— Chamarei novamente a coisa, sendo que um pouco mais cedo e você cortará as duas cabeças restantes. Você acerta bem a pontaria, se naquele dia em que limpamos a espada?

— Corey, tenho uma ideia melhor e segura. Por que não nos escondemos no porão, ficaremos lá até ela ir embora. Vamos “enganar” a coisa, ela pensará que ninguém está em casa, desistirá de tentar lhe matar no dia e voltará para o seu ninho ou seja lá o que for. É aí que a seguiremos com muito cuidado sem a fera nos descobrir, até o seu ninho e lá resgataremos todas as pessoas que amamos.

— É... Seu plano é bem melhor e mais seguro que o meu.

— Isso é porque somos uma dupla e em breve um casal. – Sorriu a Caitlin para mim. – O ceu celular tocou bem no instante em que nossos lábios iriam se encostar. Sou ciumento, não nego e por isso escutei a sua conversa no telefone que pelo tom e pelo jeito era a sua melhor amiga Lindsey.

Amiga, eu não vou me encontrar com o Justin amanhã! – Sem perceber, a Caitlin colocou a chamada no viva-voz.

— Ah, mas você vai! Nem que eu tenha que lhe sequestrar na sua casa! O Justin está louco para lhe ver, Cai!

— Mais quanta insistência! Está certo, eu vou e levo o Corey junto.

— Já estou vendo que isso vai dá rolo, mas tudo bem, leve-o. – Caitlin desligou o telefone, se virou e tomou um susto quando me viu.

— Corey!, não percebi que você estava escutando a conversa toda e... Não acredito que aquele idiota, machista, estúpido quer me ver!

— Calma, “Cai”. – Falei com tom de deboche ao pronunciar a palavra Cai.

— Não precisa debochar do apelido que a Lind me deu quando quer algo. – Enquanto a noite se aproximava, escrevi no diário:

Querido diário,

Novamente a coisa me visitou e nessa vez só estava com duas cabeças. Sabe qual foi a parte boa do pesadelo? A parte boa foi que a Caitlin estava ao meu lado. Estranho mesmo foi não ter visto a fera e sim, ter escutado só os seus suspiros às 2h da manhã.” Dormimos no porão até o horário combinado. Quando deu exatamente 2:00 da manhã, acordamos com um suspiro.

— Se prepare, é agora! — A Caitlin sussurrou para mim. Aqueles suspiros começaram a se aproximar. Fiquei quieto no meu local de origem, mas a Caitlin decidiu mudar todo o plano. Pegou a espada e quando estava abrindo a porta devagar, tentei convencê-la a voltar e continuar com o plano.

- Sua louca, volte aqui! Não mude o nosso plano!

— Me desculpe, Corey. Mas tenho que fazer isso. Não aguento mais ficar sem a minha irmã. – Qual era então o plano daquela garota? Se entregar para a coisa e morrer junto com a Frie? Me deixar só com aqueles pesadelos me atormentando? Mas claro que não foi isso, senão a história acabaria agora.

— Então eu vou junto. – Sorrimos ao ficar com as mãos grudadas um no outro. Abrimos a porta do porão devagar, saímos em silêncio e ficamos atrás da coisa sem ela perceber. A fera não havia notado nossa presença, pois estava com os olhos revirados por todos os cantos da sala nos procurando. – E aí? Está nos procurando, donzela? – Provoquei a coisa. Ela se virou para mim e quase que me atacava, mas a Caitlin foi mais ágil e acertou a espada nas suas duas cabeças. Ficamos olhando aquelas partes da fera no chão, nos olhamos sorrindo e nos abraçamos felizes.

— Acabou, Caitlin! Estou livre, você está livre, nós estamos livres desses pesadelos atormentadores!

— Será? Sinto que ainda não... Corey, cuidado! – A coisa ainda estava viva! As três cabeças foram substituídas por quatro olhos na sua parte corporal!

— Humanos tolos, acham que acabou? Só acaba quando eu desistir de atormentá-los. – A coisa riu ironicamente, tirou a espada da mão da Caitlin e a jogou para bem longe com a sua calda comprida feito de cobra e depois saiu da mansão suspirando fundo.

— Eu... Eu... Avi... sei. – Falou Caitlin trêmula. Corri até onde ela estava, peguei-a no colo e a levei até o meu quarto onde coloquei-a na minha cama para que a Caitlin se sentisse mais segura. Ela apagou no mesmo instante.

No dia seguinte, decidi tomar um ar fresco. Jornalistas, repórteres, policiais e pessoas desconhecidas estavam ao redor da mansão. O mesmo jornalista que tentou entrevistar a Caitlin no dia em que a Frie desapareceu, tentou me entrevistar.

— Corey, como você explica esses desaparecimentos misteriosos? Primeiro desaparecimento foi a irmã da garota que deve está aí com você e agora, a sua mãe e a sua irmã. Como você se sente sobre tudo isso?

— Tenho certeza que se eu contasse, vocês não acreditariam. E por quê iriam acreditar? É Halloween, certo? – Saí dali sem falar mais nada deixando toda a imprensa calada. No centro da cidade de Nova York, fui à biblioteca pesquisar sobre a coisa. Numa loja em frente da biblioteca pública, encontrei uma garota idêntica a Krysta. Mas... Não pode ser! A Krysta mora na Europa, o que será que ela veio fazer justo aqui em Nova York? Pensei confuso. Na biblioteca, vasculhei todos os livros na seção das criaturas sobrenaturais. Peguei um livro em que havia uma criatura idêntica à coisa e com uma frase maiúscula e em negrito. “ Para matar a coisa você deve saber o ponto fraco dela” Ajudou bastante. Pensei. Continuei lendo, pois havia mais palavras em letras pequenas. “ Cuidado, se você estiver lendo isso sabe dessa criatura e cortou as três cabeças dela, mas mesmo assim a criatura ainda está viva, uma dica: Enfie uma espada em seu coração que fica... “

— Droga! Esta parte da folha está rasgada! — Fui ao balcão tirar dúvidas com a bibliotecária.

— Licença, será que você poderia me dizer o que houve com essa parte dessa folha?

— Desculpe lhe informar, mas este livro não pertence a este estabelecimento. Lamento muito.

— Encontrei este livro na seção de criaturas sobrenaturais, como não pertence?

— Desculpe, jovem. Mas não há nenhuma seção com essa categoria.

— Que estranho... Obrigado. – Saí daquele lugal com um “ nó na garganta” sem conseguir compreender o motivo daquela categoria não existir se eu mesmo estava com o livro de criaturas sobrenaturais nas mãos. Com a cabeça atordoada, esqueci de lembrar que a Krysta estava em Nova York. Ouvi alguém me chamando no outro lado da rua.

— Corey meu amor!, Há quanto tempo! Surprise! – me aproximei da garota e falei:

— krysta?, o que você faz aqui em Nova York?

— Eu agora moro aqui! Ficou surpreso? – Krysta me beijou desprevenido, mas soltei ela logo em seguida.

— Ficou maluca? Eu tenho namorada!

— Claro que tem seu tolo! Sou eu!

— Me esquece, garota! – Corri o máximo que pude até depistá-la. A minha residência estava vazia, a Caitlin havia sumido.

Liguei para ela e só dava caixa de mensagens. Algum tempo depois, uma nova mensagem acabara de chegar. Era dela, da caitlin.

— “ Agora estou vendo o amor que você sente por mim.” Fiquei sem entender nada e resolvi ligar novamente para ela. A Caitlin atendeu.

- Caitlin, que mensagem ridícula foi aquela?

— Eu que lhe pergunto, que beijo ridículo foi aquele?

— Beijo? – Lembrei do beijo que a Krysta me dera logo cedo.

— Sim! Beijo! Você pensa que eu sou o quê? Uma espécie de chiclete?

— Como? Não entendi.

— Você acha que sou um chiclete, né? Que pega, mastiga, quando se cansa joga fora e pega um novo. Pelo visto você já se cansou desse chiclete que eu sou, né?

— Não é nada disso! Eu posso explicar!

— Não precisa, que tal ficar com a sua “amiguinha” e me deixa em paz? – A Caitlin finalizou a ligação sem me deixar responder.

Narração da Caitlin:

Eu sei que não devia ter saído da mansão enquanto me sentia frágil, mas me preocupei com o Corey, ele estava demorando demais. Procurei por ele em todas as partes possíveis de Nova York, até chegar no centro da cidade e ver o Corey beijando outra garota. Não identifiquei quem era, pois minhas lágrimas começaram a fluir. Corri até a casa da Lindsey desesperada e desabafei tudo e deixei saindo até o que não devia.

— Não sei o por quê da ideia de fingir ser namorada dele. Eu já devia saber que isso aconteceria.

O que você disse? – Gritou Lindsey surpresa.

Notas finais
E agora? O que será que vai acontecer? Reviews?