Notas iniciais
Desculpem pelo atraso, geralmente posto na terça ^^"
Boa leitura!

...

Risadas... Escutava risadas irritantes que não cessavam. Perseguindo Chrome para onde quer que fugisse...

E fugindo ela estava... Correndo sem rumo por corredores de pedra úmidos, vendo o sangue pingar atrás de si. Sua vida escorrendo por seus pulsos cortados enquanto Mukuro a caçava...

Seus pés doíam e ela já não podia mais aguentar, caiu ao chão e tentou se arrastar. Não conseguiu e suas costas foram rasgadas, Mukuro ainda ria...

Chrome gritava de dor, chorando e arranhando o chão, seus dedos em carne viva... Até que as risadas desapareceram e o mundo entrou em total escuridão.

E só conseguia enxergar uma pessoa na escuridão... Estendendo-lhe a mão e sussurrando... Fuja... Fuja...

Pegou a mão de Hibari e ele a puxou para um lugar tão escuro quanto sua atual realidade...

E então sangue e silêncio.

Chrome acordou assustada e demorou a perceber que tinha tido um pesadelo, agradecendo por Mukuro não estar ao seu lado.

Estava ofegante e percebeu algo quente e pegajoso na cama. Seu ferimento abriu. O ferimento em suas costas, o ferimento que Mukuro lhe causou.

Com um gemido de dor, Chrome arrancou o curativo e chamou a empregada. Não demorou muito pra que ela chegasse mal humorada como sempre. M.M. nunca a tratou bem, obedecia, mas reclamava e só parecia feliz na presença de Mukuro. Sorridente e submissa a tudo que ele dizia. No começo de seu casamento, Chrome confrontava M.M. acerca das insinuações que ela lançava a seu marido. Mas depois... Só precisava ignorar, com certeza M.M. nunca saberia como era viver este pesadelo, era ingênua em pensar que tudo seria diferente se estivesse no lugar de Chrome.

Chrome tirou a camisola e esperou a empregada começar a fazer o curativo. Não era necessário que pedisse, todas as manhãs ela tinha que trocar o curativo, e também havia sangue nos lençóis.

– Irá doer – M.M. avisou.

Sempre dói... Pensou Chrome abafando um grito de dor quando a empregada começou a limpar a enfaixar o ferimento sem nenhuma delicadeza. Sabia que apesar de parecer aflita com tudo isso, M.M. também se divertia bastante.

Olhando para a cama e vendo a mancha vermelha, se lembrou do pesadelo, ou, dos pesadelos que estavam ficando cada vez mais nítidos e frequentes.

E todos ilustrando sua realidade, apesar de não compreender muitos pontos. A dor era um ponto que ela compreendia, e também este ferimento que estava sendo mais uma vez tratado. E o causador não poderia ser outro senão seu querido marido. Pensar assim era de certa forma errado, afinal, quem havia causado ira em Mukuro fora ela mesma. Fugindo. Tomando a decisão que sabia ser errada... Deliciosamente errada.

...

Uma semana atrás, Chrome conseguira a incrível tarefa de fugir e esconder a prova de sua fuga, a máscara de Hibari. Sem que Mukuro percebesse, ela conseguiu ocultar a máscara no grande vestido negro e ainda fingir tédio, indiferença e obediência pelo resto da noite. A princípio seu marido se mostrou desconfiado, mas nada questionara.

Um dia depois, ele descobrira a máscara violeta procurando entre suas coisas. Chrome não tentou explicar ou pedir perdão, continuou com a cabeça erguida, o encarando. Tenho que enfrentá-lo. Tenho que vencer o medo. Tenho que ser forte. Tenho que acabar com o pesadelo. Esses pensamentos a encorajavam, mas foi isso que mais o enfureceu.

Sério, Mukuro pegou Chrome pelos cabelos e a jogou de cara contra a parede, ela sentiu o ferro frio contra a pele de suas costas, e só então percebeu que ele empunhava uma adaga.

– Minha querida Chrome – ele começou a dizer em seu ouvido, sem sussurrar – Parece que não importa o quanto eu te ensine, você adora quebrar as regras.

Tenho que enfrentá-lo...

– É somente uma máscara... Que regra eu quebrei?

Todas. Seus pensamentos lhe disseram.

– Se é somente uma máscara, por que escondê-la de mim? – ele não parecia mais calmo.

Não houve resposta.

– Se não pode me dizer então as regras foram quebradas.

Com um súbito ataque de medo, Chorme tentou se desvencilhar de Mukuro, mas não teve sucesso. Caiu ao chão, a máscara violeta bem à sua frente, Mukuro com a adaga em suas costas.

Tenho que vencer o medo...

– Nem mesmo pense em tentar fugir – a voz dele soando em tom de raiva e superioridade. Era ele quem estava no comando. – Agora me diga, quem estava com você?

Hibari. Seus pensamentos entregaram.

– Ninguém. – ela respondeu com voz firme.

Tudo que acontecera seria um eterno segredo. Será?

Será que valia mesmo a pena sofrer tanto por esse segredo? Ser vítima de mais uma punição por aquele momento?

Que este seja nosso segredo... Um sussurro ecoou em sua mente.

Sim. Seus pensamentos responderam. Nada mais importava. Certo?

E mesmo que contasse quem estivera consigo naquela noite, a punição aconteceria de qualquer jeito, afinal eram regras quebradas. Só mudando o fato de que Mukuro perseguiria aquele que estava com ela.

Hibari lhe era um total mistério, mas inconscientemente percebeu que queria... Protegê-lo?

Decidira não contar.

– Você não pode ter se divertido sozinha. – Mukuro pronunciou, rindo. – Essa máscara é a prova.

– Eu não me diverti... – Chrome murmurou – Diversão é contra as regras também, não é?

O sorriso sumiu do rosto dele.

– A dor vai fazer com que me diga quem é essa pessoa e também fazer com que nunca mais esqueça o que ela lhe causou.

E antes que ele fizesse algo, ela murmurou com desdém na voz:

– Não sente vergonha por fazer com que sua esposa sofra tanto? No passado você era alguém muito melhor, alguém que eu amei.

Ainda sério ele simplesmente disse:

– Minha esposa sofre em conseqüência de seus próprios atos. E o passado foi apenas uma mera ilusão.

Tenho que ser forte...

E então veio a dor, a dor cruciante e insuportável, mas ainda pequena comparada ao que ela sentia em sua alma. Sentiu Mukuro cortando profundamente suas costas, uma, duas vezes. Chrome só conseguia gritar, arranhando o chão com seus dedos trêmulos, mas nenhuma lágrima escorreu por sua face. Nunca. Nunca mais iria chorar por Mukuro. Nunca mais... A raiva consumiu sua mente, e seu coração já estava em pedaços há muito tempo.

Os gritos foram ouvidos por M.M. que assustada veio ver o que estava acontecendo. E a última coisa da qual de se lembrava era de Mukuro dizendo para que a empregada cuidasse de Chrome antes que ele perdesse o resto de seu controle.

Num ato de desespero ela agarrou máscara violeta à sua frente.

Tenho que acabar com o pesadelo...

...

Chrome estremecia ao lembrar-se daquela noite, e o resultado foram dois cortes em forma de X em suas costas. Somente mais cicatrizes, em seu corpo e em sua mente.

E depois os pesadelos, piores a cada dia. Mas agora com um pequeno detalhe: Hibari. Ele estava sempre aparecendo em seus pesadelos desde aquela noite, e isso ela não conseguia entender... O porquê de encontrá-lo na escuridão e se entregar a ele na tentativa de escapar da dor... O desconhecido é algo tão atraente quanto perigoso.

M.M. já havia terminado de fazer seu curativo e trocar os lençóis, e Chrome pediu que o café da manhã fosse servido no quarto.

...

Já estava quase na hora do jantar, e Chrome ainda estava se preparando, seria um jantar horrivelmente importante.

“Uma atualidade perigosa” Mukuro dissera, “e será ainda pior quando eu estiver longe de você. Como sabe, preciso fazer uma pequena viajem, e sozinha você não poderá ficar.”

Ela já descia as escadas, o vestido atrapalhava o curativo em suas costas e lhe incomodava.

“Isso mostra o quanto me importo com você, querida. Encontrei alguém que considero de minha confiança e ele cuidará, não, guardará você pelas próximas semanas”

Mukuro a esperava na sala de jantar, sorrindo irritantemente.

“Não tenha medo, querida, ele é alguém notavelmente forte, pode ser considerado cruel também. Estará segura ao lado dele.”

Seu coração estranhamente se acelerou ao ver a pessoa de quem Mukuro falava de costas à sua frente. O seu ferimento começou a latejar.

“Parece-me completamente desprovido de qualquer senso de compaixão ou qualquer tipo de sentimento. Você se sentirá desconfortável ao lado dele, Chrome, isso é o melhor que pode acontecer. Somente interessado no sangue e na luta ele em nada irá interferir na sua vida.”

Chrome quase gritou de surpresa ao ver quem era, corou e tentou disfarçar ou encobrir suas reações. Mas não pôde evitar sorrir. Rindo histericamente por dentro.

“Garanto sua segurança enquanto estiver longe, e você deve garantir o cumprimento das regras. Novamente eu digo: cuidado.”

– Esta é a pessoa que ficará como seu... Segurança, durante minha viajem, Chrome.

E ele a cumprimentou com um leve beijo na mão, mas não como antes, não como quando a chamou para dançar. Mas sim com uma indiferença tão grande que ela chegou a duvidar que fosse a mesma pessoa. E mesmo assim sentiu o familiar estremecimento ante ao toque frio de seus lábios.

– Hibari Kyouya. – ele pronunciou.


Notas finais
E então seu marido quase te corta no meio quando sabe que você supostamente estava com outro cara, e depois contrata exatamente o mesmo cara pra te servir de guarda-costas enquanto ele viaja??
Quais as chances disso acontecer? ^^
Erros me avisem.
Aceito críticas, elogios, reclamações, dúvidas, pragas, conselhos, ataques de fãs histéricas e até ameaças de morte.
Reviews?
^^