Nightmare Whispers

10 X - Sussurro.


Notas iniciais
Epa!!
Pra começar quero avisar que este é o último cap. em que o Hibari não aparece, ou seja, no próximo ele estará de volta!! o/
E fará muitas morrerem com super ataques, inclusive a própria autora.
E tenho raiva por fazer algo triste novamente, principalmente pela última frase...
Boa Leitura!

...

...Chrome?

Alguém disse seu nome, num sussurro, mas olhando em volta não havia ninguém.

Chrome estava sozinha, sentada em meio à água rasa de um lugar fechado, mas que ao mesmo tempo não tinha fim. Como um eterno corredor estreito e sufocante. As paredes eram brancas e se sujavam facilmente com a água que possuía uma estranha coloração avermelhada.

Não é sangue... Ou talvez fosse, sendo mais claro por se misturar com a água. Chrome olhou para seus pulsos... Tinham pequenas cicatrizes, mas não sangravam.

...Chrome.

Chamou-lhe novamente a voz.

Ela tentou encontrar o dono da voz, mas não havia ninguém. No fundo da água e presa a seu pé estava uma pesada corrente, e Chrome não podia movimentá-la. Por mais que tentasse se levantar não conseguia, se vendo presa aquela maldita corrente, não poderia seguir em frente e tentar encontrar o dono da voz.

...Venha Chrome.

Eu quero ir, mas não posso! Ela pensava em desespero. Sabia que quem falava não era Mukuro, então porque queria ver a pessoa que falava? Sentia um desejo profundo de vê-la...

Tentou se levantar novamente e não conseguiu.

...Seja minha Chrome.

–Eu serei sua! – Ela gritou o mais alto que podia. Se arrastando na água, puxando inutilmente a corrente que não se movia. – Eu quero ir... Eu quero ser sua! – falou entre soluços.

Chorando como uma criança, limpava freneticamente a face molhada, soluçando alto e gritando para a voz. Suas lágrimas pingavam na água coberta com pétalas de rosas negras.

...Fuja. Disse-lhe a voz. Eu estou aqui, esperando.

Eu não consigo... Não consigo!

Puxava a corrente, mas ela não saía do lugar. Espere-me.

...Nosso proibido.

Então ela finalmente se lembrou do dono da voz. E desesperadamente precisava dele. Mas ele não sussurrou mais nada. Chrome gritou e gritou, queria ouvir a voz dele mais uma vez. Mais uma vez...

Quero encontrá-lo.

...

Chrome acordou chorando, e por muito tempo depois ainda chorava sem saber do motivo.

Sentou-se na cama e permaneceu em silêncio, deixando as lágrimas escorrerem suavemente porque sabia que agora não havia como pará-las. No quarto só se ouvia a respiração suave de Mukuro a seu lado.

Pouca coisa havia voltado à sua memória, seu casamento era uma dessas coisas. Toda a sua felicidade passada voltara ao se lembrar disso enquanto ainda estava na casa de Adel. Esta lhe ajudou e abrigou depois daquele horrível episódio com Daemon Spade. Chrome não se lembrava totalmente do que tinha acontecido, mas depois de esclarecido foi tomada pelo medo e pelo nojo, abraçada ao travesseiro tudo o que esperava era que Mukuro a encontrasse, enquanto Adel tentava lhe ajudar.

Passou apenas três dias na casa de Adel, até que Mukuro a encontrou e, desesperada, Chrome se lançou em seus braços chorando. Mas esse três dias foram marcados por solidão, dúvidas e medo.

Mesmo tendo lhe ajudado e também protegido, Adel ainda era uma completa estranha, da qual Chrome não tinha como contar o que lhe afligia nem perguntar o que queria. Ela sabia que tinham passado algo muito ruim juntas, mas Adel se recusava a dizer muito mais que isso. Várias vezes a tinha encontrado chorando sozinha na pequena e confortável casa, mas ela se afastava antes que Chrome pudesse ajudá-la. Adel era uma pessoa reclusa que passara a não mais confiar nas pessoas, seus segredos nunca seriam revelados e sua personalidade se tornara agressiva apenas para se defender de mais sofrimentos. E toda essa barreira que formava em torno de si parecia ter sido destruída na convivência com Daemon, mas o final que tiveram só fez com que Adel reconstruísse a barreira ainda mais forte e espessa, e ninguém nunca mais a ultrapassaria.

Adel também não passava muito tempo em casa, trabalhava o dia todo e levava uma vida comum e entediante. Chrome se sentia solitária com tudo isso e passava o dia fitando um grande relógio na cozinha, inutilmente esperando que as horas passassem rapidamente.

Chegou a pensar que Mukuro lhe havia abandonado no segundo dia. Suas lembranças estavam embaralhadas e não conseguia parar de pensar no fato de ter se separado de Mukuro e ido para num lugar como aquele. Seus pais foram os primeiros a abandoná-la, os primeiros a negarem sua existência, sozinha e ferida. Mas pensar que Mukuro, o único que lha ajudou, a poderia ter abandonado também era muito mais doloroso.

Tudo poderia ter sido um simples acidente. Mas por mais que tentasse não conseguia se lembrar de mais nada importante. Ela apenas se lembrava da época em que seus pesadelos não haviam começado, como se inconscientemente tivesse afastado as lembranças do passado em que sofrera.

Chrome não se lembrava de Hibari, nem mesmo esse nome lhe era familiar. Ainda acreditava na felicidade ao lado de Mukuro, e ainda o amava. E então começaram pesadelos cada vez mais reais e freqüentes. Não sabia como explicá-los e quando acordava estava chorando. Em lugares diferentes ouvia sempre a mesma voz, sussurrando seu nome e pedindo para que o encontrasse. E desesperadamente ela queria encontrá-lo, o desconhecido lhe é necessário e o sentimento que aquela voz lhe desperta é algo inexplicável. E quando ela finalmente parece se lembrar de quem ele é o pesadelo acaba para que na noite seguinte tudo isso aconteça novamente.

Não contou isso à Mukuro. Parecia absurdo contar-lhe isso. Ele também parecia estar agindo estranho, a princípio não acreditou na perda de memória de Chrome e agiu com agressividade para tentar fazê-la se lembrar de algo, mas foi em vão. Logo depois ele riu, de uma forma que fez Chrome estremecer.

– Isso pode melhorar muito as coisas, querida. Melhorar muito, para nós dois.

Chrome estranhou as palavras, e percebeu uma ligeira mudança na voz dele, num tom de estranho egoísmo. Não parecia que algo seria melhor para ela. Chrome não se lembrava da forma que Mukuro a fizera sofrer, e poderia viver feliz acreditando no suposto amor dos dois. Poderia viver feliz assim se não fosse pelos pesadelos que faziam com que ela desesperadamente quisesse redescobrir o passado.

Mukuro voluntariamente contou tudo o que ela precisava saber sobre coisas das quais ela não se lembrava. Divertiu-se muito inventando um alegre passado para a esposa que acreditava em tudo o que ele dizia, e em momento algum citou Hibari.

Chrome já tinha parado de chorar, mas a lembrança do último pesadelo ainda era clara em sua mente. Faltou pouco para que me lembrasse... Muito pouco...

Tentou voltar a dormir, tinha medo do futuro e queria se lembrar do passado. Pegou delicadamente a mão de Mukuro, isso a ajudava a dormir, mesmo que não tivesse essa mania antes.

Fechou os olhos, e desejou ouvir aquela voz que sussurrava seu nome mais uma vez.

...

Era somente mais uma noite comum. Chrome se sentia receosa em dormir. Queria se lembrar de quem era a voz que lhe chamava nos pesadelos, mas sofria quando estava dentro deles, sofria porque não conseguia se libertar. Sentia-se presa e em algumas vezes até morria indo atrás da pessoa desconhecida. Tudo isso começava a lhe dar um desespero e uma aflição que faziam Chrome não querer mais dormir.

Se eu pudesse ouvir aquela voz fora dos pesadelos...

Chrome suspirou, porque aquela voz fria lhe fascinava tanto?

–Chrome? – Mukuro disse já deitado – O que foi?

Ela não se virou. Por algum motivo já não desejava tanto assim estar ao lado de seu marido. Por algum estranho motivo desconfiava dele e até mesmo se afastava. Afinal, não fazia sentido estar se sentindo dominada, presa e atraída pela voz de alguém desconhecido do qual Mukuro não havia mencionado.

– Nada. – ela respondeu se deitando ao lado dele – Tenho medo por causa dos pesadelos.

Mukuro fez com que Chrome se aproximasse e a abraçou de leve.

–Você sempre sofreu com pesadelos, querida. Eu estou aqui. – ironicamente era ele quem havia feito com que ela começasse a sofrer com aqueles pesadelos.

Eu vou estar aqui. Meu trabalho agora é te proteger não é? Seus pesadelos são meus. Então durma.

Essas palavras lhe vieram à mente, mas com a mesma voz sussurrante. Não se lembrava de ter ouvido algo assim, e talvez todos esses pensamentos sobre vozes e pesadelos fossem besteira. Talvez fosse tudo coisa da sua imaginação, não há explicação para os sonhos. E, agora que tinha finalmente se reencontrado com Mukuro, porque estava fugindo?

Fugindo?

Relaxou nos braços de seu marido e se decidiu por esquecer tudo isso. Decidiu-se por tentar levar uma vida normal, talvez muito feliz.

Chrome não poderia saber que isso nunca aconteceria. E em seus pensamentos inocentes cresceram novamente os pesadelos, por que ela precisava se lembrar de Hibari.

E enquanto seu sono ainda era tranqüilo, muito longe dali uma voz fria sussurrava seu nome.

...

Notas finais
Bem, pra quem ficou na dúvida de como Mukuro a encontrou, eu tenho uma palavra pra explicar: máfia. Não duvidem de seu poder.
E esse é um cap. sem muita ação mesmo... O próximo será mais interessante... Todos irão querer ser mordidos até a morte!!
°x°" Chega de spoiler.
Acompanhem também→ Flower in the Dark (Naruto SasuSaku) e Liberdade Morta (original)
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Erros me avisem.
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Reviews?
/o/ Hibari vai voltar!