Nightmare Whispers

14 XIV - Paranoia.


Notas iniciais
Eu tenho que dizer algo? Desculpas talvez? Ou que esse é o antepenúltimo capítulo?
Eu disse que esse cap. seria lindo e triste? Acho que ficou só triste. Fiz umas mudanças.
Bem aproveitem que possivelmente será o maior capítulo de todos. Me desculpem o atraso. E boa leitura.

...

Chrome ainda massageava a barriga freneticamente, soluçando. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, pelas lágrimas e pelos golpes.

Trancada no que seria o porão de sua própria casa, e tratada como um animal por pessoas desconhecidas e que nunca diziam uma palavra. Chrome estava deitada no que ela achava ser uma cama velha e chorando desde que chegara a ela, massageando a barriga e soluçando enquanto não conseguia ver nada no escuro.

Havia somente uma única fresta de luz ali, vinda da porta que se abria duas vezes por dia. Cercada de paranoia e pesadelos, dormindo ou acordada. Não havia como saber se era um Sol que brilhava no céu ou a Lua que lhe trazia lembranças.

Tudo o que Chrome sabia era que estes eram os piores dias de sua vida.

Ainda massageando a barriga freneticamente ela falava sozinha, sussurrando para si mesma ou achando que conversava com a sombra de seu filho.

– Nós vamos sair daqui, eu sei. Qual era seu nome mesmo? – ela olhou para baixou, suas mãos sujas esfregando o tecido fino de seu vestido surrado – Hein, querido? Eu me esqueci...

Sem perceber ela começou a chorar. Ficou sentada de repente, olhando para algum ponto no escuro.

– Nós vamos sair daqui e ir para casa. – sua voz tinha passado de um sussurro para um grunhido – Para casa... Vamos encontrar papai e também a desgraçada da mamãe que nos abandonou... – ela riu insanamente e correu para o pequeno cubículo unido ao porão. As náuseas subindo, levou a mão à boca enquanto a outra ainda segurava a barriga como se ainda estivesse grávida.

Não chegou ao banheiro a tempo e vomitou no chão se segundo em qualquer coisa no escuro. Afastou-se e sentou-se o mais longe que poderia o cheiro piorando ainda mais suas náuseas horríveis. Abraçou seus joelhos e continuou chorando, gemendo por uma dor que não sentia.

Ameaçou fechar os olhos, mas os abriu depois gritando. Tinha medo de dormir. Quando dormia as imagens eram reais demais para que pudesse aguentar, os sons eram piores, as vozes realmente pareciam estar ali, perseguindo-a e eram tão altas que seus ouvidos doíam e sua cabeça parecia que ia explodir. A dor a fazia gemer somente em pensar e as pessoas que ela via a faziam chorar. Soluçar por que dentro de si ela já perdia as esperanças de que iria encontrá-lo de novo. Ele.

A escuridão era melhor por que sabia que era somente isso que ali existia. Nada e ela. Era tranquila e fresca.

Chrome esticou a mão para algum lugar ao seu lado. Achou somente mais sujeira e algum objeto que a princípio machucou sua mão. Ela não se importou, somente o apertou mais entre os dedos. O sangue escorreu quente e pegajoso, e isso a confortou para cair em um sono perturbado mais uma vez. Não podia, não conseguia permanecer com os olhos abertos, suas pernas fracas não lhe permitiam ficar de pé e a todo o momento Chrome parecia que iria desmaiar pela fraqueza de seu corpo e sua mente.

Nesta noite ou qualquer que fosse o horário neste momento, iria ser somente ela e a ilusão de seu filho enfrentando a morte em seus pesadelos odiados. Odiava os tanto porque um dia chegara aos amar pelo simples fato de que somente neles conseguia vê-lo.

Agarrando o objeto estranho que cortara a sua mão como se estivesse agarrando a mão de alguém para dormir, Chrome finalmente fechou os olhos. Algumas horas depois ela acordou gritando.

Ninguém viera lhe ajudar por uma semana.

...

– Hibari? – ela sussurrou pela quarta vez, antes de sorrir sombriamente – Esse é seu nome?

Estava olhando para sua barriga novamente, achando que conversava com o filho morto.

– Não, não, esse não pode ser seu nome... – ela riu novamente e deitou-se no chão. Os olhos abertos olhando estupidamente para cima, ela não enxergaria qualquer coisa além do escuro.

Gritou uma vez, e depois outra. Gritou até sua garganta doer, mas ninguém apareceu. Ela pegou a mão machucada e a apertou com força sufocando um gemido. Essa dor era boa, fazia com que sua mente ficasse um pouco mais lúcida e ela poderia pensar um pouco mais com clareza.

Olhou para a barriga ainda apertando a mão ferida.

– Não, não pode ser seu nome. – ela disse bem alto, não queria mais sussurrar – Por que você está morto. Morto. Morto. Morto. Por favor, não apareça mais em meus pesadelos, você não existe mais... Por favor...

Ela abaixou a cabeça para o chão novamente, os olhos secos, não conseguia mais chorar por que eles doíam. Mas a dor que sentia dentro de si era torturante e essa não fazia com que se sentisse mais lúcida. Essa lhe causava alucinações e paranoias, lhe fazia reviver os sofrimentos e acreditar em coisas que não existiam. Como seu filho.

Essa dor a fazia gritar e ter pesadelos.

No primeiro dia que esteve trancada Chrome fez de tudo para se soltar, mexendo nas coisas no escuro procurando algo que pudesse lhe servir de alguma maneira. Mas não econtrou algo que pudesse ajudá-la a sair dali. Chorou então por três dias seguidos, recusando comida e tentando conversar com as pessoas que apareciam para trazê-la comida. Mas eles nem mesmo olhavam em seus olhos. Ela desistiu de tentar e logo a paranoia foi tomando seus pensamentos aos poucos.

Seus pesadelos estavam piores do que agum dia já foram, estavam horríveis e reais. Sentia a morte bem de perto e sombras envolviam seu corpo, gritando em vozes infantis que ela havia acabado com a sua chance de viver. Ela havia matado por que se importava somente com sua própria liberdade.

Chrome sabia muito bem que isso era verdade. Sabia muito bem de tudo, mas a verdade é sempre ácida e nesse caso somente piorou o tormento em sua mente. Hibari já não aparecia mais em seus pesadelos como antes, para que fugissem juntos, e se via seu rosto era para contemplá-lo morrendo junto a si. Só havia sangue em seu sono e quando acordava só havia escuridão.

Sacudiu a cabeça quando achou que iria começar a falar sozinha novamente e seus olhos ameaçavam fechar quando se assustou com a luz. Alguém abrira a porta, mas Chrome não vira quem, seus olhos se fecharam com força rapidamente, ela havia se tornado um animal enjaulado no escuro, a luz a machucava.

Sentiu uma mão em seu rosto, e logo se afastou encolhendo-se contra alguma coisa em algum canto poeirento. Estava com medo, ninguém que entrava ali lhe tocava ou falava com ela. Por isso ela soube na hora quem era.

– Querida... – aquela voz maldita repetiu a mesma horrível palavra – Chrome.

Ela abriu os olhos e percebeu Mukuro à sua frente, mas no mesmo local em que antes havia tocado seu rosto. Ele não iria se aproximar mais, podia ver em seus olhos, ele estava com nojo de tocá-la. Chrome agradeceu por isso, o nojo que ela sentia por ele era muito maior que isso. Mas agora mais ainda era o medo.

– Chrome, você sabe que nunca sairá daqui. – propositalmente não era uma pergunta, ela sabia – Pelo menos não tão cedo, pelo menos até entender.

Ela não fez nenhum ruído, estava apertando a mão ferida por que isso a faria ouvir e compreender cada palavra.

– Eu lhe deixava presa antes para que admitisse e pedisse perdão por uma regra quebrada... Mas agora você está presa por que sabe que é somente minha.

Te perseguirei por toda eternidade... Você é minha, Chrome, e somente minha.

Como algum dia pudera amar este homem? Seus olhos e seu tom de voz possuíam uma diferença gritante, e era óbvio que seu olhar não era verdadeiro. Seu tom sarcástico e... Divertido não combinavam com a tristeza e culpa fingida que aparentava.

– Eu não sou sua! – Chrome tentou gritar — Nunca ser...

– Será. – ele interrompeu — É minha. E o fato de você ainda estar aqui prova isso. Você sabe Chrome, que você nunca poderá se ver livre de mim, nunca. Te manterei presa até que entenda que nem mesmo que nunca mais veja a luz do dia, você continuará sendo minha, pra sempre.

Chrome apertou a mão com mais força.

– Ele vai vir me buscar! Nós vamos fugir novamente! – eram lágrimas que sentia agora? Sabia perfeitamente que estava mentindo para si mesma. Mas alguém poderia lhe culpar por ainda ter esperanças?

Então ele mostrou sua verdadeira face. Seus olhos antes fingidos agora possuíam o tom sádico de sempre.

– Novamente? – Mukuro estava rindo e agora Chrome tinha certeza de estar chorando – Então por que você ainda está aqui?

Você gosta de sofrer, Chrome?

Você gosta dos pesadelos?

Essas palavras quebraram o último fio que ainda a sustentava.

– Por que você ainda está sofrendo aqui nesse lixo? Por que ele não veio te salvar? Será que ele vai vir te buscar mesmo? Por que só o que eu vejo é você ainda aqui, louca, magra, suja e feia, chorando por alguém que acredita que te ama, mas que ainda não fez nada para te ajudar!

Chrome tinha levantado, gritando tentado fazer algo. Só queria sufocá-lo até que ele parasse de falar, queria que ele parasse de dizer a verdade... Mukuro agarrou seu pescoço e por um tempo ficou olhando enquanto ela se contorcia em suas mãos.

– Você sabe disso não é? Sabe muito que está num pesadelo de novo muito pior. Hibari? Hibari deixou seu filho morrer! – ela gritou de novo, seu rosto molhado pelas lágrimas – Deixou você sofrer e se ferir, deixou que você fosse sequestrada e violentada. Deixou que voltasse pra mim! Será que ele te ama mesmo? Ele não pensava em te matar?

Chrome estava soluçando, o desespero em seu corpo lhe fazia se contorcer e balançar para tentar se soltar. Ela não aguentava mais, não podia. Mukuro só estava falando o que ela sempre soube, mas nunca quisera admitir.

Quando ele a soltou ela desabou no chão e vomitou, tossindo e ainda chorando. Quando finalmente conseguiu levantar os olhos para Mukuro com raiva, sentia que precisava dizer ago para defender aquilo que acreditava existir entre ela e Hibari. Mas simplesmente não havia nada o que dizer, não havia nada para defender.

Chrome sabia que o amava, mas exatamente como Mukuro disse, somente sofrera nas mãos dele. Somente sofrera nas mãos de todos... Talvez estivesse enlouquecendo.

– Você... – ela disse ainda se engasgando – Você disse que me amava e fez... Fez o mesmo que ele... Vocês...

Mukuro se aproximou sorrindo, ou talvez essa imagem fosse alguma ilusão da mente dela, somente sabia que ele estava lá e que uma de suas mãos estava em seu cabelo, apertando forte o suficiente para que ela acordasse e ouvisse tudo claramente.

– Eu sei o que eu fiz. Sabe, eu pensei em te matar quando eu soube de tudo. Eu soube ainda na primeira vez, eu sempre soube. Realmente pensei em te matar, mas deixei tudo acontecer somente para você perceber que sofre longe de mim, que você depende de mim para ter uma vida, mesmo que entre regras e ilusões. No fim você ficou comigo, não é mesmo? Será que Hibari é tão sádico quanto eu? Será que ele deixou tudo acontecer somente para te ver sofrer também? Talvez, talvez... Ele está talvez me superando te deixando aqui comigo agora.

Com força ele jogou a cabeça dela ao chão e ficou somente observando enquanto ela ainda gemia de dor.

– A verdade é que eu vou te deixar viva. Sou obsessivo suficiente para isso, sou louco o suficiente para te deixar viva e sofrer... A morte seria fácil demais, não é? E eu te amo o suficiente para deixá-la viva e perceber que você ainda é minha e que vai continuar sendo. Ele te deixou aqui para sofrer também, temos o mesmo desejo, coincidência? Vocês poderiam ter fugido em qualquer momento deste teatrinho tosco. No fim você voltou pra mim, e vai continuar viva para sofrer por que eu gosto disso. Mas não posso dizer o mesmo dele. Agora que você só pode ver sombras quem sabe não consiga ver a dele? Que diferença fará agora se eu não tiver o mesmo capricho de deixar com que Hibari viva como você?

Ela não percebeu quando ele foi embora, mas sabia que ele estava rindo, por que essa risada criou um pequeno eco em sua cabeça que latejou por horas, talvez dias, anos... Eternamente continuou em sua cabeça repetindo aquelas palavras e todas as outras que lhe assustavam em seus pesadelos.

Eu acho que chegou a hora do último ato.

...


Notas finais
Opa, eu gosto de fazer a Chrome sofrer? Será que sou tão sádica quando Mukuro e Hibari juntos? Creio que sim.
Já estou com parte do próximo capítulo pronto então semana que vem provavelmente postarei sem atrasos horríveis. Agradeço aos que continuam a ler mesmo assim.
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Leiam também: Flower in the Dark e Liberdade Morta.
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