Nightmare Whispers
11 XI - Egoísmo.
Notas iniciais
Bem, pra começar quero pedir desculpas pelo atraso exagerado, mas tentem entender que não tenho todo o tempo que desejo. Estou agora estudando em período integral e provavelmente meu curso técnico é um tanto mais complicado do que os demais.
Tentarei sim escrever mais rapidamente, mas não prometo nada, escrevo primeiramente porque gosto, e não para cumprir prazos.
Mas é melhor eu parar de falar.
O Hibari volta sim, e leiam as notas finais, por favor.
Boa Leitura!
...
... Lembre-se. Você precisa se lembrar...
Lembre-se. Eu preciso me lembrar... Chrome murmurava para si mesma enquanto apertava a própria cabeça na tentativa vã de se lembrar.
Ela se encontrava dentro d’água num lugar escuro e frio. Tremia, mas não ousava se mover, morrendo de medo e esperando pelo dono da voz. No horizonte se formava um fio negro que embaçava sua visão.
... Chrome.
Chrome suspirou ouvindo seu nome ser dito pela voz que fazia seu coração se acelerar e seu corpo amolecer. Continuava com as mãos na cabeça, fios de seu cabelo caíam aos olhos e o longo vestido de um branco sujo flutuava na água a seu redor, formando uma pequena camada entre seu corpo e o escuro total. Seus ouvidos se enchiam com uma música meio fraca, tocada ou longe, mas que preenchia o silêncio.
Mesmo assim ela ainda não conseguia se lembrar direito...
... Chrome... Diga. Diga o que sou.
Mero desejo... Horrível futuro...
Ela disse inconsciente. Mente e corpo pareciam ter entrado em transe profundo, um vento gélido bateu em seu rosto sendo sua dor intensa, como se o vento lhe houvesse cortado. Abriu os olhos e se viu no seu quarto, jogada na cama como se tivesse caído lentamente do pesadelo. Suas palavras continuaram como num sussurro leve, mas forte o suficiente para acordar quem estivesse à seu lado.
Seus olhos fitavam o teto, mas sua mente ainda via o fio negro no horizonte e ainda ouvia uma música fraca.
Meu eterno pesadelo... Hibari.
O último nome ainda foi pronunciado diversas vezes antes que Chrome voltasse ao sono conturbado. Ela o chamava como se estivesse sofrendo, o chamava com peso na voz, mas com uma lentidão estranha, como se Chrome sussurrasse sílaba por sílaba, cada vez aproveitando suavemente o som de sua própria voz.
Quando acordava Chrome se lembrava nitidamente do que dizia e fazia em cada pesadelo, todas as suas palavras, todas as vezes que dizia o nome de Hibari. Mas era só. Não conseguia visualizar um rosto ou ouvir uma palavra que não fora dita nos pesadelos, mas agora tinha um nome e ele não saía mais de seus pensamentos, mesmo que tentasse estupidamente esquecê-lo. Não queria ter estes pesadelos, não realmente, na maior parte das vezes a assustava, mas a voz e a lembrança a tentavam profundamente.
Enquanto ela receava em pensar nos detalhes de seus sonhos, alguém se irritava cada vez mais com as palavras que ouvia todas as malditas noites. Ao lado de Chrome, Mukuro escutava tudo quieto, trincando os dentes de raiva, mas não mexia um único músculo, não dizia uma única palavra, não demonstrava nada além de ignorância quanto a isso. Em seu interior se mostrava o oposto.
Tudo isso já vinha acontecendo há um mês. Nenhum dos dois poderia aguentar muito mais, porém, também nenhum dos dois sabia que Chrome estava grávida.
...
Quando acordou seus olhos arderam pela claridade do quarto branco.
Permaneceu olhando para o teto por alguns segundos até acostumar-se, depois começou a gritar. Tentou se levantar, mas estava presa na cama, seus pulsos pareciam se quebrar toda a vez que os puxava. Gritou e continuou se contorcendo fazendo uma força inútil, tentando derrubar as mesas e os fios que estavam ligados a seu corpo. Alguns minutos de histeria tinham a deixado exausta e nada conseguira com isso, ninguém nem mesmo apareceu na porta de seu quarto. Deitou um lado do rosto no travesseiro e começou a chorar ruidosamente.
Chrome era um animal enjaulado. Um pequeno pássaro engaiolado, privado da liberdade única dos céus. Uma pessoa confinada num quarto de hospital isolado e frio.
– Maldito... – pronunciava constantemente. Sua raiva era enlouquecedora.
Como, como ele pudera fazer isso? E agora estava começando a se lembrar do sofrimento que seu casamento havia se tornado. E de quem seu marido realmente era.
Um de seus pesadelos havia ido longe demais. Acordara novamente sussurrando nomes estranhos, e dizendo frases que ainda não lhe faziam sentido. Se lembrava nitidamente de não poder controlar seu corpo e dizer claramente: Serei somente sua... Somente sua para sempre, Hibari.
Mukuro ouvira isso e muito mais. Aparentemente ele não gostara nem um pouco. Ele a havia acordado violentamente e até mesmo a machucado enquanto ela gritava por perdão. Ele não lhe disse uma única palavra de desculpas. E nunca o faria.
Suas palavras ainda ecoavam em sua mente: “Querida... Você precisa de uma cura para esses pesadelos infernais.”.
E mesmo que dissesse que de nada sabia, que era totalmente inconsciente, mesmo gritando que não era sua culpa, Mukuro repetiu as mesmas palavras e completou lhe acariciando os cabelos como se estivesse lidando com uma criança que não compreende o mundo.
“Você precisa seguir regras mesmo em sonhos, você precisa de um tratamento. Uma internação... Sim, isso pode lhe ajudar. Isso pode lhe ajudar a cessar esses pesadelos irritantes.”
Internação... Essa palavra lhe causou arrepios, solidão e paranóia era o sinônimo que atribuía a ela.
“Não se preocupe.”, ele recomeçou e imeditamente soube que deveria ficar alerta, ”Nada de ruim te acontecerá enquanto ficar trancada. E desta vez espero que você não possa fugir.”
Chrome sentia um profundo medo agora, parecia que ele queria lhe torturar e lhe passar dor até que ela parasse de sonhar. Ficou estática, olhou para M.M. ao seu lado e ela não demosntrava uma única expressão.
“E você voltará sem um único pesadelo. Nem mesmo que tenha que nunca mais dormir, eu não ouvirei mais seus repugnantes sussurros.”
O modo como Mukuro lhe encarava era frio e irritado, com um sorriso amendrontador nos lábios suas palavras causavam dor. Algumas imagens estranhas lhe ocorreram e Chrome finalmente começou a lembrar da pior época de sua vida.
Ela permaneceu estática enquanto ele se aproximava, levemente passou os dedos pelos lábios dela, e os pressionou com força. Chrome soltou um fraco gemido e levantou os olhos para fitar a insanidade nos olhos dele.
– Cuidado. – foi sua última palavra.
Chrome foi então internada e presa na cama no mesmo dia em que Mukuro lhe disse isso, no mesmo dia em que descobriu sua gravidez, no mesmo dia em que se lembrou de como seu casamento tinha sido. Faltava um suave sussurro para que ela se lembrasse de Hibari.
Cheia de ódio, ela não contou sobre a gravidez á Mukuro, mas isso lhe atormentava os pensamentos. Sentou-se como conseguia e esticou o pescoço para observar seu próprio ventre. Aquela pequena semente era sua ligação com Mukuro, e mesmo que agora seu único pensamento fosse achar um meio de sair dali sabia que não conseguiria se afastar.
Não conseguia decidir o que fazer, seus pensamentos não podiam estar mais confusos e seus sentimentos se trasnformavam em lágrimas. O silêncio embalava seu sono que, por culpa dos remédios, era pesado e a impedia de sonhar. A impedia de ouvir aquela voz que possivelmente foi a causa de todos os seus problemas.
Alguém...
Por favor...
Leve-me...
Daqui.
...
M.M. pressionou o copo com os remédios misturados à água contra a boca de Chrome, mas não se utilizou de força, e deixou que a outra se debatesse e não engolisse tudo. Seria bom que ela não dormisse hoje, M.M. também não dormiria, seria a última coisa que faria esta noite.
Chrome lhe olhou fixamente com raiva, mas seus olhos também pediam ajuda. A empregada retribuiu o olhar com verdadeiro desprezo e voltou-se para ir embora.
– M.M., por favor, m...
A porta se fechou antes que Chrome completasse sua frase, mas ainda podia a ouvir gritando lá dentro, pedindo por ajuda. Por um único instante sorriu, como será que Chrome lhe agradeceria quando soubesse? Na verdade ela não precisava agradecer, precisava somente sumir, desaparecer completamente. Cuidadosamente trancara a porta ao sair.
M.M. não era somente uma simples observadora que fora mandada para lá para garantir exclusivamente a “saúde” de Chrome. Não, M.M. era somente uma simples observadora que sabia exatamente como se aproveitar disso. Não demonstrava uma única emoção, mas quase gargalhou maliciosamente quando viu sua oportunidade nos pesadelos de Chrome. Seu desejo por Mukuro não era um segredo e sua vontade de que Chrome desaparecesse também não, mas as informações que trocava com Hibari Kyouya eram um segredo. Um segredo que se revelado a levaria à morte e não traria Mukuro somente para si, mas um segredo que se bem guardado realizaria todos os seus desejos. Tinham um acordo desde quando Chrome se entregou a ele e Hibari certamente não quebraria este acordo, que poderia signifiar a perda de sua preciosa Chrome.
M.M. suspirou enquanto atravessava rapidamente os corredores extensos do assustador hospital, não conseguia entender o que homens tão bonitos viam naquela mulher idiota. Mas especialmente hoje ela estava feliz. Especialmente hoje seus planos estavam indo perfeitamente bem, especialmente hoje Chrome ouviria a voz que tanto pedia em seus pesadelos, especialmente hoje as coisas se decidiriam, especialmente hoje ela teria Mukuro somente para si. Novamente. As carícias violentas dele seriam unicamente suas.
M.M. era extremamente possessiva e egoísta, seus pensamentos giravam exclusivamente em torno de sua noite, e o fato de ter mudado drasticamente o final de todos os personagens desta peça não lhe importava nem um pouco.
...
Podia finalmente sentir o vento frio da noite, e mesmo que não pudesse ver sabia que o céu estava cheio de nuvens que por vezes combriam a Lua e sombreavam o quarto que ficara com a janela aberta.
Chrome fitava o teto com os olhos cansados, mas que não se fechavam. As mãos se erguaim pouco, seus pulsos vermelhos doíam, e sentia frio. Mas por apenas alguns segundos se deu o luxo de esquecer, e os pensamentos que lhe permitiam esquecer este pesadelo eram ironicamente as vozes de seus pesadelos. Semiserrou os olhos e se concentro na voz. Era difícil conseguir ouvi-la. A cortina fazia um barulho assustador quando era agitada pelo vento.
Mesmo sem dormir se sentia novamente nos lugares de seus pesadelos, era a mesma atmosfera sufocante que fazia seu corpo se agitar e sua respiração se descontrolar.
– Chrome.
Era a mesma voz sussurrando tão perto. Assustou-se, mas permaneceu imóvel, esperando por ouvir mais, esperando por sentir.
– Chrome... – ele sussurrou em sua orelha e desceu a respiração até seu pescoço.
Não, não era um pesadelo. Ele estava realmente lá, tocando levemente seu pescoço com os lábios gelados, ele finalmente estava lá para lhe garantir o proibido.
Cuidado...
...
Notas finais
1- Não tem como eu explicar sobre a gravidez da Chrome, ela ficou grávida e todos sabem como. XD Sei que muitos pensaram "Porque você não fez ela ficar grávida do Hibari? Sua vadia!" Bem, existem motivos....
2 - Acho que a troca de informações entre a M.M. e o Hibari não é surpresa. Ela quer realizar seus desejos acima de tudo, e não se importa em como fará isso. Ela não revelou sobre o caso que a Chrome teve com o Hibari. Ela tem seus próprios planos.
3 - Hibari voltou!!!! Mas todos me odeiam por parar o cap. aí!! Bem, se eu continuasse com o hentai o cap. ficaria muito grande, então eu dividi. E apesar de explícito nos avisos que esta fic contem sexo, muitas pessoas não gostam de ler isso. Prefiro respeitá-las e avisar antes. Mesmo que eu já tenha quase terminado o próximo cap. e garanta que está muito bom. Acho que este eu não demorarei a postar.
Acho que eu já falei e expliquei o bastante (eu gosto de falar/escrever)
...
Leiam também: Flower in the Dark e Liberdade Morta.
Erros me avisem.
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Reviews?
Fale com o autor