- Nada! Viu Error? Apenas um grande e vasto vazio no sem alma do seu marido.

- Não o chame assim! — Eu reclamei ainda com os olhos cheios de lágrimas olhando o monitor que mostrava o meu amado por dentro e realmente estava vazio, não havia nada, nadinha, as faíscas que o monitor de scientist dava também não ajudaram. — Mas ele sentiu algo! Se não ele não teria ficado assim!

- Vai ver foi algo que comeram! Até onde chequei da última vez a alimentação de vocês não é a das melhores!- Rosnou indo pegar sua prancheta antiga.

- Não vejo nada de errado com miojo!

- E não tem! Mas todo dia tem!- Berrou e apontou para o monitor.- Mas ele não tem nada! Vê o monitor?! Vazio! Como da última vez que vieram aqui!

- Seu-

Eu discutiria com scientist, mas naquele momento desisti de falar qualquer coisa com aquele ser, principalmente depois do que ele falou, eu olhei para Ink que encarava o monitor se abraçando ao ver aquele vazio dentro de si.

Sei que apesar de todos esses anos ele ainda queria sentir, sentir de verdade, ele ainda se sente mal por as vezes não me corresponder do jeito que eu mereço, ahm, bem, não acho que eu mereça de qualquer forma, mas as palavras foram dele.

Eu fiz de tudo por ele, para que ele tivesse uma alma, para que ele parasse de se culpar tanto, entretanto nada adiantou e quando fomos expulsos do laboratório do sans que era pra ser meio que o médico de todas as aus ele ficou desolado, desolado e triste como agora.

Eu lhe segurei a mão ignorando tudo que scientist reclamava, Ink respirou fundo trêmulo e se virou para mim, me olhando nos olhos, eu lhe dei um breve sorriso e lhe limpei as lágrimas.

- Vai ficar tudo bem... Eu tô aqui amor- Falei baixo pra ele, me virando para scientist que resmungava enquanto pegava algumas ferramentas para fazer um exame geral em Ink, ele pode não ter uma alma no peito, mas algo ele sentiu pra ficar assim.

Após vários exames Scientist nos expulsou de novo e disse que era somente para irmos lá amanhã pela noite, coisa que no anti-void na verdade seriam para science sans uns três dias, então seria três dias pra ele nos entregar os resultados, sorte que para nós seria apenas uma noite sem dormir direito.

{ A noite.}

Eu me deitei na cama ainda nu após um banho longo com Error, eu joguei minha toalha em qualquer canto do quarto e puxei os lençóis sentindo frio, coisa que era rara, ele se preocupou em me banhar, mesmo eu insistindo que eu poderia fazê-lo afinal não sou uma criança, mas sei o por que ele esta fazendo isso, ele está preocupado comigo,ele é mesmo um fofo as vezes.

— Hm...— Eu olho para meu peito.

Nada, vazio apenas uma casca seca feita de tinta que eu chamo de ossos, não havia alma, mas eu senti alguma coisa! Eu juro que senti, eu ainda estou em choque, pois eu não acredito que senti algo no meu peito após tantos e tantos anos desde minha existência, nunca me tinha acontecido algo assim nunca! Então por que agora? O que estava acontecendo comigo?

Error sai do banheiro secando o seu crânio, logo ele me olha e vê minha cara de assustado, ele suspira, deve ser cansativo pra ele lidar comigo.

Ele pega minha toalha que caiu no chão e joga na cadeira e faz o mesmo com a sua que estava em sua cintura, ele vai para o outro lado da cama, ficando fora do meu campo de visão já que eu estou de lado virado para a porta do banheiro e a janela do quarto, mas logo sinto suas mãos geladas do banho me abraçando o peito, ele se acochegar atrás de mim e eu pude sentir suas costas entrelaçarem nas minhas.

- Se me apertar demais vamos acabar ficando presos.- Falei me referindo as costelas, ele me beijou a cabeça e alisou os ossos da minha costela com o dedo descendo lentamente para minha cintura descansando a mão no meu ílio. — Ah~ Erro-

- Se a gente ficar preso é só você virar uma poça de tinta e você nos livra dessa não é?- Disse descendo suas falanges até minha pélvis.

- Hm~ Ruru, hoje não tô no clima~ Eu nem ativei meu ectobody e você já está me alisando assim.

- Não tem como não alisar, com ou seu seu corpo mágico você é uma obra de arte meu Inky.- Respondeu-me largando minhas partes baixas, e segurando minha bochecha corada, me puxando para um beijo de amor e desejo.

- Hm~ -Reclamei sentindo nossas costelas raspando uma na outra, aquilo não doía, mas me dava ginge, o que era estranho considerando que a gente acorda com elas presas quase todo dia.

- Ah~ é, estou preso.- Ele arfou separando do beijo, ele olha as nossas costelas enquando eu rosno pra ele, ele me rouba outro beijo.- Não faça essa cara kiky~

- Nem use sua voz contra mim, eu avisei que- Eu me calo ao sentir ele tentar sair daquela posição.- Au! Au! Agora doeu! Calma! Eu tiro! Eu tiro!- Reclamei virando uma poça de tinta que escorreu pro chão, quando eu voltei ao normal estava caído de quatro no chão.- Huff! Error seu impaciente!

Quando fui me virar para vê-lo ele já tinha me puxado pra a cama de volta, mas desta vez seu ectobody estava ativo, ele me abraçou e nos cobriu, eu o olhei corado.

- Não se preocupe, só ativei para não ficarmos presos de novo.- Disse ele me beijando no peito.

- Obrigado amor...- Disse-lhe olhando ele nos olhos, aqueles lindos olhos vermelhos que me olharam de volta de forma carinhosa.- Me desculpa Ruru, eu... Lhe assustei.

- Está tudo bem, é claro que eu vou me assustar, você do nada ficou daquele jeito, pensei que havia acabado suas tintas, ou que você iria paralisar...

- Verdade, era pra eu tomar minha dose diária já faz umas horas, mas... Eu tô bem, eu juro.

Ele soltou um suspiro e me beijou, já indo levantar eu lhe segurei a mão.

- Para onde vai?

- Hm? Pegar seus frascos, você não tomou sua dose hoje, você mentiu.

- Huff, eu só tomei a rosa, vermelha e azul, não tem nescessidade de usar todas todo o dia, tomando só um pouco já é suficiente.- Falei soltando sua mão vendo ele levantar da cama, eu puxei mais os lençóis pra me cobrir do frio.

- Você sabe que não, Top me disse que era pra você tomar diariamente todas as cores dos frascos, não é por que você não vai sentir elas hoje que você não toma, você não tomou a laranja e viu a cara que você fez quando ficou surpreso com, seja lá o que aconteceu no seu peito?- Reclamou enquanto vestia apenas uma camisa desativando o seu ectobody indo até a gaveta do armário, assim que ele a abre uma luz colorida ilumina aquela parte escura do quarto aonde a luz da janela não alcançava.

Não demorou pra ele ir pegar uma caneca e uma camisa, ele misturou as tintas restantes e me entregou o copo e a camisa dele para que eu não sentisse frio, eu a vesti e depois tomei todo o conteúdo da porcelana que tinha minha inicial nela.

- Vamos ainda tem um resto de azul aqui.

- Coff! Eu vou engasgar se tomar mais azul!- Eu encaro Error que me empurra a caneca de volta com aquela cara clássica dele de " Se você não tomar, eu lhe quebro os dentes e faço você engolir os dentes e a tinta."- Péssimo marido.

- Sou o melhor marido de todos! Eu sou o que cuida de você.- Disse ele sorrindo.- Agora bebe tudo.- E voltou aí modo sério de novo.

Eu suspiro e viro o resto de tinta que ainda tinha nela tossindo de novo, aquele aperto, aqueles sentimentos todos juntos voltaram, como um avalanche interno, não demorou para que meus olhos se enchessem de lágrimas enquanto eu tossia.

eu odiava a tinta azul bebê, ela transparece quando eu estou triste, eu não queria entristecer Error por bobagem, meio que mesmo sendo incrível estar ali com ele, eu ainda me sinto mal por termos gastando tanto tempo tentando me fazer uma alma e meu corpo rejeitar todas, até as feitas a partir de partes minhas e de Error, ele se doou tanto, e eu quase nada.

Eu tusso algumas vezes e boto a caneca ao lado do despertador, Error se senta na cama e limpa o canto da minha boca e os lábios.

- Viu, não foi tão ruim.

- Foi péssimo.

- Melhor que parar de se mexer e morrer, eu não iria aguentar viver sem você kiky.

Meu coração amoleceu de novo, eu limpo as lágrimas do meu rosto e forço um sorriso.

- Nem eu sem você Ruru.

Assim ativamos nossos ectobody's e dormimos agarrados um no outro, sem risco das nossas costelas nos prenderem de novo, finalmente cai no sono, encostado com minha cabeça em sua clavícula.

[...]

Eu acordei no meio da madrugada ouvindo o som de Ink tossindo, logo me sentei na cama o procurando.

- Ink? — Chamei, mas não o vi na cama, logo olhei para a porta do banheiro e a vi aberta, ali de joelhos para o vaso estava ink vomitando tudo que havia comido lá dentro, preocupado eu levantei e fui até ele.- Kiky? O que aconteceu? Ah, pelas anomalias eu te dei sem querer uma dose extra de tinta de novo?!

Aflito falando mais comigo do que com Ink vê ele negar com a cabeça tossindo, tocando o peito, será que ele sentiu aquilo de novo?

- E-Eu tô bem... Eu... Eu tô bem, eu só estou, m-muito, muito enjoado... Argh... Coff! Coff!- Ele cospiu no vaso e limpou a boca fechando a tampa dele e dando descarga.- Me traz um copo de água bem grande e um iorgute? Eu não tenho mais nada no estômago e não vou conseguir dormir mais...

Ele falou tão baixo que quase sussurrou, eu beijei sua testa e peguei a caneca dele que usei antes para lhe dar tinta, logo corri até a cozinha e lavei o copo enchendo ele o máximo que poderia de água, sabendo como ele é, não peguei só um iorgute, peguei três potinhos, pois sabia que ele pediria por mais depois e fui após pegar uma colher, quando eu voltei para o quarto ele estava vomitando tinta agora no vaso, realmente não havia mais nada pra ele jogar fora.

- Aqui inky, calma...- Disse alisando suas costas enquanto ele tossia, eu peguei lenço humidecido na gaveta da pia e limpei sua boca, o afastei um pouco do vaso e lhe dei a água, enquando ele bebia eu dei descarga desta vez.- Odeio admitir mas tô achando que o Scientist tem razão, você deve ter pego intoxicação de tanto que a gente come miojo.

-Se for intoxicação tinha que vir aquele bacon velho.- Ele falou rouco tossindo um pouco e cobrindo a boca com a mão, logo ele bebeu o restante da água e foi atrás do iorgute que estava ali no chão perto dele, ele botou o lacre na boca e o tirou após comer o iorgute que fica preso ali e logo começou a comer o conteúdo do pote, eu lhe ajeitei a camisa que ele usava.

-Mas você não comeu o bacon, eu sim... Quem sabe foi o ovo, mas ele não cheirava mal... Huff, vamos ter que fazer compras.- Eu o olhei e nos fizemos a mesma cara de nojo.

- Não sei pra que diabos, a gente pode comer a comida que eu criar.

- Mas no final das contas é tinta, não tem valor nutricional pra você, nem pra mim, eu como e continuo com fome.

- Mas dinheiro você não reclama que eu faça de tinta.

- Reclamo sim, mas eu não vou comer dinheiro.- Ink já estava indo para o segundo pote, eu bufei.- Vamos esperar algumas horas,a gente tem que ir ver Scientist hoje mesmo, coma direitinho e aí vamos tomar um banho.

- Tá bom...- Ele disse pegando a caneca de volta e a encarando sem vontade alguma, mas ele toma o resto da água e depois pede por mais iorgutes, eu fui lá pegar e trouxe todos e ele foi botando na xícara vazia pra tomar, eu sei que ele estava querendo vomitar de novo, por isso estava enchendo o estômago com iorgute.


Eu alisei a cabeça dele após lhe trazer um cobertor e lhe cobrir com ele, ele bufou incomodado.

- Ruru... A gente tem mesmo que ir fazer compras?

- Temos kiky.

- Tsk, odeio aquela aglomeração.- Reclamou virando a xícara cheia de iogurte barato.

- Eu também.- Respondi vendo ele cobrir a boca, enquanto eu ia o ajudar a voltar para o vaso.