Nightmare

3 Surprise, kids


Corri até minhas pernas não aguentarem mais e me sentei no chão. Estava em Snowdin. Escutei passos se aproximando e me escondi atrás de uma casa.

—Yo, Frisk! Vamos brincar na neve?-era a voz daquele garotinho, como é o nome dele, é...Monster Kid?

—Hey, Monster Kid-obrigada pela resposta, Frisk-Vamos, vai ser divertido!

Ouvi o barulho de um toque de celular. Espiei para ver o que estava acontecendo e vi Frisk, sentada no chão, pegar o telefone dela e mexer em alguns botões. Ela deixou o objeto na neve e começou a fazer um montinho com a mesma enquanto dizia:

—Oi?

—Hey, criança-Sans soava preocupado e parecia ter corrido uma maratona, já que era possível ouvir sua respiração acelerada do outro lado da linha-Você está bem? Onde você está? Tem alguém com você?

—Sim, eu estou perfeitamente bem. O Monster Kid está aqui, por que as perguntas?

—Lembra-se de Chara?

—Sim...

—Ela está de volta. Criança, por favor, onde você está?

—Snowdin, em frente à sua casa.

—Estarei aí em um segundo.

Dito e feito. Assim que ele desligou o telefone, apareceu em frente às duas crianças. Pode falar o que quiser do Sans, mas esse poder de teletransporte é muito da hora.

—Que bom que estão bem. Imagino quem aquela pequena criatura matou...-murmurou.

—Hã...o que disse?-Frisk se levantou.

—Quando eu a vi, ela estava com uma faca na mão e parecia que tinha matado alguém.

—Ah, não...

—Vou falar com a Undyne!-falou o Monster Kid, animadamente, e saiu andando, tropeçando e caindo, mas voltando a correr em seguida.

—O que foi, Sans? Parece estar pensando em algo...-Frisk notou.

—É que...sei lá, tinha algo estranho com aquela garota...-ele murmurou.

Comecei a andar até os dois contra a minha vontade. Levei alguns segundos para perceber que eu estava falhando. Mas...quando parei de falhar, minha forma estava muito diferente. Os cabelos que vi em meus ombros agora estavam brancos. Meu suéter perdera as listras e, assim como meus tênis, se tornou preto. Eu usava calças e uma enorme capa que ia até meus pés, da mesma cor que a blusa. Eu flutuava, mas meus pés também não estavam muito distantes do chão. "Eu". Não. Essa definitivamente não era eu.

—Eu sou "Chara"-abri um sorriso misterioso-"Chara". O demônio que vem quando as pessoas chamam o seu nome.

Não! Essa não sou eu!

—Sabe...vocês vivem me culpando de tudo, mas...devo lembrar quem começou a matança? Frisk, Frisk, Frisk...você achou que deveria atacar o Dummy. Mas ele morreu com um golpe. Você não fazia ideia de que, depois que você ataca pela primeira vez...-eu ri-Não tem mais volta.

—Cala a boca, sua...-Sans começou.

—Mas estou mentindo? Foi ela quem começou. Ela achou que deveria atacar o Dummy. Quando ele morreu, comecei a me alimentar de seu ódio, medo e tristeza. Quanto mais monstros ela matava, mais forte eu ficava. Quanto mais ela matava, mais ela queria matar. Esse sentimento...sou eu. Mas ela poderia ter voltado atrás se quisesse. Só que a curiosidade não a permitiu. Isso abriu caminho para mim. Consegui me fortalecer e no final, tomar o controle. Na verdade, o acordo que fizemos para esse mundo voltar...era para eu estar te controlando novamente. Quando Toriel deixou aquele pedaço de torta em seu quarto depois de tudo acabar bem...eu deveria ter tomado o controle. Era para todos estarem mortos agora. Mas algo deu errado. Bem, eu particularmente não me importo. Ainda posso matar a todos. Asriel já foi. O que acha de ser a próxima, Frisk?-sorri cruelmente.

—Não se atreva-Sans falou entre os dentes, de um modo quase rosnado.

Percebi que o olho dele estava começando a brilhar. Isso não vai ser bom...

—Ah, aí está você-ouvi uma voz conhecida atrás de mim.

Na verdade, eu não conhecia a voz, mas...ao mesmo tempo...conhecia. Estranho...

Ouvi alguém correndo e me virei. Avistei um garoto que deveria ser da minha altura (ou ao menos eu pensava, até eu me lembrar de que só parecia isso porque eu estava flutuando). Seus cabelos eram pretos e ele usava exatamente as mesmas roupas que eu, só que brancas.

—Yin, posso saber o que está fazendo aqui?-ele cruzou os braços.

—Yang, você tira a graça de TUDO.

—Você andou ocupada, hein. Há muitos sentimentos negativos por aqui.

—A humanidade fez o que quis com a criança.

—O que está acontecendo?-Sans perguntou.

Yang abriu um sorriso doce, como só ele mesmo faria (apesa de eu não ter muita certeza de como sei disso).

—Ela é Yin e eu sou Yang. Sou a forma de tudo o que é bom. Os seres humanos me criaram. Alguém a quem eles poderiam recorrer para saber qual seria a decisão certa a ser tomada. Cada bom ato que você faz...aquele sentimento de satisfação e de trabalho cumprido...sou eu.

—É, e ele também adora cortar baratos-eu...ELA falou, revirando os olhos-Bem, eu sou a forma de todo o mal. Veja bem, a humanidade percebeu que os sentimentos maus e coisas do tipo estavam causando vários problemas. Eles brigavam entre si, perderam a amizade com os monstros e...bem...era um caos. Eles decidiram então remover tudo que há de ruim dentro de suas almas. Óbvio que isso não os fez completamente puros, mas influencia-los a serem cruéis, dependendo da situação, seria mais difícil. Mas a curiosidade, o medo e mágoa...isso ajuda muito meu trabalho. Muito tempo passou até verem que me manter a solta não melhorava em nada a situação deles e, sendo assim, decidiram me aprisionar no corpo de uma criança humana. Dessa forma, eu causaria menos estrago. Acontece que era maldade de mais para uma criancinha só aguentar. Ao descobrir o que os seres humanos fizeram a ela, Chara decidiu fugir. Foi assim que ela veio parar aqui. Mas a situação dela não melhorou. Cada vez que uma pontada de ódio brotava em alguém, ela sentia isso. Sentia vontade de atacar. Sentia-se mais forte. Mas isso nunca foi ela. Fui eu. A DETERMINAÇÃO...todos os humanos e monstros tentavam entender isso em vão. Nunca perceberam que isso não é algo bom. Você sente isso quando você quer muito fazer ou acreditar em algo, mesmo que tudo mostre que é impossível. Mas você tem DETERMINAÇÃO. Porque seu ORGULHO é grande de mais para te deixar desistir. E, bem, o orgulho não é um sentimento bom. Na verdade...Sans já entendeu isso. Apenas não associou à ideia correta. Achou que era só a questão do "você pode, então sente que deve". Esse "sente"...acho que entenderam de onde vem. Agora, minha DETERMINAÇÃO está maior que nunca. Logo, terei poder suficiente para me livrar desse corpo inútil e finalmente tomar conta de tudo.

—Yin, você está indo longe de mais-Yang alertou.

—Eu sei. E isso é uma ideia YINcrível.

Sans começou a rir descontroladamente. Frisk o repreendeu com o olhar.

—Ok, sei que não é uma boa hora. Mas uma piada boa dessas não pode passar despercebida-ele justificou.

—Vejo vocês em breve, crianças. Não vai demorar-Yin sorriu misteriosamente de novo-Vai ser antes do que esperam.

—Yin, por favor, pense melhor-Yang pediu.

—Está realmente pensando que pode me fazer mudar de ideia?

—Sabendo que é você, bem...não.

—YINtão é isso.

Yang deu fechou os olhos e deu um tapa na própria testa.

—YIN!-ele disse.

Yin não conseguiu segurar o riso.

—Até loguYINho.

Assim que ela colocou o capuz na cabeça, nos teletransportamos para outro lugar.