Notas iniciais
Eu disse que iria postar uma semana atrás. Mas, a última cena desse foi difícil pra mim. E eu também quis escrever este e o último capítulo juntos, para que eu não cometesse nem um tipo de furo acho... E eu estava esperando por mais comentários antes de postar.
Boa Leitura, para aqueles que ainda estão aí.

...

Se houvesse mais alguém neste mundo que estivesse sofrendo como ela, Chrome provavelmente a mataria.

As pessoas aceitam mais facilmente uma morte rápida e sem dor do que o sofrimento. As pessoas simplesmente odeiam a dor, mas insistem em senti-la ou desejá-la para os outros. Ironicamente muitas pessoas buscam a dor, concientes ou não disso.

Outras gostam de ver alguém sofrer, isso lhes traz prazer, satisfação.

Mas algumas pessoas, somente merecem sofrer, seus atos levaram a isso, sua estupidez, seus pecados. Sua ingênuidade.

Chrome havia convencido a si mesmo de tudo isso, e como era de se esperar simplesmente tinha certeza de que era o último tipo de pessoa. Aquela que merece sofrer por sua extrema ingênuidade, estava rindo quando disse isso sussurrando.

Mukuro somente apareceu para enlouquecê-la. Neste momento nunca sentira tanta insanidade, ou nunca estivera mais lúcida. Os pensamentos pareciam tão claros tão exatos...

Tudo agora parecia fazer sentido.

Chrome já não esfregava a barriga como uma mãe perdida, mas o fato de perder o filho foi o que lhe fez mais louca. Porém percebeu, no momento em que o perdeu, foi somente aí que realmente reparou nele. Tinha pensado nele alguma outra vez? Tinha se preocupado com ele alguma outra vez? Mukuro estava lá e ela só pensava em sua própria dor.

Agora ela estava deitada no mesmo local daquela vez, brincando com o mesmo objeto que fizera sua mão se cortar antes. Mas agora somente o deslizava entre os dedos, olhando pra cima e pensando, confimando tudo. Tinha uma vaga ideia do que se seguiria.

– Mukuro foi precipitado, não é? Ele acha que a escuridão é tão vazia e segura assim? Ele me considera tão fraca assim?

Era realmente Chrome que dizia isso, ou somente sua loucura. Provavelmente seria sua loucura dizendo aquilo que a verdadeira Chorme não tinha nem mesmo coragem de pensar. Bem, a questão é que mesmo assim ela ainda era muito mais forte do que ele achava que ela era. E poderia povar isso.

Sim, poderia...

Suas esperanças de que Hibari aparecesse para lhe tirar daquele quarto bolorento pareciam morrer a cada segundo que se passava. Esse era o último estágio da loucura, que para Chrome significava somente repassar cada uma das maditas palavras de Mukuro por sua mente. Repassar a verdade.

Por que todas as palavras, todas as horríveis sílabas, tudo era verdade. Que pena.

Talvez Chrome estivesse tão louca a ponto de sentir pena de si mesma. Ela deveria se odiar, por que desde o primeiro momento que tudo isso começou ela continuou seguindo para onde estava agora. Ela tinha depositado toda a sua esperança num novo pesadelo.

Chrome tinha claramente notado quando adentrou o inferno. Ela soube que não deveria ter nem um segundo confiado em Hibari quando ele disse que deveria matá-la. Continuou caminhando quando se decidiu por acreditar nos supostos “sentimentos” dele. Desejava tão sofregamente vê-lo que se agarrou a cada imagem dolorida de seus pesadelos. Agradeceu e aproveitou por cada minuto que teve com ele, Hibari realmente parecia lhe amar... Não a abandonou quando ela achou isso.

Mas quem sabe ele só estava aproveitando mais um pouco antes de realmente a jogá-la fora. No dia seguinte ele o fez...

Que pena, a coitadinha não pôde nem mesmo aproveitar sua felicidade.

Chrome estava fadada ou inferno. Amarrada a Hibari. Ela pediu por isso, e no final descobriu o que sempre soubera: nunca poderia ser feliz. E tudo aquilo que pensou ter sido felicidade foi somente uma ilusão.

Por fim ela se levantou, e no desespero tentou ainda mais uma vez conseguir fugir. Gritou e vasculhou tudo mais uma vez, inutilmente, já conhecia cada minúsculo centímentro daquele lugar.

Gritou ainda uma última vez e nem tinha percebido de quem era o nome que gritava.

Estava suplicando mais uma vez? Suplicando por aquele que nunca lhe ajudara? Que nunca provara nada? Que se dizia estar destruído enquanto na verdade a destruía? Lentamente e torturantemente... Criando pesadelos...

Chrome foi obrigada a sair de suas ilusões reconforntantes e aceitar a realidade fria... Fria como as palavras dele. No fim eles poderiam ter fugido mesmo... Desde o começo eles pooderiam ter fugido em cada irritante segundo em que passaram juntos. Ele poderia tê-la matado que seria bem mais fácil... Mas o fato de não ter feito isso significa que ele amava?

Se me amasse não teria me largado aqui, nas mãos dele... Exatamente como Mukuro me disse.

Ainda brincando com aquele objeto estranho Chrome riu, e por um segundo sua gargalhada foi exatamente igual à de Mukuro. Devia tê-lo escutado mais, quem sabe algo tivesse dado certo.

Quem sabe não deveria se entregar a ele de uma vez? Quem sabe não fazer algo certo? Ele eraa seu marido, não?

Chrome queria chorar agora, mas não fez isso.

Foi até o local que antes estava e procurou saber de onde vinha aquele estranho caco que tinha entre seus dedos.

Riu mais ainda ao saber. Era uma boneca, ou parecia ser, mas metade da sua cabeça de porcelana estava quebrada, e era dali que ela tinha arranjado aquele caco de porcelana. Ela deveria ter uma expressão feliz e uma roupa bonita... Nem pensou em se perguntar por que aquilo estava ali, mas era irônico.

Uma boneca de porcelana destruída. Destruída.

Chrome apertou o objeto ainda mais forte. Nada teria dado certo... Afinal como poderia se ela amava Hibari? Nos pesadelos, no inferno, mesmo que fosse proibido e ainda agora.

E então... A morte seria fácil demais.

Tranquila e sem dor ou lenta e reflexiva? Torturante?

Chrome não era uma das pessoas estupidas que mereciam sofrer?

E ela ainda não chorava quando sentiu o sangue escorrer por seu pulso direito, somente via algo escuro, uma sombra líquida. Experimentou um pouco a dor, e o fato de ser “forte”. Continuou cortando, colocando mais força... Arrastando...

Sua mão esquerda estava pegajosa, e quente. Era uma sensação quente, quem sabe a sensação da morte fosse algo quente como isso... Somente para aqueles que iam para oo inferno.

Foi difícil segurar o caco para cortar o pulso esquerdo, estava tão dolorido... Ardendo e mesmo assim ela continuou, somente quando viu mais uma vez aquele fio escuro escorrer por seu braço e então pingar no chão foi que se desesperou. Começou a gritar e então por fim chorou.

Era isso mesmo? Morrer?

Não tinha outra saída?

Ela se sentou no chão e deixou que o caco caísse de sua mão, então deixou que o sangue a as lágrimas se juntasse... Pareceram horas, mas foram apenas segundos.

– Está tão silencioso... – dizer algo ajudou a se acalmar – Então, eu não tenho ninguém.

Sua voz parecia tão traquila. E como não fazia em dias ou talvez anos, Chrome sorriu para si mesma... O que estaria passando por sua cabeça agora? Dor? Uma visão do inferno? Uma esperança de paraíso? Toda a sua vida?

Queria somente vê-lo uma última vez... Seu rosto, seus olhos.

Eu poderia ouvi-lo sussurrar...

Que destino cruel, realizando seu desejo novamente.

Chrome estava quase fechando os olhos e aproveitando cada segundo de sua morte, quando ouviu a porta bater, como se tivesse sido arrombada. Chrome se virou imediatamente e viu somente um vulto, parado em frente à porta como se tivesse esperando algo.

Era Mukuro de novo? Ela não pretendia mais se entregar, não pretendia continuar.

Então ele veio rápido ao seu encontro e pegou seus pulsos latejantes antes que Chrome pensasse em algo ou que percebesse quem ele era. Ela só percebeu algo cair... Eram tonfas, e quando reparou melhor muito tempo depois soube que elas estavam repletas de sangue.

– Chrome... Chrome, por quê?

Chrome não conseguiu respirar por instantes, parecia mais que morreria nestes intantes do que quando contemplava seu sangue escorrer. Ficou atônita como se houvessem- na desligado enquanto ele tentava parar o sangramento. Havia mais luz agora que a porta estava escancarada, e por isso ela pôde ver o sangue que escorria também do rosto dele.

Hibari lutou para chegar até aqui, uma voz parecera lhe dizer. Foi então que a ficha caiu.

Chrome o abraçou, seus pulsos ainda doendo, mas ela se agarrou a ele como se fossem os dois morrer ali, naquele momento. Ele lhe correspondeu.

Então repentinamente ele se levantou, olhou diretamente em seus olhos. Hibari estava impassível, nada transparecia, e ela ficou olhando pra ele sem perceber. Seus pulsos haviam sido enfaixados com talvez pedaços das roupas dele, tão apertado que chegavam a doer mais do que antes. Chrome seguia todos os seus movimentos com o olhar, tanta coisa tinha a perguntar, mas sua voz não saía. Os olhos de Hibari eram ainda os mesmos, mas pareciam ter algo de diferente... Aquele olhar enigmático que ela Chrome nunca poderia entender.

Quando então ele se levantou e caminhou para a porta ela não fez o mesmo, ele percebeu e parou no caminho olhando para trás, como se não tivesse entendido. Por que ela não o seguia?

– Chrome venha. – ele pediu, sua voz como sempre autoritária, isso nunca iria mudar.

– P-por quê? Por que você não veio antes?

Ele se calou. E sem que houvesse nenhuma resposta ela continuou, pois tudo isso estivera entalado em sua garganta em sua mente, esses foram os motivos dela querer a morte...

– Por que você não fez nada por mim? Por que não fugimos antes? Por que me abandonou aqui? POR QUÊ?

Ela gritou sem perceber, ele ainda permanecia calado. Isso significava que ele não tinha uma resposta.

– Eu estava sofrendo... — ainda caída ao chão como se houvesse desabado – Por que você não pôde me ajudar u...

– Você acha que era a única que estava sofrendo? – ele interrompeu, ela levantou a cabeça para fitá-lo – Você acha que eu não queria ter feito isso? Te ajudado, ter fugido antes?

Ela soltou um soluço e ele continuou.

– Confie em mim... E venha. Se eu pudesse ter feito antes, se eu tivesse conseguido eu teria feito. Eu precisava saber onde você estava... Eu precisava saber o que fazer... Eu queria matá-lo... Mas, Chrome, não foi fácil e não será fácil. Somente...

– Eu não acredito... – ela se levantou – Eu não acredito nisso. Você também quer me ver chorar? Você é só como ele...

Ele de repente já estava perto, mas ela não conseguia ver bem seus olhos, somente sabia que ele estava perto e segurando um de seus pulsos enfaixados e doloridos.

– Eu não acredito que você me ame.

As palavras saíram rapidamente e de modo seco. Chrome somente sentia seu pulso sendo apertado com mais força. Sentiu-se ser puxada e então estava de costas contra Hibari, as mãos dele agora pressionando seus dois pulsos contra sua própria cintura.

– Você não acredita? Não acredita que eu vim aqui por você? Por que “te amo”? – o último sussurro parecera sarcástico, e então Chrome arrependeu-se, até que ele continuasse com as palavras diretamente em seu ouvido.

– Você não acredita que eu quero que você seja minha somente? Que se torne meu sonho e meu pesadelo? Minha luz e escuridão? Meu segredo. Meu tesouro. Meu passado e futuro? Minha salvação e perdição. Minha felicidade.

“Mas também minha angústia, sofrimento, ruína e desgraça”.

“Você é amor e ódio. Você é minha vida e também minha morte”.

Qualquer coisa que Mukuro disse de não poderia estar na cabeça de Chrome agora. E também nenhuma dúvida. Era uma idiota egoísta que somente pensara no próprio sofrimento. Ele estava lá, e dissera palavras que provavelmente nunca saíram de sua boca. Ele queria fugir e agora ela sabia que iria até o inferno junto a ele novamente.

Chrome se virara de frente para ele. O beijou de forma simples, mas que pedia ao menos perdão. Hibari não lhe correspondera, e ela teve medo. O tom de irritação em sua voz... Talvez ele tivesse percebido que não valia a pena continuar por ela.

Simplesmente não valia a pena se destruir por ela...

– Eu posso te ajudar... – ela parou de duvidar ao ouvir estas palavras – Se ainda quiser fugir.

Hibari estendeu a mão como fizera uma vez antes, mas desta vez Chrome a pegou sem nem mesmo ponderar qualquer dúvida ou medo, apesar de ter compreendido completamente o real significado das palavras dele.

Mas, exatamente como daquela vez, uma voz que não queria ouvir nunca mais tornou a avisar.

Cuidado...

...

Notas finais
Quem está neste exato instante pensando, "Hibari nunca diria isso."... Cara, eu concordo com você. Essas últimas palavras dele de "Você é minha vida e não sei o que..." faziam parte da primeira cena 1896 que eu escrevi. Então baseie minha fic nela. Antes mesmo de eu saber qual seria o começo eu já sabia que ele diria isso.
Sinceramente até eu esperava mais da cena. Porém... No fim deu pra surtar um tanto. O próximo capítulo está pronto, isso eu posso com toda a certeza dizer. E ele será o último... ToT
*Recomendo: Liberdade Morta e Amor E Morte.
Hoje não tem minha enrolação de sempre... ^^"