Notas iniciais
Okay, listen here folks! Eu ia postar esse capítulo só na terça de Natal mas eu estou muito ansiosa não sei por que??? Resolvi postar logo! E vamos à reflexão antes desse capítulo fofo que eu amo!! Bem, nos últimos dois capítulos, Levi não tem sido nada menos que perfeito. Todo carinhoso, compreensivo e paciente. Mas você já pararam para pensar que ele é humano e que, sabendo a personalidade dele, se irrita muito fácil? Já pararam para pensar que ele se cansa e tem que esconder toda a frustração que sente para não deixar isso atingir o Eren? E que esse comportamento é destrutivo para ele? O mais forte da humanidade não passa de um humano tentando levar tudo nas costas sozinho e às vezes ele só precisa de um abraço e de carinho! Lembrem-se que o quarto mês traz um monte de hormônios que induzem um desejo sexual enorme! Uma boa leitura!

Cansado.

Levi estava cansado.

Erwin tinha passado mais uma porrada de casos para ele e marcado uma tarde de reuniões para acordos entre clientes. E ele não estava com saco para isso. Uma dor fina despontava na parte de trás de sua cabeça, resultado de estresse contido e noites mal dormidas.

A verdade é que agora ele ficava acordado até horas da madrugada não por causa da insônia mas por que Eren tinha seus momentos de reflexão depois das 23 horas e então Levi tinha que deitar com ele e ouvir todos os medos e receios que o garoto tinha a respeito do primeiro filho deles. E apesar de amar ouvir as expectativas do ômega, Levi estava cansado.

Nos últimos dias, ele está estourando cada vez mais com o pessoal do escritório. Uma reunião em cima da hora ou um documento posto no lugar errado era o suficiente para que ele ordenasse em voz alta que todos aqueles incompetentes começassem a fazer a merda do trabalho deles direito se não Levi mesmo iria chutá-los fora daquela empresa.

E depois de cinco anos sendo amansado por Eren, ninguém realmente esperava ter o “Capitão Levi” de volta.

A verdade é que antes do ômega, Levi era um demônio ao redor do escritório. Prazos tinham que ser seguidos à risca, erros eram inadmissíveis e limpeza era tão importante quando vencer um caso. Apenas os advogados mais competentes eram aceitos em sua equipe, a qual era conhecida como “Esquadrão de Elite”, devido ao baixo número de casos perdidos.

Eld e Gunther observaram o chefe sair da sala de Erwin bufando, sobrancelhas tão franzidas que poderiam se fundir a qualquer momento.

—É impressão minha ou ele parece mais irritado a cada dia? Ontem mesmo ele xingou um estagiário em francês porque o garoto colocou açúcar no café dele. — Eld cochichou para o colega de trabalho, o qual balançou a cabeça em derrota.

—O ômega dele está grávido. O capitão tem que andar sobre ovos com todas aquelas alterações de humor.

O loiro arregalou os olhos em compreensão, acenando como se desse toda a razão para o chefe. Depois que Levi arranjou um ômega todos do escritório passaram a honrar o garoto, pois Eren foi capaz de amansar o homem aos poucos e sem um Levi sempre a um passo de ser enfurecido, o trabalho tinha ficado um pouco mais fácil.

Ele ainda era muito exigente e taciturno e quase nunca aceitava erros, mas agora as pessoas tinham mais coragem para olhar nos olhos dele sabendo que o chefe tinha um ômega amável que conseguia fazê-lo ser um alfa paciente e presente.

Essa ideia fazia com que as pessoas tivessem mais coragem de abordar o alfa, sempre tentando apelar para o lado alfa carinhoso que era apenas destinado ao ômega dele.

Bem, nem sempre dava certo.

Agora, no entanto, com Eren grávido e Levi tendo que se controlar e manter todas suas frustrações para si a fim de evitar que seu ômega se irritasse e fizesse mal ao bebê, o escritório inteiro sofria com a volta do “Capitão”.

Apenas quando Levi entrou na sua sala e fechou a porta atrás de si, os outros empregados se permitiram a respirar normalmente, alguns limpando o suor da testa, outros de olhos arregalados e outros afrouxando a gravata e se recostando na cadeira com um suspiro pesado.

Dentro da sala, Levi tentava lidar com uma pilha de malditas folhas, irritação tomando o melhor de si e sinceramente?? Foda-se essa merda!

Ele nem ao menos checou o número que o ligava, apenas pegando o aparelho celular e levando-o ao ouvido. Em cima de sua mesa de ébano uma pilha de papéis havia sido deixada por sua secretária, Petra Ral e ele estava tentado a pôr fogo naquele caralho.

Maldito Erwin achava que ele era um fodido robô para dar conta de toda a papelada da empresa e ainda ir a conferências e reuniões da Wings of Freedom. Portanto, sim, ele estava puto e irritado o suficiente para não dar a mínima para quem quer que estivesse ligando e atendeu a ligação já com uma resposta rude na ponta da língua.

Isso é, até ouvir a voz do outro lado da linha.

“Levi!” — A voz de Eren soou agitada e sem fôlego e Levi automaticamente fechou os olhos, soltando o papel que tinha em mãos para dar atenção ao ômega e tentando soar o mais suave possível.

—Eren? O que houve? — A voz ligeiramente cansada perguntou, enquanto o mais velho apertava a ponte do nariz, sentindo a tensão esvair de seus ombros só por ouvir a voz de sua alma gêmea.

“Levi, é uma emergência!”

E então toda a tensão voltou de uma vez, talvez até maior, quando os olhos azul acinzentados se abriram de uma vez e o instinto protetor de alfa começou a preparar seu corpo com adrenalina.

—Eren? Você está bem? O que houve? O bebê está bem? — Sem esperar a resposta e sem pensar duas vezes, Levi levantou-se da cadeira, agarrando o terno que estava pendurado no cabide, as chaves do carro e procurando a maldita carteira que sumia quando ele mais precisava.

Eren estava de quatro meses. Eles já haviam passado da fase em que aborto espontâneo era mais comum. Será que...

Seu sangue correu gelado, a respiração já curta e seu alfa interior rugindo de preocupação, ansioso para chegar até seu companheiro.

Ouvindo a respiração ficar rarefeita e sentindo a preocupação refletir na ligação deles, Eren tratou de tentar explicar o... bem, o problema.

“Levi, eu e o bebê estamos bem, calma!”

Soltando uma respiração que nem sabia que tinha prendido, Levi manejou acalmar momentaneamente seu lobo interior e fechou os olhos, tentando se acalmar e pensar com mais racionalidade.

“Mas eu preciso de você aqui, nesse exato momento!! É uma emergência!”

E lá estava, uma frase e Eren conseguia deixá-lo uma pilha de nervos.

—Porra, Eren, o que aconteceu?! — Jogando alguns papéis no chão — coisa que jamais faria em sã consciência — Levi revirou os olhos de irritação quando achou a carteira e a colocou no bolso, celular pressionado contra rosto e ombro e um dos braços já entrando na casaca do terno.

B-bem, é que, uhm, e-eu estou com um problema muito, muito importante!”

Diversos cenários se passaram pela cabeça do mais velho. Desde Eren caindo do jeito desastrado que era e se machucando, até alguém invadindo o apartamento deles e obrigando o ômega a ligar para o advogado ou a casa pegando fogo por causa do moreno se aventurando na cozinha.

Seja qual for a situação, ele já estava praticamente jogando a porta do escritório no chão e recebendo um olhar alarmado de Petra. Ele já tinha a frase preparada para jogar para ela, avisando Erwin que teve uma emergência com seu ômega grávido, quando a voz, dessa vez mais baixa e cabisbaixa soou novamente.

“É que e-eu estou com muito tesão...” — O final soou quase como um sussurro e Levi parou como uma estátua no meio do corredor, a secretária ruiva, já preparada para anotar qualquer que fosse o comando, o olhando confusa.

Silêncio soou na linha.

—Quê? — A voz de Levi soou quase imperturbada, como se ele estivesse enfrentando um desafio e sem acreditar em uma palavra que fora proferida.

“Não me julga!!” — O garoto gritou do outro lado, sentindo-se quente só por ouvir a voz do alfa através do telefone. Levi conseguia imaginar o pequeno andando de um lado para o outro e se abanando com a mão. — “É o maldito do quarto mês! Esses hormônios estão me deixando louco!!”

Levi piscou duas vezes, tentando racionar o que estava ouvindo, seu lobo interior completamente estático e calado, como se estivesse assustado com a situação.

Aquele ômega ainda seria a sua morte.

Andando quase que de forma penosa, ele se sentou na poltrona de frente para a mesa de Petra, que o olhava como se estivesse dividida em pedir ajuda ou rir do rosto pálido do chefe.

—Eren, você me ligou desesperado, me fez pensar que nosso filhote estava em perigo, para isso? — Perguntou entre dentes, de repente muito exausto com toda a turbulência que passou desde que atendeu o telefone. Passando uma das mãos entre os fios negros, ele ouviu o garoto bufar irritado.

“Isso é uma emergência!!” — Ele soou ultrajado com a pouca fé que o alfa colocava em si. — “Eu estou com uma ereção há duas horas e você acha que isso não é uma emergência??” — Eren gritou, forçando o mais velho a afastar o telefone do ouvido com uma careta e agora Petra se permitiu a rir, percebendo que o moreno estava apenas tento mais um de seus episódios e assistir Levi tendo que lidar com um ômega grávido cheio de hormônios era hilário.

—Ere-

“Não!! Você me escuta!! O seu bebê está praticamente me forçando a ter dois paus na minha bunda e você acha que isso não é uma emergência??? Levi Ackerman, você não brinque comigo! Se você não estiver aqui em meia hora eu vou dar para o vizinho!!!”

No exato momento, o lobo, que então estava catatônico, acordou para a vida, rugindo enciumado só com a ideia de ter seu ômega magnífico sendo tomado por outro homem. Levi teve que controlar a vontade de rosnar e fechou os olhos com força novamente, unhas curtas sendo enfiadas na palma.

“É isso que você quer? Porque você sabe que ele sempre olha para mim como quem quer me fo—”

Silêncio. — A voz de alfa saiu sem ele nem perceber, reagindo automaticamente a mais uma das provocações que Eren amava fazer. Ele parecia se deleitar cutucando o lado possessivo do homem e depois agindo como se não tivesse culpa de nada.

Petra observou curiosa quando o chefe voltou para a sala e bateu a porta com força, um barulho de rachadura soando e, ops, ele estava com raiva...

Dentro da sala, Levi trancou a porta, afrouxando a maldita gravata e tentando manter a possessividade sobre controle.

—Eren. — Chamou, após ver que o ômega estava silencioso, quase como se nem respirasse.

“Não fala assim comigo!!”

E, oh merda, agora toda a tensão e raiva e possessividade se esvaiu para o sentimento de culpa quando ouviu seu garoto fungar, a voz cabisbaixa e nem um pouco determinada como estava há segundos atrás.

“Você saber que eu só quero você e você não es- soluçoestá aqui quando eu preciso!!”

—Eren, amor... — Levi tentou acalmá-lo, começando a ouvir os soluços baixinhos e, porra, esses hormônios não estava fazendo apenas Eren fora de si. Levi já estava insano com todas aquelas mudanças de humor.

“Você prometeu, Levi!!”

—Ômega, se acalme. — Então, usando de um pouquinho do comando de alfa, ele tentou fazer com que o garoto se acalmasse e parasse de tentar balbuciar besteiras enquanto chorava. — Eren, eu estou no trabalho e não posso deixar toda essa pilha de casos para trás antes da hora do almoço.

Sim, Levi havia saído de casa nem mesmo três horas antes e deixado um Eren confortável com desenhos animados no sofá.

—Nós precisamos de dinheiro para comprar aquele berço que você queria, lembra? — E, sim, era um puta de um golpe baixo mas ele não poderia se dar ao luxo de sair da empresa naquele horário pois sabia que Erwin o obrigaria a trabalhar dois finais de semanas para compensar uma tarde. E ficar longe de Eren apenas o necessário para garantir comida na mesa já era o suficiente.

Ele ouviu um “uhum” baixinho do outro lado e amoleceu a voz para tentar compensar para o ômega.

—Prometo que assim que chegar em casa, eu vou ter um pote de sorvete e nós vamos compensar por hoje, ok?

Okay...— O garoto murmurou, a voz um pouco nasalada, mas nada de lágrimas. As malditas vinham e iam tão rápido que a cabeça do alfa doía. -Você também vai me dar o seu pau? — Ele perguntou, voz inocente como se a pergunta não fosse nem um pouco indecente.

Levi de repente percebeu porque sua calça estava apertada demais e olhou para baixo para ver a ereção que portava ser restringida pelo tecido desconfortável da calça social. Com um suspiro pesado, ele fechou os olhos e jogou a cabeça contra a poltrona onde tinha se sentado novamente.

—O quanto você quiser.

Yey!” — E a felicidade estava de volta, voz suave e alta e quase brilhante através do celular. Levi realmente quis chorar de frustração. -Ah, e o sorvete é o Triple CaramelChunk da Ben&Jerry’s! Obrigado, alfa, até!!”

E fim de ligação. Levi não teve tempo nem mesmo de se despedir, tendo a chamada desligada na sua cara. Olhando a tela do celular em confusão, a chamada marcava quatro minutos e 27 segundos.

Quatro minutos em que o ômega enfrentou uma montanha russa de emoções e carregou o alfa junto.

—Puta merda... — Massageando a testa e já sentindo as pontadas da uma possível dor de cabeça aumentarem de intensidade, Levi não podia deixar de pensar no quão fodido estava.

—----

Fechando a porta de casa, Levi sentia como se um caminhão tivesse passado em cima de si no mínimo umas três vezes. Depois de terminar uma pilha de contratos, ter uma sessão no tribunal e ser obrigado a participar de uma conferência online com líderes de outras sedes da Wings of Freedom – que na opinião dele, além de inútil, era uma perda de tempo que só mostrava os resultados das incapacidades dos outros setores –, tudo o que ele queria era um banho para tirar aquela sujeira de seu corpo e se esconder da humanidade pelo próximo século.

Mas não, o pote de sorvete em sua mão lhe disse que ele tinha outras prioridades antes de querer morrer.

—Eren, estou em casa. — Avisou, sem nem tentar aumentar a voz e realmente não esperando uma resposta de volta. Eren provavelmente já estava em outra fase de seus hormônios, ou com raiva, ou irritado ou muito interessado em alguma série ou algo assim para dar atenção ao alfa.

Se ele fosse ser sincero, às vezes era exaustivo ter que lidar com um ômega grávido e não receber nada em troca. Mas não era como se a exaustão e a falta de noites bem dormidas fosse sobrepor o amor que sentia pelo garoto, mesmo quando Eren esquecia que ele era humano também, que também se sentia cansado, triste e solitário.

Por isso foi uma surpresa quando a voz do garoto, alegre, soou pela casa.

—Levi! Bem vindo de volta!

Olhando ao redor do apartamento e dirigindo-se para guardar o sorvete na geladeira, Levi não viu o ômega em seu lugar preferido no sofá e nem em lugar nenhum.

—Onde você está? — Perguntou, afrouxando a gravata que já começava a sufocá-lo e largando carteira, chaves e pasta no balcão da cozinha, sem forças nenhuma para guardá-las no escritório.

—Quarto!

Sem se dar ao trabalho de responder, o alfa se dirigiu ao cômodo, uma mão desfazendo os botões da camisa social e a outra bagunçando os cabelos sempre bem alinhados.

—Oi. — A voz rouca e grossa soou assim que ele entrou no quarto de casal, seu ômega esparramado na cama vestindo nada mais que uma camisola branca de renda.

Levi parou imediatamente no meio do quarto, observando a cena diante de si.

Eren provavelmente havia passado a tarde tentando saciar a si mesmo, como os fios castanhos desalinhados e o rosto corado em acanhamento denunciavam. A renda da camisola que usava não chegava nem à metade das coxas macias, uma vez que a barriga exigia um pouco mais do tecido. Com as mãos largadas ao lado do rosto, ele parecia um anjo preparado para ser deflorado, completamente inocente ao que poderia acontecer.

E se fosse em qualquer outro momento, Levi provavelmente já estaria em cima do garoto, beijando cada centímetro de pele exposta e dizendo todas as coisas sujas que tinha vontade de fazer com ele.

Mas naquele momento, ele só queria um banho e uma cama confortável que parasse aquela maldita dor nas costas de quem tinha ficado com a bunda sentada o dia inteiro.

—Olá, alfa. Cansado? — O ômega perguntou, voz doce e convidativa enquanto ele se levantava e sentava sobre os joelhos, olhando-o com olhos grandes e inocentes. Levi quis grunhir porque aquele garoto jogava baixo.

—Pra caralho. Ainda excitado? — Perguntou, um suspiro exausto deixando seus lábios e toda a concentração do alfa indo para o cinto e para a calça que vestia.

—Com você tão perto? Sempre. — Ele devolveu, um sorriso esperto e sedutor convidando o mais velho a olhar para si e saciá-lo. No entanto, Levi parecia mais exasperado com os botões da camisa de linho que com a provocação do moreno e Eren o olhou confuso quando tudo o que recebeu de volta foi “hm”.

A roupa não fora o suficiente? Ele não era mais atrativo com a barriga cada vez maior? Por que o alfa nem o encarava?

—Levi? Tudo bem? Você parece meio sonolento, tem certeza q-

Tentou, começando a sentir vergonha de si mesmo por ter se apresentado de maneira tão...obscena. Mordendo os lábios, ele puxou o edredom fofinho para cobrir o corpo e abaixou a cabeça ligeiramente, se perguntando se havia feito algo errado para aborrecer o outro.

Levi nem ao mesmo o deixou terminar de perguntar, respondendo com uma vez determinada, como se Eren fosse somente um trabalho a ser concluído.

—Eu posso fazer isso. Eu posso te satisfazer. — Ele o olhou com sobrancelhas ligeiramente franzidas, vendo o garoto o olhar cabisbaixo e no mesmo momento seu alfa interior rugiu, sabendo que Levi havia feito merda.

Mas no momento ele só estava tão cansado e tão-- que só--

Virando-se de costas e ignorando a sensação ruim que se expandiu por seu corpo, Levi tirou o restante das roupas, não se importando em dobrá-las com cuidado como sempre fazia e se dirigiu ao banheiro completamente nu.

—Só me deixe tomar um banho. O sorvete está no congelador.

—O-okay...uhm... — Eren respondeu, seguindo o mais velho com os olhos, mãos apertadas no cobertor. Ele parecia querer perguntar algo, mas Levi logo fechou a porta atrás de si, deixando o moreno sozinho no quarto.

O garoto lutou contra a ardência que tomou seus olhos, sussurrando baixinho para si mesmo.

—A gente pode comer depois...

Ele se sentia estúpido.

Eren sabia que ligar para o alfa no meio do trabalho era ser muito mimado e exigir muito dele, mas no momento ele só queria atenção. Não era fácil ter que lidar com uma porrada de sentimentos e muitos pensamentos negativos intrusos e ter que ficar o dia inteiro em casa por causa da gravidez era pior ainda.

Ele tinha dado um jeito de continuar e terminar o último ano de faculdade através de ensino a distância, um programa disponibilizado para ômegas que por ventura engravidassem no meio dos estudos. Era um modo do governo estimular casais ligados a terem filhos e sabendo que, devido à modernidade, muitos ômegas não queriam ser tratados como objetos para ficar em casa, dar incentivo no meio educacional foi uma estratégia que funcionou.

Agora era possível ter o mesmo diploma que seus colegas de turma e inclusive se formar junto com eles, recebendo o diploma e tendo a cerimônia de formatura da mesma forma que aqueles que participaram das aulas presenciais. E ele se esforçava muito para isso, mas na maioria das vezes ainda sobrava muito tempo em que sua mente teimava em lhe dizer que ficar ali, sentado o dia inteiro, não era algo para si, não era a vida que ele queria.

É claro que ele tinha total liberdade para se encontrar com os amigos, visitar a mãe, mas Eren sentia como se todos o tratassem com fragilidade, como um vidro que poderia quebrar no mínimo dos toques. É verdade que qualquer tom mais alto o fazia querer chorar, mas não era culpa dele que os malditos hormônios o faziam ser tão volátil.

Agora mesmo ele estava com raiva de si mesmo. Não de Levi. De si. Porque ele sabia que estava sendo dependente e exigindo muito da carga horária já extensa do alfa. Levi nunca dizia “não” para ele, sempre fazendo sua vontade, sempre saindo de madrugada para procurar algum desejo estúpido de Eren, sempre tentando acalmá-lo no meio de suas crises emotivas.

E é óbvio que ele estava cansado. Óbvio que ele estava esgotado.

Eren se sentia sujo. Egoísta. Um péssimo ômega.

Ele se apressou para tirar a roupa depravada de seu corpo, abrindo o guarda roupa e pegando a primeira camiseta tank top velha que achou, vestindo o símbolo do nirvana e uma boxer preta antes de voltar para a cama, cobrindo-se até a boca e deixando apenas os olhos grandes e o nariz para fora.

Minutos depois Levi saiu do banheiro completamente seco e somente com uma boxer branca, vapor o acompanhando para fora do banheiro, e ele parecia ainda mais fadigado com a pele pálida ligeiramente rosada devido ao calor da água, o que deixava as olheiras abaixo de seus olhos mais visíveis.

Eren se sentiu péssimo.

—Como você quer? — O tom baixo, quase culpado perguntou e ele nem ao menos estava excitado quando caminhou até a cama, olhando o rolinho que tinha virado seu ômega. Eren o olhava com olhos grandes refletindo mágoa e Levi quis dar um soco em si mesmo.

—Não quero mais.

O mais velho deu um suspiro resignado com a própria incapacidade de não maltratar o garoto.

—Eren... — Sentando-se na beira da cama, Levi estendeu uma mão até os fios castanhos, vendo um dos olhos dele fecharem fofamente diante do carinho. Ele se sentia mal por não estar no ânimo para sexo e sentia-se pior ainda por ter deixado o garoto constrangido ao ponto de cobrir o próprio corpo.

O corpo lindo que guardava a personalidade que tanto amava.

—Perdão... — Sussurrou, apenas para ter sua mão afastada quando o ômega levantou-se rapidamente, cobertor revelando que ele inclusive tinha trocado de roupa.

Levi se sentia um desgraçado de marca maior.

—Não! — Eren disse, olhos implorando alguma coisa que Levi não sabia o que era. — Não! Você está cansado e eu estou exigindo muito e eu que devo pedir perdão!

A feição do alfa amoleceu imediatamente, uma respiração profunda adentrando o seu pulmão e levanto consigo o cheiro doce de seu ômega e do filhote que estava dentro dele. O que ele tinha feito para merecer um garoto tão perfeito, Levi não sabia dizer. E talvez nem fazia ideia que a mesma pergunta se passava na cabeça do moreno, mas direcionada a ele.

Como dois corpos atraindo-se automaticamente, Eren se pôs de joelhos no mesmo momento em que Levi virou o tronco e abriu os braços, e eles se abraçaram com força, ambos roçando o nariz na glândula aromática do outro, buscando conforto e energia da ligação que compartilhavam.

Levi percebeu que, na verdade, mais que o banho, mais que a cama, mais que qualquer coisa, estar nos braços de Eren era realmente o que ele precisava depois de um dia tão longo e estressante como aquele. Estar envolto no aroma que ele associava à lar era o que ele precisava para o estresse ir deixando sua mente e para suas sobrancelhas desatarem e para os nós que deixavam seus músculos tensos se desfazerem.

O corpo de Eren moldava totalmente ao seu, como se o encaixe fosse predestinado antes mesmo do nascimento de ambos. E se Levi não soubesse melhor, ele juraria que se alguém o tirasse daquele conforto, ele provavelmente engasgaria sem ar nos pulmões e morreria.

Simplesmente porque Eren era o que o mantinha vivo. Ele era sua vida inteira.

—Eu amo você, ômega. Meu Eren. — Levi sussurrou, deixando beijos castos no pescoço do garoto para depois roçar o nariz contra o maxilar bem desenhado dele.

O moreno soltou um suspiro sofrido, tremendo ligeiramente antes do corpo amolecer e ele se deixar ser segurado pelo alfa.

—Eu também te amo, Levi. — A voz devolveu quase num sussurro, saudando a intimidade que construíram naquele quarto, naquela vida.

E quando ambos deitaram de lado, um de frente para o outro, pernas entrelaçadas, olhos fixados no outro, na vida que tanto dependiam e amavam, Levi deu-lhe um meio sorriso, expressão tranquila e perguntou novamente.

—Como você quer?

Eren tinha o “não precisamos” na ponta da língua e inclusive chegou a abrir a boca para respondê-lo, mas estão levou as mãos instintivamente até as maçãs do rosto protuberantes do alfa, ligeiramente coradas pelo banho quente que ele tinha tomado.

Ninguém jamais havia visto aquele lado vulnerável, aberto e humano de Levi Ackerman.

Aquela era uma feição, um tom de voz que apenas Eren sabia e que Eren manteria em segredo até ambos partirem dessa para uma melhor. Outra vida onde se encontrariam e com certeza se apaixonariam novamente.

Aquele era um lado de Levi que transbordava amor e carinho e proteção e não apenas a postura rígida que passava a ideia de que ele não se importava com ninguém. Mas ele se importava. No fundo, no fundo, ele era um humano e não um homem perfeito ou um homem cuja força era invencível.

Eren quis guardar aquela certeza no fundo dele, bem trancadinha a sete nós e delineada por suspiros doces e inesquecíveis.

—Lento. Eu quero que você me abrace e me beije e me olhe como se eu fosse único no mundo. Faça amor comigo, Levi.

Como se precisasse apenas daquilo, Levi aproximou-se e deu-lhe um beijo lento, casto, provando dos lábios cheios e rosados como se eles fossem o último mel na face da terra.

Eren deixou que ele mordesse o quanto quisesse, fechando os olhos em contemplação e sentindo os arrepios de cada lambida em seus lábios reverberarem por seu corpo.

Eles estavam tão perto que um movimento brusco e sem querer bateriam as testas. O ômega conseguia sentir a respiração quente contra sua bochecha, ofegando levemente quando o alfa pediu passagem para explorar sua boca como se fosse a primeira vez.

Lentamente, ele adentrou a boca do garoto, se afundando no calor que o recebia tão bem e chupando a língua tão gostosa que lembrava menta e cereja. Levi explorou cada centímetro, uma mão segurando na nuca, dedos entrelaçados com fios castanhos macios, enquanto a outra descia o corpo e levantava a barra da blusa o suficiente para que ele tivesse acesso a uma coxa roliça e a puxasse para se enrolar em torno de seu quadril.

—Espera. — Levi parou o beijo e puxou o rosto, um fio de saliva conectando as bocas e Eren o olhando com confusão e de bochechas coradas. — O bebê vai se-

Eren grunhiu e rolou os olhos, aproximando-se do alfa até que os estômagos se encostassem mas a barriga não fosse esmagada.

—O bebê está bem. — Eren sussurrou, dando-lhe um selinho para tirar-lhe a atenção, enquanto ambos os braços abraçavam o pescoço do mais velho e uma coxa se enroscava no quadril dele.

— Por favor, me ame... — Um beijo na testa de Levi, que automaticamente passou um braço por baixo do rosto do ômega, o bíceps servindo como um travesseiro, enquanto o outro se manteve segurando a cintura próxima de si. – Me dê o seu nó. Você tem permissão para ser egoísta, alfa. Eu e o bebê não somos os únicos que precisam ser cuidados nessa relação.

Um suspiro que Levi nem sabia que estava guardado deixou sua boca e ele se sentiu frágil mas incrivelmente satisfeito. Ambos estavam deitados de lado, de frente um para o outro, testas encostando e braços e pernas os prendendo próximos.

Deixando a necessidade de tocá-lo para seu contentamento guiar seus movimentos, Levi apertou levemente a coxa erguida e deslizou a mão até o quadril, notando e ignorando a boxer, e levantando a camisa até que os mamilos eriçados ficassem a mostra.

Assim que seu polegar esbarrou em um, Eren quebrou o beijo para deixar uma arfada sair. Seus mamilos estava cada vez mais sensíveis devido a gravidez e quase sempre até blusas mais coladas os machucavam. E o alfa sabia disso.

Abaixando mais o corpo, Levi deixou-se ficar na altura do peito do garoto, quadril mais baixo e a perna de Eren curvada na altura de suas costelas.

Quando Levi descendeu a boca molhada em um dos botões rosados, Eren automaticamente apertou os braços contra o pescoço dele, empurrando-o contra seu peito e curvando o corpo de modo que a semi ereção de Levi ficasse na direção de sua bunda.

Ele tinha certeza que já estava lubrificando quando sentia-se escorregadio e mais quente e a cada chupada, lambida e mordiscada, sentia seu interior tremer, a ereção dura restringida pressionando contra o topo do abdômen do alfa.

Nenhum deles tinha intenção de jogar por muito tempo e quando Levi deixou de torturar os mamilos de um Eren ofegante, a mão que estava segurando suas costas próximas à boca do alfa, desceu para retirar sua boxer fora do corpo.

Levi pressionou um dígito contra a entrada do pequeno e depois de massageá-la, começou a colocar os dedos com cuidado, espalhando a lubrificação natural e alargando o garoto para tomá-lo de uma forma gostosa.

Eren gemia acanhado e baixinho a cada vez que os dedos esbarravam contra sua próstata, Levi se distraindo da ereção agora dolorosa através de beijos e chupões na clavícula e peitoral do ômega.

—L-Levi...Hm...C-chega...

Ouvindo o comando, o alfa arrumou a outra perna do garoto, empurrando-a de forma que ela ficasse curvada e Eren parecesse quase uma bolinha em posição fetal. O pensamento o fez rir e ele olhou para o ômega que o dava um sorriso sereno, olhos lacrimejando e deu-lhe um aceno.

Levi tirou a boxer e agora ambos estavam nus, uma vez que o próprio Eren tirou a camisa que vestia, murmurando que agora seus mamilos estavam sensíveis de mais para sentir o tecido contra eles.

Com mais um beijo forte e aprofundado, Levi enterrou o rosto contra o pescoço de Eren, o qual sentiu-se ser abraçado ao redor do tronco com cuidado e retribuiu o aperto no pescoço do companheiro, uma mão se ocupando em acariciar as mechas negras com reverência.

Estar de lado era uma posição que não deixava que o membro fosse tão profundamente e o lado bom é que Eren podia abraçar, beijar e olhar Levi nos olhos além de não correrem o risco de ficarem muito animalescos e esmagarem o filhote. Mas continuava a ser absurdamente prazeroso e Eren soltou um gemido longo, contorcendo-se levemente quando o alfa o adentrou devagar, mordendo o pescoço sem romper a pele para tentar lidar com o calor que pulsava contra seu membro.

Levi o deu alguns segundos para se acostumar com a intrusão e pegar ar e deu um beijo no lado do pescoço dele, sussurrando com a voz rouca e desejosa.

—Cada vez que eu entrar em você, você chama meu nome, entendeu?

—Uhum... — Eren mordeu os lábios quando sentiu o membro ser retirado e gemeu toda a respiração fora quando ele empurrou o quadril e o penetrou de novo.

Nas primeiras vezes, Eren estava muito ocupado tentando lidar com o prazer que deixava suas coxas trêmulas e ofegando por ar para conseguir gemer o nome dele, mas a cada vez que ele empurrava com mais força, o ritmo nem tão lento, nem tão rápido, Eren sentia-se a beira da loucura.

—Oh, sim...S-sim...T-tão bom...Hm... — Gemeu, quando Levi mudou o ângulo ligeiramente, segurando a coxa dele firme e mais apertada para conseguir atacar sua próstata com propriedade.

—M-meu nome, Eren... — Ele rugiu, suor escorrendo pelo pescoço e as mechas negras começando a colar na testa. Eren aproveitou para tirá-las de lá e segurar o cabelo dele para trás com moderada força, ganhando um gemido do mais velho, que aumento o ritmo a fim de levá-los ao orgasmo.

—Levilevilevi-Le-Levii!! Oh...Levii...

O ômega nem ao menos tentou tomar o membro dolorido que vazava pré-gozo na mão, apenas se deliciando com a glande roçando contra os músculos do alfa e a ideia de que iria gozar apenas pelo pau dele. Sua voz ficava cada vez mais arrastada, manhosa, fina enquanto cada estocava aproximava o ápice de ambos.

—M-me beija, a-alfa, me dê seu n-nó!!

Como se também estivesse em seu limite, Levi empurrou mais algumas vezes e Eren sentia o nó inchando na base do pau dele, começando a prender contra sua entrada.

Ambos estavam ofegantes e quando Eren gozou primeiro, convulsionando e gemendo seu nome de forma deleitosa, Levi acompanhou logo em seguida, empurrando o mais fundo possível e deixando o nó prendê-los juntos.

Balançando as loucuras fora, Eren deu toda a sua atenção para o alfa que tremia ligeiramente contra si, orgasmo deixando os músculos dele tensos para depois relaxarem no abraço do ômega. Eren precisava olhar para baixo para ver o rosto do alfa enfiado em seu peito, olhos fechados e sobrancelhas relaxadas.

Se não fosse o pau enfiado dentro de si, o moreno até diria que ele parecia um anjo inocente, buscando energia ao abraçar o ômega forte.

Remexendo-se ligeiramente para arrumar uma posição confortável e aguardar o nó desinchar, Eren acabou arrancando um grunhido descontente e plantou um beijo no topo da cabeça dele, se sentindo quase como se instintos maternos tomassem conta dele.

—Obrigado, meu amor. Você pode tirar uma soneca agora. Eu vou pedir alguma coisa para comer mais tarde e então a gente pode ficar bem aqui, descansando e comendo sorvete. — Casualmente, Eren esfregou o pulso contra a glândula aromática do alfa, deixando seu próprio aroma na pele do mais velho.

—Hm. — Levi exalou fortemente para depois inspirar o cheiro como se dependesse dele para viver, lentamente sendo seduzido cada vez mais pela paz o confortando a fechar os olhos e dormir.

Sorrindo ternamente para a feição descansada e as bochechas pressionadas contra seu peitoral, Eren trouxe um dedo para passear pela testa ligeiramente franzida, fazendo círculos e tirando um suspiro dos lábios entreabertos. Depois desceu pelo nariz fino, passando pelas bochechas coradas pelo sexo e admirando os cílios longos e negros contra a pele pálida.

Alguns fios negros, os mais longos, foram penteados para trás e o ômega deu uma risadinha quando o alfa mordeu levemente o dedo que cutucava seus lábios.

—Amo você. — Eren sussurrou.

—Também. — Veio a resposta sonolenta. E Eren até podia brincar se Levi amava a si mesmo ou se o amava. Mas então ele resolveu simplesmente murmurar uma música qualquer enquanto segurava o alfa perto de si, protegendo suas duas maiores preciosidades em seus braços.

"Hon' you never looked so beautiful
As you do now my man"

I love you forever
Not maybe
You are my one true love
You are my one true love

—Lana del rey, Off To The Races

Notas finais
Levi cuida do Eren tão bem. Nada mais justo que o Eren reconhecer quando ele está cansado e enchê-lo de carinho e beijos e cafuné, né? Eu amo Mama Eren cuidando do baby Levi e recompensando-o por ser um alfa perfeito!!! E eu disse que ia ser muuuito fluffy essa fanfic, mesmo com o light angst que teve ali no meio ahahaha Lemon bem fofo e sem muitos detalhes porque se vocês querem putaria fetichizada vão ler An Alpha’s Rut. É isso. AH, sobre o light angst nesse capítulo, eu quis trazer aquela baixa autoestima do Eren vindo a tona. Todos sabemos que ele sempre se comparou com a inteligência do Armin, com a força da Mikasa e sempre se sentiu inferior. E também o Levi, que sempre foi vindo apenas como o mais forte da humanidade, o inabalável que carrega tudo sobre os ombros. Eu só quis lembrar que eles são humanos e têm suas fraquezas. É issooo! Espero que vocês tenham gostado desse ponto de vista do Levi e que a personalidade dele tenha ficado mais clara! Vão ter mais POV's dele, podem ficar tranquilos! Ah, muuuito obrigada pelos novos favoritos e comentários!! Estou ansiosa para saber o que vocês acharam desse! Me deixem feliz, por favor?? Um super beijo e até mais!! ps: toda vez que eu descrevo o Eren com olhos grandes, eu imagino olhos do tamanho de um prato. Tipo, realmente muito grandes e começo a rir sozinha ahahahah ps2: a boca do Eren com gosto de menta e cereja é pasta de dente e chiclete viu gente ahahaha quem dera se tivesse boca assim naturalmente