Nightmare
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Nunca havia andando tanto de carro. Eu ficava constantemente enjoada, minhas pernas estavam sempre formigando se ficassem muito tempo paradas. Minha mãe ligava pelo menos uma vez por dia. Mas nada se comparava ao terrível tédio.
- Ai, por que não fomos de avião? – Massageava minhas pernas amortecidas.
- Kevin insistiu que se fossemos de avião perderíamos toda a paisagem, mas é baboseira de quem não tem mais o que fazer!
- Baboseira não. Conhecemos muitos lugares legais!
- Super legais. – Joe usou um tom sarcástico.
Os dois começaram uma longa discussão sobre a definição de “lugares legais”, que só foi terminar quando chegamos a um hotel.
- Essa é nossa ultima parada em um hotel, porque amanhã já estaremos em casa.
- Finalmente! – Respondeu Joe. – Venha Demi, vamos pegar mais roupas para você.
- Esta bem.
Segui Joe e Kevin entrou no hotel.
Fomos até o centro da pequena cidade. Havia uma simples loja de roupas na esquina.
Joe me mostrou uma saia curta.
- Que tal?
Analisei a peça que ele segura na minha frente.
- Não acho que faça muito o meu tipo e é muito curta.
- É mais cumprido que o short que você estava usando!
- Ta bom. Agora ache algo descente para eu vestir.
O empurrei para o outro lado da loja, esperando que lá tivesse roupas menos curtas e decotadas. Joseph ainda insistia nas piores roupas que encontrava. Logo achei algumas peças que eram do meu gosto e dentro dos parâmetros da decencia.
Saímos da loja.
- Obrigada Joe!
- De nada. Mas aquela saia ficaria melhor do que a calça!
- Seu bobo. – Lhe dei um leve soco no braço e ele riu.
- Vamos entrar aqui?
- Mas isso é... – Olhei pela janela e me vi diante da cena deplorável de homens bebendo até não aguentarem mais, outros brigavam. Havia algumas mesas com jogadores apostando tudo o que tinham no jogo de cartas. — ...Um bar!
- E dai? Venha!
Fui praticamente forçada a entrar no bar. Era um lugar sujo e fedorento, as pessoas eram estranhas e mal encaradas. Joe se junto a uns homens para jogar. Tentei o fazer desistir da péssima ideia, mas me ignorou. Me sentei em um banquinho ao lado do balcão em que as bebidas eram servidas. Tentei ficar o mais próximo possível da mesa onde Joseph estava.
- Oi gatinha! – Um bêbado nojento vinha pra cima de mim no bar.
- A deixe em paz otário! – Joseph falou pegando uma bebida. – Se quiser algo, é só pedir Demi.
O bêbado se afastou. Joe voltou à mesa onde estava jogando cartas, ele apostava grandes quantias de dinheiro, mas nunca perdia. Observei as jogadas dele, provavelmente ele estava trapaceando.
O cara voltou a me atazanar. Tentei ignorar, mas ele chegava muito perto além de me assustar, fedia muito.
- Sai daqui! – O empurrei, mas logo voltou ao meu lado. Até que tentou me beijar a força. – AAAAAAH! – Gritei.
Então tudo aconteceu tão rápido, que quando me dei conta do ocorrido, Joe já estava brigando com o homem. Pingava sangue no chão, só que era impossível saber de quem era, os dois não paravam de se socar.
- Joseph pare! – Mas me afastei quando quase apanhei junto.
Depois de tão se tapearem e nocautearem um ao outro, o bêbado ficou caído no chão e Joe levantou-se vindo até mim. Ele sangrava um pouco, parecia acabado.
- Joe por que fez isso? Olha como você esta. – Me referindo ao seu rosto, que estava bem machucado.
- Aquele idiota estava de gracinha com você.
- Não precisava ter brigado. Foi exagero!
- Por você valia a pena. – Ele ria sem graça, sorri.
- Muito corajoso meu rapaz, nocauteando um de meus homens! – Joe e eu nos viramos instantaneamente para vermos de quem sairá àquelas palavras.
Joe riu vagarosamente.
- E eu não gosto disso! – Sua expressão só mostrava sua insatisfação com a nossa presença.
- Não gosta? Então mantenha os seus macacos bem longe da garota! – Enrijeceu, pronto a atacar o homem a nossa frente.
- Pessoa que chegam querendo mandar na minha área, me irrita.
- Pois é. Só que para mandar em alguém aqui teriam que ser mais inteligentes.
Aquilo não acabaria bem. Para evitar maiores danos, me coloquei entre os dois.
- Ei! Vamos com calma, nem tudo precisa terminar em briga – O homem era realmente alto, me sentia uma anã perto dele.
- Para trás Demi! – Joe me empurrou para o lado, mantendo o olhar fixo no homem a sua frente. – Ninguém mexe com você e fica sem o troco! – Ele falava com raiva.
- É legal isso que você esta fazendo por mim, mas pare! – Me ignorou.
- Como eu disse. Corajoso!
Ele sacou uma arma, a posicionando de encontro ao peito de Joseph. Ouviu-se a arma ser engatilhada. Eu não podia deixar que aquilo acontecesse. Joe se arriscava por um motivo bobo, ele não precisava fazer aquilo, não por mim.
- Pare, por favor! – Supliquei. – Vamos embora e esqueça isso.
Por um instante seu olhar desviou-se vindo ao meu encontro. Sua expressão suavizou, mostrando um sorriso tímido.
- Esta bem Demi. – Voltou-se ao homem. – Vou embora! – Falou com indiferença.
Guardou-se a arma, tirando parte da minha preocupação.
- Mas antes que vá... – O homem deu-lhe um soco no rosto, que o impacto o levou de encontro ao chão.
Joe levantou com um pouco de dificuldade. Antes mesmo que pudesse se recompor, foi arrastado para fora do bar e jogado na calçada. Peguei minha sacola de roupas e corri até ele.
- Minha nossa! Você esta bem? – Me abaixei até ele.
- Não se preocupe. Estou bem! – Ajudei a se levantar.
- Olha o seu estado. Você esta sangrando e... – Percebi algo meio estranho em seu braço. – Isso é uma mordida?!
- É. Aquele bêbado miserável me mordeu.
- Venha! Vamos cuidar disso.
Passamos em uma farmácia. Joe insistia que não precisava, mas mesmo assim comprei alguns curativos – com o dinheiro dele. Em seguida voltamos ao hotel.
Kevin – como nos dias anteriores – dormia no chão. Eu insistia para que ele, ao menos uma vez, dormisse na cama, porque um colchão posto sobre o chão, não era muito confortável.
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