Nightmares

16 Capítulo 16 - Talent


Notas iniciais
OLÁ, MEUS AMORES! Voltei quinta-feira! E sabem por quê? Por que a fofa e querida Brigadeiro de Nutella deixou uma linda recomendação na fanfic! E tem forma melhor de comemorar isto postando um capítulo adiantado? Não! Não tem. Muitísssimo obrigada Brigadeiro de Nutella (P.S.: Amando seu Nick Name), este capítulo é pra você. Lembrando: se houver bastante comentários ou haver uma recomendação, eu adianto o capítulo. Então, sem mais delongas, deixo este capítulo super fofo, engraçado e, claro, com muito Peetniss pra vocês. Boa leitura, amores.

— Eu passei! – ouço sua exclamação assim que ela abre a porta.

Pulo da cama, confuso com a gritaria de Katniss e me preparo para algo ruim. Mas ela abre o maior sorriso possível e pula em mim, fazendo nós dois cairmos na cama novamente.

— O que é isto? – pergunto.

— Eu passei em Química. – ela fala animada, com a mão apoiada no meu peito e quase esfrega uma folha na minha cara – Olha isto, Peeta! É um B! Um B! Eu tirei um B em Química. Isto é incrível. Obrigada! Eu adoro você.

Ela me abraça novamente. Eu a abraço de volta e com a outra mão livre seguro a folha que carrega um grande B+.

— Agradeça ao meu cérebro, não a mim. – brinco.

Ela beija várias vezes minha testa enquanto eu apenas rio.

— Obrigada, cérebro do Peeta.

Finnick adentra o quarto – já que Katniss deixou a porta aberta.

— Ei, Katniss. – ele para assim que vê nossa situação – Talvez eu volte outra hora.

— Não! Tudo bem. Fala. – afirma Katniss saindo de cima de mim.

— Olha. – Finnick estende uma folha para ela – Só vim avisar que este ano você vai achar outra pessoa para ser seu par, porque eu me nego.

— Par de quê? – pergunto curioso.

— O show de talentos já está perto. – sussurra Katniss e rapidamente se vira para mim – Peeta, você será meu par. Eu já tenho a coreografia.

— Claro que tem. – suspira Finnick.

— Calma aí. – falo levantando as mãos – Não estou entendendo nada.

— É o show de talentos que acontece todos os anos aqui. – Finnick começa a explicar – Katniss sempre faz uma dança ou algo do tipo. Mas é sempre coreografias em casal. Bem, normalmente eu sou o par de Katniss, mas depois do mico do ano passado, nunca mais piso naquele palco. Então... Boa sorte, Peeta.

— O que aconteceu no ano passado?

Finnick solta uma risada irônica.

— Eu. Música do Bruno Mars. Dança. Cair de cima do palco. – ele falou em forma de tópicos.

— Você caiu de cima do palco? – pergunto tentando imaginar.

— Infelizmente sim. Levei três pontos na testa e prometi nunca mais me meter em nenhuma loucura com esta garota. – ele aponta para Katniss.

— É por isso que você será meu par. – Katniss conclui animada.

— Não vou dançar coisa nenhuma. A escola inteira vai ver. – nego rapidamente.

— Ah, por favor, Peeta. Por favor! É o último ano escolar e quero manter meu histórico de show de talentos perfeito.

— Este histórico nem existe. – discordo.

— Aceita logo, Peeta. Katniss é bastante persistente. E para piorar, vocês dividem o mesmo quarto. Boa sorte. – Finnick sai assim que termina de falar.

Não! Eu não posso fazer isto. A escola inteira vai ver. Eu nunca participei de nada deste tipo, nem participarei. Katniss e eu nos aproximamos mais desde que ela me contou tudo. Desde que passei o Natal na casa dela. Mas não posso fazer isto. Não quero. Odeio ter que me apresentar em público. Se já fico com vergonha só de apresentar um trabalho na frente da turma inteira, imagina só uma coreografia para a escola inteira? Eu abriria um buraco no palco e enfiaria minha cabeça lá.

— Peeta... Por favor. – Katniss implora com um beiço e as mãos juntas como se fosse rezar.

— Eu não vou fazer isto. Não vou me expor para a escola inteira. – rejeitei.

— Você não vai se expor. É a apenas uma coreografia. Nada demais.

— É nada demais para você. Porque para mim será horrível.

— Eu não vou desistir. – ela falou semicerrando os olhos em desafio.

— E eu não vou ceder. – respondi com o mesmo tom de voz e também semicerrando os olhos.

Bem, quando Finnick disse que Katniss era persistente, ele não estava brincando. Ela me incomodou a semana toda com o negócio do show de talentos. Mas neguei todas as vezes. Eu estava no nosso quarto, estudando a vida de Martin Luther King para o trabalho de história, que apresentaríamos um dia antes do feriado de aniversário do dito cujo. Katniss adentra o quarto silenciosamente e se encosta na mesa de estudos ao meu lado.

— Peeta... Por favor. Participa do show de talentos comigo. – não dei resposta nenhuma a ela. Aliás, nem sequer desgrudei os olhos da biografia que estava lendo com interesse – Peeta, está me ouvindo? – continuei sem dar resposta – Mas que droga! Vai ficar neste silêncio até quando?

Suspirei e joguei meu corpo para trás a encarando.

— No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.— falei, citando uma das frases do homem que estudava.

— Você está realmente interessado no trabalho de Martin Luther King. – afirma Katniss.

— Me surpreendo de você saber que esta frase é dele. – rio – Desista, Katniss. Eu não vou dançar com você no show de talentos.

— Tudo bem, mas... A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio. — diz ela e eu suspiro – Sabe quem disse isto, Peeta?

— Martin Luther King. – respondi a contragosto.

— Eu nunca vou perdoar você se não aceitar.

— O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício. — citei outra frase e Katniss revirou os olhos – Por que isto é tão importante? Isto é loucura.

— É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder. Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.

— Chega de frases de Martin Luther King! Eu não vou participar! – argumento já irritado.

— Por favor... – ela implora. – Eu não peço mais nada a você.

Revirei os olhos.

— Deixe eu ver a coreografia. – vejo ela começar a abrir um sorriso – Eu só quero ver. Não disse que faria.

Ela puxa o celular do bolso e me mostra o vídeo. A música era Halo da Beyoncé. Abri a boca em descrença. Nem que eu fosse um dançarino profissional conseguiria fazer isto.

— O que achou? – ela pergunta com esperança.

— Eu acho que você é louca. Você acha mesmo que eu conseguiria fazer isto?

— Claro!

— Era uma pergunta retórica, Katniss.

— Não é tão difícil quanto parece. Eu ensino cada passinho para você. Por favor, Peeta. Só se vive uma vez. Só se faz o Ensino Médio uma vez. Tenho certeza que você vai estar bem velhinho sentado em uma cadeira de balanço com os netos em volta e contando: “No Ensino Médio eu fiz uma coreografia com uma garota maluca da minha escola” E você vai me agradecer por esta lembrança. – eu ri da imitação dela.

Por um momento lembrei do dia em que meu irmão mais velho me fez tocar violão e cantar na frente de todos os vizinhos no Dia de Ação de Graças. Lembro de ter dito a ele que era loucura e que todos ririam de mim. Mas ele me manteve confiante e disse que eu possuía talento e que deveria aproveitá-lo ao menos uma vez na vida.

Bem, eu acabei indo e ninguém riu de mim. Eles me aplaudiram. E pediram que eu cantasse outra música. Lembro de gostar de ouvir o som das palmas, porque eram direcionadas a mim. A ninguém mais além de mim. E naquele momento, naquelas palmas, eu me senti especial. Senti que o frio na barriga que sentia enquanto descia as escadas com o violão havia valido a pena.

— Quanto tempo ainda temos para ensaiar? – perguntei com um sorriso.

— Você vai ser meu par? – ela pergunta já sorrindo.

— Eu não vou repetir a pergunta.

— Oh, meu Deus! Tudo bem. Eu vou falar com a secretária para liberar o auditório para nós.

Ela sai correndo do quarto, deixando a porta aberta. Eu rio e levanto da cadeira, fechando a porta e voltando para a biografia de Martin Luther King.

Só espero que meus netos realmente gostem da história.

Nós tínhamos duas semanas para o ensaio. Eu estava desesperado. Como aprenderia os passos em duas semanas? Estávamos agora mesmo no palco do auditório e Katniss tentava me ensinar alguma coisa. Não leve a mal: Katniss é uma professora incrível, mas eu sou um aluno de merda. Finnick compareceu ao nosso ensaio apenas para caçoar de mim. Ele estava sentado no chão, com as pernas cruzadas iguais a um índio.

— Não esqueça que quando abrir a caixinha, tem que deixar visível para o público o anel. Senão eles não vou entender, ok? – lembra Katniss.

— Sim.

Alguns primeiros passos eu consegui pegar. Katniss tinha razão: era fácil. Mas como tem que fazer rapidamente parece ser difícil.

Nós estávamos com um problema na parte de girar. Eu sempre acabava perdendo o equilíbrio, e quando não perdia o equilíbrio acabava virado para o lado errado. Eu precisava girar, mas acabar o giro de frente para ela.

Depois de girar inúmeras vezes, me deitei no chão do palco, olhando para o teto.

— Você está bem? – perguntou Finnick.

— Por que o teto está girando? – perguntei e os dois riram.

— Você está melhorando. Está conseguindo fazer o giro e ficar de frente para mim. – consola Katniss.

— É, mas ainda não chegamos nem na metade da coreografia.

— Vamos, lá! Levanta! – Katniss puxa meu braço.

Eu me rendo e levanto, recebendo motivação de Finnick.

— Vai lá, Peeta! Arrasa, bonitão!

— Vá se ferrar. – falo.

— Poxa, estou dando a maior força aqui e é desta forma que me agradece? – Finnick indaga fingindo estar magoado.

— Você está rindo da minha cara desde que chegamos. – o contradigo.

O ensaio estava bom…. Até Katniss me mostrar novamente o vídeo e eu ver algo que eu não conseguiria fazer. Eu preciso pegá-la e fazer dar uma volta…. No ar. Não tem como explicar em palavras, mas é algo que nunca conseguiria fazer.

— Viu como é fácil? – ela pergunta.

— Você só pode estar brincando.

— Deixe eu ver isto. – Finnick se levanta e puxa o celular – Isto é fácil. Olhe, Peeta.

Ele segura Katniss, abraçando em uma posição engraçada a sua cintura. A puxa para a frente. Vejo seus pés irem para cima e Katniss dá uma…. Pirueta? Realmente não sei como chamar isto. E acabar de pé novamente, mas no outro lado.

— Por que você não participa da coreografia já que sabe fazer? – pergunto.

— Porque você é o namorado dela. – responde Finnick.

— Eu não sou o namorado dela.

— Ok! Passatempo, tanto faz... Não vou participar.

Depois de trinta tentativas…. Depois de derrubar Katniss no chão vinte vezes…. Depois de eu cair junto com ela dez vezes... Consegui fazer aquele maldito movimento.

— Falta muito para terminar esta coreografia? – pergunto, sentando no chão.

— Não muito. – responde Katniss.

Após uma pausa, continuamos o ensaio. Chegamos no último movimento. Outra complicação.

— Você está querendo me matar. – falo quando ela me mostra o último passo no vídeo.

— Não é tão difícil. O outro é mais complicado que este. Se você conseguiu fazer o outro, consegue fazer este. Olha só: você me dá um impulso, levantando umas das minhas pernas, como se fosse me pegar no colo no estilo noiva. Eu vou colocar a minha outra perna no seu pescoço. Então é só me virar e me segurar. Aí acaba e ganhamos nossas palmas e outra pessoa entra para se apresentar.

— Você falando deixa a impressão de ser tão fácil quando respirar. – comento.

Mas no final, ela tinha razão. Aquele passo era mais fácil. Levando em conta que Katniss é leve. Depois de repassarmos a coreografia toda novamente, saímos do auditório. Passamos na secretaria para deixar a chave lá e nos direcionamos para o refeitório completamente famintos. Comemos em meio aos deboches de Finnick.

— É sério! Foi muito engraçado aquele tombo de vocês. – ele dizia pela milésima vez.

Tudo que fazíamos era rir junto. Depois de lancharmos voltamos para nossos dormitórios.

Meu corpo estava dolorido, então tratei de ir para baixo do chuveiro para aliviar meus músculos. Eu murmurava distraidamente uma canção qualquer enquanto me ensaboava.

— Quer companhia? – ouço a voz de Katniss dentro do banheiro.

Como ela conseguiu entrar tão silenciosamente?

— Eu já vou sair. – respondo.

Mas isto não a impede de invadir o box do banheiro vestindo sua lingerie verde.

— Obrigada. – ela fala sorrindo.

— Acho a lingerie desnecessária. – observo.

— Para pervertidos como você é necessária sim. – ela discorda.

Eu a puxo pela cintura, trazendo ela para baixo do chuveiro.

— Acho que você gosta deste pervertido. – sussurro no seu ouvido, causando uma série de arrepios nela e sorrio ao notar o efeito que causei.

Beijei seu pescoço suavemente.

— Alguém pode nos pegar. – ela sussurra.

— Katniss Everdeen com medo de se meter em encrenca? Esta é nova! – afirmo enquanto desço a alça do seu sutiã. – Ninguém vai nos pegar.

Ela acaba cedendo e escorrega seus lábios para os meus. Desligo o chuveiro, mas continuo preso ao chão e mantenho Katniss presa junto comigo. Eu passeio com minha língua por sua pele macia e ela solta um leve gemido e me abraça.

— Estou com frio. – ela reclama.

Faço ela dar alguns passos para trás e puxo a minha toalha a enrolando nela. Eu não estava com frio, aliás, eu parecia ser o próprio elemento fogo. Voltei a beijar seus lábios com calma e dar alguns passos em direção ao quarto, empurrando Katniss junto.

Ela escorrega e quase cai, mas eu a seguro.

— Cuidado. – advirto com um sorriso.

Assim como tudo começou calmo, tudo acabou calmo também. Acordei relaxado de manhã e encontrei Katniss dormindo encima do meu braço. Puxei o relógio despertador e olhei as horas vendo que ainda era cedo. Então abracei Katniss e ela soltou algum som.

— Já temos que levantar? – ela pergunta sonolenta sem se mover.

— Está cedo. – respondi a apertando mais.

— Eu poderia ficar assim para sempre. – ela sussurra ainda em um estado de semi-inconsciência.

— Para sempre? – pergunto.

— Para sempre na medida do nosso para sempre.

— Não é um para sempre tão longo.

— Eu sei. Mas é tudo o que temos. É melhor ter um pouco de infinito do que infinito algum, não acha?

— Talvez. – suspiro alto – Estava pensando: já ouvi casos como o seu. De garotas que foram... Bem, você sabe. – ela se vira de frente para mim, se mostrando mais interessada – A maioria delas não consegue confiar em homem algum depois do que passam, mas eu me pergunto como você consegue confiar nos homens. Ou garotos mais especificamente. Quer dizer, você tem um melhor amigo que é um garoto e já teve vários passatempos. Por que é diferente com você?

— Porque eu não quero ser só mais uma vítima sequelada de estupro. – ela diz sem desviar os olhos dos meus – Eu não quero viver com medo dos homens. Eu tenho consciência de que nem todos são iguais, mas, mesmo assim, tenho meus receios. Você é o primeiro garoto com o qual já fiz amor. Isso seria impossível com qualquer outro cara.

— Por quê? Por que seria tão impossível com os outros, mas comigo não?

— Porque você foi o único garoto que conseguiu ganhar a minha confiança.

Agora me peguei desarmado. O único. O único entre vários. E ela só confiou em mim.

— Mas e Finnick? Você não confia nele? – pergunto.

— Não tanto quanto confio em você. – ela sussurra. – Os garotos, os passatempos, se tornaram uma forma de me aliviar das memórias. Eles me distraem. Mas não posso ficar com nenhum deles por muito tempo. Pelo simples motivo de que ainda tenho medo. Eu não quero ter medo dos homens, mas ainda tenho um certo receio. Querer uma coisa é diferente de ter. E só é possível ter algo se você desejar com muita força. Se eu fico com algum garoto por tempo demais, começo a pensar em coisas horríveis que ele faria comigo. Isto me causa um pavor tão grande que me vejo forçada a terminar com ele.

— Eu nunca machucaria você, Katniss. – afirmo com convicção.

— Eu sei que não. Por isso ainda estamos aqui. Deitados nesta cama conversando. Minha experiência com você está sendo uma novidade para mim. Acho que no futuro, terei que chamar você de ex-namorado, em vez de “foi um dos meus passatempos”.

Ela sorri e eu retribuo o sorriso. Não sou apenas mais um para ela. Consegui ser alguém especial. Alguém que ela poderá se lembrar mais adiante. Talvez ela até mude de ideia. Decida não terminar nossa relação. Decida continuar comigo. Já consegui conquistar a confiança dela. Por que não tentar conquistar seu amor?

O despertador toca, estourando a bolha particular em que estávamos. Katniss dá um rápido beijo em meus lábios e pula da cama, levando uma das cobertas enrolada em seu corpo.

— Eu tomo banho primeiro. – ela avisa correndo para o banheiro.

Eu rio enquanto me sento na cama. Desligo o barulho irritante do despertador e saio da cama esticando o corpo.

Após estarmos prontos, saímos e nos separamos, indo cada um para sua aula. Nos encontramos novamente no intervalo. Estávamos sentados em nossa habitual mesa até sermos surpreendidos com Finnick acompanhado de Annie.

Olhamos para eles, esperando alguma explicação.

— Annie fará parte do nosso grupo. – esclarece Finnick.

— Pelo motivo... – começa Katniss.

Finnick olha para a mesa e solta uma breve risada antes de se virar para Annie e a beijar nos lábios.

— Isto é motivo o suficiente? – ele pergunta após o rápido beijo.

— Com certeza é. – concorda Katniss – Bem-vinda ao grupo... Grupo... Droga! Qual era o nome do nosso grupo?

— Isto importa? – pergunto.

— Tem razão, Peeta. – ela concorda – Bem-vinda a este grupo, Annie.

— Obrigada. – Annie agradece timidamente. – Eu vou pegar algo para comer. Volto logo.

— Tudo bem. – concorda Finnick.

Katniss olha para trás e logo após lança um olhar acusador para Finnick.

— É sério isto? – ela pergunta.

— O quê? – ele pergunta confuso.

— Logo a Annie?

— Pensei que gostasse dela.

— E eu gosto.

— E qual é o problema então?

— O problema é que ela não é um dos seus casinhos de verão, Finnick. As coisas com ela são sérias. Não é algo que você tem em um dia e no outro não tem mais. Eu sei bem que tipo de cara você é e já posso ver Annie saindo machucada disto.

— Eu não vou magoá-la.

— Acho bom que não. Aquela garota não é como eu. Ela doce. Ela é a pessoa mais fofa do mundo e vou fazer você cortar os pulsos se eu vê-la chorar por sua causa.

— Não vou precisar cortar os pulsos. Com ela será sério.

— Isto foi o que você disse quando estava com a Holly.

— Katniss, estou interessada nela há bastante tempo. Não pode dar um voto de confiança em mim?

Annie voltou para a mesa, encerrando o assunto.

— Sobre o que falavam? – Annie pergunta mais animada.

— Sobre aquela atividade impossível de matemática. – responde Katniss.

— Nem me fale. Vou copiar de alguém, porque resolver será impossível. – concorda Annie.

— O Sr. Carl deve estar querendo ferrar a gente. – suspira Finnick

Não dei importância, eu possivelmente conseguiria fazer a “Tão Complicada Atividade de Matemática”.

— Vamos ensaiar depois da aula, Peeta. – avisa Katniss.

— Hoje não dá. Tenho o curso extracurricular. Culinária. – respondo revirando os olhos.

O curso de culinária é um saco. Não falo com ninguém lá e é irritante aprender a fazer coisas que já sei fazer. Só vou pela nota extra mesmo.

— Está na culinária, Peeta? – pergunta Annie interessada.

— Ele vai abrir um restaurante. Será chef-cuca. – responde Katniss por mim.

— Vou ser advogado. – a corrijo.

— E cozinheiro nas horas extras. – complementa ela.

— De jeito nenhum. – falo e todos riem.

Depois da aula, passo no meu quarto e largo a mochila na cama, já saindo novamente para o curso.

Sento na mesa do fundo ao lado da janela e suspiro. Como eu queria fazer qualquer outra coisa que aturar este curso chato.

— Oi, Peeta. – uma garota senta ao meu lado.

É Lili. A garota ruiva com pequenas sardas. Dou um sorriso para ela para não ser mal-educado.

— Oi.

Esta garota dá encima de mim o tempo todo. Não achei uma forma direta de dizer que não estou interessado. A única garota que tenho interesse é alcançável, mas ao mesmo tempo não é.

— Formem duplas para fazer a receita que vou entregar. – ordena o professor.

“Não. Duplas não.”

— Que tal fazermos juntos? – Lili propõe.

Eu suspiro e olho para ela.

— Por que não? – respondo sem dizer um “sim” de verdade.

Ela sorri e me forço a sorrir de volta.

— Alguma dupla já formada? – pergunta o professor.

Lili prontamente levanta a mão.

— Peeta e eu. – diz ela.

O professor anota nossos nomes e nos entrega a receita.

— Boa sorte.

Vamos para uma das mesas ao fundo da sala, onde tudo que vamos precisar está preparado. Leio rapidamente a receita. Macaron. É algo meio complicado de fazer.

— Que tal você bater quatro claras de ovos na batedeira enquanto eu peneiro a farinha? – pergunto olhando para os ingredientes.

— Ótimo! – Lili concorda já pegando os ovos e os quebrando. Eu peneiro a farinha enquanto ela separa a clara da gema e coloca na batedeira. – Em qual velocidade? Na alta? – ela pergunta, mas não espera uma resposta.

— Espera! Não! – mas ela liga a batedeira espalhando clara de ovos em nós dois. Para completar eu esbarro no cabo da peneira e a farinha voa para nossas caras. – Eu ia dizer que era velocidade baixa.

— Oh, desculpa. – ela lamenta enquanto o resto da turma apenas ri.

— Meu Deus! Que bagunça. – o professor se aproxima – Acho que vou liberar vocês mais cedo. Podem ir.

Concordo, acenando com a cabeça. Neste momento estou agradecendo mentalmente Lili por ter ocasionado aquele acidente. Ao menos me livrei do resto da aula de culinária. Ela me acompanha até a entrada do meu prédio.

— Sinto muito, Peeta. – ela fala pela décima vez.

— Sem problemas. – digo também pela décima vez – Até mais.

— Até.

Entro no quarto. Katniss estava atirada na cama fazendo algum dever, mas para e me olha por cinco segundos antes de cair na risada.

— Mas o que aconteceu? – ela pergunta secando as lágrimas.

— Nem queira saber. – respondo indo para o banheiro.

Ouço mais risadas suas mesmo que a porta esteja fechada.

Após sair do banho, noto que tem uma roupa encima da minha cama.

— O que isto? – segurei a camisa.

— Sua roupa para a coreografia do show de talentos. – ela responde.

— Esta roupa de nerd? Aonde conseguiu ela?

— Tenho alguns contatos com gente nerd por aí. – ela fala me fazendo rir – Não devia falar deles já que é um.

— Não sou nerd. Sou inteligente. É diferente. – a contradigo.

— Que seja. Conseguiu fazer aquela atividade terrível de matemática? Vale nota.

— Vou tentar agora.

Os dias passam e o temível show de talentos se aproxima. Cada dia fico mais nervoso.

E quanto a terrível atividade de matemática? Bem, ninguém conseguiu fazer, nem mesmo eu. No final, ninguém ganhou nota e o Sr. Carl resolveu no quadro, mas ninguém entendeu mesmo assim.

Acordei já lembrando que dia era hoje.

— Preparado? – pergunta Katniss quando nota que abri os olhos. Ela já estava pronta.

— Vai fazer diferença se eu disser que não?

— Diferença alguma.

— Então dane-se a sua pergunta. Eu vou me arrumar para esta maldita coreografia. – falo jogando as cobertas longe com os pés. Katniss ri enquanto eu pego a roupa que ela separou para mim e vou para o banheiro.

Em pouco tempo já estou pronto.

— Que elegante! – ela fala com um sorriso.

— Cala esta boca que estou louco para sair correndo desta escola e nunca mais voltar.

— Vai dar tudo certo, Peeta. Fica frio.

— Parece tão fácil para você, porque para mim não é?

— Porque você deixa o nervosismo tomar você por completo. Vamos lá. – ela fala abrindo a porta.

Caminhamos no pátio frio da escola. Contornamos o prédio A e achamos uma porta.

— Que lugar é este?

— O pessoal que vai se apresentar entra por aqui. – ela explica.

Entramos e vimos monte de pessoas correndo para lá e para cá. Algumas ensaiavam a voz, outras passos de balé. Crianças do Ensino Fundamental estavam fantasiadas de personagens de contos de fadas. Fiquei menos tenso ao ver que havia bastante gente.

— É tanta gente assim? – pergunto.

— É a escola inteira. – esclarece Katniss.

— Onde anda esta pirralhada toda que eu nunca havia visto? – pergunto enquanto observo as crianças.

— Elas não ficam aqui. Há outra Hagerstown High School há poucas quadras daqui.

— Quantas Hagerstown High School existem? – pergunto surpreso.

Mas Katniss não respondeu. Eu a segui até um cara com prancheta na mão e ela perguntou algo para ele. Não ouvi direito por causa da barulheira ao redor. Ela se vira para mim enquanto o homem dá atenção a outra pessoa.

— Nossa apresentação é a de número quinze. – ela me informa.

Assenti com a cabeça e ela se sentou em uma cadeira. Me sentei ao seu lado. Ela tira uma pequena caixa de anel de dentro do bolso da calça e me estende. Eu pego e abro vendo o anel que usaríamos na coreografia.

— Como isto entrou no seu bolso? – pergunto, pois nem volume eu havia notado no bolso.

— Tenho bolsos mágicos. – ela diz com ar de mistério me fazendo rir.

Eu me aproximo da grande cortina vermelha. Abro uma pequena fresta e vejo uma multidão no lado de fora. Me arrepio só de pensar que este monte de gente irá me ver em breve.

Um sufoco foi o que me surgiu logo depois. Os olhos de todas aquelas pessoas estará em mim. Me escorei na parede sentindo meu peito pesar e comecei a arfar.

— Droga! – sussurrei para mim mesmo enquanto agarrava meus cabelos com força.

— Peeta? – ouço a voz da Katniss.

Levanto a cabeça e olha para ela apavorado.

— Eu não posso fazer isto, Katniss. Não dá. – falo afoito – Vai todo mundo estar me vendo.

Ela ergue os braços, segurando minhas mãos, as fazendo soltar meus cabelos. Ela me dá um singelo sorriso e leva minhas mãos até a cintura dela. Coloca os braços envolta do meu pescoço e continua a sorrir.

— Vai ficar tudo bem. – ela sussurra com o rosto próximo ao meu.

— Eu tenho medo. – eu digo e solto uma risada nervosa – Isto soa tão infantil.

— Apenas confie em mim. – ela diz e me beija, dissipando os piores medos que eu poderia ter. Ela logo afasta o rosto do meu, mas continua abraçando meu pescoço – Tudo bem?

— Tudo. – suspiro.

Ela é o tipo de garota que poderia me convencer a fazer qualquer coisa usando seu simples sorriso como arma. Não tenho defesa alguma quando se trata sobre Katniss Everdeen. Por ela, eu roubaria a casa branca e mataria os sete anões. Por ela, eu pularia na frente de um trem e me atiraria de uma ponte. Por ela, eu seria capaz de tudo. Bastava ela me pedir. Sou completamente submisso a esta garota, simplesmente porque a amo tanto que não conseguiria lhe negar nada. Não importa o quão absurdo fosse seu pedido, eu o realizaria.

Aguardamos sentados a nossa vez chegar. De onde estava ouvia vozes cantando, falando, gritando em certas vezes. De onde estava ouvia música clássica e fechava os olhos para imaginar as garotinhas que vi a pouco tempo vestidas de roupas rosas fazerem seus complicados passos de balé. De onde estava ouvia os aplausos e gritos do público. De onde estava ouvia meu coração ficar descompassado toda vez que uma apresentação acabava.

— Vocês são os próximos. – o homem que Katniss havia falado algum tempo atrás nos avisou.

Katniss se levantou já animada e me perguntei se ela não estava nem um pouquinho que seja nervosa.

— Pronto? – ela perguntou.

— Não. – respondi com o que sobrou da minha voz.

— Então vamos. – ela me puxou, me guiando até onde deveríamos ficar.

De onde estávamos podíamos ver o apresentador – um aluno do segundo ano – esquentar o público com alguma piada. Ouvi o público rir com um som abafado pelas batidas aceleradas do meu coração que queria pular para fora do peito.

— O próximo será uma coreografia. – ele avisava o público – Katniss e Peeta.

Ele sai do palco, o deixando livre para nós. Mas não movo um passo sequer. Katniss me dá um empurrão e eu começo a caminhar. Não olho para a multidão, pois isso apenas me faria desmaiar. Olho para o fundo do salão e ouço a música começar a tocar, sinalizando que eu deveria começar minha parte.

Pego a pequena caixa no meu bolso e abro ela.

“Abra virada para o público e sorria.” A voz de Katniss invade minha mente e opto por obedecer. Olho para o anel com um sorriso e depois fecho a colocando de volta no bolso. Me viro vendo Katniss adentrar o palco com seu sorriso no rosto e lembro que devo continuar a sorrir também. Ela se aproxima de mim, me dando um abraço.

Agora começamos de fato a coreografia. Fiz todos os passos corretos e sorri de mim mesmo, pois pensei que esqueceria tudo. Consegui girar e parar de frente para Katniss como o planejado. Ela sorriu para mim quando parou de frente para mim.

Continuamos a coreografia da forma ensaiada. Chegou então a parte que eu me ajoelho e tiro a pequena caixa do meu bolso e me coloco em um dos joelhos, abrindo a caixa para Katniss. Ela sorri, demostrando surpresa e senta no meu joelho, colocando o anel em seu dedo. Ela aproxima o rosto do meu e eu seria capaz de beijá-la agora, mas a coreografia não termina aí.

Não acreditei quando consegui fazer aquele movimento estranho de uma possível pirueta. Fiquei feliz por nós dois não termos caído e por ter ouvido os gritos de nossa plateia.

Terminamos a coreografia com eu pegando uma das pernas da Katniss, ela dá um impulso e coloca a outra perna em volta do meu pescoço, me possibilitando que eu a gire. Acabamos com os rostos bem próximos, mas Katniss foi bem clara e ainda lembro de sua voz dizendo: “Não me beije, não está na coreografia.”

Olho para os lábios rosados de Katniss e logo após para os seus olhos. Ela sussurra um “não” para mim.

Ouço o barulho dos aplausos.

— Quer ver eles nos aplaudirem de pé? – repito a pergunta que ela me fez no karaokê, após cantarmos Billie Jean.

Ela ia protestar, mas a beijei antes que pudesse e pude ouvir os gritos aumentarem. Quando nos separamos vimos a plateia nos aplaudindo de pé. Nos reverenciamos como agradecimento e saímos do palco ainda ouvindo o som dos nossos aplausos.

— Eu falei que beijo não fazia parte da coreografia. – Katniss afirma, mas está sorrindo. Eu sorrio de volta e ela me abraça, afundando o rosto no meu pescoço – Obrigada, Peeta.

— Eu que agradeço. – sussurro.

Quem diria que Peeta Mellark dançaria em público algum dia? Isto é algo que apenas esta garota me convenceu a fazer. Como diz a letra da música da nossa coreografia: “É como se eu estivesse despertando. Todas as regras que eu tinha você está quebrando.” Katniss está fazendo com que eu quebre todas as minhas regras e, bem, devo admitir que isto não está sendo ruim.

Notas finais
Peeta dançarino? Hahahaha! Espero que tenham gostado, queridos! Até domingo (se minha net quiser). Contagem regressiva para o fim da fic: 4 capítulos. Beijocas da Tia Rafú pra vocês. ;)