Era no meio do ano, se eu não me engano era sim, lá para julho ou junho, quando estávamos deitados um em cima da outro no balanço de madeira da varanda da nossa casa, de mãos dadas olhando o void, o vazio branco como uma folha sempre me assustou, sempre me deu calafrios, mas agora com você Error eu nunca mais senti medo, até por que enchemos aquele lugar de coisas.

Não havia mais tanto branco no chão, eu havia o colorido derramando baldes e mais baldes de tinta tentando fazer nossa casa com você, acabou que agora tínhamos um gramado, que não era só verde, era preto, roxo e azul também! Ninguém no multiverso tem um jardim como o nosso, com árvores e plantas estranhas que foram sua tentativa falha de criar algo comigo, apesar daquele carvalho enrugado de cara triste me assustar quando sua sombra passa pela janela do nosso quarto, ainda sim é fofo, principalmente pelo balanço que colocamos nele.

"Grawn~"

Eu olhei pro lado após ouvir o ronco do seu estômago e dei uma suave risada.

— Se estava com fome por que não me pediu pra levantar Glishy?— Ri da cara sem graça que ele fez corando suas bochechas pretas com um tom de azul mais belo que os criadores haviam em seu palete.

— Eu não quis lhe incomodar.— Disse o bugadinho.— Estava fazendo aquela cara de idiota de novo.

— Cara de que?— Fiz um bico arrancando uma risada gostosa do meu marido.— Eu não estava fazendo cara nenhuma! Você que é idiota!

— Hahah! — Ele me segurou o rosto e me roubou um beijo desfazendo meu bico.— Seu idiota, pra sempre.

Ah~ aquela voz rouca sempre me deixa mole, impossível ganhar uma discussão agora que ele usa tamanho artifício contra mim.

— Hmm~ não é justo Ruru, sabe que não resisto a sua voz rouca~— Disse manhoso abraçando o meu amado que me carregou saindo do balanço enquando eu estava pendurado com os braços em seu pescoço.

— Ah? Que voz Inky?~— Eu corei mais.— Oh~ Essa aqui?~— Se fingiu de desentendido me beijando novamente antes de soltar uma de suas mãos da minha bunda para abrir a porta de casa, assim entramos juntos nela e ele foi na direção da cozinha comigo no colo.

Ele me sentou na mesa da cozinha sem largar meus lábios (?), ele continuou me alisando até alguma hora o estômago dele roncou de novo, rimos e ele foi na direção da geladeira preparar algo para nós.

"Ah~ Quantas coisas já fizemos nessa mesa" pensei enquanto me deitava nela, fiquei um tempo encarando o teto coradinho pelos beijos que dávamos um no outro antes, não demorou para eu sentir algo gelado me cutucar o braço direito, eu olhei pro lado e era Error colocando os pratos na mesa com um bom e velho miojo.

— Miojo de novo chef Error?— Perguntei rindo.

— É a minha especialidade Inky.— Respondeu tranquilo se sentando á mesa e girando seu garfo pra puxar o macarrão.— Desta vez eu fiz com ovos e carne.

— Tipo Lámen?

Perguntei enquanto desci da mesa e fui me sentar ao lado dele puxando a cadeira e pegando o garfo que estava próximo ao meu prato.

— Exatamente, peguei umas tiras de bacon que sobraram do final de semana.— Disse colocando o garfo na boca e mastigando.

— Tá falando do bacon que bluberry deixou aqui? Aquela coisa não estava dura de tão velha Error?— disse batendo o pedaço de bacon que peguei do prato batendo na borda da mesa, o bacon partiu após fazer um som de pedra.

— Eu diria crocante~

De fato, ele mastigando tinha o som de salgadinho, mas eu não iria arriscar comer aquilo e ter uma dor de barriga mais tarde, então tirei o bacon do meu prato e coloquei no dele que apenas deu de ombros e comeu.

{ mais tarde naquele dia.}

Eu e inky estávamos sentados no tapete do quarto, estávamos falando com nossos amigos pelo notebook até que eles tiveram de fazer outra coisa, eu decidi levantar e bordar um pouco, fazia um tempo que eu não fazia aqueles bonequinhos, a maioria eu tinha vendido e Ink seus desenhos, foi nossa forma de juntar dinheiro pra a nossa festa de casamento, mesmo nossos amigos nos oferecendo tudo, de buffet às roupas, a gente queria algo feito pelo nosso esforço, eu sentia falta deles, mas valeu cada centavo, Inky estava lindo naquele terno branco.

— Heh.— Corei ao me lembrar de nosso casamento.

Pisquei puxando mais uma linha do meu olho, juntando as que eu já tinha puxado para as cruzar usando minhas agulhas, que eram presente de aniversário de Ink, ele me deu após sem querer quebrarmos as minhas antigas quando voltamos pra casa ainda foguentos pela lua de mel.

Já vou avisando se me perguntarem como quebramos direi que não sei de nada! Ah, na verdade, faz muito tempo que não escuto vocês, bom, não venho escutado vozes desde que pedi Ink em noivado, a última coisa que ouvi delas foi " Vamos Error se ajoelhe! Que pessoa pede a outra em casamento sem ajoelhar?!" E pensar que no final Kiki também tinha uma caixa com anel para me pedir naquele mesmo dia.

Eu ri sozinho ajeitando meus óculos, logo ouvi um " ahem" vindo de Ink, estávamos encostados um nas costas do outro, eu o olhei pelo meu ombro e ele sorriu mostrando os dentes pra mim, eu revirei os olhos já sabendo o que ele queria.

— Okay, deixa eu ver isso aí. — Disse ajeitando meus óculos, e inky me mostra seu desenho.

Eu o abraço olhando para o seu bloquinho de notas.


— Está horrível, inky você já fez coisa melhor.

— Pff! Hahah! Vamos Error não tá tão feio, ele captou bem a sua cara de cu.

— Você tem essa cara de que bateu a cabeça quando nasceu e eu não digo nada.

— Hey! — Ele empurrou minha cabeça pro lado enquanto dou risada da cara dele.— Se eu tenho cara de acidentado você tem cara de- cara de! De queimado!

— Isso é racismo!— Nos olhamos sérios por um momento até que caímos na risada de novo se abraçando e realmente deitando no chão agarrados.— Pelos criadores poderíamos ser presos por rir disso!

— Hahah! Não se eles nunca ouvirem, hah... Ah...

— Haha! — Eu estranhei o silêncio dele repentino, logo pisquei e notei a cara do meu amado, ele estava sério, estático tocando no peito, eu sabia que ele não possuía alma, então era estranho ele agir assim.— Ahm... Kiky?

O chamei pelo seu apelido ele não respondeu, eu me sentei no tapete e lhe olhei olhar para para o teto com aqueles olhos vazios de quando ele não toma sua tinta.

— Ink! — Lhe balancei aflito.

— Ah!— Ele gemeu e me olhou como se saísse de um transe, eu continuei lhe olhando assustado.— E-Error.— Ele me chamou com os olhos começando a se encher de lágrimas.

— Ink... O que ouve? O que você tem?— Perguntei quase chorando por o ver chorar.

— E-Eu senti.

— O-O que?

— Algo, pulsando ... N-No meu peito, foi forte... C-Como.— Ele virando a cabeça pro lado alisando o seu próprio peito, eu estava a aflito ansioso pra que ele completasse a frase, mas antes que eu perguntasse ele se virou ora mim de novo.— Como um chute.

"Um chute?" Pensei.

— U-Um chute amor? No seu, no seu peito?

— Por dentro...— Ele falou se sentando ainda assustado com aqueles olhos vazios, ele tremia muito, eu o abracei de lado procurando o consolar, mas ele não parava de tremer.— Error tem algo estranho, i-isso, tem algo errado!

Ele chorou aflito, me olhando nos olhos, mas o que eu poderia dizer?! O que eu poderia fazer?! Vozes! Se me ouvem me dêem um norte! Eu não aguento ver ele assim!

— V-Vamos, vamos dar um jeito, scientist, vamos até ele, ele deve ter algo lá.

— M-Mas ele já não nos expulsou da au dele, quando tentamos fazer uma alma pra mim?— Ele perguntou trêmulo enquanto eu me abaixava para o pegar no colo.

— Sim, mas, é uma emergência amor.— Lhe beijei na testa e sai do quarto com ele no colo.— Vai ficar tudo bem okay? Vamos lá, não chore.

Disse com as lágrimas nos olhos também, meu coração apertava só em ver ele lacrimejando assim, quando saímos de caso eu abri um portal para a porta do laboratório de scientist que assim que nos viu na porta ativou o mecanismo de segurança nós apontando armas, lazeres, até um cachorro pendurado numa corda, logo um painel saiu do chão e nele estava a imagem de science sans em sua mesa com cara de poucos amigos.

— O que vocês estão fazendo aqui?!

— É-É uma emergência, sabe que eu não viria lhe incomodar se não fosse por isso.— Falei sério, mesmo com lágrimas finas escorrendo pelo meu rosto, os olhos do outro sans de óculos miraram meu amado que tremia em meu colo, ainda em choque pelo que, seja lá o que ele sentiu.