o bebê sem querer.
—Graças a Deus ele não vai ter o ninho de rato que é o meu cabelo. — Eren disse num tom que não combinava com a aversão que ele tinha pelos próprios fios. Levi riu nasalmente ao seu lado.
—Você acha que ele vai ter os olhos de quem? Eu quero que tenha os seus, caso o contrário ele será um bebê assustador.
Levi diz com sobrancelhas franzidas e pensativas e Eren não consegue segurar a risada alta, logo tampando a boca para não perturbar Abby.
—Nã-ãh... — Eren olhou para o alfa e depois para o bebê, sorrindo e se transformando na imagem da felicidade. — Com essas bochechinhas gordinhas e rosadas é impossível ele ser um bebê assustador... — Eren riu e depois virou o rosto novamente para o alfa, um sorriso provocador em seus lábios mas os olhos suaves e tranquilos. — ...mesmo que já nasça com a carranca do pai.
Levi pôs uma expressão desgostosa no rosto que só serviu para provar o ponto de Eren, o qual deu gargalhadas baixas e se aproximou para dar um beijo no alfa, e depois outro e depois outro... E quando ele viu, já estavam plantando beijos castos no rosto um do outro, Abby dormindo tranquilamente nos braços de seu mama.
—Eu te amo, Levi... — Eren sussurrou, olhos brilhantes com lágrimas contidas enquanto encostava a cabeça no travesseiro que tinha nas costas e deixava o alfa beijá-lo o quanto quisesse.
—Obrigado, Eren, meu ômega... — Levi disse, cada palavra separada por um beijo que transbordava respeito e veneração.
Depois de anos e anos, Kuchel sempre esteve certa e Levi nunca se sentiu tão em paz com as escolhas que o trouxeram até aquele momento, nem um pingo de arrependimento enquanto observava todo o seu mundo logo à frente de seus olhos.
—---
Meia hora depois, o quarto privado de Eren estava lotado, quase como uma feira. Exceto que todos os visitantes só sussurravam, assustados demais com o olhar de Levi para aumentar o tom de voz e arriscar acordar Abby. Nem mesmo as enfermeiras conseguiram impedir aquela gigantesca família que agora se amontoava ao redor da cama do ômega para observar a pequena criatura em seus braços.
Levi permanecia encostado na parede ao lado da cama, braços cruzados em uma atitude protetora enquanto todos aqueles pirralhos olhavam com olhos arregalados para o pequeno Abba.
—Ele é tão rosa. — Jean foi o primeiro a falar, olhos arregalados focados na criança, quase como sem conseguir acreditar que Jaeger tinha feito aquilo.
—Bebês são rosa ou roxo, cavalo. — Eren retrucou, mas a voz era baixa, machucada devido aos gritos do parto e ele realmente não conseguia achar um pedaço em si que realmente queria ofender naquele momento.
—Merda, então a gente apostou errado. — Jean respondeu quase na mesma forma, sem nem se importar em implicar com Eren. Ele nunca tinha visto um bebê tão de perto e saber que seu amigo tinha feito aquilo...aquela criança tão frágil e fofa e... impossível! Eren era estúpido demais para ter um bebê tão bonitinho!
—É tão fofinho... — Marco sussurrou, mãos juntas e apertadas em uma bolinha como se não conseguisse se conter em tentar pegar o bebê.
Krista tinha um sorriso enorme no rosto, olhos azuis brilhantes enquanto Ymir a segurava por trás, queixo apoiado no topo da cabeça dela e observando o bebê enquanto estava perdida em pensamentos.
—Eren, ele é lindo! — A loira disso e até mesmo Reiner e Bertholdt concordaram, ambos com as bocas abertas de admiração enquanto tentavam absorver os detalhes do filhote que fechava as mãozinhas pequenas na blusa de Eren.
—Olha esse cabelinho! Ele não deveria nascer careca? — Sasha perguntou, ela e Connie observando o bebê quase como se babassem em cima dele.
—Hanji disse que deve cair depois, mas esses cabelinhos devem ser a razão do porque eu tive enjoo por muito tempo... — Eren respondeu calmo, sorrindo para os amigos e depois voltando o olhar para o filho.
Armin sorria para Eren de longe, tentando dar suporte à uma Mikasa que chorava um rio de lágrimas enquanto estava encostada na parede. O loiro tentava acalmá-la e passava lenços para que ela pudesse assoar o nariz enquanto balbuciava algo sobre como o irmãozinho dela estava crescido, como o Abba era lindo apesar de ter Levi como pai e outras coisas que variavam entre agressões verbais ao alfa e adoração suprema ao ômega.
Annie aparentemente não pôde estar presente, mas Eren viu que, em algum momento, Mikasa se recompôs e estava em uma chamada de vídeo, apontando o celular para o bebê e chorando enquanto conversava com a loira do outro lado.
Enquanto os jovens estavam celebrando o milagre do nascimento, Carla estava abraçada com Hannes em um lado da sala, assistindo com admiração uma de suas crianças dar-lhe um neto. Do outro lado, dois homens ficavam lado a lado assistindo à comoção de longe. Um tinha um buquê de flores que segurava nervosamente e o outro tinha quase todo o olhar coberto por um chapéu.
—Ele é tão pequenininho... — Jean voltou a falar e dessa vez Eren riu, porque mesmo daquele tamanho, aquele garoto quase rasgou o seu interior todo.
—Assim como o papa... — Mas é claro que a provocação não foi deixada de lado e assim que ouviram, os mais corajosos riram e Levi franziu as sobrancelhas para a menção de sua altura, não perdendo um segundo para virar a situação para o lado dele.
—Calado, Jaeger, eu nunca vi você reclamando que era pequeno. Pelo contrário, os seus gritos d-
—Meu deus!! Na frente da criança não!!! — Krista gritou da forma mais suave possível, olhar horrorizado enquanto tentava ser a pessoa que não deixava a conversar ir para aquele lado.
Os jovens riram e Levi tinha um meio sorriso nos lábios.
—---
—Você lembra o que a Kuchel te disse antes de morrer? — Foi a primeira coisa que Kenny disse quando Levi saiu do lado do ômega e foi até o tio do outro lado do quarto. No momento em que ele se encostou na parede ao lado do Ackerman mais velho, Grisha, que estava com um buquê com 4 rosas na mão foi em direção à Eren.
Ele observou o pai de seu ômega ir até ele e ambos iniciarem uma conversa enquanto sua mente buscava aquela memória específica.
É claro que ele lembrava o que sua mãe havia dito no leito de morte, momentos antes de falecer devido à um câncer. Deitada na cama, Kuchel tinha o rosto mais pálido que o usual, olhos mais baixos do que a genética Ackerman providenciava e seus ossos da bochecha mais pronunciáveis devido à perda de peso.
Os longos cabelos negros que o pequeno Levi ajudava a pentear já estavam oleosos e quebradiços, tufos caindo cada vez que os dedos pequenos de criança passavam por ele. Depois de aguentarem boa parte sozinhos, Levi tendo que se esconder no armário da cozinha quando outro homem estranho ia conversar com a mamãe no quarto, Kenny finalmente apareceu.
Ele observava a irmã à beira da morte, se esforçando para pronunciar as palavras diante da fraqueza, mãos finas e dedos ossudos passeado pelo corpinho pequeno de seu único filho.
Levi não se importava, ele só queria que a mamãe o segurasse e não fosse embora. Mas ele sabia que aquilo era uma despedida.
Colhendo as lágrimas silenciosas da criança, Kuchel expôs todo o amor por ele e pediu desculpas por não poder acompanhar o crescimento de seu garotinho. Levi tentou ser o mais forte possível, como ele sempre tentava ser, e prestou bem atenção nas últimas palavras de sua mãe com medo de que ele fosse esquecer a voz da mulher se perdesse qualquer palavra preciosa.
“Não importa o que te digam, Levi, não importa o quanto de dinheiro ou fama você tenha.” — Ela dizia, voz rouca e fraca, mãos acariciando os fios negros que caiam na testa da criança. — “A maior conquista de um alfa é achar o seu ômega. Essa sociedade é estúpida por não conseguir ver como os ômegas são o topo da cadeia. Sem um ômega, um alfa não é nada.” — Kuchel dizia, sorrindo gentilmente para o olhar confuso do garotinho. Levi ainda era muito novo para saber o que era um alfa ou ômega mas ele achava as palavras esquisitas e, tendo as ouvido tantas vezes, acabou por memorizar todo o discurso da mãe.
“Meu pequeno Levi, um ômega pode te dar tudo... uma casa, um futuro, um amor... mas ele também pode te tirar tudo e te deixar na miséria. Eu mesma fiz vários alfas miseráveis. Mas eu quero que você saiba que a escolha é sua e que você deve fazer aquela que te trará menos arrependimentos.”
A frase ecoou na cabeça do Levi adulto assim como ecoara por tempos na cabeça do Levi pequeno. Quando pequeno, ele ainda lembrava como era a voz de Kuchel mas não sabia o significado de todas aquelas palavras. Quando adulto, ele infelizmente não lembrava da feição da mãe detalhadamente, a voz tinha se perdido há muito tempo. Todavia, olhando para o ômega na cama, um sorriso brilhante, cansado e preocupado enquanto o filhote passava de braço em braço, Levi soube que, se não fosse o ensinamento de Kuchel, provavelmente teria muita raiva do mundo para se permitir ser feliz daquele jeito.
Ele respirou fundo e apenas assentiu com a cabeça, ouvindo um murmúrio de concordância do tio.
—Baixinho, eu fico aliviado que você não se tornou mais um Ackerman miserável. — Kenny diz, quase num tom brincalhão, porém com sobrancelhas franzidas como se tentassem ver um erro que havia feito no passado. Levi o olhou por breves segundos, imaginando o que poderia ter feito o tio tão miserável, mas assim que viu o homem retirar um pacote de cigarros, foi a vez dele franzir as sobrancelhas.
—É proibido fumar no hospital.
—Aye, Aye! — O homem deu-lhe um sorriso torto, cigarro entre os lábios, e se virou para a entrada do quarto, já pronto para sair. Ele, no entanto, colocou uma mão no ombro do sobrinho e o apertou, o gesto mais amigável que conseguia ter.
—Parabéns.
E com isso, Levi observou Kenny sair do quarto, uma enfermeira se aproximar dele e dizer que fumar só era permitido lá fora. A porta se fechou antes que Levi pudesse ver o final da cena e mesmo que soubesse que Kenny provavelmente sumiria por meses, simplesmente não era algo que pudesse mudar.
Se afundar em cigarros e bebidas foi uma escolha que ele tinha feito e agora Levi tinha outras prioridades, como observar a interação de Eren com Grisha.
Ele sabia que Eren não falava com o pai há meses e foi uma surpresa para ambos ver o alfa esperando um segundo para falar com o moreno enquanto trazia um buquê de quatro rosas. De primeira, Levi se perguntou quem teria chamado Grisha, mas ao ver Carla parecer satisfeita, imaginou que a mulher, ainda que divorciada, gostaria que Grisha visse o neto.
Levi não teve tempo de questionar o que Eren sentia ao ver o pai ali com todas as pessoas ao redor e quando foi falar com Kenny, foi o momento em que Grisha escolheu falar com Eren, quase como se esperando um momento para falar com o filho sem que o alfa estivesse por perto.
Com passos hesitantes, Grisha, típico cabelo longo e óculos redondo, se aproximou da cama onde Eren estava. Olhos verdes grandes e brilhantes, acompanharam o pai por parte do trajeto mas quando o homem chegou próximo o suficiente, Eren simplesmente não conseguiu mais manter o contato visual e voltou o olhar para o bebê que tinha voltado para seus braços.
Ele soube o que estava vindo antes mesmo de Grisha parar ao seu lado e não havia palavras para descrever como a voz do pai o afetou depois de anos de ressentimento e mágoa.
—Oi. — Foi o que o mais velho disse, uma pitada de medo soando pelo tom baixo que usou enquanto colocava as rosas na mesa ao lado da cama. Eren se perguntou se aquilo era tão estranho para o homem quanto para ele.
—Oi, pai. — Ele respondeu, a frase saindo muito mais difícil do que ele achou que sairia. O ômega queria, realmente, poder levantar os olhos e sorrir para o mais velho, estender a criança e mostrar a preciosidade que tinha nos braços.
Mas alguma coisa... alguma sensação, alguma mágoa ainda fazia doer erguer o olhar e olhar para Grisha. Ainda doía ter que falar a palavra “pai” para ele quando, para Eren, um pai de verdade não abandonaria a família pela secretária do hospital onde trabalhava.
—Sua mãe me ligou. — Grisha começou, vendo que a iniciativa não viria de Eren. — Ela disse que você tinha entrado em trabalho de parto.
Na cabeça de Eren, ele, ao mesmo tempo que queria ter superado a situação, quis responder de forma petulante um “ou talvez eu goste de roubar o bebê dos outros e ficar sentado na cama de um hospital”. Ele sabia que não era uma atitude adulta e solucionar o elefante no meio do quarto não era uma das coisas que Eren ansiava em fazer quando tinha um pequeno Abby bem protegido em seus braços.
—Sim... — No fim, foi isso que respondeu. Quase curto e grosso, mas com a voz tranquila para não transmitir seus sentimentos para o bebê.
—Esse é o...? Eu posso...? — Grisha não perdeu um segundo quando viu Eren acariciar a bochechinha do filhote em seus braços, boa parte do corpinho escondido pelo cobertor.
Eren automaticamente congelou quando a frase fez sentido em sua cabeça e ele olhou para o mais velho com a feição impassível, quase como se pronto para desafiá-lo e chutá-lo para fora do quarto. Mas então ele olhou para o bebê de novo e engoliu em seco, querendo ser mais maduro e ao mesmo tempo querendo que aquela interação acabasse o mais rápido possível.
—Claro. — Foi sua resposta apertada, baixa, mas com uma promessa forte escondida no meio das sílabas. Ele buscou o olhar de Levi enquanto se virava e recebeu instantaneamente todo o apoio que precisava para estender o bebê e entregar para Grisha.
Como médico, o homem sabia muito bem pegar um recém-nascido, mas ainda assim Eren percebeu que ele tremia quando estendeu os braços para pegar a criança com o maior cuidado do mundo. Isso fez o ômega se sentir mal por pensar que Grisha poderia fazer algum mal ao bebê, mesmo que irracionalmente.
—É tão pequeno... — O homem riu, usando um dedo carinhoso para puxar o cobertor e apreciar a feição do neto. Lentamente, ele balançava os braços, como sempre fazem com um bebê. — Quase do mesmo peso que Zeke. — Acrescentou e Eren fez um esforço muito grande para tentar responder com mais de uma sílaba.
—Seu outro filho? Quantos anos ele tem? — E sem querer a frase ainda saiu com uma conotação ruim, um som meio amargo e Eren mordeu os lábios e abaixou os olhos quase com vergonha de si mesmo. Não era a intenção dele, mas simplesmente saiu.
Pelo canto de olho, ele viu que Levi trocava o peso de uma perna para a outra, como se preparado para intervir e Eren ia olhar para o alfa quando Grisha respondeu e tomou a sua atenção.
—Cinco meses.
Cinco meses. Dina havia engravidado cinco meses antes dele. Ele estava tendo um filho e um meio irmão quase ao mesmo tempo.
—Oh...Wow...
—Bem próximo, huh? — Grisha riu, ainda balançando o bebê e olhando com suavidade para a criança. Ele lembrou do pequeno Zeke esperando com Dina em casa, mas ao mesmo tempo se censurou porque ali era Eren e o pequeno filhote dele.
—Yeah... — Foi a única coisa que o ômega foi capaz de dizer, abaixando o olhar para as mãos vazias que já começavam a sentir falta do peso de Abby. Ele quis estender o braço e pegar Abby de volta, mas se segurou, apenas prolongando o silêncio desconfortável que nem mesmo Grisha poderia ignorar.
O homem tinha uma capacidade de ignorar os próprios problemas, o que deixava Eren muito puto quando ouvia Carla gritando com o pai e Grisha a olhando como se entrasse por um ouvido e saísse por outro.
—Eren, filho... — Ugh, Eren também não sabia como descrever a reação que teve ao ser chamado de filho por aquela figura masculina depois de tanto tempo.
—Sim. — E dessa vez soou mais duro, mais impaciente. Grisha sabia que estava esgotando a paciência que o moreno tinha.
—Eu sei que você ainda tem raiva pelo o que aconteceu entre eu e a sua mãe. — E ainda assim resolveu tocar no assunto que metade da sala estava evitando. Eren havia reparado em como Mikasa parecia rígida ao ver o pai adotivo, em como Carla mantinha um rosto virado para a janela, conversando baixinho com Hannes e em como o restante tentava ignorar a tensão do quarto.
—Isso foi há muito tempo. — Ele disse, mas novamente o tom saiu pesado, mãos apertando o lençol que cobria as pernas.
—Mas eu sei como te afetou.
Oh, sério? E depois de anos ele vem dizer que todas as brigas, a separação sendo levava para um maldito fórum, o afetaram? Incrível. Eren estava realmente tentado a bater as palmas em sarcasmo, mas então:
—Eu só... Eu queria que você soubesse que eu estou feliz que você esteja feliz.
A frase caiu como uma bomba, calando os pensamentos turbulentos de Eren em um segundo e provocando um silêncio perplexo.
Não era o pedido de desculpas que Eren esperava, não era a admissão do quão merda ele tinha sido quando abandonou Eren e Mikasa por uma ômega. E ainda assim, a maldita frase causou uma ardência não bem-vinda nos olhos esmeraldinos.
—...obrigado. — Ele respondeu, mais baixo porque sua garganta estava sendo comprimida e ele não queria, não queria ter que se submeter a uma frase que nem ao menos fazia jus ao quanto ele e Mika e Carla sofreram.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—E que você sabia que você e a Mikasa ainda são meus filhos e que eu tenho orgulho de vocês.
Ele não queria chorar. Ele já tinha chorado demais por aquilo. Não mais, não mais, não mais.
—Ok. — Foi o máximo que conseguiu, garganta doendo e quase chorando enquanto seus feromônios espalhavam angústia pela sala. Quase como se respondesse a um chamado, Abba percebeu o estado de seu mama e começa a chorar estrangulado e a se remexer no colo de Grisha.
—Oh wow, acho que ele está com fome? — Assustado com a reação imediata do bebê, que até então estava tranquilo, Grisha ainda tentou acalmá-lo, mas então Eren já estava com os braços estendidos, ansiando o filhote de volta. -Aqui vai então... — Ele diz, entregando-o para Eren novamente e vendo o filho dar total atenção à criança, nenhuma pista de que eles iriam continuar a conversa.
—Obrigado por ter vindo e pelas flores. Manda um oi para a sua família. — Foi o que Eren disse, sem nem olhar novamente, ouvindo o homem concordar e se afastar. Ele viu pelo canto do olho quando Grisha abraçou Mikasa, que devolveu o abraço meio endurecida e o viu assentir para Levi antes de sair e fechar a porta.
Foi como se o clima melhorasse instantaneamente, e o ômega soltou uma respiração pesada, lágrimas escorrendo livremente enquanto se encostava na cama e distribuía beijos pela testa franzida de Abby.
Em um segundo, Levi estava ao seu lado, exalando feromônios que deixaram tanto o ômega quanto o bebê mais calmos e sonolentos.
E depois que boa parte dos visitantes anunciou que precisavam ir embora, Eren se encontrou na companhia de Armin, Mikasa, Levi e Carla. Hannes aparentemente ainda tinha trabalho depois do almoço e precisou ir embora logo depois de Grisha, os balões que tinha trazido ainda presos na cabeceira da cama.
Dessa vez, quem se aproximou foi a mais nova vovó, um olhar suave sendo direcionado ao filhote ainda agitado, que se agarrava às vestimentas de Eren e soltava sons estrangulados. Carla nem ligou, os olhos castanhos lacrimejando quando olhou para o filho segurando o bebê. Ela deu-lhe um abraço terno e beijou a bochecha do ômega, limpando com um polegar as lágrimas que desciam pelas bochechas.
—Os seus nove meses de espera acabaram, Eren. — Carla diz, sorrindo gentilmente quando Eren encostou-se nela, como uma criança procurando carinho da mãe. Afagando os fios bagunçados e castanhos, ela deu uma risadinha e levou um dedo para passear pelas bochechinhas de um Abby que passou a mover o rosto contra o tronco de Eren, como se buscando mamar.
—Sim, agora nós temos uma vida juntos, né, baby Abby? — Eren disse, usando uma mão para limpar as lágrimas e depois respirando fundo para se recompor e observar com carinho as ações da criança.
—Claro, mas antes você tem que dar de mamar e superar os dias sem dormir. -A beta riu para a expressão de cachorrinho chutado de Eren, o qual finalmente parou para pensar no provável inferno que iriam passar até Abby dormir a noite toda. O ômega fez um biquinho grande e choramingou quando olhou para o bebê como se implorasse que ele fosse um bom menino. Carla pareceu ainda mais divertida.
—Finalmente você vai provar do estresse que eu passei com você. — Ela disse, uma expressão triunfante enquanto Eren abria a boca em indignação e assistia a mão enxotar os amigos para o quarto. — Vamos, Armin, Mikasa. Deixa os dois com o Abby porque quem faz é quem cuida! — E com a frase muito tranquilizadora, os três deixaram o quarto.
Eren olhou para Levi imediatamente, olhos grandes transparecendo todas as dúvidas que de uma vez o assolaram.
—Você está preparado?
Levi deu de ombros e veio sentar-se ao lado de Eren na cama, cutucando uma das mãos do bebê e logo tendo o dedo agarrado com força por uma mão tão pequenininha que ativou todos os instintos protetores do alfa.
—Não acho que tenha como alguém se preparar para isso. — Ele disse, mas apesar da frase, o olhar cuidadoso estava observando cada detalhe do filhote novamente e quando Eren entendeu que Abba provavelmente estava com fome de novo, puxou a gola da camisa e direcionou o mamilo para a criança.
Abby pegou imediatamente e se acalmou quando estava tão próximo de seu mama, sentindo o calor e o batimento do coração dele.
—Você acredita que nós fizemos ele? — Eren perguntou, deslumbrado mais uma vez. E provavelmente ele iria se deslumbrar com Abby o restante de suas vidas, nunca cansando de observar o pequeno ser que trouxeram à vida.
—Nós somos bons para caralho nisso. — Levi respondeu, uma voz séria enquanto observava a combinação perfeita dos genes deles. Eren deu uma risada alta, bochechas se corando rapidamente e depois deu um tapa na coxa do alfa, como se o chamasse atenção pelo palavreado.
Um silêncio confortável se fez entre eles, ambos observando o bebê que sugava as últimas gotas de leite materno e começava a se agitar por querer mais. Eren rapidamente trocou o lado e agora a cabeça de Abba estava virada para o lado onde Levi estava, ambos pais o observando com afinco.
—Obrigado, Levi... — Eren sussurrou, um sorriso tranquilo e olhos brilhantes enquanto ergueu o olhar para passear pelo rosto bonito de seu alfa. Levi imediatamente o olhou com a mesma intensidade e carinho e abaixou-se para dar-lhe um selinho suave.
—Eu que agradeço, meu ômega. — Sussurrou contra os lábios de seu garoto e depois abaixou-se para deixar um beijo casto da testa do filhote. — Obrigado, Abba. — E quando ele se endireitou para ver sua família, Eren o estava olhando com um sorriso brincalhão no rosto, tão feliz que já não conseguia mais conter a empolgação de ter o filho deles nos braços.
—Você soa tão autoritário chamando ele de Abba. — Eren deu uma risadinha para as sobrancelhas franzidas do alfa e sorriu ainda mais quando abaixou o olhar e viu que Abby franzia as sobrancelhas sem motivo algum. — O papa vai ser um papa mau, né baby Abby? Ele não vai deixar você comer doces antes do almoço... — Eren sussurrou quase como um segredo. Levi levou a sério.
—Claro que não, ele tem que comer nutrientes saudáveis para crescer. — Eren quase riu daquela ironia mas decidiu deixar o alfa se iludir. — E eu tenho certeza que vou ter que ser o que manda vocês dois escovar os dentes antes de dormir, além de te impedir de querer manter o pirralho em casa quando ele tem que ir para escola.
—Eii!! Eu não ia fazer isso! — Eren franziu as sobrancelhas, olhando indignado para a acusação. Levi arqueou uma sobrancelha.
—Você quase mordeu a enfermeira quando ela levou o filhote para medir o peso. — E então Eren inflou as sobrancelhas de forma que fez o alfa esboçar um sorriso de canto e ambos voltaram a observar o bebê que já se acalmava após estar com o estômago saciado.
—Mesmo que o papa seja um papa mau, seu mama vai recompensar você, ok Abby? E nós dois já te amamos tanto... — Ele disse, quase em sofrimento real de tanto amor quando retirou o bebê de seu mamilo e ajeito a criança no colo, Levi ainda com um dedo sequestrado pelo garoto. — Sempre vamos te amar, baby Abby. E vamos te proteger, lutar as suas batalhas com você e, se preciso, nos tornaremos os mais fortes da humanidade para te fazer feliz. Obrigado por vir para nós, Abby, te amamos para sempre...
E como se tocado pelo discurso, como se ansioso para olhar nos rostos dos pais, duas bolas verdes brilhantes se abriram e o bebê encarou a feição surpresa daqueles que o olhavam tão atentamente. Não foi preciso nem mais uma palavra, tudo sendo transmitido pelos olhos lacrimejantes do alfa e do ômega, pela atenção e devoção refletidas nos olhos gigantes de Abby e pelo amor que exalava daquela sala.
Foram nove meses que iniciaram uma jornada que tanto Eren quanto Levi estavam lisonjeados em enfrentar.
FIM
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