Nightmare Whispers

13 XIII - Sombras.


Notas iniciais
Eu sou uma estúpida, eu sei. Me desculpem ^^"
Boa Leitura.

...

Ela não queria dormir naquele dia, tinha medo que acordasse e tudo que tinha vivido fosse um sonho, tinha medo de que quando acordasse Mukuro não estivesse ao seu lado e que seu vestido branco não existisse.

Naquela época feliz Chrome ainda não conhecia os pesadelos.

Ontem fora o dia de seu casamento, o dia mais feliz de toda a sua vida, pelo menos por algum tempo ele fora o dia mais feliz que vivera. Seus amigos estavam lá, sorrindo para ela enquanto vermelha ela tentava não chorar, quando viu os olhos de Mukuro teve certeza de que nada poderia estragar sua vida novamente. Nenhum acidente, nenhum abandono, teria enfim uma família.

Longe do mundo Mukuro dizia seu nome e antigamente ela amava quando ele a chamava de “querida”, depois ela simplesmente odiava tudo que ele falava.

Mas naquela noite ela ainda não sabia de nada, naquela noite eles juraram amor juntos.

–Chrome? – a voz dele a despertou.

Quando finalmente ela teve coragem para abrir os olhos o encontrou rindo ao seu lado, então tudo tinha sido real.

– Eu tive medo de acordar e não te encontrar, como se tudo fosse um sonho. – ela respondeu rindo também. Mukuro tinha voltado a ser sério e as palavras que ele dissera não tiveram nenhum significado para ela naquele instante. Na verdade ainda hoje não se lembrava disso porque se convecera a esquecer, esquecer os tempos mais felizes de sua vida.

– Querida, você é muito ingênua e ninguém no mundo vai perdoar tamanha ingenuidade.

Ela nunca entendera. Não se considerava ingênua, e isso em nada afetou a felicidade que a dominava naquele momento. Por vários meses ela cantarolava e sorria sozinha sem motivo algum. Não podia estar longe de Mukuro nem por um instante, não conseguia, e se dedicava a ele esquecendo até de si mesma. Sentia as mesmas reações por parte dele, mas sentia mais do que somente isso.

Pouco a pouco ia conhecendo o verdadeiro Mukuro, suas alucinações e estranhas paranóias. Chorme não se importava com a possessividade dele e até accreditava que o fato dele ser ciumento era bom, mas ao contrário do que pensava Mukuro era alguém egoísta e orgulhoso, se preocupava mais com os pensamentos dos outros acerca do que ela fazia do que com ela. Era estranho tudo o que aos poucos ela foi enxergando, algumas noites chorava ante a violência que ainda não conhecia nele, mas fazia o possível para se acostumar.

– Chorme me desculpe. – mesmo que essas desculpass parecessem vazias ela voltava a sorrir. Era estúpida por sobreviver com tão pouco.

E então num dia qualquer Chrome foi acorrentada, presa no quarto como uma posse, tudo porque Mukuro aparentemente não mais confiava naqueles que ela considerava sua família. Além de estar presa a correntes frias, ainda aos poucos foi sendo afastada daqueles que amava, chorando econdida para que Mukuro não a visse.

– Me perdoe, querida, mas você deve aprender e aceitar que tudo que faço é pelo seu bem. Eu te amo Chrome, você sabe muito bem. Mas existem regras, regras que eu criei para que você fique longe das sombras.

...

Chrome se encolheu o máximo que pôde, um único instante foi suficiente para destruir as consequências de uma noite de delírios felizes. Um único olhar de Mukuro, um único e horrível olhar, que fizera com seus ossos se congelassem e sua mente se desesperasse.

– Chrome querida, o que aconteceu? Sou eu, seu marido.

Ele riu, enquanto Chrome pensava no que ele poderia lhe fazer... O que ele sabe? O que ele quer? Por que está assim?

M.M.ainda se debatia nas mãos de Mukuro e com força ela foi jogada contra a parede. A empregada chorava e tudo o que fez foi gritar e se reduzir ao chão. Chrome puxou as correntes e tentou ao máximo se soltar, Mukuro estava se aproximando.

– Seu marido, aquele que você jurou amar... – com uma mão Mukuro agarrou o pescoço de Chrome, a apertou com força o suficiente para que ela não conseguisse falar. –... Até a morte.

As últimas palavras eram como um silvo de ódio, talvez mais que ódio. Chrome salivava e se contorcia enquanto tentava se soltar, grunhindo de aflição. Mukuro a olhava como se não se importasse nem um pouco com o desespero dela.

Ela sabia que deveria resistir, deveria suportar e lutar contra Mukuro, e nesse momento fazia tudo o que podia, mas seus chutes e mordidas não surtiam efeito algum. Até perecia que ele sentia prazer em asfixiá-la.

–Vo...V-você me mat...oou. — Chrome grunhiu, o seu ódio e raiva crescendo.

Queria poder reduzi-lo tanto quanto ele a reduzia agora, mas nunca conseguiria. Só queria um pesadelo neste mundo agora, Hibari, somente Hibari. Porque Mukuro a havia matado.

– O quê? – ele tinha ouvido perfeitamente, não parecia nem umpouco divertido mesmo que seu sorriso fosse assustador. — Grite, querida, eu não consigo te ouvir.

Ela estava se contorcendo deitada na cama, puxando os pulsos ainda machucados pela noite que tivera. Mukuro segurava a esposa com um dos joelhos em cima de sua barriga, prendendo-a. Ela nem havia percebido isso, somente pensava em se livrar dele, escapar, fugir. Fugir. Acabar com isso, acabar com Mukuro, estava cansada disso, cansada de continuar a sofrer, se fugisse tudo estaria bem.

Neste momento era tão egoísta pensando em fugir que nem mesmo se lembrou da vida que levava consigo. Seu filho. O filho de Mukuro.

– Grite! – ele pediu mais uma vez, e por alguns instantes relaxou as mãos que seguravam a garganta de Chrome, e assim ela gritou.

– VOCÊ ME MATOU! EU TE ODIAREI ATÉ O INFERNO! – ela óbviamente não pensou no que dizer, vociferou sua raiva e quando viu a cara dele de desprezo percebeu que tinha errado. Errado feio.

– Até o inferno você diz? Eu posso te mandar para lá se você quiser.

Chrome estava tremendo enquanto, sem tirar o joelho de cima de sua barriga, Mukuro destrancou as algemas. Ela fechou os olhos de dor ao sentir o metal raspando em seu pulso machucado e logo depois um alívio.

Abriu os olhos somente quando sentiu o impacto contra o chão. Não conseguiu respirar e quis desesperadamente gritar quando Mukuro pisou em seu pulso vermelho. Não tinha percebido as lágrimas que rolavam por suas bochechas, nem M.M. tampando o rosto com as mãos. Só percebeu o olhar de Mukuro, completamente insano e pronto para lhe mandar para o inferno, não duvidava das palavras dele em nenhum momento.

Seus pensamentos montavam uma prece.

Nada vai acontecer... Nada...

Vai tudo ficar bem... Eu vou fugir...

Mesmo que soubesse que tudo isso era impossível e que agora ela nem tentasse mais desesperadamente fugir, ainda terminava por pensar assim, esperançosamente.

Hibari... Hibari.

– Sem nenhum problema eu posso mandar você e seu amante pro inferno. – ele recomeçou, o mais horrível era o sorriso enquanto falava.

Chrome olhou para ele e soube que era impossível negar, impossível dizer que não havia amante algum.

Mukuro se abaixou e manteve o pé em seu pulso, que parecia se quebrar. Chrome gemeu de dor e ele riu.

– Eu posso mandar os dois juntos, é só me dizer onde está Hibari Kyouya.

Hibari, onde está Hibari? Onde? Ela fazia a mesma pergunta, milhões de vezes em um único minuto.

– Eu não sei... – ela respondeu quase num sussurro. E mesmo se soubesse nunca te diria.

Mukuro não ficou contente.

– Não sabe? – ele passou os dedos pelo pescoço ainda vermelho de Chrome – É mentira, você sabe e vai me dizer para que eu possa matá-lo.

Até agora Chrome poderia aguentar qualquer ameaça dirigida a ela, mas nada afetaria Hibari, nada nem ninguém iria machucá-lo. Hibari siginificava mais do que sua própria vida.

– E a mim? O que você vai fazer comigo? Não aguenta me matar? – ela tentou colocar o máximo de desdém possível na voz, mas a verdade é que ela tremia e em seus olhos claramente havia medo. Seu pulso estava dormente e seus dedos arranhavam o chão tentando se soltar.

Houve um grande silêncio imterrompido apenas pelos gemidos de dor.

–Hein? Por que não me responde? – a raiva dela ainda a levaria para a ruína, Chrome só jogava lenha na fogueira e faltava pouco para que tudo queimasse — Será queeu devo matar as suas amantes também? – ela queria ter conseguido rir ao falar isso, mas soltou apenas um grunhido de dor e medo.

Foi então que ela sentiu uma dor excruciante e cuspiu sangue sem conseguir respirar. Encolheu-se e levou as mãos a barriga como se seu estômago fosse se partir. Mukuro havia chutado com força seu ventre, como se ela não fosse mais do que um inseto que merecesse morrer. Chrome começou a tossir convulsimamente e girava o corpo tentando amenizar a dor.

Mukuro a olhava com desprezo e por mais que ela tentasse encontrar não havia piedade em lugar algum. Foi quando se lembrou de seu filho. Quis gritar desesperadamente, mas só conseguiu grunhir.

Ele a chutou novamente dessa vez entre os ombros e os seios e logo depois no rosto. Ela tentou gritar, mas nem isso conseguia, só cuspiu sangue e quase vomitou. Ele parou por um momento e ela achou que ele havia finalmente desistido ou ficado com medo de causar algo pior. Mas já era tarde.

Houve uma grande pausa onde Chrome já havia começado a soluçar de tanto chorar, com a cabeça no chão gelado ela estava suplicando tão baixo que ninguém a poderia escutar.

– Pare... Por favor. Por favor...

Mukuro se abaixou e virou sua cabeça, a visão de Chrome estava embaçada pelas lágrimas, mas ainda pôde ver o rosto inexpressivo dele.

– Por favor... Nosso flho. Filho... – por um segundo ele se asssutou ficou olhando para ela com cara de dúvida, Chrome continuou soluçando a mesma coisa, ela não pensava e parecia não respirar também.

– Filho? – ele perguntou em voz alta e balançou a cabeça dela para que acordasse.

Com um fio da sangue escorrendo por sua boca, Chrome respondeu com voz grave:

– E-eu estou grávida... Grávida de você. Nosso filho. Filho...

Ele se levantou rapidamente com os olhos arregalados. Logo depois levou a mão ao rosto enquanto ela chorava ruidosamente. Por um momento Chrome voltou à realidade e pensou que este poderia ser o fim. Mukuro iria se arrepender e quem sabe o filho deles ainda poderia estar vivo... Um acordo... Poderia haver um acordo com Hibari e...

Quanta ingenuidade.

Querida, você é muito ingênua e ninguém no mundo vai perdoar tamanha ingenuidade.

Ela despertou quando ele começou a rir. Gargalhadas macabras como seus olhos quando ele se abaixou novamente para fitá-la.

– Esse filho não é meu. Não é meu, é dele não é? Hibari? É filho dele, e você não vai conseguir me enganar.

– Não! Não, esse filho é seu, é seu... Eu juro! – havia um desespero cego em sua voz, não podia estar acontecedo, os pesadelos novamente... Ela achou que estava delirando e enlouquecendo.

– Você não tem como provar, querida. Não tem.

M.M. escutou um grito e virou a cabeça para o lado, o rosto com hematomas encharcado de lágrimas. Logo depois, porém, fechou os olhos, porque ainda coonseguia ver as sombras na parede.

...

Notas finais
Opa, opa, desculpem mais uma vez. Final de semestre não é fácil, mas consegui achar um tempinho. Vou tentar...(eu sempre digo isso), postar mais cedo na próxima vez.
Muitos querem me matar por fazer a Chrome sofrer assim, mas... Era necessário. O próximo cap. vai ser lindo e triste ao mesmo tempo. E espero que valha a pena a demora. ^^
...
Leiam também: Flower in the Dark e Liberdade Morta.
Erros me avisem.
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Reviews?