Nightmares Tormentors

25 Surprises,Deaths,Romance and Others - Part III


Notas iniciais
Esse deveria ser o último capítulo, mas já que seria muito grande e cansativo,fiz com que esse fosse o penúltimo. Espero que se surpreendam.

No mesmo dia ligo para Lindsey e a chamo para a minha casa. Depois de várias horas esperando por ela, às 18h30, a campainha da casa toca. A Lindsey me abraça e logo em seguida vamos ao meu quarto. Ela senta na beirada da cama, sento ao seu lado.

— Finalmente a senhorita voltou a falar comigo, achei que nunca mais iríamos manter contato. — Lindsey desabafa num tom um pouco revoltante.

— Que bobagem! Eu só estava passando por um momento difícil.

— Poderíamos ter passado juntas se você tivesse me dito. — Coro a cabeça e lamento em baixo tom:

— Desculpe, Lind. Isso não vai mais se repetir. — Um sorriso se forma em seu lábio e ela me abraça. O toque do meu celular interrompe aquele momento de irmandade. Era o número do Corey. Atendo a sua ligação:

Corey?

— Oi, docinho. Sentiu minha falta?

— Docinho? Quem você pensa que eu sou? Claro que não. Nos vimos ontem.

— Desculpe, meu docinho. Ficou com raiva? — Seu tom de voz estava rouco e sarcástico.

Não me chame de docinho! — Grito através do celular. A Lindsey me olha preocupada.

Novamente me desculpe, docinho. — Uma raiva toma conta de mim e berro:

Quantas vezes vou ter que lhe pedir para não me chamar assim?

— Vou parar. Eu não liguei para lhe irritar, docin...

— Não ouse em completar a frase! — Escuto um riso sarcástico durante a ligação. Minha vontade naquele momento era de finalizar a chamada e passar um bom tempo sem falar com o Corey. Ele estava voltando a ser o garotinho que eu tanto desprezava. Porém decidi observar até onde aquela conversaria chegaria. No entanto, não demorou muito para chegar:

Só liguei para lhe convidar à ir comigo e a Debby ao acampamento.

— Acampamento? — Hesitei. Em Nova York não haviam acampamentos desde o ano em que duas crianças entre quatro e cinco anos foram pedofiliadas por um dos seus tutores.

Isso mesmo. Fui convidado para ser um tutor. Aceita ir comigo? — Penso por vários minutos a respeito e finalmente chego a uma conclusão:

— Sim.

— Ótimo, nos vemos amanhã no acampamento, docinho. — Finalizo a ligação, jogo o celular para longe e grito em fúrias:

— Idiota! — Enquanto eu estava falando com o Corey, tive a sensação de que ali não era ele, como aquela alma que estava ali não era a dele. O Corey nunca me chamaria de docinho, pelo menos até aquele dia. A Lindsey se levanta da cama, aproxima de mim e me pega no meu ombro.

— Caitlin, você precisa se acalmar.

— Como? Ele me chamou de docinho! Odeio esses apelidos, amor, amorzinho, gatinha, pequena e principalmente docinho!

— Você está sendo muito mimada e infantil.

— Lindsey, eu não pedi a sua opinião. Se for falar mais algo que seja sobre isso, é melhor que fique calada.

— Não precisava ser tão fria. Mas enfim, o que o Corey queria?

— Ele estava me convidando para ir ao acampamento.

— Acampamento? Mas... Faz anos que Nova York deixou de fazer esse tipo de diversão!

— Eu sei.

— Então aquele "sim" foi de aceitamento, né? — Balanço a cabeça em concordância. Lindsey pega uma mala, coloca as minhas roupas e meus pertences dentro e logo em seguida fecha. Depois vai embora.

Tomo meu banho, coloco um pijama listrado e vou jantar. A Frie chega na cozinha para me acompanhar na refeição. Ela fica me olhando com um olhar de estar querendo falar alguma coisa. Tento convencê-la a dizer.

— Está tudo bem, Frie? — Franzo as sobrancelhas enquanto mordo um pedaço de bolo.

— Está sim, só... Um pouco preocupada.

— Está preocupada com a Coisa voltar e nos atacar novamente? — Tento adivinhar, porém erro.

— Isso também, mas é outro assunto. — Ela coça a parte detrás da cabeça.

— O que é?

— Eu estava arrumando o seu quarto como de costume e deparei que sua mala etá arrumada. Você vai se mudar?

— Nada disso, eu vou acampar com o Corey e a Debby amanhã. Pelo visto o acampamento voltou a funcionar. Depois de tantos anos...

— Que lindo, dona Caitlin. Vai acampar e não chama as suas irmãs, né? Certo, você vai ver quando vou lhe chamar para algo legal novamente.

— Oh, irmã. Ficou chateada? É claro que você e a Lindsdey poderão ir conosco. — Um sorriso se forma em seu lábio.

Quando termino o jantar, vou ao meu quarto e fico avoada deitada na cama até o momento em que eu tenho que dormir.

Justin?

— Caitlin! Você precisa acordar e ir até a casa do Corey, agora!

— Você ficou louco? Está de madrugada!

— Não importa! Vá até a casa dele e mate-o!

— Eu não entendo dois fatos. Eu sonhando com você, mas só escuto a sua voz e o por quê de você e o Corey quererem que eu mate ele.

— Em breve você saberá a resposta para as suas dúvidas.

— Já ouvi essa frase em filmes e nunca gostei dela.

— Pare de falar e acorde... Acorde... Acorde...

Acorde! — Agora a voz mudara. Estava feminina e apressadora. — Caitlin, acorde! Nós vamos nos atrasar para o acampamento!

Percebo que agora não era mais sonho. Acordo ainda sonolenta. A Lindsey gritava feito uma louca tentando me apressar, enquanto a Frie escolhia uma roupa para mim. Quando a Lindsey me mostra a hora do seu relógio, só me falta cair da cama com o susto que eu levo. Pego a roupa escolhida pela Frie, corro ao banheiro, tomo meu banho, visto-a e saio do banheiro apressada. Quando todas as três ficam prontas, vamos ao ponto de táxi e quando chega, partimos para o acampamento.


Corey:


Enquanto o meu plano estava dando certo, eu ficava tranquilo. Não era nada fácil viver na casa do Justin com a Krysta por perto. Era sempre uma melosidade e uma intimidação. Eu sempre ficava pensando em como ela reagiria quando descobrisse que minha alma era que estava dentro daquele corpo do Justin. A Krysta não merecia ser vítima do meu plano para ficar perto da Caitlin, porém era necessário. No fim, todos sairiam machucados e um sairia morto e tudo por minha culpa. Se eu não tivesse teimado no ano em que a Caitlin me avisara... Nada disso teria ocorrido e minha irmã... Pobre da Shelby, uma criança que não fazia ideia desse ser sobrenatural... Tão inocente... No fim acabou morrendo. Eu faria de tudo para voltar a rever a minha irmã viva, alegre e esperta. Será que em algum destino de outras vidas, eu a reverei? Só de relembrar os momentos que passamos juntos, já dá até um nó na garganta. Uma noite, essas lembranças atormentaram a minha mente. Eu estava dormindo ao lado da Krysta quando senti que as lágrimas invadiam o meu rosto e molhavam o travesseiro.

A Krysta acordou no momento, passou a mão no "meu" rosto e perguntou num tom preocupada:

— Aconteceu alguma coisa? Nunca te vi chorar.

— Não aconteceu nada. Apenas entrou um cisco no meu olho. Volta a dormir. — Ela beija o "meu" rosto e me agarra de concha. Dava uma angústia em todas as vezes que sentia sua pele tocar a minha. Eu amava era mesmo a Caitlin, eu me sentia melhor com ela e não com aquela que estava agarrada em mim.

Corey, acho melhor você devolver meu corpo agora.

— Justin, eu não posso. O meu plano está dando certo.

— Qual plano? De ficar ao lado da Caitlin ou de roubar a minha namorada?

— Fique tranquilo que eu não quero nada com a krysta. Estou até nervoso de como será a reação dela quando souber a verdade.

— Parece até que você está gostando de ficar beijando ela. Devolve o meu corpo, Corey!

— Escute, você por acaso quer que a Krysta lhe odeie para sempre?

— Não...

— Então me deixe ficar com o seu corpo, ou então, é isso que vai acontecer se ela descobrir tudo!

— Certo. Mas resolva logo o seu plano. Estou sentindo falta de me sentir vivo, sabia? É como se...

— É como se você estivesse morto. Eu sei disso.

— Já que sabe então se apresse! Ah! E antes que eu esqueça, a Caitlin vai acampar com a Coisa e a sua mãe. Ela não sabe de nada. Amanhã mesmo vá para esse acampamento e acabe logo com isso!

— Valeu por avisar. Agora preciso acordar. Tenho uma missão para fazer.

— Lembre-se, Corey, acabe com aquele demônio rápido!

Quando acordo deparo com uma bandeja na cama e a Krysta com um sorriso estampado em seu rosto na minha frente. Droga, agora essa! Penso enquanto exprimia a testa.

— Bom dia, amorzinho! Olha só o que trouxe para comemorarmos os nossos quatro meses de namoro!

— Precisava mesmo disso, Krysta? — Falo num tom sonolento.

— Claro que sim, Justin! Na bandeja tem maçã, uva, geleia, suco, biscoitos e um pedaço de bolo de limão, o seu favorito. — Sério que o Justin gosta desse sabor de bolo? Penso enquanto fazia uma reação de nojo. A Krysta percebe a minha reação e fala surpresa: — Que reação! Você gostava de bolo de limão.

— Exatamente, Krysta. Gostava do verbo não gosto mais. Agora dá licença que preciso resolver um assunto.

— Poxa, amorzinho. Para onde vai? — Perguntou ela fazendo bico.

— Não me chame mais de amorzinho, amor, gatinho ou esses apelidos com inho. Meu nome é Co... Justin!

— Desculpe, Justin. Você está tão frio comigo... Está parecendo até o Corey.

— Estou parecendo, mas não sou. — Devoro rapidamente a maçã que estava na bandeja, levanto da cama, vou ao banheiro tomar meu banho e depois saio daquela casa.

Na rua vou caminhando em direção à mansão. Quando chego, me aproximo da janela da sala e vejo a minha mãe acariciando o cabelo do meu verdadeiro corpo que estava possuído pela Coisa. Doía ver aquela cena. A Debby estava em perigo. Ela poderia a qualquer momento ser atacada por "mim". Naquele momento a minha vontade era de entrar naquela casa, pegar o meu corpo e surrar ele até sangrar, mas eu não podia fazer isso. A minha mãe se assustaria ou expulsaria o corpo do Justin daquele local e aí todo o meu plano falharia.

Tenho uma ideia brilhante. Arrodeio a mansão até a janela do meu quarto, por sorte ela está aberta. A janela era de puxar então foi fácil entrar na casa por ela. Quando entro, aproximo da gaveta ao lado da minha cama, pego o livro de criaturas sobrenaturais e a estaca. Após tentar sair pelo mesmo lugar que entrei, escuto passos. Saio rapidamente e correndo do local. Voltando à casa do Justin, arrumo a mala com algumas peças de roupas e coloco a estaca dentro. Depois fecho a mala e quando já estava quase saindo novamente, a Krysta aparece em fúrias.

— Para onde você pensa que vai? — Perguntou ela aos gritos.

— Acampar. Sabia que abriu um acampamento aqui em Nova York? — Krysta cruza os braços.

— Hum, sei. E você vai logo hoje? No dia do nosso aniversário de namoro?

— Esse aniversário de namoro é uma bobeira!

— Você nunca achou. Então eu vou junto. — Ela sai da sala e volta cinco minutos depois com uma mala.

No acampamento, o moderador divide os tutores em duplas. Como sempre eu fico com a Krysta, o meu corpo com a Caitlin, a Frie com a Lindsey e a minha mãe com o moderador. Monto a barraca junto com a Krysta e depois vou falar com a Caitlin. O acampamento dos tutores era na mata enquanto o acampamento das crianças eram em uma pequena casa de madeira junto de um lago. Os dois acampamentos eram um pouco longe um do outro.

— Oi, Caitlin.

— Justin! Que surpresa boa ver você aqui!

— Boa ou ruim? — Franzo as sobrancelhas.

— Boa. Pelo visto a Krysta veio com você, né? — Balanço a cabeça em concordância. Ela continua: — Justin, eu quero falar com você urgentemente. Vamos entrar na minha barraca.

Entramos na sua barraca, sentamos no colchão e a Caitlin continuou:

— Hoje eu tive um sonho muito estranho.

— Como era?

— Você me mandava acordar para que eu matasse o Corey.

— Nossa, mas que sonho estranho, né? E você vai matar ele?

— Claro que não, Justin! — O meu corpo chega na barraca. Deparo que eu estava com a pele pálida e os lábios avermelhados. Ele se aproxima de nós, me olha desconfiando, abraça a Caitlin e pergunta:

— Quem é esse aí falando com você?

— Você não lembra dele? É o Justin. — O "Corey" exprime os olhos e ainda fica confuso.

— Que Justin?

— O meu ex namorado, aquele... Ah, Corey! Não se faça de tolo. Você o conhece! — Por fim ela se revolta.


Caitlin:


Eu não estava ficando louca. Fatos incomuns estavam emergindo. O jeito do Justin ser tão carinhoso e deixando de ser tão fútil... O Corey? Ele estava voltando a ser o petulante de antigamente e me proporcionando com cognomes meigos. Amorzinho, docinho, fofinha... Eu abominava esse tipo de cognome. Esses fatos incomuns estavam defeituosos.

No fim da tarde quando os tutores já estavam acomodados em suas barracas, o moderador do acampamento nos convoca para a fogueira. Todos estavam ao redor daquelas chamas hesitando. Pattyson, o moderador, inicia conosco o diálogo de boas vindas.

— Sejam bem- vindos ao Camp Fun! — Todos aplaudiram com um sorriso no rosto. Inclusive o Corey que lançava um sorriso maligno para o moderador. — Depois de anos implorando para o Camp Fun voltar, finalmente ele regressou! E para festejar, esse ano teremos muito mais diversão! — Novamente todos aplaudiram.satisfeitos com o discurso do Pattyson. O Corey avança alguns passos adiante.

— Eu quero começar a falar que estou muito satisfeito por estar aqui com vocês, inclusive com a minha namorada Caitlin. É evidente que me entreterei nesse acampamento. — Naquele instante senti infâmia por aquele discurso nada satisfatório, pelo menos para mim. As pessoas o aplaudem e começam a sentar em volta da fogueira. Manducamos alguns marshmallow escoltado de refrigerantes, sucos e chás.

A refeição acaba e voltamos ás nossas barracas para ficarmos dispostos para o próximo dia.


Corey:


Não havia mais nenhuma barraca acesa, exceto a minha. Eu estava deitado, enquanto a Krysta estava em cima de mim como de costume. Ela fala num tom delicado:

— Justin, já que todas as barracas estão com as luzes desligadas e não há ninguém que possa nos interromper, que tal...

— Sério, Krysta? Aqui? — Franzo as sobrancelhas.

— Aqui sim. Está com medo que alguém entre na nossa barraca? — Retruca ela num tom sedutor e acariciando seus lábios quentes no meu pescoço.

— Pare. Aqui e hoje não. — Empurro-a de mim com leveza, me viro de lado e fecho os olhos.

— Ultimamente você anda tão estranho. O que houve? Cadê aquele Justin de alguns dias atrás? — Silêncio por alguns instantes. A Krysta prossegue — Acho que você está recomeçando a ter algum sentimento com a Caitlin. É isso? — Novamente silêncio. — Não vai responder, né? Sabe que é a verdade e está com medo de me machucar. Tudo bem, vou lhe deixar em paz.

Nas suas últimas palavras, ela deita do meu lado.

— Corey, saia imediatamente dessa barraca com a sua estaca e a encrave no coração do seu corpo!

— Eu não posso, Shelby! Não aqui no acampamento! Vão suspeitar.

— Droga! Então vá atrás dele e descubra se a Coisa tem algum plano para atacar.

— Certo, mas... Como posso recuperar o meu corpo? A Caitlin e a Krysta já parecem desconfiar que há algo errado "comigo" e com o "Corey".

— Filho, só eu sei como você pode retornar para o seu corpo.

— Então me diga, pai! Me diga logo! Antes que eu acorde!

— Assim que a Coisa estiver morta, tudo voltará ao normal.

— Droga! Não há outra alternativa?

— Tem sim. Ah não ser que você explique tudo para a Caitlin e ela mesma encrave a estaca e depois que ela conseguir, tudo voltará ao normal.

— Mas... Vai ser perigoso para a Caitlin! Não posso deixar que mais ninguém saia defunto ou molestado nessa história.

— Eu sinto muito, essa é a única alternativa ou quer possuir novamente o seu corpo quando a Coisa estiver defuntada?

Quando acordo fico sentado no colchão hesitando no meu sonho. O Yan estava certo. Se eu quisesse o meu corpo de volta eu teria que arriscar a vida da Caitlin. Por outro lado... Isso não seria egoísmo da minha parte? Quero tudo voltado ao normal, porém não quero que ela vire defunto pelos meus pensamentos egoístas. Teria que haver outro jeito mais simples de se resolver, mas qual?


Caitlin:


Os dias de diversão no Camp Fun se passa num borrão. A cada dia hesito das atitudes do Corey e do Justin. Os dois se fuzilavam com os seus olhares. Era como se naqueles corpos a alma não fossem deles.

Eu estava percorrendo a trilha da floresta numa caminhada que estava fazendo com as crianças de onze anos para a cachoeira quando no caminho reduzir os passos. Eu ouvia algumas vozes conhecidas. Ordeno para aquela turma voltar às suas barracas e me dissimulei atrás de uma árvore que dava para ouvir tudo. Era o Corey dialogando com o Justin.

— Tadinho do pobre "Justin". Achou que eu não perceberia a sua farsa.

— Por que insiste em deixar para me matar por último? Já estamos quites!

— Que tolinho... Eu já lhe disse que jogo para ganhar e não empatar.

— Você não falou isso! Fui eu!

— Ops!

— Você furtou meu corpo, minha namorada, minha família e meus amigos, mas não pode furtar minha vida!

— Você tem tanta evidência disso...

— Claro que tenho, porquê a Caitlin já está desconfiando das suas atitudes e em breve desvendará tudo! Segredos e mentiras são desvendados cedo! — Farsa?, matar?, jogo?, empate?, furto?, segredos?, mentiras? Do que será que eles estavam falando? Eu precisava desvendar antes que aquele diálogo levasse um deles a morte. Saio do esconderijo com passos fortes em direção à eles e pergunto num tom de desconfiança:

— Do que vocês estão falando? — O Corey sussurra algo no ouvido do Justin e sai daquele local com um sorriso sarcástico.

— Key... Caitlin... Faz tempo que você estava escutando a minha conversa? — Seu tom era de pusilanimidade.

— Tempo suficiente para escutar as palavras farsa, matar, empate,jogo, furto, segredos e mentiras. Ah! E sem esquecer do meu nome no meio desse diálogo. — Meu tom era de sarcasmo.

— Eu não posso explicar, não agora.

— Por que não pode? Por acaso tem haver com o que o Corey sussurrou no seu ouvido?

— Sim... Quer dizer... Não! Claro que não!

— Sim ou não? Explique isso logo! — O Justin controla a sua nervosia.

— Na verdade é sim. Mas por favor, quando lhe explicar tudo, prometa não sair espalhando por aí. Prometa que vai reagir normal ao ver o Corey.

— Eu... Prometo. Mas antes de explicat... Por acaso o meu namorado é um demônio ou algo do tipo? — hesito.

— Quase isso. Quer saber a verdade?

— Claro que quero! Estou querendo saber desde o momento em que escutei o diálogo entre vocês.

— Então aguente tudo o que vou explicar. — Ele analisa o local e inicia a explicação: — O seu namorado foi possuído pela Coisa que é um demônio que pode possuir várias formas. Uma delas é de um ser humano e de um animal estranho.

— Como você sabe disso?

— Porque eu sou o Corey.

— Será que dava para ser mais claro?

— Caitlin, eu sou não sou o Justin! Sou o verdadeiro Corey! Minha alma ficou perdida após a Coisa dominar o meu corpo. Para lhe proteger e proteger minha mãe e meus amigos eu tive que fazer um pacto com o Justin! Mas a alma desse corpo sou eu, o Corey e a alma do meu corpo verdadeiro é a Coisa!

— Eu não... acredito... E que pacto foi esse?

— O Justin me emprestaria o seu corpo em troca de eu tentar conquistar a sua confiança para ele. O Justin parece estar muito arrependido do seu passado.

— Ai-meu-Deus! E como você conseguiu dominar o corpo dele?

— Simples. Eu era apenas uma pequena luz branca que vagava por aí procurando por ele. Quando o achei, fiz esse pacto. Desde o acordo fizemos uma transição. Podia até dado errado, mas conseguimos.

— Um de vocês dois poderia ter morrido...

— Eu sei, mas era a única alternativa para proteger todo mundo e principalmente ficar ao seu lado.

— Entendi. Quando tudo voltará ao normal? Quero poder ser carinhosa com você. Acha que vai ser fácil beijar o lábio do seu corpo sabendo que aquela alma não é você?

— Admito que já pensei nisso. Prometo que em breve tudo voltará ao normal. Se você colaborar pode até ser mais fácil.

— Estou pensando agora... Como está sendo para você ficar com a Krysta, ser carinhoso com ela... E eu prometo colaborar. Tudo para ter a minha vida de volta a normalidade.

— Ótimo. Bem... Eu estou tentando não machucar os sentimentos dela. Tá difícil. Tenho até pavor de como vai ser quando ela também desvendar essa complicação.

— Fica tranquilo. A Krysta não vai nem perceber essa história. Já tem muitas pessoas envolvidas nesse perigo.

— É verdade. Você, a Frie, minha mãe, Justin...

— E a Lindsey. Ela soube dessa história no ano passado.

— Realmente, muitas pessoas estão em perigo. Prometo deixar todas vivas. — Sinto um sorriso se formar no meu rosto. Recordo que no momento prazeroso do hospital, não era o Corey que estava coordenando e sim a Coisa. Sinto remorso ao recordar cada toque dele/dela.

— E o Justin?

— A alma dele está perdida.

— Ele me visitou no hospital antes do incidente e me entregou violetas. Ali era o você ou o Justin?

— Não me lembro de ter entregado nenhuma violeta para você. Deve ter sido ele mesmo. Ouça, não comente nada disso com ninguém, nem mesmo com o "Corey". Finja que não sabe de nada. Quando o Camp Fun terminar, encrave uma estaca no meu coração. — Oscilo a cabeça em concordância. Abraço-o apertado. Aquele abraço seria de despedida. Eu teria que matá-lo daqui a quatro dias. Era asfixiante para mim aquela concepção. Por que eu aprovei essa ideia? Era mais fácil... O Corey fazer a transição com a Coisa. Mas será que mesmo assim eu ainda teria que matá-lo? Droga! Eu abominava ter que perder ele, porém era o único jeito da vida de todos voltar a normalidade. Se era para tudo voltar ao normal e ter que ficar sem o Corey, eu preferia virar defunta ao lado dele.

Retorno à barraco com o Corey, porém fomos surpreendidos com uma advertência do moderador.

— Corey, Caitlin e Justin, vocês três estão suspensos nesse fim do Camp Fun!

— O quê? — Eu e o Justin bradamos surpreendidos. O Corey estava desinteressado, até aparentava que para ele tanto fazia.

— É isso aí, jovens. Vocês deixaram três turmas perdidas na floresta. Uma das crianças dessas turmas podia ter se molestado.

— Tudo culpa do... Esquece. — Fala o Justin indignado.

— Não é culpa de ninguém! Agora voltem às suas barracas.

— Ma... Debby...

— Justin, o Pattyson tem razão. Vocês descumpriram uma das regras mais importantes do Camp Fun.

— Deveria ser Camp Boredom invés de Camp Fun. — Falo desanimadamente para mim mesma.

O Pattyson era um moderador da faixa etária dos vinte. Alto, magro, forte, musculoso, cabelos avermelhados num estilo skatista, olhos bem alaranjados num tom escuro. Ele era tutor no último ano do acampamento, porém foi convocado para ser moderador. Quando se trata de regras, o Pattyson é bem rígido.

Fico o dia todo no interior da barraca e não movo para o exterior por nada, nem mesmo para ir à fogueira no fim da tarde como costumo frequentar. A refeição termina. A Frie volta a barraca e fica ao meu lado. Ela hesitava das minhas atitudes. Eu não podia explicar o fato do Justin e do Corey, eu prometera. Sinto as mãos da minha irmã acariciaram o meu cabelo.

— Agora me explique o que houve para você, o Corey e o Justin quebrarem a regra mais importante do Camp Fun.

— Eu... Eu não posso. Por favor, não queira saber.

— Você já é uma adulta, né? Se for problema já pode resolvê-los sozinha, sem a minha ajuda. — Frie sai da barraca e volta à fogueira. Também saio imediatamente. Vou a barraca do Justin, ele me restitui a estaca.

— Você já sabe o que fazer. — Oscilo a cabeça em concordância.

Em direção ao Corey, flagro ele na cachoeira preparando uma espécie de armadilha. Era a minha chance. Avanço passos pesados e na hora de agarrá-lo por trás, ele se vira. O Corey analisa a estaca suspendido na minha mão. E hesita.

— O que você está fazendo com essa estaca, docinho?

— Eu já exigir que você pare de me chamar assim! Sabe o que farei com essa estaca?

— Hum.

— Encravar ela no seu corpo para ver se essa alma possuída sai.

— Quer dizer então que a mocinha indefesa já sabe? — Ele ri sarcasticamente.

— Já cansei desse seu riso sarcástico. Eu não sou mais aquela mocinha indefesa de quando fiquei internada. Posso lhe matar a qualquer instante.

— Estou com tanto pavor de você. — O Corey ironiza. — Pode me matar mesmo? Eu acho que não. Já lhe deixei inconsciente uma vez, posso lhe deixar novamente.

— Você não me ameaça mais. Vai em frente e me mate! Você fará um grande favor para mim!

— Você tem tanta certeza... Tolinha. Você disse que pode me matar com esse objeto de madeira velha? Vai fundo. Encrave bem dentro do coração do seu queridinho. Só aviso algo. A dor que sentirei será a mesma dor que ele sentirá. — A sua última frase me pega de surpresa. Eu não poderia matar a Coisa no corpo do Corey. Se eu a matasse, também mataria ele. Os dois estavam ligados um com o outro e deve ser por isso que o Corey conseguira fazer a transição com o Justin. Porquê os dois tem a mesma habilidade sobrenatural. Arremesso a estaca ao chão, sento, oculto a cabeça entre as minhas pernas e choramingo.

— Eu não posso fazer isso com o Corey. Se eu matar a Coisa ele também morreria.


Corey:


No dia em que eu, a Caitlin e o "Corey" levamos a advertência por ter infligido uma das regras mais importantes, o céu estava nublado e o clima estava frio. Quando a Caitlin viera ao meu quarto para solicitar o objeto de madeira e foi embora, eu tive um pressentimento ruim. Era só pressentimento até cair num sono e sonhar com o meu pai.

Corey, a Caitlin está em perigo! Vá atrás dela!

— Eu sei que ela está, mas é o único jeito de tudo voltar ao normal. A Caitlin tem que matar logo a Coisa.

— O problema é que tudo pode dar errado.

— Como assim? Nada pode dar errado. Ela sabe de todo o plano.

— Pode dar sim! A Caitlin pode desistir de matar a Coisa!

— Ela não vai fazer essa estupidez!

— Vai sim. Na verdade já está fazendo. Filho, se a sua namorada conseguir matar a Coisa, você também morreria! E você sabe que ela te ama. A Caitlin não teria coragem de fazer isso.

— Droga, pai! Só agora você avisa?

— Não discuta comigo! Acorde logo e faça a transição para o seu verdadeiro corpo para que encoraje a sua namorada a fazer o que é certo!

— Mas...

— Agora!

O meu plano havia enfraquecido. A Caitlin não teria coragem de matar aquela alma possuída do meu corpo verdadeiro. Eu a conhecia bem. Movo-me rapidamente até encontrá-los. Os dois estavam junto da cachoeira, no mesmo local que estávamos naquela tarde. Vi a Caitlin sentada no chão, a estaca longe dela. Ela estava com a cabeça inclinada entre as pernas. A Caitlin parecia que estava soluçando entre prantos. Ela estava sendo fraca na frente do nosso pior inimigo. Eu sabia, aquela mulher que era guerreira jamais conseguiria encravar uma estaca no coração do "Corey". Aproximo-me dela. Quando nós ficamos próximos, sussurro para ela:

— Permaneça forte. Só falta essa etapa para que tudo volte a normalidade. — Consolo-a.

— Eu... Eu... Não... Consigo. — A Caitlin soluçava muito. Ela aparentava apavorada.

— Olhe para mim. — A Caitlin me olha num olhar coberto de lágrimas. — Você é a Caitlin Vallenty, guerreira e destemida. Não há o que temer.

— Mas... Se eu matar a Coisa eu posso lhe perder. — A Coisa interrompe o momento.

— Que nojo! Abomino essas melosidades de casaizinhos que vão se apartar. — Recuo dos braços da Caitlin e me aproximo do meu verdadeiro corpo.

— Vamos acabar logo com isso. Quero o meu corpo de volta!

— Corey, não! — Me viro para a Caitlin e falo:

— Confie em mim. Agora, seu demônio estúpido, me devolva o meu corpo!

— Como você preferir.


Caitlin:


Jamais vi algo tão radiante como a transição do Corey com o seu corpo. Aquele momento ficará na minha memória para sempre. O seu corpo estava invadido por uma espécie de uma luz brilhante azul com três traços vermelhos brilhantes ao redor. Dava até para ver todo os seus órgãos. Era simplesmente radiante aquele momento. A transição acaba, porém não vejo nenhuma alma maligna.

— Eu me sinto tão... Poderoso! — Aquela voz não era do Corey. Aquela voz estava duplicada. Por um instante sinto temor ao ouvir aquelas vozes martelarem na minha mente. E agora? O que eu faria? Ficou complicado para matar a Coisa. Eu não podia. Se eu matasse um, mataria o outro. Lá no meio de todas aquelas vozes, ouço a voz do Corey berrar.

— Caitlin, segure a estaca e encrave logo no meu coração!

— Faz o que o seu namoradinho está exigindo, docinho.

— Não... Não! — Berro tão alto que a Lindsey, Frienny e Debby vieram.

— Mas o que... — Fala a Debby.

— Saiam daqui vocês!

— Perfeito! Todos estão aqui! Como planejei.- O quê? — Todos protestam. A Debby se aproxima de mim e pergunta apreensiva:

— Por que o meu filho está com voz dupla? Está parecendo um demônio!

— Porque o Corey está possuído! Agora saiam daqui!

— Agora que a festa está começando a ficar boa, ninguém vai sair daqui! — O Corey não consegue controlar os movimentos do corpo e agarra a sua mãe e a Lindsey ao mesmo tempo. As duas clamam por socorro enquanto a Frie segura a estaca. Ela joga o objeto de madeira para mim. Agarro e aproximo do Corey apontando-o para ele.

— Solte-as agora! Ou...

— Ou o quê? Você já me provou que não consegue me matar porque mataria o seu Corey. — Todos que estavam ali ordenavam que eu encravasse a estaca no coração do Corey.

— Faça o que estamos exigindo, Caitlin! Me mate! — Era a voz do Corey. — Me mate!

— Mate-o, Caitlin!

— Grita a Frie atrás de mim. — Fico hesitando por seis minutos. Aquele demônio já estava ficando impaciente.

— Vou contar até três e você vai encravar logo essa estaca no coração do seu namoradinho.

— Se eu não encravar você vai fazer o quê?

— Morder essas duas. Elas parecem ser apetitosas.. — Ele falava da Lindsey e da Debby. — Morderei que nem um vampiro. 1... 2...

— Não! — Berro em desespero. As duas estavam histéricas de temor. Naquele terror todo, a chuva emergiu.

— 3! — O Corey tentava não mordê-las, porém a alma da Coisa era mais forte do que ele. Aquele momento era cena de filmes de terror. Vejo sem poder impedir os dentes dele encravarem com força no pescoço da Lindsey e imediatamente no pescoço da Debby. As duas estavam mortas. Eu devia ter matado a Coisa quando todos ordenavam para mim. Os corpos delas se jogaram no chão. O sangue percorria por todos os corpos delas. Sinto repugnância e encravo com força a estaca no coração do Corey. As duas almas gritam de aflição por vários minutos. Tiro o objeto que estava lambuzado de sangue do seu coração. Uma fumaça preta emerge na minha frente. No meio dela deparo com um rosto de um formato humano. A fumaça desaparece quando a Frie joga no meio dela o seu terço. Minha irmã sempre usava um terço para onde iria.

O Corey cai no chão de costas com os olhos cerrados. Me aproximo dele e o viro de lado. Seu corpo sangrava muito, ele aparentava pálido. Seguro o seu tronco e choro milhas. Frie se aproxima e me abraça. Ficamos nós três perto dos corpos defuntados da Debby e da Lindsey. O sofrimento era muito. Pattyson chega com todos os tutores e pergunta surpreendido:

— O que houve aqui? Todos para as suas barracas, agora! O Camp Fun terminou! — Controlo o choro para explicar, porém soluço durante a explicação.

— O Corey... A Debby... E... a Lindsey... Mo... Morreram.

— Não... Mais mortes logo no ano da reinauguração do acampamento? — Eu e a Frie oscilamos a cabeça em concordância. — O pior é que essas duas morreram do mesmo jeito que a última vez. Minha irmã pergunta curiosa, mas soluçando.

— Ninguém nunca... Explicou... A... A morte daquelas... duas crianças...

— Eu sei como todos morrem aqui. Todos os anos um ser sobrenatural castiga Nova York, ninguém nunca conseguiu detê-lo.

— Ser... Sobrenatural? — Hesito. — Pattyson oscila a cabeça em concordância. — Por acaso seria um demônio que possuía vários formatos e um deles era de um humano?

— Eu não sei dizer. Nunca o vi, mas antes de virar moderador, eu era tutor e o meu moderador era um cara de família da Europa. Seu sobrenome era Lights...

— Lights? — O sobrenome do Corey e da Shelby eram Lights, então... Será que esse homem era o pai deles?

— Sim... E seu nome Yan. Yan Lights. Acho coincidência que venha um tutor com sobrenome dele.

— Não é coincidência, Pattyson. O Yan Lights era pai do Corey. — O moderador se surpreende. Do nada emerge um bilhete com aparência de velho no meu colo. Leio o que estava escrito e me surpreendo. Era oficial, o pai do Corey já foi moderador e pelo o que aparentava, foi no mesmo ano em que as crianças do Camp Fun morreram. A carta e os fatos se coincidiam perfeitamente. Tudo estava esclarecido. Quando o Yan morreu ele era moderador do acampamento antes dele desaparecer. O pai do Corey estava tentando deter aquele demônio que chamávamos de Coisa.


Corey


Eu não me recordo de nenhum tipo de momento do que houve após a transição, exceto pelo fato de pretender controlar o meu corpo. No instante em que distingui aqueles sangues humanos percorrerem pelos meus lábios, uma sensação angustiante me reprimia. Tudo aparentou ter se passado como apenas um pesadelo, mas que finalmente se findou.

Recordo-me de estar imóvel num leito sólido como uma pedra. Fios envolviam os meus pulsos e uma máscara hospitalar envolvendo o meu olfato. Durante a minha inconsciência, sonhei pela última vez com o meu pai e minha irmã. Minha mãe também estava presente.

- Parabéns, filho! Você conseguiu! Fez com que todas as almas perdidas voltassem ao paraíso!

— E ainda matou a Coisa, maninho.

— Parem de festejar! Eu fracassei! A mãe e a Lindsey estão defuntadas pela minha estupidez! Toda a minha família estão...

— Corey, não se preocupe com isso. Eu e a irmã da sua namorada estamos muito bem, aliás, todos nós estamos.

— Mas... Eu fracassei. Se eu não tivesse feito a transição, ninguém morreria.

— Você está enganado, filho. Você fez a escolha certa de ter feito a transição, pois todos morreriam e inclusive a Coisa.

— O seu pai está certo. Se essa transição não acontecesse, todos morreriam e quando eu falo todos, é você, Caitlin, Frie, Lindsey, eu... E aqueles do Camp Fun.

— Exceto aquele demônio, irmãozinho. Nós estamos bem, partiremos para um lugar melhor.

— Entendo. Ainda poderei ver vocês nos meus sonhos?

— Infelizmente não, Corey. Enquanto aquele demônio estava vivo, o portal para o nosso paraíso estava aberto. Todas as almas tinham que fugir de lá para o mundo de vocês, seres-vivos, pois ele havia dominado aquele lugar. A Coisa era muito poderosa. Agora que está morta, o portal se fechará quando todos nós voltarmos.

— Então não verei mais vocês, ah não ser...

— Ah não ser que sua hora chegue, querido.

— Vai demorar tanto... Queria que minha hora tivesse chegado na transição.

— Calma, maninho. Só prometa que seguirá em frente.

— Prometo, mas... Como eu só escutava a voz da Coisa nos meus sonhos e podia ver você?

— Você só a escutava porque ela era habilidosa, controlava tudo, até os seus sonhos. Enquanto a nós...

— Você nunca esteve sonhando. Tudo isso só está se passando na sua subconsciência. Nada disso é real.

— Pai, quando você está dizendo que nada disso é real... Do que se refere exatamente? Dos meus pesadelos ou da minha vida?

— Me refiro dos seus sonhos. Nós estamos apenas na sua mente. O paraíso é o lugar em que partiremos para que não possamos se comunicar.

— Isso é tão... Injusto.

— Antes que eu esqueça. No ano passado quando a Caitlin ficou internada no hospital, ela visitou o mundo surreal. A Coisa também controlava esse mundo. Sua namorada viu coisas que aconteceram e que ainda vão acontecer. Como você ter beijado a Frie, a morte da Shelby, os sentimentos dela e ainda um momento surpresa com você. Diga a Caitlin que ela pode visitar o mundo surreal quando quiser.

— Uau! Que momento surpresa era esse comigo?

— Um dia você saberá. Só não conto para não estragar. Só digo algo. A surpresa é ótima!

— Querido, temos que partir.

— Adeus, irmãozinho. Juízo com a minha cunhada.

— Shelby! Desde quando você ficou pervertida?

— Nunca, ora. Apenas vi vocês dois lá no hospital.

— Mas não era... Ah!, esquece!.

— Nós te amamos.

— Também amo vocês.


Quando desperto deparo que a mesma enfermeira que atendeu a Caitlin no ano passado, arrancava levemente aqueles fios que me envolviam. Seu nome era Violeta. Ela me olhava com um sorriso formado em seu rosto e me entrega um copo de plástico com um líquido transparente. Era um remédio para o coração.

— Os médicos pensavam que você fosse virar defunto.

— Que bom, né? Mas não virei. Minha mãe ainda está aqui? — Por que diachos eu perguntei pela Debby se eu sabia que ela estava defuntada? A minha pergunta era estúpida, mas Violeta ainda respondeu sendo simpática:

— Lamento informar, mas a sua mãe foi transportada para o cemitério.

— Poderei comparecer ao enterro dela e de uma amiga minha?

— Pode sim. Será amanhã de tarde.

— Obrigado por informar. — Ela sorri.

— As irmãs Vallenty estão na sala de espera. Você dormiu muito!

— Obrigado. Sério? Por quantos dias?

— 7 dias.

— Tudo isso? — A enfermeira oscila a cabeça em afirmativa.

Depois de um tempo refletindo sobre a vida, saio do quarto e vou à sala de espera segurando uma muleta. Não tenho uma recepção muito boa ao deparar com a Frie. Ela me lançava olhares fuziladores e a Caitlin aparentava chorar. Aproximo delas e toco-a com a muleta em seu ombro. Imediatamente ela me olha. Seu olhar estava impregnado de lágrimas.

— Lamento muito. — A Caitlin se levanta do sofá e me abraça apertado. Ela fala choramingando ao ver meu estado:

— Corey... Você está...

— Eu sei. Me desculpe por tudo o que houve. Vocês não mereceram.

— Não precisa de desculpar.

— Ele precisa se desculpar sim, Caitlin! Esse seu namoradinho matou a nossa irmã. — Frie fala num tom de insensibilidade.

Notas finais
Não sei o que houve para a fonte ter ficado tão pequena e curta. Quando escrevi o capítulo,a fonte estava normal e com mais de 11 mil palavras. Mas enfim,não parem de ler que ainda tem mais um capítulo para vim,