Nightmare Whispers

16 XVI - Pesadelos.


Notas iniciais
Isanami, Obrigada pela recomendação e por me acompanhar até aqui, eu não te mandei chocolate ainda... ^^"
Bem, obrigada a todos os outros que acompanharam até o fim, aqueles que leram, que comentaram e acima de tudo que esperaram... Desculpe pela demora, hehehe.
Boa última leitura ^^

...

Há tantas rosas... Ela pensou ao ver pétalas a seus pés a até onde o horizonte seguia.

Uma mistura de violeta, vermelho e também negro. Só havia isso num grande especo, e instintivamente Chrome começou a caminhar para o nada. Não havia vento e Chrome nem sequer sentia estar andando.

... Por favor, Chrome. Venha.

Parecia a voz de Hibari e automaticamente ela passou a andar mais rápido. Porém nunca chegava a lugar algum, nunca chegava até ele. O sangue de seus pés manchava as pétalas que não eram vermelhas.

... Por favor, Chrome, me mate.

...

Há quanto tempo será que eles haviam fugido?

Há quanto Mukuro ainda os perseguia?

Há quanto Hibari começara a ter sempre manchas de sangue nas roupas?

Há quanto tempo Chorme não conseguia dormir?

Há quanto os lençóis estavam manchados de sangue, sangue dos corpos jogados pelo quarto, e há quanto tempo eles estavam lá?

A noção de tempo havia morrido sem que ninguém percebesse. No momento a vida se resumia para Chrome em uma única palavra: medo.

Ela fora dormir com essas perguntas nos lábios, e acordara com elas na cabeça. Não que tivesse dormido, por que dormir realmente se tornara algo impossível.

Acordou então gritando, as mãos tremendo, estranhamente não estava chorando. Hibari estava ao seu lado, segurando sua mão como sempre. Ele dormia tão pouco quanto ela ultimamente. Ofegante e desesperada ela percebeu que estava no quarto pequeno e quase vazio em que eles haviam estado naquela semana, desfrutaram de pouca felicidade mesmo praticamente mortos para o mundo.

Percebendo a realidade apertou o mais forte que pôde a mão de Hibari e o abraçou. Ele permaneceu quieto, enquanto ela simplesmente se acalmava. Nem mesmo ele conseguia dissipar os pesadelos dela agora.

– Chrome... — ela não queria ouvir – Chrome, nós temos que ir. Temos que sair daqui.

Hibari a apertou mais forte. Ela sabia. O quarto cheirava morte e havia sangue em todo o lugar que ela olhava. Eles se separaram e fitando as próprias mãos, Chrome percebeu que nelas também havia sangue. Perto da porta alguém parecia ainda se mexer, mas aquele que havia quase alcançado a cama não poderia de jeito nenhum estar vivo. Seu pescoço torcido...

Aos pés de Hibari, ainda escorria sangue de suas tonfas.

Somente então Chrome começou a chorar, silenciosamente.

...

Foi assim de repente que ela viu praticamente tudo morrer.

Quando Chrome fugiu definitivamente com Hibari naquela noite, quando eles abandonaram a mansão praticamente pisando naqueles que antes ela respeitara, Chrome estava eufórica.

Entendera cada palavra do que ele quisera dizer, entendera tudo. Não lhe pareceu que tudo isso fosse lhe acontecer tão cedo, então quando ela acabou nas mãos de pessoas desconhecidas das quais Hibari aparentava confiar, Chrome acabou acreditando que em algum momento algo fosse mudar.

Tudo estava acontecendo de novo.

Eles nunca estavam em algum lugar fixo, nunca ficavam tempo o suficiente para aproveitar o local. Mas Chrome nem mesmo pensava em reclamar das horas em estava sozinha com Hibari. Ele definitivamente provava do seu modo que a amava. Mesmo que isso significasse somente algumas palavras ou simplesmente segurar sua mão durante o sono.

Chrome pôde aproveitar sua escassa felicidade por um tempo, pequeno, mas sem dúvida inigualável. No fim do dia ela se relutava em dormir, não queria fechar os olhos. Não queria ter pesadelos. Agora tinha Hibari bem ao seu lado, e os pesadelos não eram mais necessários de modo algum. Por fim, ela acostumara-se a quase não dormir, forçara-se na verdade. E passar a noite inteira ao lado de Hibari ajudava a esquecer de tudo e ter algo tranquilo.

Mas mesmo isso estava se acabando.

Até mesmo Hibari agra se forçava a não dormir, inquieto, preocupado e constantemente irritado. A ajuda que possuía antes havia diminuído bastante. Havia homens que trabalhavam para ele e agora simplesmente desertavam.

O seu motivo não é suficiente para nós.

Era isso que Hibari lhe contara. Aparentemente proteger um romance idiota não era suficiente para que eles continuassem a ajudá-los.

Era enfrentar Mukuro e também a famiglia de Hibari que agora o perseguia. Os poucos homens que sobraram desistiam.

– Por que eu tenho que morrer por essa mulher idiota? Por que eu preciso continuar por isso? Foi escolha dele e agora todos nós estamos sendo perseguidos. – Chrome ouvira uma vez um dos homens dizendo. Quando contou isso à Hibari nunca mais viu essa pessoa. E era difícil ver alguém ultimamente.

Eles estavam fugindo sozinhos agora, e ninguém mais era confiável. A risada de Mukuro parecia ser ouvida em cada canto assim como sangue e desespero.

Um dia ela pensou em desistir. Foi quando Hibari estranhamente ficou mais irritado do que o comum. Ele tinha recebido alguém, e Chrome não sabia bem como a visita de uma criança com um chapéu estranho poderia afetar tanto Hibari. Eles não ficaram muito tempo conversando, Hibari parecia realmente com muito ódio, mas não se moveu uma única vez. Chrome não quis entender nem prestar atenção a nada disso. Ela sabia perfeitamente que isso não significava algo bom.

Uma única frase ela escutou com clareza. Essa frase era aquela que mostrava o que Chrome mais temia.

– Você sabe que foi longe de mais, Hibari. Tudo o que você tinha que fazer era matá-lo, no fim ele continua vivo e agora ela está com você. Eu queria te ajudar, mas do mesmo jeito que eu não pude ajudar Mukuro, eu não também não posso fazer nada por você.

“Ou tudo isso se resolve agora, ou nós vamos continuar te perseguindo. Hibari, você sabia muito bem o que estava fazendo desde o começo e eu não acredito que chegou a isso. Não você.”

Chrome não ouviu a resposta de Hibari.

Naquela mesma noite ele parecia ter uma sede de sangue. Mais sangue do que já havia em suas roupas. Quantos ele já tinha matado?

Chrome estava chorando. Ela foi ingênua em mais uma vez acreditar que tudo acabaria bem.

– Pare de chorar.

Não adiantaria nada que ele agisse assim agora.

– Então você sabia muito bem o que estava fazendo. Por que não posso chorar agora?

– E você não sabia? Desde o começo você também sabia, querendo uma pequena vingança, querendo fugir, – a última palavra fora desnecessariamente sarcástica – querendo exatamente o que tem agora.

– Eu nunca quis nada disso! – agora ela parecia descontrolada. Viver assim era o pior de todos os seus pesadelos.

Mas será que ele estava certo? Ela aceitou tudo o que ele havia proposto e fugir foi sua maior felicidade.

Ele não disse mais nada, seu olhar já denunciava. A raiva dele neste momento era maior do que qualquer outra coisa... Maior do que qualquer... Chrome queria rir.

– Então talvez eu devesse resolver a situação, não é? Entregar-me logo, acabar com isso, voltar pra ele, fazer algum acordo. Ir embora.

Ela estava bem à frente dele, o encarando, desafiando como nunca fizera. Mas não resistiu às próximas simples palavras, mesmo que em seus olhos houvesse raiva, nunca o vira tão abalado quanto agora.

– Por favor, não vá embora.

Ela nunca mais pensou em tal opção. Agora ela podia entender, a raiva que ele sentia era dele próprio, por ter chegado ao um ponto tão desprezível... Um ponto que condenava os dois. Era horrível perceber que não tinha força para mudar nada, mesmo que seu orgulho significasse não desistir.

Naquela noite eles aproveitaram a última chama que ainda existia, o inferno não parecia assim tão horrível. Mas naquela os pesadelos não cessaram, mesmo que estivesse dormindo abraçada a ele, e mesmo que ele estivesse acordado.

...

Talvez fosse um hospital, talvez somente um grande prédio branco.

Ela sabia que era branco, mesmo que as paredes estivessem manchadas de negro e vermelho. Não havia somente o som dos seus passos no corredor e aos poucos ela foi ficando assustada, começou a correr.

Passava por portas com pequenas janelas de vidro em que, se não estavam completamente negras, mostravam imagens horríveis.

Chrome continue andando... Chrome venha até mim.

Mas era impossível não parar. Eram pessoas sendo mortas ou torturadas, pessoas que ela conhecera na infância ou que nunca vira em toda a sua vida.

– Querida... Ei, Chrome... – era a voz daquele que a estava seguindo.

Chrome venha... Venha ver o que você fez.

Essa era a voz de Hibari lhe chamando, e ela simplesmente seguiu em frente. Mas parou ao ver uma linha de sangue no chão, nas paredes e em sua própria roupa. A linha continuava se espalhando, transformando-se num caminho de uma pessoa ensanguentada que parecia ter se arrastado por um longo percurso.

Repentinamente desesperada Chrome a seguiu enquanto Hibari continuava a chamando.

Por fim chegou até ele e quando o viu preferia nunca ter continuado. Ele estava morto, e ela sabia que não era real... Mas... Mas seu sangue, o ambiente, tudo, tudo era extremamente real... Tudo.

Chrome gritou e caiu junto a ele, mas não o ousou tocar. Um tiro, um tiro em sua cabeça. Era isso que o havia matado.

Veja... Chrome... Por que você não vem junto comigo?

Algo começou a escorrer por seu rosto e quando Chrome se deu conta tinha um buraco em sua testa, do mesmo jeito que ele.

...

Desta vez o quarto era mais escuro que o último, mas também mais familiar. Aconchegante, ou somente mais desesperador. Ainda ninguém os tinha seguido ainda ninguém estava morto estirado no chão. Mas Chrome já chorava.

Hibari olhava pela janela pequena enquanto Chrome segurava desajeitada a arma que ele lhe entregara. Isso pode lhe ajudar, não hesite em atirar.

Mesmo assim... Ela deixou a arma na cama e seguiu para contemplar por pelo menos alguns poucos segundo as rosas que havia num vaso, no canto afastado da cama. Ela ainda estava chorando.

As rosas eram num tom vermelho quase violeta, um tipo muito difícil de achar. Era como se houvessem pingado sangue no violeta original das flores... Que irônico.

Sem perceber ela soltou um pequeno soluço.

– Você ainda está chorando?

Ele não gostava que ela chorasse tanto, talvez se sentisse culpado ou simplesmente não soubesse como lidar com isso.

– Me desculpe, eu não consigo... Não consigo parar.

Ele se aproximou, mas não a tocou. Seus olhos estavam tão diferentes... Tão cansados.

– Por favor, Chrome... Pare.

Mas ela não queria parar por que já não aguentava mais. Não podia aguentar... Nenhum dos dois aguentava mais isso. Chrome colocou as mãos no peito dele, ele estava sangrando, mas parecia não ligar.

E era assim. Fugir e mudar-se de lugar o tempo todo, correr contra o tempo e contra os perseguidores. Nenhum lugar era seguro, e ninguém era confiável. Chrome tinha que aguentar sempre como Hibari parecia querer matar o mundo, como sua irritação o fazia diversas vezes gritar. Para somente pedir desculpas depois, do mesmo modo que ela fazia quando acordava de um pesadelo. Ela sempre tinha que se esconder, se disfarçar, enquanto ouvia mais alguém morrer. Na melhor das hipóteses o sangue que Hibari trazia nas roupas não era dele próprio.

Mas até as melhores hipóteses estavam ficando raras.

Estavam cansados, e não mais dormiam. Chrome tinha pesadelos que a faziam delirar por pelo menos meia hora antes de acordar realmente. Hibari não conseguia mais dormir por ficar cuidando dela. Mas quando ele pegava no sono parecia ser tão tranquilo, enquanto ela só podia observá-lo dormir.

Aquilo já não era mais vida. Ninguém mais os ajudava, nem mesmo aquele homem do topete estranho que parecia ser amigo de Hibari, e todos pareciam saber onde estavam. Era sempre Mukuro. Ninguém mais queria ajudá-los por um motivo tão abstrato quanto um amor, um romance. Era idiota, abandonar tudo pra isso?

Um dia Chrome tivera esperanças de que pudessem encontrá-lo e matá-lo, mas pensar nisso agora já não fazia mais sentido.

Ele irá me perseguir por toda a eternidade.

Mesmo que já tivessem se distanciado bastante sempre havia alguém. E agora Hibari estava ferido e isso a preocupava demais. Ele havia perdido todos os seus contatos por deserdar de sua própria famiglia.

Já não havia mais saída.

O sangue parecia aumentar, não importa quantas vezes tentasse fechar aquela ferida.

– Será que não há mesmo nenhuma solução? – ela perguntou, controlando os soluços.

– Não. Não agora.

Eles estavam sozinhos, Hibari estava ferido, e Chrome tinha pesadelos mesmo acordada.

– Então nós temos que...

Chrome não completou a frase, mas ele sabia exatamente o que ela queria dizer.

– Eu nunca achei que eu fosse chegar mesmo a esse ponto. – Hibari disse com um pequeno meio sorriso – Veja como você me destruiu Chrome.

Ela o abraçou forte, apesar de saber que ele iria sentir dor pelo ferimento.

– Você quer fugir, Chrome?

Ele a beijou possessivamente, mas agora isso já não servia de nada. Pelo menos poderiam aproveitar aquilo que poderia ser o último beijo.

E então depois de correr sem rumo pelo que pareceram séculos, mas que havia sido somente um ano e talvez mais, Chrome finalmente se decidiu pela solução. A solução que Hibari havia proposto com todos os seus sussurros antes de fugirem.

Seja minha vida e também minha morte.

A partir daquele maldito dia, não poderiam viver um sem o outro, mas isso significava também suas mortes. E era só isso que restava agora, e era isso que tinha aceitado.

Então ela aproveitou os últimos segundos se perdendo naqueles olhos azuis que antes ela não conseguia compreender, mas que agora revelavam tudo que ela queria saber. Havia duas armas, uma na mão dele e outra na dela. Mas em vez de apontarem as armas para si mesmos apontavam para a cabeça da pessoa a sua frente. Então a morte de Hibari lhe pertencia, e a dela a ele, agora via, era só apertar o gatilho e os dois iriam juntos para o inferno. Era só apertar o gatilho...

Falar parecera tão fácil, foi ainda mais surpreendente o fato de que fazer era fácil também. Matar e morrer era tão fácil, tanto quanto respirar, ela percebeu quando apertaram os gatilhos juntos.

...

... Não tenha medo.

Não veja a morte como o fim. Veja a morte como só mais um caminho, um caminho que nos levará para um mundo muito melhor ou apenas pior. Onde os pesadelos serão só nossos e não haverá outra voz sussurrando seu nome que não seja a minha.

...

Notas finais
Se você me disser: havia outra solução. Eu concordo imediatamente.
Mas minha mente byroniana e ultrarromântica não. Vamos dizer que sonhar não custa nada, ou no caso ter pesadelos.
Não foi o real final que eu imaginei, na verdade foi mais difícil de escrever, mas eu aproveitei cada palavra dessa fic, espero que vocês tenham feito o mesmo, desculpe se decepcionei alguém.
Bem, o fim ficou meio estranho, a perseguição ficou meio aberta, mas eu consegui pelo menos citar o Reborn, hehehehe.
Obrigada mais uma vez a todos os que leram. Até algum dia aí, minhas fanfics 1896 não vão terminar com essa.
...
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!