Nightmare Whispers

5 V - Inevitável.


Notas iniciais
Opa, cap. um pouquinho maior, mas aposto que vão querer me matar pelo suspense do final.
Boa Leitura ^^"

...

Ele iria embora ainda esta noite. Mukuro.

Chrome tentava disfarçar seu alívio e qualquer reação que poderia ter ante a presença de Hibari e seu tratamento indiferente. Mas nem todas as suas tentativas funcionavam, e não conseguia nem o menos parar de corar. Ou ainda se divertir com seus próprios pensamentos.

Pelo jeito Hibari era muito melhor na arte de dissimular do que ela.

E como suspeitava, o jantar foi horrível. Silêncio e um ar pesado, e ela não conseguindo tirar os olhos de Hibari à sua frente. Começou a odiar a si mesma por ser tão previsivelmente burra.

Sua sorte foi tudo isso ter acabado rapidamente e ser deixada completamente de lado na conversa que decidia seu possível futuro. Chrome estava tão cansada que não se sentia nem um pouco interessada em tudo isso. Nem um pouco interessada no que Mukuro falava para Hibari a seu respeito... Se ele soubesse... Ah, teria então uma oportunidade para rir em sua cara.

Não dormira tão bem na noite anterior, e agora o sono lhe atacava. Recostada no grande sofá macio, ela observava seu marido e Hibari que ainda permaneciam sentados à mesa, parecia um assunto de pouca importância...

Seus pensamentos tomavam um único rumo: Esquecer. Esquecer Mukuro. Sem pesadelos... Tranquilidade... Mais nada... Somente...

Olhos azuis e frios lhe fitaram por um pequeno segundo e Chrome adormeceu.

...

Havia uma corrente atada a seu pescoço, e também aos tornozelos. Encontrava-se num lugar vazio e branco, muito claro...

E aos poucos vermelho, muito vermelho... Vermelho sangue. E quando Chrome percebeu estava sangrando, pelo ferimento nas costas e pelos pulsos cortados e doloridos...

Além de estar chorando... Chorando sangue.

Sentia uma dor irritante... Como agulhas perfurando seu corpo lentamente...

“Querida... Por que me desobedeceu?... Por quê?”

Uma voz melancólica indagou.

Um corredor se abriu à sua frente e as correntes se quebraram. Chrome não hesitou a sair correndo dali, deixando a voz para trás...

“Querida...”

E enquanto o mundo se tornava mais escuro aos poucos, ela corria, fugia, via o sangue atrás de si...

Estou num pesadelo... Não tenho para onde ir... Não sei para onde ir...

Venha até mim...

Venha... Seja minha.

Uma voz sussurrou possessivamente, e então ela sabia para onde ir... Hibari... Hibari...

Mas não conseguiria chegar... Sua visão se tornava turva... Ela estava caindo... Não tinha mais forças... Ele estava bem a sua frente... Mas ela não conseguia alcançá-lo...

Hibari...

...

Chrome acordou e por pouco não gritou o nome de Hibari.

Seu coração estava acelerado e o pesadelo pareceu tão real que levou a mão aos pulsos, na tentativa estúpida de se certificar de que eles não estavam cortados. Somente então percebeu que havia dormido no sofá e que Mukuro e Hibari agora lhe observavam. Corou e tentou disfarçar a euforia inutilmente.

– Minha querida Chrome... Parece que teve um pesadelo. – Mukuro disse sorrindo e se aproximando.

“Querida... Por que me desobedeceu?... Por quê?”

Um pesadelo com você...

E com você também... Pensou olhando para Hibari, sério e ainda sentado.

– Eu irei embora ainda esta noite... Na verdade agora. – Mukuro murmurou, e a beijou.

E por mais que tentasse resistir, por mais que sentisse raiva, por mais que quisesse impedir, não pôde, e acabou por retribuir o beijo, sentindo-se a pessoa mais idiota de todo mundo. Mas... Nunca entenderia, nunca poderia esquecer verdadeiramente Mukuro... Talvez... Queria bater em si mesma por se sentir tão confusa em relação a tudo isso.

– Lembre-se das regras — Mukuro disse, em uma voz estranhamente mais alta do que o normal – Se quebrá-las eu descobrirei. E você não quer isso, querida.

E então nem mesmo um pequeno “adeus” ele pronunciou, e saiu a deixando totalmente esquecida, totalmente descartada. E longos instantes se passaram.

A ferida ainda latejava, e se sentia tão fraca... Tanto em corpo quanto mente. Tão estúpida... Tão confusa. O pesadelo que teve fora diferente dos outros, mas mais uma vez estava com Hibari, ou tentando chegar até ele, mesmo... Morrendo?

– Regras?

Assustada, Chrome levantou o olhar e se deparou com Hibari a sua frente, sério, parecia mais confortável agora, não precisava ser indiferente. Nem ela.

– Sim, regras que eu preciso seguir, senão... – ela não terminou a frase, não queria se mostrar mais fraca do que aparentava, não queria revelar o quanto sofria inutilmente.

Ele também não insistiu, era fácil entender, tanto pelo estado dela, quanto pelo tom de voz de Mukuro.

– Por que está aqui? – era a vez de Chrome questionar, o que o deixou surpreso – Por que está trabalhando para o Mukuro? Por que...

– Se trata de negócios. – ele a interrompeu – Sempre se trata de negócios.

Realmente sempre se trata de negócios. Uma vez Mukuro lhe alertara, nunca deixe que a questão pessoal se misture com os negócios. Nunca deixe os outros saberem o que você realmente quer, seu verdadeiro objetivo não deve ser descoberto até o fim.

– Mas... E se Mukuro souber sobre... – ela parecia preocupada. – Sobre... Eu quebrei as regras.

Ele sorriu. E novamente Chrome se sentiu presa sob seu olhar, hipnotizada.

– Não deveria se preocupar, afinal temos um segredo. Te encontrar novamente era inevitável. Estou aqui para te proteger das ilusões e invadir seus pesadelos.

Você já os invadiu, ela pensou, e agora eles são todos seus.

...

Era uma noite quente afinal. Pouco vento. Um jardim bonito.

Sim... O jardim ficava mais bonito à noite, onde a luz do luar fazia brilhar as poucas flores e a escuridão escondia o resto, tornando tudo um elegante mistério. Sentia-se também uma parte da escuridão, em seu longo vestido negro, um dos únicos que não atrapalhava seu curativo, seu corte já quase cicatrizado. Mesmo assim não ousou se afastar muito da porta de entrada da grande mansão, apesar de ser sua aliada, a escuridão ainda lhe assustava.

“... E tenho certa atração por mistérios tão interessantes...”

Bastou então este único pensamento para que Chrome corasse. E isso estava acontecendo com muita frequencia. Somente a presença de Hibari já a fazia estremecer e corar. Sentia-se uma estúpida adolescente apaixonada.

Apaixonada? Afastou esse pensamento... Apaixonada... Não estava apaixonada. Era só uma pequena atração...

“... E tenho certa atração por mistérios tão interessantes...”

Droga. Por que estou tão confusa?

A última semana tinha sido inteira assim, onde uma Chrome corada não conseguia pensar direito com as atitudes inesperadas de Hibari.

O fato dele sempre aparecer do nada, atrás de si fazendo uma pergunta qualquer, sério. Ou o fato dele dormir tão rápido em qualquer lugar. E ainda o detalhe estranho de um pequeno passarinho amarelo estar sempre meio perto dele... Tudo parecia estranho ao lado dele.

Mas gostava desse novo ambiente, havia silêncio e tranquilidade, Hibari odiava grupos e confusões. E os pesadelos estavam diminuindo, sumindo, mas ainda existiam, e para sempre existiriam.

Chrome se perguntava se seus pesadelos estavam diminuindo por causa dele. Por estar junto dela durante o sono... Corou novamente. Pensar assim parecia... Parecia que estavam dormindo juntos... Parecia...

Cuidado...

Duas noites após Mukuro ter partido, Chrome acordou gritando, tivera um pesadelo ainda pior do que os outros, rosas violetas sobre o seu sangue enquanto Mukuro sorria... E lhe matava aos poucos...

Querida... Por que me desobedeceu?... Por quê?”

“Você sabe que não deveria ter me traído... Querida.”

“Te perseguirei por toda eternidade... Você é minha, Chrome, e somente minha”

Seus gritos foram então tão altos que o acordaram. Descobriu que Hibari odeia quando o acordam.

– Não quero dormir... Tenho medo – ela parecia quase uma criança, se enrolando entre os lençóis e tremendo.

Percebeu raiva nos olhos de Hibari, e por um momento pensou em correr, sentindo mais medo dele do que de seu pesadelo.

E para sua surpresa, ele simplesmente sentou-se em uma cadeira ao lado da cama.

–Durma. – Ele ordenou.

– Mas... – ele pegou sua mão, e em sua mente aquele momento no baile foi revivido, seu toque gelado, o estremecimento. Seus olhos fixos nos dela...

Não poderia resistir. Logo acalmou-se, totalmente submissa, seu olhar parecia a controlar, o tempo até mesmo poderia parar neste momento...

– Eu vou estar aqui. Meu trabalho agora é te proteger não é? Seus pesadelos são meus. Então durma.

Vermelha de vergonha tentou dormir. Demorou um pouco, mas seus olhos não fugiram dos dele nem mesmo por um segundo.

Não teve mais pesadelos naquela noite, e agora quando acordava ele ainda estava a observando, mas nem sempre segurando sua mão. Com certeza também dormia, mas ao seu lado não havia medo. E quando os olhos dela se abriam ele saía discretamente do quarto, lançando-lhe um último olhar frio e hipnotizante.

E assim ela se acostumava aos poucos aos seus sussurros e toques frios, ao seu jeito meio indelicado ou inesperadamente gentil, ao seu olhar que a deixava presa e sem reações... Nunca estivera assim em sua vida, nem mesmo no começo de sua relação com Mukuro.

Nunca estremeceu ao toque de Mukuro. Nunca corou tanto em sua presença. Nunca desejou tanto sua presença como agora desejava a presença silenciosa de Hibari. Nunca... Parece algo tão proibido e errado, e por isso parece tão atraente... Algo desconhecido e inexplicável, e por isso parece perfeito...

Cuidado...

A voz ainda lhe avisava, mas ela não queria ser avisada, sabia de tudo isso, sabia do pior, e sabia o que queria... O que queria... Fugir.

E então o ambiente pareceu lhe sufocar, e se sentiu ser observada, por olhos frios que lhe percorriam, descobrindo seus mais obscuros segredos, as manchas mais negras de seu ser, os desejos que mais queria ocultar.

Um frio percorreu sua espinha. O que devia fazer?

– Chrome. – Ouviu Hibari sussurrar.

Não ousou se mover.

Esse momento também era inevitável... Hibari?

...


Notas finais
epa, epa, não me matem ainda, o suspense só vai deixar as coisas mais interessantes, isso eu garanto.
E, gostaria que vocês, queridos leitores compulsivos, acompanhassem uma história original ótima de uma de minhas amigas: Liberdade Morta.
É incrível e bem escrita, recomendo a todos que gostam desse gênero.
...
Erros me avisem.
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Desculpem pelo recado grande, e pressinto milhares de ameças de morte *fugindo*
Reviews?
^^"