Nightmare
2 What's Happening
Acordei respirando pesadamente, como se acabasse de ter um pesadelo. Pensei que dessa vez Frisk tinha feito tudo certo. Por que eu estou aqui? Olhei para minhas mãos. Por um momento, vi a imagem tremer e aparecer uma faca ensanguentada apoiada nas palmas.
Fiquei assustada. Como assim? Um sorriso cruel se abrira em meu rosto no momento em que a faca aparecera. Ao mesmo tempo, senti minha pele esfriar como se tivesse acabado de cair em uma piscina gelada. Em seguida, minha forma mudou e voltei ao normal.
Tinha algo muito errado acontecendo. Por que eu estava mudando assim, tão repentinamente? Além disso, eu não deveria estar aqui. Nessa linha do tempo eu não deveria nem existir. Sei que nesse universo é tudo um jogo. Mas mesmo assim...era como se eu fosse...
...uma falha.
É isso. Se eu estou aqui sendo que não deveria estar eu devo ser uma espécie de...glitch? Mas será que alguém conseguiria me ver falhar? O fato de eu estar aqui e o que eu sou é algo extremamente complexo. Será que entenderiam?
Ouvi passos e o desespero que tomou conta de mim me fazia falhar a todo momento.
—Chara?-ouvi uma vozinha dizer.
Era Asriel. Meu melhor amigo. É isso! Ele vai poder me ajudar! Mas será que ele me vê falhando? Será que ele entenderia? Ou se assustaria? Afinal...
...ele sempre foi um bebê chorão.
O quê? Não! Ele é meu amigo! Vai me ajudar, eu sei disso.
Lentamente, me aproximei de Asriel. Tentei manter as falhas sob controle, mas não estava dando muito certo. Minha imagem mudava de um sorriso acolhedor e braços abertos para um sorriso maníaco e uma faca pronta para fazer mais uma vítima.
—Chara...-a voz dele soou assustada.
Aquilo me cortou por dentro.
—Asriel...-falei em um tom choroso.
Parei de andar e fiquei de frente para ele. Por algum motivo, eu não estava mais falhando. Asriel parecia aterrorizado e confuso. Então ele me via falhando. Mas...por que estava com medo? Por que não pergunta o que está acontecendo?
Asriel, me ajude, tentei dizer. Mas cometi um erro fatal ao me sentir triste devido ao medo dele. Eu falhei novamente e aquela faca apareceu em minha mão no momento certo.
MATAR OU MORRER.
NÃO!
Asriel nem teve tempo de reagir. Antes que ele ou até mesmo eu percebesse, o chão já estava manchado pelas suas cinzas.
Meu sorriso aumentou. Há quanto tempo eu não sentia o prazer de matar? Agora que Frisk salvou todos, posso matá-los novamente. E agora, está tudo em minhas mãos. Não vou ser estúpida como a outra humana. Vou ser discreta. Assim, nunca saberão o que os atingiu.
Falhei novamente e, para meu alívio, a faca sumira. Tentei entender como tudo começou. Quando acordei naquele dia, eu havia possuído Frisk. Até aí tudo bem. Mas quando Frisk, por medo, acertou um golpe que, sem querer, acabou com o Dummy, senti algo começar a tomar conta de mim, algo que me fazia querer matar. Não era Frisk. A alma da garota era bondosa de mais para ter tanta sede de sangue. Era alguma força externa que estava bagunçando nossas mentes. O que seria essa força? Que vozes são essas em minha cabeça? Será que a causa disso tudo sou eu, como Sans dissera? Ou será que sou um mero fantoche de alguém?
Nah, não tem como. Deve ter sido minha forma genocida que tomou conta quando a primeira criatura foi morta.
Imagino se os outros monstros entenderiam se eu os dissesse que eu não queria matar. Até porque, tudo o que Frisk e eu fizemos está guardado em algum lugar no subconsciente de cada monstro. Nem todos têm noção de linhas do tempo alternativas às que vivenciaram. Eles não poderiam me ver como uma boa pessoa porque em nenhuma linha do tempo eles conheceram esse meu lado. Mesmo quando eu morava com os Dreemur, eu sabia que os monstros suspeitavam que minha alma era corrompida.
Pisquei e recuei. Espera...como eu lembrava disso? Estranho, eu sinto como se...será que foram realmente os monstros que me mataram?
Óbvio que foram eles. Quem mais seria?
—Olha o que temos aqui...-ouvi alguém dizer.
Olhei para trás e lá estava. Sans, o esqueleto.
PARECE QUE É HORA DA FESTA.
O quê? NÃO!
Ao me lembrar do que aconteceu com Asriel, pensei em como eu poderia me controlar e falhar novamente. Espera...eu falhei quando entrei em desespero, falhei quando fiquei triste...SENTIMENTOS FORTES! ESSA É A SOLUÇÃO!
Ok, Sans estava ali. Ele iria me matar por tudo que eu fiz. Com isso, comecei a entrar em desespero e falhei.
—O que foi isso?-ele perguntou.
Ah, não...
Ele me viu falhando.
Arregalei os olhos e um nó se formou em minha garganta. O pânico agora era completamente espontâneo e eu dava glitch a cada segundo. Porcaria!
Corri o mais rápido que pude, me afastando de Sans. Minha imagem, em certos momentos, mostrava uma assassina tentando, sem sucesso, ignorar a força de vontade que a impedia de atacar alguém que poderia ser sua próxima vítima.
Mas, cada vez que essa forma sumia, era possível ver uma garota com lágrimas nos olhos e com medo de si mesma.
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