Nightmares Tormentors
18 Secrets
Notas iniciais
Me levanto do sofá, vou até a cozinha, vejo um refrigerante e um sanduíche que ao seu lado havia um bilhete que estava escrito Estou na casa do Corey, volto logo. Descanse bem após terminar o seu lanche. Ordens da Dr Debby. Beijos. Pego o sanduíche e o devoro todo. Quanto tempo fazia que eu não comia algo tão bom? Termino de comer e volto ao meu quarto para checar a minha aparência. Um embrulho de presente emerge diante a minha visão. Pego o presente e o abro.
Dentro da caixa havia um álbum de fotos com todos os momentos do meu aniversário de 18 anos.
Uma carta havia dentro dele.
Feliz aniversário, Caitlin. me desculpe por tudo que aconteceu em sua vida. Se eu pudesse voltar ao tempo, nunca teria escrito naquele diário. Prometo que daqui pra frente tudo será diferente. Se quiser pode até ser feliz ao lado desse seu novo amigo Tobby. O que me importa é a sua felicidade. Também quero me desculpar pela tragédia que aconteceu na festa.
Espero que algum dia você possa me perdoar e sentir novamente a mesma coisa que sinto por ti. Saiba que eu jamais parei de te amar. No dia em que terminamos, eu fui tolo por perder uma garota... Quer dizer, uma mulher como você. Eu te amo e sempre te amarei.
Com amor o Corey.
Uma foto minha dançando com o Tobby cai aos meus pés. Pego a foto, olho a data do álbum.
10-11-12. Sento na beirada da cama e choro milhas. Enquanto eu relia a carta, momentos de mim e do Corey apareciam como um flashback e cada palavra daquela carta me fazia chorar ainda mais.
Eu sabia que nada mais seria como antes. Meus sentimentos ainda eram correspondidos aos dele, porém uma dúvida me consumia. Se ele jamais teria parado de me amar, por quê beijou a Frie ás minhas custas? Se o que vira no mundo surreal for verdade. Agora eu chorava ainda mais, só que não era mais choro de nostalgia, e sim de ódio. Jogo o álbum com a foto e a carta para longe e grito:
— Mentiroso!
Ouço passos se aproximando do quarto. Me deito de lado fingindo estar dormindo. Os passos se aproximam da porta e batem de leve. Não respondo o chamado. Aqueles passos ficam cada vez mais altos, eles se aproximavam da cama. Sinto uma mão acariciando o meu rosto.
Era a Frie, ela me mexe e fala num tom baixo:
— Ei, querida. Acorde. — Eu poderia ignorá-la até um certo ponto, porém perguntas estavam entaladas na minha garganta. Eu precisava saber da verdade e aquele era o momento certo. Me viro para o seu lado, séria. — Comeu algo?
— Sim — Respondo num tom de desprezo. Ela franze as sobrancelhas e pergunta desconfiada:
— Você está bem?
— Honestamente? Eu não sei. Há várias perguntas que não querem me calar. — Frie senta ao meu lado da cama e fala:
— Pode perguntar o que quiser, estou a disposição.
— Primeiro eu quero saber o que houve comigo após o dia do meu aniversário, quando eu sair com o Tobby.
— Caitlin... — Minha irmã fala no mesmo tom que falara quando nossos pais haviam morridos. — Quem procura acha e as vezes não é aquilo que queria. O que você procura pode lhe machucar.
Me estico na cama e falo:
— Frie, eu já passei por muitas coisas pelas quais não valem a pena serem lembradas e nada mais é pior do que já passei.
— Já que tanto insiste... — E ela começou. — Após sair com o Tobby, você desapareceu por uma semana. Colocamos investigadores atrás de você e nada. Até que um dia, os policiais encontraram o seu cachecol todo ensanguentado nas matas. O Corey também ajudou na investigação e foi ele que encontrou o seu corpo que estava também todo ensanguentado, junto daquela cachoeira que tem 6 metros de altura. No dia em que o Corey lhe achara, eu havia lhe seguido e vi uma cena que jamais vou esquecer. O Tobby e o Corey estavam discutindo, até que o garoto que você é super amiga admitiu ser a coisa.
Frie parou de falar um pouco para analisar minhas emoções. Eu estava imersa em pensamentos, a cada palavra que ela contara, um flashback do mundo surreal emergira na minha mente. O cachecol, o meu corpo ensanguentado, a cachoeira, tudo apareceu nos meus pensamentos. Depois ela continuou.
— Ele queria torturar o Corey machucando as pessoas mais próximas dele. Eu não iria ficar ali parada vendo o Corey ser humilhado na frente da coisa e por isso, quando ele se rendeu, dei um ultima te. Por sorte eu alugara uma arma na delegacia para essas ocasiões e dei-lhe um tiro nas costas que espero que dessa vez a coisa não apareça novamente.
— Então nesse tempo inteiro o Tobby só me usou para atrair o Corey? Então eu era a isca da sua armadilha? — Minha irmã balançou a cabeça em concordância. Eu esquecera completamente de perguntar se houve alguma relação da Frie com o Corey.
Me levanto da cama, pego meu Iphone e vejo o data daquele dia. Me espanto ao deparar que já era 21-11.
— O baile de formatura já é daqui a algumas semanas! Acho que vou reprovar de ano.
— Calma, Caitlin! Já falei com a sua coordenadora para marcar suas provas antes mesmo da formatura. Suas provas acontecerão no dia 1º de Dezembro.
— Oh, irmã. Muito obrigada por tudo! Me desculpe se nunca te agradeci e sempre fazia lhe criticar. — Dou-lhe um abraço apertado.
— Não precisa de tanto drama, né? Mas agradeço que esteja reconhecendo o seu erro. — Eu não podia dizer que aquele abraço também era de despedida. Admito que meu sonho sempre foi morar no Brasil, conhecer as pessoas de lá, me casar com um brasileiro e até formar uma família com ele. E esse ano era a oportunidade desse sonho virar realidade. Minha irmã nunca aprovou essa ideia, sempre achou uma maluquice minha de morar num país de fora. Principalmente quando é o Brasil. Após o abraço, dou-lhe um beijo no rosto.
— Você voltou muito estranha do hospital. Tem que ver isso aí. — Frie brinca e sai do quarto sem perceber o álbum jogado no meio do quarto. Dias e dias se passam num borrão. O colégio estava na sua agitação para a preparação do baile de formatura, o Corey perdera a sua reputação de O Garoto Atraente e a Lindsey menos empolgada do seu jeito de ser. Quando era pra falar comigo, ela falava normalmente e não do seu jeito empolgante. Quando eu chegava num certo local, todos me olhavam e logo fofocavam algo sobre mim.
Finalmente o dia das últimas provas chega. Na sala de aula, no Colégio Halls, sento na primeira carteira da quarta fileira. Respiro fundo e começo a resolver as fichas. Provas fáceis, estou aprovada. Meu sonho de morar no Brasil logo se tornaria real. Nada me faria voltar atrás, meu destino agora era seguir em frente, sozinha ou não.
Enquanto eu saía da sala imersa em pensamentos, me esbarro naqueles lindos olhos verdes que faziam acelerar o coração de qualquer garota que passasse em sua frente. Eu devia resistir aquela tentação, senão cometeria uma loucura e era isso que ele queria, que eu cometesse uma loucura.
— Olha para onda anda, seu idiota! — Fui fria, porém o garoto não se afetou e respondeu no seu tom de ironia.
— Também senti sua falta, gatinha. — Pode parecer idiotice, mas tenho sextos sentidos e eles me diziam que uma ponta daquela ironia era verdade.
— As vezes as coisas nunca mudam, é impressionante.
— Está falando comigo?
— Não, estou falando com o meu amigo imaginário. — Retribuí a ironia.
— Você não acha que já é muito velha para ter amigos imaginários? — Falou o Corey com os braços cruzados e sobrancelhas levantadas.
— Talvez. E você não acha que já está grandinho para iludir um coração feminino?
— Eu... — Depois desse fora, ficamos em silêncio. Dou alguns passos, mas sou interrompida. O Corey pega nos meus pulsos, me puxa até o seu corpo e me olha por alguns instantes. Novamente aqueles olhos irresistíveis me fitavam. Nossas lábios se aproximaram e quando iriam se tocar, tomo uma dose de realidade. Conheço muito bem o que aconteceria se aquela maluquice acontecesse. Meus sentimentos ficariam confusos, eu admitiria que ainda sou apaixonada por ele, ficaríamos naquele clima e por fim, abriria mão de tudo para estar ao seu lado. Inclusive dos meus sonhos. Mas não dessa vez.
Empurro forte o Corey e ele cai no chão.
— Seu atrevido!
— O que eu fiz?
— Nasceu! — Dou as costas pisando fundo. Será que exagerei na frieza? Penso.
Chego em casa e reparo que a Frie não estava. Ela já deve ter ido ao seu curso de informática. Vou ao meu quarto, pego papel e caneta e começo a escrever uma carta de despedida para a minha irmã.
Querida Frie,
Lamento por estar lendo esta carta. Decidi segui o meu caminho já que agora sou uma adulta responsável. Quanto ao Corey, eu ainda o amo muito, por isso decido seguir com a vida antes mesmo da formatura, para não sofrer vendo vocês dois sendo felizes juntos. Sim, eu já sei o que houve entre vocês durante a minha ausência. Eu prefiro ver duas pessoas que amo juntas, sofrer e depois superar, do que interferir o amor entre os dois, conseguir o que quero, pra depois ver uma pessoa saindo machucada por minha causa. É por isso que decido seguir em frente logo cedo, assim todos acabam se dando bem no final. Só o que quero é a felicidade de vocês. Sentirei muitas saudades, até chorarei de nostalgia, mas essa é a escolha que faço.
Beijos e abraços da sua irmã mais nova, Caitlin.
Amasso o papel e jogo fora. Melhor não escrever nada, isso vai ser muito dramático e doloroso. Penso. Ligo para a Lindsey, convido-a para vim aqui em casa e ela chega meia hora depois.
Sentamos na beirada da cama do meu quarto e começo a falar:
— Lind, preciso lhe contar uma decisão que tomei. Mas por favor, não conte à ninguém. Só você pode saber.
— Claro, Cai! Também preciso lhe contar algo. Fale primeiro.
— Certo. Você sabe que meu sonho sempre foi morar no Brasil e a Frie nunca apoiou essa ideia, né? Antes mesmo da formatura, estou indo pra lá. Vou seguir meu caminho. Não quero me despedir das pessoas e cansei de magoá-las por minha causa.
— Eu entendo. Mas o baile de formatura é...
— Em breve. — Complementei. Lindsey me abraça apertado e escuto o seu choro. Nunca, em hipóteses alguma, vi ela chorando tanto quanto aquele dia. Lindsey nunca chora na frente dos outros, até aquele momento.
Naquele dia, minha amiga chorou milhas. Fui forte para não chorar junto, apenas um bolo se formou na minha garganta.
— Amiga, me desculpe. Eu não queria magoar você. Pensei que fosse reagir normal.
— Caitlin, você não me magoou. É que o que vou lhe contar, pode mudar a sua vida, as nossas vidas, ou tudo pode ter saído da minha boca para nada.
— Como assim? — Fico desentendida.
— Caitlin,nós somos irmãs.
— Claro que somos, Lindsey!
— Não, não desse jeito. Nós somos irmãs de sangue.
— Eu não estou entendendo bem.
— A gente é da mesma família! Eu, você e a Frie somos irmãs! Seus pais são os mesmos que os meus! Será que é tão difícil de entender isso? — Ela grita.
Notas finais
Só no próximo capítulo.
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