Nightmare On Silent Hill
3 Capítulo 3 - The Town
The Town
“... Mas o que eu vira depois do meu carro havia capotado era apenas uma das cenas de um dos meus pesadelos.”
Não tinha forças para levantar, minha cabeça estava rodando, eu estava com um ferimento na testa que não parava de doer e de sangrar. A minha sorte de estar vivo foi o cinto de segurança que não deixou eu bater de cabeça no vidro principal. Minha visão estava embaçada, eu não tinha muita noção de quanto tempo eu estava naquele carro, não sabia nem onde eu estava. A única certeza que eu tinha era de estar vivo. Fiquei descansando mais um pouco no carro, até recuperar minhas forças e sair dali. Eu esperava que aquela garota que eu atropelara estivesse bem, e tenha sobrevivido a batida do carro, coisa que era quase impossível de acontecer. Depois de mais um tempo descansando eu me revirei todo e consegui desprender o cinto de segurança e com um pouco de esforço eu saí do carro sem me machucar. Meu ferimento da testa já havia parado de doer, e as dores de cabeça tinham parado. Eu estava muito confuso em relação ao lugar onde eu estava, era exatamente igual ao lugar dos meus pesadelos. As cinzas que caiam do céu que eu me confundira com flocos de neve, o frio constante, a cidade á frente era de aspecto antigo e uma névoa que dificultava a visão. Andei em volta do meu carro e ele estava todo acabado, minhas malas e roupas estavam todas espalhadas pelo chão. Peguei apenas o necessário, meu celular, minha jaqueta e o meu isqueiro. O celular estava fora de área e com a carga completa. Segui meu caminho em direção a cidade, que deveria estar muito distante dali. Ao longo do caminho eu estava sentindo um cheiro de queimado, e vi uma casa pegando fogo a uns metros de onde eu estava. Fui correndo em direção a casa, e avistei uma mulher saindo da casa como se estivesse realizada. Ela era muito diferente de qualquer idosa que você já tenha visto, ela aparentava mais ser uma bruxa. A senhora depois que me viu saiu correndo e desapareceu. A minha intuição dizia que tinha alguma coisa naquela casa que eu deveria fazer, não sabia muito bem o que fazer, mas entrei nela assim mesmo. O calor era intenso, a casa estava quase desabando. O cheiro era sufocante, era tão ruim que quase perdi minha respiração. O que era para ser uma sala estava toda em chamas e destruída, subi as escadas e virei no primeiro corredor. Não sabia exatamente onde estava indo, mas minha intuição me dizia para onde ir. Não sei explicar muito essas coisas, mas quem sente sabe o que é.
- Tem alguém aqui? – Gritei.
Não ouvia nada, apenas o som das chamas e das coisas desmoronando.
Olhei para cima e não havia mais nada, o terceiro andar já não existia mais. Então avistei algo no meio de um cômodo. Era uma criança, toda queimada, não sabia se era garoto ou garota, mas eu tinha que resgatá-la.
Fui correndo em direção a ela e quase que eu fui morto por um pedaço de madeira que caíra atrás de mim. No chão onde a criança estava, havia uns símbolos sinistro que pareciam fazer parte de um ritual maligno. Não tive muito tempo para ficar reparando naquilo, peguei a criança que depois de pegá-la percebi que era uma garota. Fui andando com a garota nos meus braços enquanto desviava das chamas, por incrível que pareça, as chamas a minha frente estavam sumindo e meu caminho estava ficando livre para acesso. Com sorte consegui sair da casa com a garota, mas a fumaça era tanta que eu apenas tive força para deixar a garota no chão e depois cair no chão com falta de ar. Antes de a minha visão apagar completamente, eu vira a garota toda queimada olhando fixamente para mim. Seus olhos eram verdes, e estavam tristes, lágrimas escorriam por eles como se ela quisesse me mostrar alguma coisa. Foi quando ela tocou na minha testa e eu adormeci. Dessa vez eu não estava em um pesadelo, era mais como um “flashback” eu estava em um campo verde e cheio de flores com um aroma impecável, então eu via duas garotas brincando entre as flores. Elas pareciam muito felizes, mas sua felicidade acabara quando uma mulher chegou até elas:
- O que vocês pensam que estão fazendo aqui? – Perguntava a mulher com um tom autoritário.
- Nada senhora, estávamos apenas brincando. – Respondeu uma das garotas.
- Acho que vocês já deveriam estar na igreja pedindo perdão pelos seus pecados.
- Mas nós não nos sentimos bem lá senhorita. – Disse a outra garota.
- Como ousa recusar o perdão divino? – Gritou a mulher.
As garotas começaram a chorar, e a outra apenas se enfureceu com o grito da mulher que se dizia saber tudo sobre os poderes divinos.
- Voltem agora para a igreja e se curvem pelos seus pecados, ou estarão com grandes problemas.
- Não vamos voltar, Sharon venha comigo, iremos fugir dessa cidade agora mesmo.
- Mas Alexa eu não posso, meus pais não iriam deixar. – Disse Sharon quase chorando.
- Se você não vem, eu vou. – Disse Alexa.
- Aonde você pensa que vai senhorita Alexa? – Perguntou a mulher.
- Para bem longe de vocês seus adoradores fascistas.
Depois disso, Alexa correu para bem longe dos campos rosados e sumiu na floresta.
Enquanto Alexa saíra da cidade, Sharon ficou para pagar seus pecados e os pecados de sua amiga. E com isso, a mulher misteriosa a levou para a igreja, e diante de um júri ela foi condenada com bruxa. A igreja onde ela estava era enorme parecia que todos daquela cidade estavam lá para assistir o espetáculo divino. Enquanto prendiam Sharon em uma espécie de escada, outros adoradores estavam preparando as madeiras e o fogo para cremarem seu corpo. Deixaram a escada onde a garota estava em pé junto às madeiras, e depois atiraram fogo. Enquanto o fogo subia, a mulher dizia umas palavras:
- Isso é uma prova de que o demônio existe. Por fora um cordeiro, mas por dentro apenas o mau reside naquele lugar.
- Queimem o demônio! – Gritou alguém que estava sentado junto aos outros.
A garota chorava de medo e de dor, eu não conseguia ver aquela cena, os gritos, os choros, as lamentações, todas as coisas que eu estava vendo era tristes de mais.
- Me soltem, por favor, eu não sou bruxa! – Gritava a garotinha, — Eu quero sair daqui. Tirem-me daqui!
Mesmo que eu fechasse os olhos, eu ainda conseguia ver a cena na minha mente.
- É isso que o demônio quer que a gente pense. – Disse a possível mestre de cerimônias.
- Ele quer nos enganar! – Gritou uma mulher que estava sentada na primeira fila dos bancos da igreja.
Depois de um tempo, o fogo consumiu a escada onde estava a garota.
- Agora agradeçam a Deus e a mim que expulsaram o mau da nossa querida cidade! – Gritou a mulher.
Não se ouvia mais nada da garota, ela estava morta, apenas seu corpo totalmente queimado estava nas escadas. Eu tive uma pequena sensação de que a garota estava me olhando fixamente, mas não tinha certeza. Enquanto isso todos comemoravam a morte de uma suposta bruxa, mas era apenas uma simples garota com a alma pura que não queria o mal de ninguém. A raiva que eu estava sentindo, por apenas assistir e não poder fazer nada era imensa, mas eu não entendia porque ela quis me mostrar isso em um sonho. Eu estava com muitas perguntas, mas sem respostas para nenhuma delas. – O que Alexa tinha com aquela cidade? Será por isso que ela não deixou eu vir para cá? Por que as pessoas adoravam tanto aquela igreja? Que bem ela estava trazendo para elas? – As perguntas não saiam da minha mente. – Mas algo estava errado, isso não poderia ficar assim, eu tinha que fazer alguma coisa. Eu ainda estava na igreja vendo a comemoração de seus fiéis, quando um estrondo tomou conta do lugar. A igreja toda estava tremendo, e as pessoas gritando suplicando o perdão de Deus.
- Deus! Ajude-nos. – Gritava uma mulher que estava caída no chão.
- Isso deve ser obra do demônio, ele não deixaria passar assim. – Dizia a mestre de cerimônias.
E do nada uma escuridão tomou conta do lugar inteiro, Sharon havia feito alguma coisa, será que ela era mesmo uma bruxa, ou era apenas uma coincidência? Então eu senti alguma coisa pegando na minha mão com uma força sobrenatural, não sabia o que era só sei que desmaiei.
Foi quando eu acordei.
Eu estava em um sofá de uma sala de espera de algum hospital local, que por sinal estava vazio.
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